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Biblioteca de Doenças


Doenças Cardiovasculares: o fator água
Prof. Dr. José de Felippe Junior

Schroeder publicou uma série de observações sobre os oligoelementos presentes na água ingerida pela população e a sua correlação com as doenças cardiovasculares.
Avaliou a qualidade da água em 42 estados norte - americanos e observou em brancos com idade entre 45 e 64 anos o seguinte: quanto maior a mortalidade por hipertensão arterial menor a quantidade dos seguintes elementos na água ingerida ( disponível no abastecimento de água da cidade ): cromo, zinco, manganês, cálcio, magnésio, vanádio, molibdênio, flúor e boro. Em adição, o índice de mortalidade se correlacionou positivamente com a presença na água de metais tóxicos: chumbo, cádmio, níquel, estanho, prata, antimônio e bismuto. Neste estudo não se encontrou correlação com a angina pectoris ou o infarto do miocardio..
Schroeder também observou significante correlação negativa da dureza da água com a mortalidade por doença cardiovascular, mortalidade por câncer, cirrose hepática e densidade populacional.
Pinkerton observou significante correlação negativa da dureza da água com a doença aterosclerótica do coração, mas não com a doença hipertensiva ou os acidentes cerebrovasculares. Interessante foi a correlação positiva do cádmio do leite com a doença aterosclerótica do coração e a doença hipertensiva.
O fator água oferece apenas evidência indiretas do papel dos oligoelementos sobre a mortalidade de várias doenças . Os estudos estatísticos de correlação simples efetuados entre um único índice presente no ambiente e a mortalidade em determinada região podem ser enganadores, entretanto, quando lembramos do papel desempenhado pelos oligoelementos na defesa anti-radical livre e da ação dos metais tóxicos aumentando a geração desses elementos tão reativos, somos obrigados a respeitar as correlações encontradas pelos pesquisadores do passado, pois entendemos o seu modo de ação.
Também é interessante lembrar que a água não contém a quantidade que necessitamos de oligoelementos: em geral em valores médios, a água supre menos do que 5% das necessidades diárias, porém, ela é um veículo importante de metais tóxicos . Esses metais por menor quantidade que estejam presentes, possuem a capacidade de se armazenar em vários locais do organismo e isto nos leva a uma outra hipótese.
Possivelmente a dureza da água (maior quantidade de cálcio, magnésio e micronutrientes ) não seja o fator protetor, porém, a água leve, por ser deficiente em tais elementos é ácida e assim consegue deslocar vários tipos de metais dos encanamentos galvanizados e das soldas, sendo portanto mais rica em metais tóxicos.

 




Micronutrientes e doenças cardiovasculares

O Quadro 1 mostra os oligoelementos envolvidos experimentalmente nas doenças cardiovasculares. Vemos que os micronutrientes protetores da aterosclerose são: cromo, manganês, vanádio e cobalto e os elementos indutores são o cobre e o ferro. Na hipertensão arterial o zinco é protetor e o cádmio indutor.
O Quadro 2 mostra o conteúdo de micronutrientes e metais tóxicos, dentro da artéria de pacientes com aterosclerose e infarto do miocárdio que foram submetidos à necropsia.
Notar que na aterosclerose o conteúdo de chumbo e ferro nas paredes da aorta estão aumentados e o conteúdo de cromo e manganês estão diminuídos.
Em cinco grandes regiões do planeta, onde o conteúdo de cromo é alto nas paredes da aorta, a população morre menos de aterosclerose coronariana ( angina e infarto).
Nos EUA as pessoas que morrem em acidentes automobilísticos possuem cromo normal na aorta, contrastando com aquelas que morrem por infarto do miocárdio, as quais apresentam um baixíssimo conteúdo de cromo.
O manganês é cofator da mevalonico kinase, a qual sintetiza esqualene e colesterol e sabe-se que a sua presença inibe a aterosclerose experimental em coelhos.
O zinco e o cádmio estão intimamente relacionados: o excesso de zinco desloca o cádmio e facilita a sua eliminação pelo organismo. Sabe-se que existe uma boa correlação entre as mortes clínicas por hipertensão arterial e o conteúdo de cádmio renal, e mostrou-se em um grupo de pacientes hipertensos , que eles excretam 40 vezes mais cádmio na urina quando comparado com controles normotensos, mostrando a relação entre o excesso de cádmio no corpo e a hipertensão arterial.
Se fosse possível resumir ao máximo, relacionaríamos o cromo e o manganês à aterosclerose e o cádmio e o zinco à hipertensão arterial.

Quadro 1

Oligoelementos envolvidos nas doenças cardiovasculares experimentais
 
protetor
indutor
Aterosclerose
Cr, Mn, Va, Co
Cu, Fe, deficit de Cr
Hipertensão
Zn
Cd, déficit de Zn
Calcicação aórtica
Mg
Fe, metais tóxicos
Elasticidade das artérias
Li, Cu
 
Necrose miocárdica focal
Se
As


Quadro 2

Oligoelementos dosados nas artérias e outros locais de pacientes com aterosclerose
e infarto do miocárdio
 
Aterosclerose
 
Aumento
Diminuição
Aorta
Fe, Pb, Ag, Mo, Co, Zn
Cr, Mn, Li, Cu
Coração
Cu, Zn, Co
Mn
Plasma
Mn
Zn
 
Infarto do miocárdio
 
Aumento
Diminuição
Lesão tissular, miocárdio
Ba, Br, Sb
Mn, Zn, Co, Al, Rb
Soro
Cu, Ni, Ca, Mn, Ba, Mo
Zn, Fe
Urina
Cu
 

 

 

Ferro e doenças
A diminuição de ferro no organismo provoca anemia ferropriva e diminuição da função do sistema imunológico com o aparecemento de infecções. Estas são as informações que impregnaram a mente de nós médicos enquanto ainda éramos estudantes . Entretanto com o passar dos anos foram surgindo trabalhos que nos ensinaram que o excesso de ferro também é prejudicial ,pois aumenta a incidência de vários tipos de doenças.
São abundantes os trabalhos na literatura médica que correlacionam os níveis aumentados de ferro no organismo com as doenças degenerativas da idade incluindo a artrite , a artrose, as complicações diabéticas e moléstias importantes , como o câncer e a aterosclerose. O câncer e a aterosclerose estão entre as doenças que mais frequentemente levam ao óbito, nos países modernos.
O exame chave é a ferritina sérica, que se correlaciona com os níveis corporais totais de ferro no organismo. A ferritina é um exame comum nos laboratórios de patologia clínica. É importante lembrar que recentemente, alterou-se os valores normais da ferritina , considerando-se normal, ou seja, seguro, os valores entre 10 e 50 nanogramos / ml , tanto nos homens como nas mulheres.

 

Referências Bibliográficas
1- Schroeder NA. The role of trace elements in cardiovascular diseases. Medical Clinics of North America 58 (2): 381-96, 1974
2- Pinkerton C.: Cadmium content of milk and cardiovascular disease mortality JAMA, 243 (23) 2399, 1980.
3- Masironi. R: Trace elements and cardiovascular diseases. Bull. World. Healt Org.: 40:305, 1969.

 

 

 

 

 

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