Nosso principal objetivo é elaborar " PROTOCOLOS DE CONSENSO " das estratégias terapêuticas, com a finalidade de " REGULAMENTAÇÃO " no Conselho Federal de Medicina ou nos Conselhos de Classe Competentes.
Biblioteca de Doenças


Efeitos da deficiência de cobre no câncer : antiangiogênese
Prof. Dr. José de Felippe Junior

O cobre desempenha papel essencial na promoção da angiogênese. Folkman em 1971, foi o primeiro a descobrir que tumores com dimensões de aproximadamente 2 mm requerem angiogênese para crescerem e se desenvolverem Os tumores que adquirem a habilidade de formar novos vasos entram em uma fase de rápido crescimento e exibem maior potencial metastático.
Para o tumor crescer e se desenvolver é necessário a formação de novos vasos sangüíneos e para acontecer esta verdadeira neoangiogênese é preciso que esteja disponível uma quantidade suficiente de cobre.
De fato, a disponibilidade do cobre desempenhou papel fundamental na evolução da nossa espécie pelos seus efeitos na regulação do crescimento e da proliferação celular e possivelmente seja esta a razão de existirem tantos promotores da angiogênese dependentes dos níveis de cobre. O VGEF ( fator de crescimento endotelial vascular ) é um fator chave , talvez o fator dominante, na promoção da angiogênese tumoral e ele interage com numerosos fatores que promovem a angiogênese, pois bem, para o VGEF tornar-se ativo é necessário a presença de cobre.
O uso de drogas anti cobre na prática clínica requer a procura de uma ``janela terapêutica`` , na qual o nível de cobre possa ser reduzido o suficiente para inibir a angiogênese do tumor, sem interfirir com as suas funções vitais no organismo. Talvez esta janela possa ser obtida mantendo-se a concentração sérica de ceruloplasmina entre 5 e 15 mg/dl ( normal: 20 a 35 mg/dl ).
O tetratiomolibdato ( TM ), composto que contém molibdênio, é um agente anti cobre muito potente, de ação rápida e não tóxico. O TM produz no sangue um complexo tripartite com a albumina e o cobre , o que provoca a inativação do cobre no organismo. O seu emprego consegue diminuir a velocidade de crescimento de tumores em vários modelos animais e já existem resultados positivos em seres humanos. O TM é usado no tratamento da doença de Wilson.
In vitro o TM diminuí a produção de cinco mediadores pro angiogênicos: fator de crescimento endotelial vascular ( VGEF ), fator 2 de crescimento do fibroblasto, IL-1 alfa, IL-6 e IL-8. Em adição o TM inibe a atividade do NFkappaB e de outros fatores genicos de transcrição. Possivelmente a supressão do NFkappaB contribuindo para a inibição global dos fatores de transcrição pro angiogênicos, seja o principal mecanismo do efeito anti angiogênico da deficiência do cobre, induzida pelo TM.
O zinco bloqueia parcialmente a absorção do cobre e ao lado do molibdênio, tem sido usado para diminuir os níveis de cobre na doença de Wilson. Devido ao seu mecanismo de ação lento e gradativo, é utilizado no tratamento anti cobre de manutenção

Emprego do cobre como agente antiangiogênico anticâncer : estudos em animais

Brem em 1990, implantou tumor cerebral em ratos e coelhos com prévia deficiência de cobre ( dieta pobre em cobre e uso de penicilamine um quelante de cobre ) . Notou que nos animais cobre deficientes os tumores cerebrais eram marcantemente menores quando comparados com o grupo controle. No local do implante dos animais controle havia uma pletora de vasos neoformados , enquanto no grupo deficiente em cobre quase não havia neovascularização. Entretanto a sobrevida nos dois grupos foi semelhante.
Brewer utilizando o tetratiomolibdato ( TM ) como agente anti cobre, em camundongos portadores de sarcoma MCS205, conseguiu reduzir significantemente o crescimento tumoral e o mais importante, conseguiu aumentar a sobrevida destes animais.
Em um tipo de modelo de câncer de mama espontâneo em ratos susceptíveis geneticamente, a maioria deles desenvolvem o tumor no primeiro ano de vida. Durante o período de 270 dias, 18 dos 22 animais controle desenvolveram tumor de mama, enquanto que nenhum dos 15 animais que receberam o TM por gavagem apresentaram tumor visível ( havia pequenas formações tumorais microscópicas). A interrupção do TM , fez surgir tumoração visível. O tratamento com TM no grupo com tumor, estabilizou o crescimento tumoral por um longo tempo de observação. Vemos aqui o papel do TM , tanto na profilaxia como na parada do crescimento de tumores já estabelecidos.
Cox em 2001, mostrou os efeitos do TM como supressor do cobre e como agente indutor de antiangiogênese no carcinoma de células esquamosas de cabeça e pescoço. O TM reduziu em 28% as reservas de cobre do camundongo e juntamente provocou uma diminuição do volume tumoral de 3000 mm3 para 630mm3 ( redução de 4,7 vezes ). A densidade dos microvasos foi reduzida em 50% no grupo TM. Não foi estudada a sobrevida.

Emprego do cobre como agente antiangiogênico anticâncer: estudos clínicos

Usou-se o nível sérico de ceruloplasmina para controlar a terapia anti cobre. A ceruloplasmina foi mantida entre 5 e 15 mg/dl ( normal: 20 a 35 mg/dl ) por pelo menos 60 dias. Não se espera qualquer efeito antitumoral antes deste período, nem mesmo a diminuição do cobre no tumor, o qual é muito ávido por esse metal. O primeiro sinal clínico de deficiência de cobre é a anemia e o único efeito colateral do TM , poderoso quelante do cobre é justamente a anemia por deficiência de cobre. Mais recentemente Brewer optou por manter os níveis de ceruloplasmina em apenas 5 mg/dl, pois, não observou anemia nestas condições. A dose de TM em seres humanos foi de 120 mg/dia divididas em 6 doses.
Em 6 casos de câncer metastático , cinco mostraram estabilização da doença , sendo que um deles apresentou regressão da metástase pulmonar.
Em estudo clínico não controlado, 18 pacientes com 11 tipos diferentes de câncer metastático e que alcançaram as metas de ceruloplasmina entre 5 e 15 mg/dl, conseguiram a estabilização da doença por um período de 30 meses. Um paciente com condrosarcoma metastático e uma paciente com câncer de mama com metástases permaneceram estáveis pelo menos por 2,5 anos , época que foi escrito o trabalho . São necessários maior número de casos e trabalhos clínicos controlados para conclusões mais seguras.

 

 

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