Nosso principal objetivo é elaborar " PROTOCOLOS DE CONSENSO " das estratégias terapêuticas, com a finalidade de " REGULAMENTAÇÃO " no Conselho Federal de Medicina ou nos Conselhos de Classe Competentes.
Biblioteca de Doenças

Paradigma da visão alopática e da visão complementar da saúde e da doença

A produção de uma biblioteca de doenças, elencadas conforme dita a alopatia, foi tema de discussão em nossa Associação, uma vez que a Medicina Complementar prima por uma visão diferente do paradigma vigente, no qual até há bem pouco tempo atrás acreditava-se que saúde fosse a ausência de doenças, sendo atualmente o ser humano visto como pequenos pedaços que estão doentes e devem ser tratados para que ocorra retorno de suas funções individuais, embora o conceito de saúde, segundo a Organização Mundial de Saúde, seja muito mais amplo: um estado de equilíbrio e completo bem-estar físico, mental e social

Quando criança, normalmente desenvolvemos somente doenças auto-limitadas, como infecções próprias da infância. Na adolescência aparecem as primeiras dores de cabeça, cólicas menstruais e dores de estômago. O adulto já desenvolve doenças crônicas como hipertensão, diabetes, dores crônicas (LER – Lesões por Esforço Repetitivo/ DORT – Disturbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho), e a saúde vai piorando até que chega a morte. Dentro da medicina convencional nada se faz para que isso mude, portanto a preocupação é com as doenças em si.

As técnicas complementares, em seu geral, compreendem o ser humano como um todo inserido em seu ambiente e em relação com ele, sendo a doença uma disfunção ou desequilíbrio desse sistema, que deve ser tratado como um todo, para o retorno de suas funções. Na medicina complementar, a maioria das estratégias acredita que o corpo pode ser estimulado a reagir, voltando a ter mais saúde.

Muitas vezes, quando utilizamos o tratamento complementar, há volta de sintomas antigos, sem que isso represente volta de doenças. Na homeopatia, o primeiro a verificar esse fenômeno foi Constantine Hering, que notou que com o uso do remédio correto sintomas de doenças antigas podem reaparecer como se a memória das doenças pelas quais o indivíduo passou voltasse no tempo, indicando um retorno a um estado saúde melhor. Tal retorno de sintomas é verificado principalmente nos tratamentos que têm por base a visão energética do ser humano, como a homeopatia e a fitoterapia.

Na estratégia biomolecular pensa-se nas células, que necessitam para o seu desempenho de 50 nutrientes essenciais, constituídos pelas vitaminas, sais minerais, aminoácidos e gorduras. Nessa visão não há preocupação com o diagnóstico da doença, apenas é fornecido a matéria prima essencial para o funcionamento celular, o que possibilita ao corpo encontrar o caminho da cura de inúmeros tipos de enfermidades. Isto baseando-se no conceito de que células com os nutrientes em equilíbrio - organismo com nutrientes em ordem - responderão muito melhor a qualquer tipo de estratégia terapêutica: alopatia, acupuntura, homeopatia, antroposofia, homotoxicologia etc.

Na acupuntura o tratamento é físico, instalando agulhas conforme orientação milenar ou de pesquisas recentes, equilibrando o organismo com a energia do planeta (ressonância de Schumann), equilibrando o sistema neuroimunoendócrino e facilitando a ação de medicamentos (homeopatia, fitoterapia, alopatia), melhorando a qualidade de saúde.

Assim, nota-se que mesmo dentro das práticas complementares há diferentes visões de saúde e doença, podendo ter a saúde e a doença como um continuum, com diferentes graus de saúde e doença, e aí mesmo dentro das práticas complementares há alguma perda dos parâmetros usuais às mesmas, utilizando-se de várias delas em associação e em geral não ao mesmo tempo, mas em seqüência, individualizando ainda mais o tratamento e fornecendo ao paciente o tratamento mais adequado para ele naquele momento.

Mas, com o conceito comum de que o corpo é capaz de encontrar o caminho para a cura e se não o faz é por estar em falta de algum componente (que pode ser tanto físico quanto energético), que ao ser fornecido permite então que o corpo se reequilibre, curando-se da doença que se manifestou, permitindo assim tratamento de diferentes patologias com técnicas semelhantes.

Porém, por estarmos imersos em uma cultura ocidental, as técnicas complementares tendem a realizar constantes paralelos com as doenças da medicina alopática, mesmo para se fazer entender entre o público leigo, ou seja, informar como e quais as doenças (já conhecidas) podem ser tratadas, e também para a aceitação pela comunidade científica, que é regida pela nomenclatura alopática - para haver comparação entre as técnicas é necessário situar-se dentro do que já está organizado.

Este último é um dos principais motivos alegados por muitos adeptos das práticas complementares para não realizarem pesquisas científicas na área, pois não se poderia tornar uma técnica tão individualizada em algo inespecífico e de caráter geral, a ser aplicado a várias pessoas com quadros semelhantes, pois para as técnicas complementares (como acupuntura e homeopatia) os quadros são individuais e muitas vezes doenças semelhantes à sua ótica correspondem a diferentes diagnósticos alopáticos e vice-versa.

Assim, a AMC, como entidade que se propõem a fornecer respaldo científico, não poderia optar por esta ou aquela visão, abarcando todas as possíveis posturas, desde a mais geral e alopática para as práticas complementares até a mais individualizada e não passível de generalização através do tratamento usado (como conjunção de pontos na acupuntura, fitoterápico no tratamento pela fitoterapia ou medicação homeopática na homeopatia), mas sim através da técnica usada, que pode ser aplicada a todos, permitindo, assim, ao nosso leitor que venha com sua visão da Medicina Complementar a possibilidade de enriquecê-la e conosco contribuir e ainda deixando-lhe a opção de tomar conhecimento de outras visões possíveis dentro da Medicina Complementar, e não apenas disponibilizando apenas uma das possíveis leituras de saúde doença.

 

 

 

 

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