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Efeitos da vitamina D no câncer: indução da apoptose, inibição da proliferação celular maligna e antiangiogênese
Prof. Dr. José de Felippe Junior


A vitamina D3 ( 1,25 dihidroxivitaminaD3 ) forma hormonal da vitamina D , possuí atividade anticâncer in vivo e in vitro. A noção que a vitamina 1,25(OH)2-D3 desempenha atividade anticâncer surgiu a partir de estudos epidemiológicos que mostraram uma correlação inversa entre a incidência e a malignidade do câncer de mama , de próstata e coloretal com a exposição ao Sol, com a ingestão de vit. D e com os níveis sangüíneos de metabolitos da vit. D.
Em células do câncer de mama o pré tratamento com vitamina D3 aumenta a citotoxicidade induzida pela menadiona ou pelo quimioterápico doxorubina. A N-acetil cisteina um antioxidante, impede a ação da vit.D3 , sugerindo que o mecanismo de ação envolve a produção de radicais livres.
Nas células do câncer de mama MCF-7 tratadas somente com a vit. D3 observa-se marcante redução da atividade da SOD Cu-Zn e também redução do RNA mensageiro desta enzima no citoplasma, indicando que a vit. D3 inibe a síntese desta potente enzima anti radical superoxido. Esta redução da capacidade antioxidante das células explica a interação sinérgica da vit D3 ou dos seus análogos com outras substâncias geradoras de radicais livres.
A vit D3 in vivo retarda o crescimento de tumores humanos de mama, colon, melanoma e retinoblastoma , implantados no camundongo. In vivo a vit. D3 aumenta a ação citotóxica dos macrofagos, linfocitos e células Natural Killer e também aumenta a potência do fator de necrose tumoral (TNF) como citostático .
Os efeitos da vit D são praticamente abolidos com a adição de quelantes de metais, e das enzimas antioxidantes, SOD Mn ou SOD Cu-Zn .
Podemos atingir altos níveis de vitD3 no tumor com a administração dos precursores da vit. D3 , como o 25 hidroxivit.D.
Fujioka em 1998, Iseki em 1999 e Van den Bend em 2000 demonstraram que a vitamina D3 apresenta propriedade antiangiogênica frente a tumores sólidos: carcinoma renal murino e carcinoma de colon.
Takaku em 2001 verificou que não somente a vitamina D3 apresenta efeito sobre o crescimento da microcirculação, mostrando que a vitamina D2 ( ergosterol ) também apresenta um efeito antiangiogênico potente. No sarcoma 180 no rato, notou que o retardo do crescimento provocado por uma fração lipídica do Agaricus blazei Murill era por antiangiogênese e que o responsável por esse efeito era o ergosterol presente no extrato do cogumelo. O ergosterol não possuí atividade in vitro contra o sarcoma 180.

 



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