Nosso principal objetivo é elaborar " PROTOCOLOS DE CONSENSO " das estratégias terapêuticas, com a finalidade de " REGULAMENTAÇÃO " no Conselho Federal de Medicina ou nos Conselhos de Classe Competentes.
TRABALHOS RANDOMIZADOS E DUPLO CEGOS ATESTAM : A MEDICINA BIOMOLECULAR AUMENTA A EFICÁCIA DO TRATAMENTO CLÁSSICO NAS VÁRIAS ESPECIALIDADES MÉDICAS
Iniciamos aqui um novo tópico no SITE da Associação Brasileira de Medicina Complementar, aberto a todos os colegas que desejarem contribuir com resumos de trabalhos sobre a influência dos nutrientes no tratamento
e na prevenção das doenças . Nas mais variadas ocasiões em congressos, simpósios e no cotidiano temos visto médicos e professores afirmarem que professam a medicina clássica ,porém , eles têm dificuldade em aceitar
os novos conhecimentos provenientes da bioquímica e da fisiologia aplicada, conhecimentos esses tão clássicos como a própria medicina em que atuam. Esta é uma das razões de começarmos a coletar trabalhos duplo cego
,randomizados e quando possível cruzados para mostrar aos nossos colegas a devida importância da abordagem biomolecular : aumentar a eficácia do tratamento habitualmente
empregado. Nesta edição estamos apresentando 32 estudos da maneira acima descrita
Cardiologia
I-ANGINA PECTORIS .
1- Em 1992 McMurry avaliou a presença de malondialdeido , marcador da peroxidação lípidica, no plasma de 25 pacientes com angina instável, 25 pacientes com angina
estável e 25 controles normais . Os valores foram respectivamente: 10 ng/ml ,9 ng/ml e 8 ng/ml,com significância estatística de p<0.05 entre o grupo angina instável
e os controles normais .Sendo a angina pectoris uma doença onde acontece episódios recorrentes de isquemia-reperfusão ,temos durante o desencadear deste processo a
produção de espécies reativas tóxicas de oxigênio ,principalmente do radical hidroxila o qual é capaz de abstrair átomos de hidrogênio dos ácidos graxos da membrana
celular e assim iniciar o processo de peroxidação lípidica,o qual é detectado no sangue com a dosagem do malondialdeido (MDA). Este trabalho nos mostra que ,
quanto mais grave o quadro de angina ,maior é a quantidade de MDA detectada no plasma.Entretanto qual o significado deste achado? Seria somente um fenomeno fisiopatológico desprovido
de valor? O próximo trabalho mostra que devemos nos preocupar com os achados acima descrito. McMurry,Br.Heart.J.,68:454-7,1992.
II- ANGINA PECTORIS e COENZIMA Q10.
2-Em trabalho randomizado,controlado com placebo e duplo cego ,12 pacientes com angina pectoris estável receberam por 4 semanas ,150mg de coenzima Q10 /dia.Após
30 dias houve redução do número de crises anginosas de 5 para 2.5 , redução do consumo de nitroglicerina de 2.6 para 1.3 e houve aumento da tolerância ao exercício mostrada
no teste ergométrico pelo aumento do tempo de exercício necessário para ocorrer isquemia com manutenção do produto,frequência - pressão. Kamikawa.Am.J.Cardiol.,56:247-51,1983.
III- INSUFICIÊNCIA CARDÍACA E PRODUÇÃO DE RADICAIS LIVRES
. 3-Belch em 1991,dosou o malondialdeido,marcador da peroxidação lipídica,em 45 pacientes com ICC por miocardiosclerose e 45 controles normais,verificando uma diferença significante
entre ambos: 9 ng/ml no grupo ICC contra 7.7ng/ml no grupo normal ( p<0.01).Mostrou tambem que,quanto menor a fração de ejeção maior é a quantidade de MDA encontrada
no plasma .isto é ,quanto mais grave a ICC maior é a quantidade de radicais livres produzida no organismo. Belch,Br.HeartJ.,65:245-8,1991. Várias revisões de literatura apontam
o importante papel desempenhado pelos radicais livres na insuficiência cardíaca:diminuição da contratilidade miocárdica,aumeto das arritmias,aumento da vasoconstrição(aumento
do tromboxane A2 e diminuição da prostaglandina I2),aumento da coagulabilidade, diminuição da densidade dos beta receptores no miocárdio.Na ICC temos o aumento exagerado e prolongado
da ativação simpática com elevação dos níveis de norepinefrina a qual oxidada pelos radicais livres transforma-se em adrenocromo.O adrenocromo provoca:espasmo
de coronárias,arritmias,lesão ultraestrutural de miofibrilas e assim piora o quadro de disfunção ventricular.Na prática o emprego do tratamento clássico juntamente
com as medidas de controle do excesso de produção de radicais livres aumenta a probabilidade de um maior sucesso terapeutico.É o que veremos nos próximos trabalhos.
IV- ICC e COENZIMA Q10 .
4- De uma forma randomizada e duplo cega ,foram estudados 297 pacientes com insuficiência cardíaca por doença valvular,hipertensão arterial ou aterosclerose coronária ;
100 deles receberam 30 mg de CoQ10 ao dia e 97 receberam placebo .Após 2 a 4 semanas o grupo CoQ10 apresentou maior melhoria geral e maior redução da congestão
hepática ( p<0.05) e dos sintomas de angina (p<0.025). Hashiba K et al.Heart , 4:1579-89,1972.
V- ICC e COENZIMA Q10.
5- De uma forma duplo cega e cruzada 19 pacientes com ICC ,classe III e IV da NY Heart Assoc. receberam 100 mg de CoQ10 diariamente e depois placebo por
3 meses .Enquanto recebiam o CoQ10 18 dos 19 pacientes melhoraram significativamente da função cardíaca ,verificada por bioimpedância cardíaca , enquanto sob o placebo a função
cardíaca piorou.Não houve efeitos colaterais. Langsjoen et al. Proc Natl Acad Sci USA , 82: 4240,1985.
VI- ICC e TAURINA .
6- Em trabalho duplo cego e cruzado,14 pacientes com insuficiência cardíaca congestiva por miocardiosclerose receberam 2 g do amino-ácido taurina, 3 vezes ao dia por
30 dias e após um "wash - out " de 15 dias receberam placebo por 30 dias , em adição ao tratamento clássico habitual da insuficiência cardíaca . 11/14 ou 79%
melhoraram com taurina enquanto que somente 3/14 melhoraram com placebo.No grupo taurina em relação ao placebo houve: melhora significante da classe funcional,melhora dos estertores
de base pulmonar, da dispnéia,,das palpitações,do edema,das alterações radiológicas e por fim melhora da fração de ejeção( p<0.001). Azuma,J et al. Therapeutic effect of taurine
in congestive heart failure:a double-blind crossover trial . Clin Cardiol , 8:276-82,1985 .
VII- ICC : TAURINA vs COENZIMA Q10.
7-Em trabalho duplo cego 17 pacientes com ICC por miocardiosclerose ou miocardiopatia dilatada ( fração de ejeção < 50%),receberam ou taurina 3 g ao dia ou CoQ10 ,30 mg
ao dia.Após 6 semanas de tratamento foi observado melhora da função ventricular esquerda somente no grupo tratado com taurina. Azuma,J et al Usefulness of taurine
in chronic congestive heart failure and its prospective application. Jpn Circ.J 56(1):95-9,1992.
Pneumologia
I- ASMA BRONQUICA e o SAL DA DIETA .
A reatividade brônquica à histamina está relacionada com a gravidade dos sintomas asmáticos. ( Juniper EF et al Thorax 36(8): 575-9,1981.) e a ingestão de sódio na
dieta se correlaciona com a reatividade brônquica à histamina.
8-Em trabalho duplo cego e cruzado 36 individuos ingerindo dieta pobre em sódio foram suplementados com 80 mEq de sódio ao dia ou placebo de uma forma randomizada
,duplo cega e cruzada. como já salientado.Houve uma associação significante entre a maior ingestão de sódio e a resposta brônquica à histamina. Burney PG et al Thorax 44(1):36-41,1989
Um ano antes o Br.Medical Journal , publicava estudo envolvendo 10 pessoas com idade entre 18 e 63 anos ,metade dos quais eram atópicos e que dobraram a quantidade de
sal ingerido na dieta por 1 mes. Após esse período observou-se aumento significante da reatividade brônquica à histamina em 9 das 10 pessoas estudadas. Javaid A et
al Br Med J 297:454,1988.
II-ASMA BRÔNQUICA e VITAMINA C.
9-Em trabalho duplo cego e randomizado , 41 crianças asmáticas da Nigéria receberam 1 g de vitamina C ao dia ou placebo durante 14 semanas.No grupo vitamina C houva 25%
de redução do número de crises asmáticas e elas foram significativamente de menor gravidade.Poucas semanas após a interrupção do suplemento de vitamina C a frequência
das crises asmáticas ficou semelhante nos dois grupos. Anah CO et al Tropical Geograph Med 32:132-7,1980.
10-Em trabalho duplo cego ,randomizado e cruzado 16 pacientes com rinite alérgica receberam 2 g de vitamina C dose única ou placebo e vice - versa . A inalação
de histamina provocou diminuição do fluxo expitatorio máximo ,somente no grupo placebo. Bucca C et al .Effect of vitamin C on histamine bronchial responsiveness of
patients with allergic rhinitis . Ann Allergy 65:311-14,1990.
III-BRONCOESPASMO INDUZIDO PELO EXERCÍCIO e VITAMINA C.
11-De um modo duplo cego e randomizado,12 pacientes com broncoespasmo induzido pelo exercício receberam 0.5 g de vitamina C ou placebo . Após 2 dias constatou-se
dramática redução do broncoespasmo avaliado 5 minutos peois do início do exercício,somente no grupo vitamina C. Schachter EN The attenuation of exercice-induced bronchospasm
by ascorbic acid . Ann Allergy 49(3):146-51,1982.
IV-ASMA BRÔNQUICA e ÁCIDO GRAXO ÔMEGA -3
12-Estudo mono cego ,utilizando 3.3g de EPA e 2.2g de DHA diariamente ou placebo por 10 semanas mostrou melhoria de 36.6% da dispnéia após inalação de antigeno,
no grupo com óleo de peixe ,enquanto no grupo controle a melhoria foi de apenas 7.7%. Arm J et al J Clin Allergy 81:183,1988.
Entretanto outros 2 trabalhos agora DUPLO - CEGOS E CRUZADOS não foram capazes de demonstrar qualquer tipo de benefício. Stenius-Arniala B et al Ann Allergy 62(6):534-47,1989
Arm JP et al Thorax 43(2):84-92,1988
V- ASMA BRÔNQUICA E ÁCIDO GRAXO ÔMEGA - 6
13- Em estudo duplo cego e cruzado foram administrados 15 a 20 ml de óleo de prímula ( ômega-6) ou placebo e vice-versa. . Após 10 semanas não houve diferença entre
as duas abordagens com relação aos sintomas , à necessidade de medicamentos anti asmáticos ou ao pico de fluxo expiratório. Stenius-Arniala B et al Ann Allergy 62(6): 534-47,1989.
VI-DIETA POBRE EM TRIPTOFANO e ASMA ENDÓGENA
14-Em estudo duplo cego e cruzado , 18 pacientes com asma endógena receberam durante 1 mes dieta normal em triptofano ( 1200mg/dia) ou dieta pobre neste amino
ácido ( 200mg/dia) . Após transcorridos 30 dias , 12 pacientes melhoraram clínicamente com a dieta pobre em triptofano,4 com a dieta normal e 2 não notaram diferença.
( p<0.05).Os maiores valores do "mean peak flow" foram observados em 14 pacientes com a dieta pobre em triptofano e em 4 pacientes com a dieta normal.(p<0.02).
Urge G et al Europ J Resp Dis Suppl. 136,65:175-76,1984
Urge G et al Allergy 38:211-2,1983.
Dieta pobre em triptofano:
-Pobre nas oleaginosas: amendoa, avelã, castanha de Caju.castanha do Pará, nozes, pistache, semente de abobora.
-Pobre em carnes: porco,frango,perú,vaca -Pobre em queijos amarelos e ovo
-Rica em: legumes,verduras , arroz integral, queijobranco, yogurt, batata, brotos, cogumelo, gengibre, agua de côco.
VII-ASMA BRÔNQUICA e MAGNÉSIO
15-Sob o desenho duplo cego 38 pacientes em crise aguda de asma ,randômicamente receberam 1.2 g de sulfato de magnésio
intravenoso ou placebo após o tratamento com beta agonistas ter falhado em aumentar o pico de fluxo expiratorio.O grupo magnésio apresentou aumento do pico de fluxo expiratório
de 225 l/min para 297 l/min enquanto que o grupo placebo apresentou apenas aumento de 208 l/min para 216 l/min .Em adição o número de internações vs as altas foi
menor no grupo magnésio ( 7 vs 12) quando comparado com o placebo ( 15 vs 4). Skobeloff EM et al . Intravenous magnesium sulfate for the treatment of acute asthma in the
emergency department . JAMA 262(9):1210-13,1989.
VIII-ASMA BRÔNQUICA e CÁLCIO
16-Em estudo duplo cego , randomizado e cruzado, 12 pacientes com asma alérgica na vigência de obstrução das vias aéreas receberam por via oral cálcio + vitamina
D2 (calciferol).Transcorridos 60 minutos ,observou-se em relação ao placebo: redução significante da resistência das vias aéreas e do volume de ar intratorácico, assim
como aumento significante do volume expiratorio forçado em 1 segundo( FEV1). Utz G et al MMW 118(43):1395-8,1976.
Dermatologia
I-HERPES SIMPLEX e BIOFLAVONÓIDES + VITAMINA C
17-Em estudo duplo cego e randomizado,19 de 38 pacientes com herpes labial receberam vitamina C ( 600mg ou 1000mg) e bioflavonoides ( 2 00mg) 3 a 5 vezes ao dia iniciando
dentro de 48 horas do início dos sintomas e mantendo por mais 3 dias.Somente 10 dos 38 pacientes tratados desenvolveram as vesiculas durante o curso da infecção
, enquanto que todos do grupo placebo evoluiram para as vesiculas . O sucesso foi maior ainda quando se iniciou o tratamento nas 12 primeiras horas do início dos sintomas.
Enquanto que o intervalo entre os sintomas iniciais até a completa remissão foi de 9.7 +/- 2.8 dias no grupo placebo , ele foi de 4,2 +/- 1,7 dias com 600mg de vit
C e 4,4 +/- 3.9 dias no grupo 1000mg.. A diferença entre o grupo tratado e o placebo foi significante com p<0.01. Terezhalmy GT et al The use of water-soluble bioflavonoid-ascorbic
acid complex in the treatment of recurrent herpes labialis .Terezhalmy GT, Oral Surg 45:56-62,1978.
II-HERPES SIMPLEX e o AMINO -ÁCIDO L-LISINA
18- Em trabalho duplo cego e cruzado 41 pacientes recebendo em média 1250 mg de monocloridrato de L-lisina ao dia mostraram significante diminuição da frequencia
de recorrencias e diminuição da gravidade dos sintomas durante as recorrencias.Não houve redução do tempo de cicatrização.A dose de 625 mg ao dia foi ineficaz. McCune
MA,Cutis34(4):366-73,1984.
19-Outro trabalho tambem duplo cego e cruzado envolvendo 65 pacientes com herpes labial de repetição, mostrou que em 12 semanas de tratamento com L-lisina maior
número de pacientes permanreceu sem apresentar a infecção herpética..Milman N, Acta Dermatovener 60:85-87,1980.
DiGiovanna , não conseguiu mostrar qualquer tipo de beneficio em 21 pacientes quando empregou a dose de 400mg , 3 vezes ao dia durante 4 a 5 meses em trabalho duplo
cego mas não cruzado. Arch Dermatol. 120:48-51,1984
20-Griffith em estudo controlado com placebo utilizou L-lisina na dose de 1 g ,3 vezes ao dia em 52 pacientes com infecções recorrentes de herpes oral,genital
ou ambos.Todos os pacientes receberam instruções para evitar as nozes, amendoim,chocolate e gelatinas( alimentos ricos em arginina).Após 6 meses o tratamento foi eficaz em 74%
do grupo lisina e apenas 28% no grupo placebo ( p<0.01). O número médio de erupções foi de 3.1 no grupo lisina contra 4.2 no grupo placebo e no gp tratado os sintomas
foram mais leves.Não houve efeitos colaterais. Griffth RS Dermatologica 175:183-90,1987
Parece que este tipo de abordagem depende da suplementação de lisina conjuntamente com a restrição de arginina e nem todos os trabalhos seguem esta metodologia .
RAZÃO LISINA / ARGININA NOS ALIMENTOS
BOA RUIM
carnes chocolate ( ½ )
batatas amendoim ( 1/3 )
leite outras "nuts"
levedura de cerveja sementes
peixe grãos integrais
galinha gelatina
feijão uva passa
ovos carob
Psiquiatria
I- Depressão e a cafeina e o açucar
21-Em trabalho duplo cego , randomizado
e controlado com placebo , 16 pacientes
com sintomas de depressão, dores de cabeça,humor
deprimido e fadiga passaram a consumir
durante 2 semanas uma dieta livre de cafeina
e livre de açucar refinado .Os pacientes
que melhoraram receberam sequencialmente
de um modo duplo cego : cafeina,placebo
com celulose, Kool-Aid adoçado com sacarose
e Kool-Aid adoçado com aspartame por 6
dias cada um. Sete pacientes apresentaram
o retorno dos sintomas com as alterações
de humor quando receberam a cafeina ou
a sacarose , porem ,mantiveram-se sem
sintomas quando receberam a celulose ou
o aspartame.Aqueles que responderam e
aqueles que não responderam não puderam
ser diferenciados pelo "Profile of Mood
States"ou "Beck Depression Inventory"ou
"MMPI , e ambos os grupos apresentavam
sintomas semelhantes quanto aos distúrbios
do sono,depressão,fadiga,irritabilidade
e alterações do humor. Christensen L J
Appl Nutr 40(1):44-50,1988.
II- Depressão e deficiência de ácido
fólico .A depressão é sintoma comum do
quadro clínico de deficit de folato .
22-Em trabalho duplo cego e randomizado,24
pacientes com depressão maior (DSM III)
, folato na hemácia < 200 mcg/l , sem
significativo impedimento cognitivo e
sem deficit de vitamina B12,receberam
randomicamente ou 15 mg de metilfolato
ou placebo
EM ADIÇÃO AOS ANTIDEPRESSIVOS HABITUAIS
. Após 3 e 6 meses de observação houve
significantes diferenças entre os dois
grupos com os melhores "scores " sendo
observados no grupo que recebeu o folato.Godfrey
PSA Lancet 336:392-95,1990.
23-Em trabalho duplo cego, 42 pacientes
com disturbios afetivos e que estavam
recebendo litio foi utilizado diariamente
por 1 ano ou placebo ou 200mcg de ácido
fólico. A análise dos resultados combinados
dos grupos placebo e ácido fólico para
os pacientes unipolares revelou que aqueles
que atingiram altas concentrações de folato
nas hemacias apresentaram os melhores
resultados clínicos,com uma redução significante
do score AMI (superior à 40% ).Coppen
A. J Affective Disord 10:9-13,1986.
Em trabalho de revisão ,Botez sugere
que os únicos casos de depressão que respondem
ao ácido fólico são aqueles que apresentam
como um dos sintomas principais a " "fadiga
frequente e de facil aparecimento". No
livro:EH Reynolds,Eds. Folic Acid in Neurology,Psychiatry
and Internal Medicine,New York,Raven Press,1979.
III- Depressão e deficiência de piridoxina.
A piridoxina funciona como coenzima na
produção dos neurotransmissores monoamina.,sendo
também necessaria para a conversão do
triptofano em serotonina .
Estudo de observação mostrou que em 7
pacientes deprimidos os níveis de fosfato
de piridoxal estavam 48% mais baixos quando
comparados com o controle.Quando se utilizou
método mais sensível de diagnóstico de
deficit de B6 todos os pacientes deprimidos
estavam deficientes e nenhum dos controles
apresentavam deficit. Russ CS Nutr. Rep.Int
27(4):867-73,1983
. Artigo de revisão mostra mais uma vez
que os estrogenos bloqueiam a atividade
da piridoxina e aceleram o metabolismo
do triptofano , diminuindo a produção
de serotonina.A suplementação com estrogenos
pode provocar aumento da excreção de triptofano,como
acontece na deficiencia de piridoxina.Mulheres
que usam pilulas anticoncepcionais podem
apresentar diminuição dos níveis de B6
e disturbios do metabolismo do triptofano
os quais podem ser responsáveis pela depressão,ansiedade,
diminuição da libido e intolerância à
glicose.A adm,inistração de 40 mg de vitamina
B6 ao dia restaura os níveis bioquimicos
adequados da vitamina e aliviam os sintomas
clínicos decorrentes do deficit de B6
nas mulheres que usam pilulas anticoncepcionais.
Bermond P Acta Vitaminol Enzymol 4(12):45-54,1982.
24-Estudo randomizado e controlado com
placebo em 39 mulheres deprimidas que
estavam usando pilulas anticoncepcionais
mostrou que 19 (48.7%) apresentavam deficit
de piridoxina. A suplementação com vitamina
B6 nestas mulheres melhorou o humor de
16 delas (84%) utilizando a metodologia
da escala de depressão de Beck e tambem
melhorou o humor em 8 em 20 (40%) das
deprimidas sem deficit de B6.Não houve
melhoria no grupo com ou sem deficit de
B6 quando se empregou placebo. Adams PW
Lancet 2: 516-17,1974.
Uma observação muito interessante foi
publicada em ótima revista de gastroenterologia
sobre 12 pacientes com doença celiaca
que não melhoraram da depressão após um
ano da retirada do glutem da alimentação
apesar da normalização do intestino delgado
e que com a administração de 80 mg ao
dia de piridoxina passaram de70 para 56
na escala MMPI para depressão (p<0.01),
isto é houve normalização do quadro depressivo.
Hallert C Scand J Gastroenterol 18(2):299-304,1983.
IV- Depressão e deficit de Riboflavina
Durante 56 dias , 6 homens normais foram
submetidos à restrição quase total de
riboflavina na dieta e apresentaram significante
aumento na escala MMPI para a depressão.Sterner
RT Am J Clin Nutri 26:150-60,1973.
V-Depressão e deficit de Tiamina Nove
homens jovens e normais foram colocados
em dieta deficiente em tiamina.Em 2 meses
5 deles ( 55%) desenvolveram marcante
depressão e irritabilidade. Brozek J.
Am J Clin Nutr 5(2):109-20 , 1957.
VI-Depressão e deficit de biotina Quatro
pessoas normais receberam uma dieta deficiente
somente em biotina. Após 10 semanas elas
estavam deprimidas,cansadas,sonolentas
,com dores musculares e com nausea e anorexia.
Tambem foi notado pele seca,anemia,aumento
do colesterol e parestesias.Todos os sinais
e sintomas foram aliviados com a suplementação
de biotina. Sydenstricker VP JAMA 118:1199-1200,1940
Apresentação de Caso.Um paciente sob
alimentação parenteral total desenvolveu
depressão juntamente com nauseas, vomitos
insonia ,parestesias, dor de cabeça e
letargia.A suplementação com biotina 300
mcg /dia ,restaurou ao estado prévio em
5 dias. Levenson JL J Parenter Enter Nutr
7(2):181-3,1983.
VII- Depressão e deficit de Vitamina
B12. A deficiência de vitamina B12 pode
causar depressão mesmo na ausência de
anemia . Zucker DK Biol Psychiatry 16:197-205,1981.
VIII-Depressão e deficit de Vitamina
C A depressão é o primeiro sintoma clínico
do escorbuto.Depressão cronica,cansaço,irritabilidade
fazem parte do quadro sub clínico do escorbuto.
Hodges RE Am J Clin Nutr 24:432-43,1971.
25-Em estudo duplo cego ,randomizado
e controlado com placebo 40 pacientes
psiquiatricos cronicos do sexo masculino
receberam 1000 mg de ácido ascórbico ou
placebo.Após 3 semanas houve significante
diminuição do MMPI para depressão (p<0.01)
somente no grupo com vitamina C. Sabe-se
que, enquanto as pessoas normais se saturam
em 1 a 2 dias com a suplementação com
1000mg / dia de vitamina C os pacientes
em estado sub clínico de escorbuto demoram
7 a 10 dias para atingir a saturação.Neste
estudo os pacientes psiquiatricos demoraram
em média 6 dias para atingirem a saturação
,mostrando que se encontravam em estado
sub clínico de escorbuto. Milner G Br
J Psychiatry 109:294-99,1963.
Apresentação de Caso : Uma criança com
depressão induzida pelo ACTH respondeu
favoravelmente com ácido ascórbico intravenoso,50mg/Kg/dia.
Cocchi P Pediatrics 65:862-63,1980.
IX- Depressão e o Cálcio Tanto a hipercalcemia
como a hipocalcemia podem estar associadas
à depressão.
X-Depressão e o Magnésio Muitos pacientes
com depressão de causa desconhecida apresentam
redução dos níveis sanguineos de magnésio.
Hall RCW JAMA 224:1749-51,1973.
XI- Depressão e o Rubídio 26-Em estudo
duplo cego ,randomizado 28 pacientes deprimidos
receberam 180mg /dia de rubídio ou 100mg
/dia de clorimipramine .Após 30 dias o
escore do grupo rubídio mostrou-se significantemente
melhor .Não se observou efeitos colaterais.
Calandra C Proc 34th Congress Italian
Society ofPsychiatry Italy,1980.
XII- Depressão e L-5-Hidroxitriptofano
( L-5-HTP ) 27-Em estudo duplo cego, randomizado
e controlado , 45 pacientes com Depressão
Maior do tipo melancólico , satisfazendo
os critérios do DSM - III ,após 10 dias
sem drogas , receberam randomicamente
: L-triptofano,5g ao dia ou L-5-HTP ,200mg
ao dia em combinação com carbidopa 150mg/dia
( inibidor periférico da decarboxilase)
ou placebo. Após 4 semanas o L triptofano
foi somente levemente superior ao placebo
, enquanto a L-5-HTP com carbidopa foi
significantemente superior ao placebo
e ao L-Triptofano . Van Praag HM Psychopharmacol
Bull 20:599-602,1984.
XIII- Depressão e o L-triptofano . O
L- triptofano é precursor da serotonina
e a sua deficiência se relaciona com depressão
e agressividade.Quando a dieta é pobre
em triptofano ,aumenta o número de suicídios
na população. Kitahara M Omega J Death
Dying 18:71-76,1987.
28-Em trabalho duplo cego e cruzado,21
pacientes controlados da depressão (DSMIII)
com antidepressivos , receberam dieta
pobre em triptofano (160mg/dia) seguida
de uma mistura de 16 amino-ácidos (para
provocar depleção aguda de triptofano),de
uma maneira duplo cega , cruzada e placebo
controlada.Houve o retorno do quadro depressivo
em 14 pacientes (66.7%) após a ingestão
da mistura de amino-ácidos com gradual
melhoria em 24-48 horas quando a dieta
normal foi novamente introduzida.A mistura
placebo não provocou quaisquer alterações.Os
resultados sugerem que o efeito terapeutico
de alguns antidepressivos dependem da
disponibilidade de serotonina. Delgado,PD
Arch Gen Psychiatry 47:411-18,1990.
29-Young em trabalho de revisão,verificou
que em 5 estudos duplo cegos o triptofano
na dose de 3 - 9 g ao dia possue a mesma
eficácia terapeutica que a imipramine.
Outros estudos duplo cegos também chegaram
à mesma conclusão com respeito à amitriptilina
e a mianserina.O triptofano funciona melhor
nos pacientes deprimidos que apresentam
diminuição da razão plasmática entre o
triptofano e os amino-ácidos que competem
com o triptofano no transporte para dentro
do cérebro. Young SN Nutrition and the
Brain Vol:7 , New York , Raven Press ,49-88,1986.
XIV - Depressão e L- tirosina . A tirosina
é precursora da dopamina,norepinefrina
e epinefrina.
30-Em estudo duplo cego ,randomizado
e controlado, 5 pacientes livres de medicamentos
e com depressão unipolar,foram suplementados
com 100 mg/Kg/dia de tirosina,em doses
divididas 3 vezes ao dia ou placebo. Observou-se
redução de pelo menos 50 % na escala de
depressão de Hamilton em 3 dos 5 pacientes
enquanto com tirosina e em 1 em 4 enquanto
com placebo.A redução do score de depressão
se correlacionou positivamente com os
níveis plamáticos de tirosina ( p < 0.01
) ,sugerindo que uma adequada concentração
de tirosina é necessária para obter-se
a melhora.Não houve efeitos colaterais
exceto irritação gástrica quando a tirosina
era ingerida sem alimentos. Gibson CJ
Adv.Biol.Psychiatry 10:148-159,1983.
31-Alguns trabalhos duplo-cegos mostraram
que 200 mg/dia de L-5-hidroxitriptofano
combinado com 150 mg/dia de carbidopa
(inibidor da decarboxilasa) ou L-tirosina
se constitue em eficaz regime terapeutico
para a depressão pois, ele aumenta a serotonina
e as catecolaminas.
Ginecologia
I- Displasia cervical e ácido fólico
32-Em estudo duplo cego ,randomizado e
placebo controlado , 47 jovens mulheres
apresentando displasia cervical moderada
que estavam tomando pílulas anticoncepcionais
por pelo menos 6 meses , rceberam 10 mg
de folato ou placebo.Após 3 meses as biopsias
cervicais mostraram significante melhora
somente no grupo folato.A displasia desapareceu
completamente em 7 mulheres que receberam
folato,enquanto 4 delas sob placebo mostraram
progressão para carcinoma in situ . Butterworth
CE Am J Clin Nutr 35:73-82,1982.
II- Displasia cervical e Vitamina A Baixa
ingestão de betacaroteno (pró vitamina
A) se associa com elevado risco de displasia
cervical. Romney SL Am J Obstet Gynecol
141(8):890-4,1981 Estudando um grupo de
87 casos com citologia utero cervical
anormal e 82 controles de mesma idade,raça,número
de gestações e estado econômico ,concluiu-se
que os casos de displasia grave ou de
carcinoma-in-situ eram aqueles que apresentavam
a mais baixa ingestão de vitaminaA e ou
de betacaroteno(p<0.05 e p<0.025).O risco
de displasia cervical grave ou de carcinoma-in-situ
é 3 vezes maior nas mulheres com baixa
ingestão destes nutrientes. Wylie-Rosett
JA Nutr Cancer 6(1):49-57,1984.
III-Displasia cervical e Selênio A deficiência
de selênio se correlaciona com aumento
de risco de cancer epitelial. Prasad K
Ed. Vitamins,Nutrition and Cancer New
York ,Karger,1984.
IV-Displasia cervical e Vitamina C. Baixa
ingestão de vitamina C da dieta está associada
com aumento do risco de displasia cervical
e carcinoma-in-situ. Romney SL Am J Obstet
Gynecol 141(8):890-4,1981.