Conceito
A sigla E.M.D.R., que significa Dessensibilização
e Reprocessamento através de Movimentos dos Olhos,
é uma abordagem terapêutica que permite
acelerar o tratamento de um grande número de
patologias.
Histórico
O E.M.D.R. é baseado numa observação
casual feita pela psicóloga e pesquisadora Francine
Shapiro.
Entender a correlação entre os processos
mentais psíquicos afetivos e fisiológicos
do comportamento humano sempre foi área de seu
interesse.
Em maio de 1987, caminhando pelo parque Shapiro percebeu
que alguns pensamentos perturbadores que ocorriam na
sua mente desapareceram de súbito, e quando ela
trazia estes mesmos pensamentos de volta à mente,
já não eram tão incômodos
e não tinham a mesma importância de antes.
Prestando atenção ao que ocorria percebeu
que seus olhos moviam-se espontaneamente para lá
e para cá rapidamente, quando os pensamentos
perturbadores vinham à mente.
Alcançou idêntico resultado com outras
pessoas. Em suma ela trabalhou com 70 pessoas durante
6 meses e desenvolveu um procedimento padronizado. Pesquisas
com grupo controle e grupo tratamento confirmou a eficácia
dessensibilizadora do E.M.D. (Eye Moviment Desensitization)
como foi denominado o método inicialmente. O
E.M.D. utiliza uma capacidade inata do nosso cérebro,
para processamento de situações traumáticas.
Fisiologicamente, temos instalado o programa de dessensibilização.
Nesse primeiro momento o tratamento centrava-se no diagnóstico
de Transtorno do Estresse Pós - Traumático
(T.E.P.T.) com resultados positivos.
Em março de 1990, como resultado da experiência
de treinamento e da avaliação subseqüente
de centenas de casos, ou seja, a experiência de
compartilhar e transmitir os procedimentos iniciais
do método, Shapiro fez mudanças desde
a formulação comportamental inicial de
simples dessensibilização da ansiedade
para um paradigma mais integrativo de processamento
de informação, levando em conta a psicodinâmica
como um dos aspectos centrais do tratamento, através
da necessidade de incluir uma atenção
especial à vulnerabilidade e ao "timing" do cliente.
Ao E.M.D.R., foi acrescentado também vários
estímulos, não somente o dos olhos mas,
estímulos bilaterais.
O método passou a ser adequado a diferentes indicações
clínicas: assim se constituíu o E.M.D.R./Eye
Moviment Desensitization and Reprocessing.
O refinamento subseqüente do método o definiu
de forma clara como metodologia para uma nova abordagem
em psicoterapia.
Modelo
Dito de forma resumida, o modelo considera que a maioria
das patologias deriva de experiências anteriores
de vida que põem em movimento um padrão
continuado, de afetos, comportamentos, cognições
e conseqüentes estruturas de identidade. A estrutura
patológica é inerente à informação
estática e processada de forma insuficiente,
armazenada no momento do evento perturbador. Desde casos
de simples TEPT e fobias até situações
mais complexas, tais como transtornos de pânico,
algumas formas de depressão, dissociação
e transtornos de personalidade, a patologia é
encarada como configurada pelo impacto das experiências
remotas que são mantidas no sistema nervoso numa
forma estado - específica.
A influência constante dessas experiências
anteriores deve-se, em grande parte, ao fato de que
os estímulos atuais aliciam os afetos e crenças
negativos corporificados nessas memórias, o que
faz com que o cliente continue agindo de maneira coerente
com os eventos anteriores. Embora a memória de
um cliente possa ser referente a um evento que de fato
ocorreu e a comportamentos que podem ter incluído
respostas que foram apropriadas à situação
perturbadora naquele dado momento, a falta de uma assimilação
adequada, implica que o cliente continua reagindo, em
suas emoções e comportamento, de forma
coerentes com aquele remoto evento perturbador. Por
exemplo, é compreensível que é
uma criança sinta medo e perda do controle quando
ameaçado por um adulto, mas se um adulto apresenta
uma reação idêntica àquela
da infância diante de uma situação
similar, tal resposta é, em geral, inadequada.
Da mesma forma, um adulto pode sentir medo e perda do
controle durante um furacão, mas se, meses mais
tarde, ele tem uma reação idêntica
diante de uma brisa comum, tal reação
é patológica. A natureza disfuncional
das memórias traumáticas, incluindo a
forma como são armazenadas, permite que afetos
e crenças negativas do passado penetrem na vida
presente do cliente. O processamento de tais memórias
por meio do E.M.D.R. possibilita que os afetos e as
cognições presentes, mais positivos e
fortalecedores, se difundam pelas memórias associadas,
por toda a rede neural, levando o cliente a comportamentos
espontâneos mais adequados. As patologias clínicas
são, portanto, entendidas como passíveis
de mudança, se o clínico focalizar de
forma apropriada a informação que foi
armazenada de maneira disfuncional no sistema nervoso.
Parte do processo clínico de colher a história
visa identificar as memórias que ajudaram o cliente
a formar seus auto - conceitos e comportamentos negativos.
Até mesmo transtôrnos pronunciados de personalidade
são vistos como suscetíveis à mudança,
em virtude do reprocessamento das memórias que
foram postas em movimento pela características
disfuncionais - as memórias, por exemplo, que
fizeram com que uma personalidade paranóide se
tornasse desconfiada das pessoas e as que fizeram com
que uma personalidade evitadora se sentisse insegura.
Método
Francine criou um protocolo, que facilita sua administração
e a maneira de ensiná-lo.
O método consiste em pedir que a pessoa fale
sobre a imagem perturbadora da memória traumática,
além de dizer que pensamentos e crenças
negativas ela têm a respeito da situação
ou de sua participação na mesma (tais
como "sou suja", "eu não valho nada").
Essa crença é chamada de cognição
negativa.
Pede-se ao indivíduo que retorne a memória
traumática e a cognição negativa
e atribua um valor ao nível de ansiedade, utilizando
uma escala de Unidades Subjetivas de Perturbação
(Subjective Units of Disturbance - SUD) de 11 pontos
onde 0 (zero) representa uma unidade neutra e 10 equivalente
à máxima ansiedade possível (Wolpe,
1991).
Pede-se ao indivíduo que verbalize um pensamento
ou crença positivas que gostaria de ter a respeito
de si mesmo (tais como: "eu tenho valor", "eu estou
no controle" ou "fiz o melhor que pude") e que se atribua
um valor ao qual verdadeira lhe parece tal crença
por meio de uma escala diferencial semântica de
7 pontos denominando Escala de Validade de Cognição
(Validity of Cognition - Voc), no qual 1 representa
"completamente falso" e 7 (sete) significa "completamente
verdadeiro."
Adverte-se ao indivíduo que use suas sensações
viscerais como base para seu julgamento, ao invés
de qualquer análise intelectual. O E.M.D.R. é
aplicado por cerca de 1 hora a 1 hora e meia.
Indicação
O E.M.D.R. é indicado para o tratamento de transtorno
de estresse pós - traumáticos, ou seja,
reações de angústia ou ansiedade
em pessoa que passaram por eventos traumáticos
como: guerra, rebelião, assaltos, acidentes,
abusos sexuais ou físicos, enchentes, perdas
inesperadas (morte, finanças), abandonos afetivos.
E grande número de patologias: depressão,
síndrome de pânico, fobias, transtornos
dissociativos e problemas de auto-estima relacionados
a experiências traumáticas do passado e
condições adversas do presente.
Eficácia
O sucesso obtido nos resultados clínicos
do tratamento com E.M.D.R. feito por cerca de dez mil
clínicos treinados até agora, demonstrou
ampla gama de aplicabilidade do método. Por exemplo,
um levantamento financiado pelo Departamento de Assuntos
Ligados a Veteranos (Department of Veteranns Affairs
- DVA) entrevistou clínicos treinados em E.M.D.R.
que haviam tratado mais de dez mil clientes. Descobre-se
que aproximadamente 74% desses clínicos citaram
mais efeitos benéficos de tratamento com E.M.D.R.
do que outro método utilizado, enquanto apenas
4% afirmaram ter tido um êxito inferior.
Atividades não incomuns para clientes frágeis
em psicoterapia - tais como ideação suicida
(sem e com atividade), violência, dissociação
pós - sessão, doença física,
cancelamento da sessão seguinte e término
prematuro do tratamento - são relatadas em uma
freqüência consideravelmente menor com o
E.M.D.R. do que com outros tratamentos. Relatos de agitação
extrema ou pânico, dissociação durante
a sessão ocorre em função de vir
a tona, o material reprimido, acompanhado de fortes
afetos negativos. Esses efeitos negativos, são
limitados a sessão em si, por que o material
reprimido vai sendo sucessivamente integrado. O E.M.D.R.
foi associado à emergência de material
reprimido com uma freqüência tão esmagadoramente
maior, que esse efeito poderia ser considerado uma característica
principal do método. Havendo, portanto menos
ideação e atividades suicidas, doenças
físicas e violência associados ao E.M.D.R.
do que a outros procedimentos.
Limites da Eficácia:
A respeito de problemas para os quais o E.M.D.R. em
geral não apresentava efeito algum, o transtorno
obsessivo - compulsivo foi claramente o mais citado.
Foi especificamente sugerido que o E.M.D.R. era mais
eficiente com pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo
quando combinado a outros métodos comportamentais.
Problemas de personalidade foram também freqüentemente
citados como não-responsivos ao E.M.D.R.. Tais
clientes não-responsivos eram em geral considerados
como apresentando problemas de evitação,
hostilidade e questões relacionadas ao controle.
Efeitos benéficos:
Com base em relatos o transtorno do estresse pós
- traumático tratado com o E.M.D.R. costuma ter
efeitos benéficos. Muitas vezes as respostas
foram extremamente entusiásticas. Fobias ansiedade,
pânico, depressão e transtorno de personalidade
múltipla também apresentam respostas benéficas
com o E.M.D.R.
Medicação e Uso de Drogas:
O que se observa é que a interação entre E.M.D.R. e medicamentos é complexa. Em geral, antidepressivos não parecem interferir na eficácia do E.M.D.R., e em alguns casos parecem ter aumentado a eficácia deste, enquanto que os ansiolíticos sempre melhoram a eficiência. De um modo geral, sugere-se que a medicação mais pesada exclui a possibilidade do uso do E.M.D.R. - talvez aqueles casos de depressão mais severa - a medicação pode proporcionar uma estabilização de tal ordem , sendo o suficiente para não se poder dar início ao tratamento por E.M.D.R.
Auto - uso:
De modo geral os relatos sugerem que os efeitos de
auto - uso segundo Shapiro, são mais moderados.
Campo
de Estudos
O sucesso obtido nos resultados clínicos
do tratamento com E.M.D.R. feito por cerca de dez mil
clínicos treinados até agora demonstrou
ampla gama de aplicabilidade do método. Por exemplo,
um levantamento aprovado e parcialmente financiado por
um centro médico do Departamento de Assuntos
Ligados a Veteranos (Department of Veterans Affairs
- DVA) entrevistou clínicos treinados em E.M.D.R.
que haviam tratado mais de dez mil cliente. Descobriu-se
que aproximadamente 74% desses clínicos citaram
mais efeitos benéficos de tratamento com E.M.D.R.
do que com qualquer outro método utilizado, enquanto
apenas 4% afirmaram Ter tido um êxito inferior
(Lipke, 1992b; ver Apêndice D). Estudos de casos
publicados e apresentações em conferências
têm descrito bons efeitos no tratamento com E.M.D.R.
com uma ampla gama de populações clínicas,
incluindo as seguintes:
1. Ex-combatentes da Tempestade no Deserto (Desert Storm,
da Guerra do Golfo), da Guerra do Vietnã, da
Guerra da Coréia e da Segunda Guerra Mundial
que haviam apresentado anteriormente resistência
ao tratamento, e que deixaram de vivenciar flashbacks,
pesadelos e outras seqüelas de TEPT (Blore, 1997b;
Carlson, Chemtob, Rusnak & Hedlund, no prelo; Daniels,
Lipke, Richardson & Silver, 1992; Lipke & Botkin,
1992; Perry, no prelo Taber, no prelo; Thomas &
Gafner, 1993; Viola & McCarthy, 1994; Young, no
prelo).
2. Pessoas com fobias e transtornos de pânico que revelaram uma rápida redução do medo e da sintomatologia (Doctor, 1994; de Jongh & tem Broeke, 1998; de Jongh, tem Broeke & Renssen, no prelo; Fesk & Goldstein, 1997; Goldstein, 1992; Goldstein & Feske, 1994; Kleinknecht, 1993; Nadler, 1996; O'Brien, 1993) 3. Vítimas de crimes e policiais que já não mais são perturbados por efeitos posteriores a ataques violentos (Baker & McBride, 1991; Kleinknecht, 1992; Page & Crino, 1993; Shapiro & Solomon, 1995; Solomon, 1995, no prelo) 4. Pessoas aliviadas de uma aflição excessiva decorrente da perda de um ente querido ou de mortes durante o cumprimento do trabalho, tais como maquinistas que não mais sentem-se devastados de culpa por haver seu trem matado pedestres involuntariamente (Puk, 1991; Solomon, 1994, 1995, no prelo; Shapiro & Solomon, 1995) 5. Crianças curadas de sintomas causados pelo trauma decorrente de ataques ou desastres naturais (Chemtob, Nakashima, Hamada & Carlson, 1996; Cocco & Sharpe, 1993; Datta & Wallace. 1994, 1996; Greenwald, 1994, 1999; Lovett. 1999; Pellicer, 1993; Puffer, Greenwald & Elrod, no prelo; Shapiro, 1991; Tinker & Wilson, 1999). 6. Vítimas de ataques sexuais que hoje são capazes de levar vidas normais e ter relações íntimas (Hyer, 1995; Parnell, 1994; Puk, 1991a; Shapiro, 1989b; 1991, 1994; Wolpe & Abrams, 1991). 7. Vítimas de acidentes, cirurgias e incêndios que estiveram debilitadas emocional ou fisicamente e que agora conseguiram retomar suas vidas produtivas (Blore, 1997a; Hassard, 1993; McCann, 1992; Puk, 1992; Solomon & Kaufman, 1994). 8. Vítimas de disfunções sexuais que hoje são capazes de manter relações sexuais saudáveis (Levin, 1993; Wernick, 1993). 9. Clientes em todos os estágios de dependência química e pessoas com uma relação patológica de compulsão por jogos de azar que agora apresentam uma recuperação estável e um decréscimo na tendência a reincidências (Henry, 1996; Shapiro; Voglemann-Sine, 1994). 10. Pessoas com trantornos dissociativos que progrediram a uma taxa mais rápida do que a alcançada pelo tratamento convencional (Fine, 1994; Lazrove, 1994; Lazrove & Fine, no prelo; Marquis & Puk, 1994; Paulsen, 1995; Rouanzion, 1994; Young, 1994) 11. Pessoas envolvidas com negócios, artes performáticas e esportes que se beneficiaram do E.M.D.R. como uma ferramenta para ajudá-las a aprimorar seu desempenho (Crabbe, 1996; Foster & Lendl, 1995, 1996)
12. Clientes com uma ampla variedade de TEPT e outros
diagnósticos que experimentam benefícios
substanciais com o E.M.D.R. (Allen & Lewis, 1996;
Brown, mcGoldrick & Buchanan, 1997; Cohn, 1993;
Fensterheim, 1996; Forbes, Creamer & Rycroft,
1994; Manfield, 1998; Marquis, 1991, Parnell, 1996,
1997; Puk, 1991b; Shapiro & Forrest, 1997; Spates
& Burnette, 1995; Spector & Huthwaite, 1993;
Vaugham, Wiese, Gol & Tarrier, 1994; Wolpe &
Abrams, 1991).
Referências
Bibliográficas
Baer, L., Hulery, J. D., Minichiello,
W. E., Ott, B.D., Penzel, F. & Ricciardi, J. (1992).
E.M.D.R. workshop: Disturbing issues? Behavior Therapist,
15 (5), 110-111.
Keane, T. (1992, October).Keynote address for the Annual
Convention of the Internacional Society for traumatic
Stress Studies, Los Angeles. Putnam, F. W. & Loewenstein,
R. J. (1994).
Treatment of multiple personality disorder: A survey
of current practices. American Jounal of Psychiatry,
150 (7), 1048-1052.
Shipley, R. H. & Boudewyns, P. A. (1980). Flooding
and implosive therapy; Are they harmful? Bebavior Therapy,
11, 503-508.
"MARIA ARIELZE RABELO BRANCO"
Psicóloga com especialização em Psicologia Junguiana Coligada a Técnicas Corporais e Cinesiologia Psicológica (Integração Fisio - psíquica), pelo Instituto Sedes Sapientiae.
Trainer em Hipnoterapia Erkisoniana e EMDR - nível I e II (psicoterapia do estresse pós - traumático, fobias, pânico e ansiedade), pelo EMDR Instituto.
Coordenadora de grupos de relaxamento (inclusive para 3ª idade).
"MARIA AÍRES RABELO ALMEIDA"
Psicóloga com especialização
em Psicologia Junguiana Coligada a Técnicas Corporais
e Cinesiologia Psicológica (Integração
Fisio - psíquica), pelo Instituto Sedes Sapientiae.
Trainer em Hipnoterapia Erkisoniana e EMDR - nível
I e II (psicoterapia do estresse pós - traumático,
fobias, pânico e ansiedade), pelo EMDR Instituto.
Coordenadora de Grupos de Orientação Vocacional
e Orientação a Pais.
Atua na área clínica com crianças,
adolescentes e adultos.