A MEDICINA BIOMOLECULAR É ESTRATÉGIA TERAPÊUTICA QUE FOI REGULAMENTADA PELO CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA NA RESOLUÇÃO 1500/1998.

E.M.D.R
Conceito | Histórico | Modelo | Método | Indicação | Eficácia | Campo de Estudo | Bibliografia| Comissão


Conceito
A sigla E.M.D.R., que significa Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos dos Olhos, é uma abordagem terapêutica que permite acelerar o tratamento de um grande número de patologias.

 


Histórico

O E.M.D.R. é baseado numa observação casual feita pela psicóloga e pesquisadora Francine Shapiro.
Entender a correlação entre os processos mentais psíquicos afetivos e fisiológicos do comportamento humano sempre foi área de seu interesse.

Em maio de 1987, caminhando pelo parque Shapiro percebeu que alguns pensamentos perturbadores que ocorriam na sua mente desapareceram de súbito, e quando ela trazia estes mesmos pensamentos de volta à mente, já não eram tão incômodos e não tinham a mesma importância de antes.

Prestando atenção ao que ocorria percebeu que seus olhos moviam-se espontaneamente para lá e para cá rapidamente, quando os pensamentos perturbadores vinham à mente.

Alcançou idêntico resultado com outras pessoas. Em suma ela trabalhou com 70 pessoas durante 6 meses e desenvolveu um procedimento padronizado. Pesquisas com grupo controle e grupo tratamento confirmou a eficácia dessensibilizadora do E.M.D. (Eye Moviment Desensitization) como foi denominado o método inicialmente. O E.M.D. utiliza uma capacidade inata do nosso cérebro, para processamento de situações traumáticas. Fisiologicamente, temos instalado o programa de dessensibilização. Nesse primeiro momento o tratamento centrava-se no diagnóstico de Transtorno do Estresse Pós - Traumático (T.E.P.T.) com resultados positivos.

Em março de 1990, como resultado da experiência de treinamento e da avaliação subseqüente de centenas de casos, ou seja, a experiência de compartilhar e transmitir os procedimentos iniciais do método, Shapiro fez mudanças desde a formulação comportamental inicial de simples dessensibilização da ansiedade para um paradigma mais integrativo de processamento de informação, levando em conta a psicodinâmica como um dos aspectos centrais do tratamento, através da necessidade de incluir uma atenção especial à vulnerabilidade e ao "timing" do cliente. Ao E.M.D.R., foi acrescentado também vários estímulos, não somente o dos olhos mas, estímulos bilaterais.

O método passou a ser adequado a diferentes indicações clínicas: assim se constituíu o E.M.D.R./Eye Moviment Desensitization and Reprocessing.

O refinamento subseqüente do método o definiu de forma clara como metodologia para uma nova abordagem em psicoterapia.

 


Modelo


Dito de forma resumida, o modelo considera que a maioria das patologias deriva de experiências anteriores de vida que põem em movimento um padrão continuado, de afetos, comportamentos, cognições e conseqüentes estruturas de identidade. A estrutura patológica é inerente à informação estática e processada de forma insuficiente, armazenada no momento do evento perturbador. Desde casos de simples TEPT e fobias até situações mais complexas, tais como transtornos de pânico, algumas formas de depressão, dissociação e transtornos de personalidade, a patologia é encarada como configurada pelo impacto das experiências remotas que são mantidas no sistema nervoso numa forma estado - específica.

A influência constante dessas experiências anteriores deve-se, em grande parte, ao fato de que os estímulos atuais aliciam os afetos e crenças negativos corporificados nessas memórias, o que faz com que o cliente continue agindo de maneira coerente com os eventos anteriores. Embora a memória de um cliente possa ser referente a um evento que de fato ocorreu e a comportamentos que podem ter incluído respostas que foram apropriadas à situação perturbadora naquele dado momento, a falta de uma assimilação adequada, implica que o cliente continua reagindo, em suas emoções e comportamento, de forma coerentes com aquele remoto evento perturbador. Por exemplo, é compreensível que é uma criança sinta medo e perda do controle quando ameaçado por um adulto, mas se um adulto apresenta uma reação idêntica àquela da infância diante de uma situação similar, tal resposta é, em geral, inadequada. Da mesma forma, um adulto pode sentir medo e perda do controle durante um furacão, mas se, meses mais tarde, ele tem uma reação idêntica diante de uma brisa comum, tal reação é patológica. A natureza disfuncional das memórias traumáticas, incluindo a forma como são armazenadas, permite que afetos e crenças negativas do passado penetrem na vida presente do cliente. O processamento de tais memórias por meio do E.M.D.R. possibilita que os afetos e as cognições presentes, mais positivos e fortalecedores, se difundam pelas memórias associadas, por toda a rede neural, levando o cliente a comportamentos espontâneos mais adequados. As patologias clínicas são, portanto, entendidas como passíveis de mudança, se o clínico focalizar de forma apropriada a informação que foi armazenada de maneira disfuncional no sistema nervoso. Parte do processo clínico de colher a história visa identificar as memórias que ajudaram o cliente a formar seus auto - conceitos e comportamentos negativos. Até mesmo transtôrnos pronunciados de personalidade são vistos como suscetíveis à mudança, em virtude do reprocessamento das memórias que foram postas em movimento pela características disfuncionais - as memórias, por exemplo, que fizeram com que uma personalidade paranóide se tornasse desconfiada das pessoas e as que fizeram com que uma personalidade evitadora se sentisse insegura.

 


Método


Francine criou um protocolo, que facilita sua administração e a maneira de ensiná-lo.
O método consiste em pedir que a pessoa fale sobre a imagem perturbadora da memória traumática, além de dizer que pensamentos e crenças negativas ela têm a respeito da situação ou de sua participação na mesma (tais como "sou suja", "eu não valho nada").

Essa crença é chamada de cognição negativa.

Pede-se ao indivíduo que retorne a memória traumática e a cognição negativa e atribua um valor ao nível de ansiedade, utilizando uma escala de Unidades Subjetivas de Perturbação (Subjective Units of Disturbance - SUD) de 11 pontos onde 0 (zero) representa uma unidade neutra e 10 equivalente à máxima ansiedade possível (Wolpe, 1991).

Pede-se ao indivíduo que verbalize um pensamento ou crença positivas que gostaria de ter a respeito de si mesmo (tais como: "eu tenho valor", "eu estou no controle" ou "fiz o melhor que pude") e que se atribua um valor ao qual verdadeira lhe parece tal crença por meio de uma escala diferencial semântica de 7 pontos denominando Escala de Validade de Cognição (Validity of Cognition - Voc), no qual 1 representa "completamente falso" e 7 (sete) significa "completamente verdadeiro."

Adverte-se ao indivíduo que use suas sensações viscerais como base para seu julgamento, ao invés de qualquer análise intelectual. O E.M.D.R. é aplicado por cerca de 1 hora a 1 hora e meia.

 


Indicação


O E.M.D.R. é indicado para o tratamento de transtorno de estresse pós - traumáticos, ou seja, reações de angústia ou ansiedade em pessoa que passaram por eventos traumáticos como: guerra, rebelião, assaltos, acidentes, abusos sexuais ou físicos, enchentes, perdas inesperadas (morte, finanças), abandonos afetivos. E grande número de patologias: depressão, síndrome de pânico, fobias, transtornos dissociativos e problemas de auto-estima relacionados a experiências traumáticas do passado e condições adversas do presente.

 


Eficácia


O sucesso obtido nos resultados clínicos do tratamento com E.M.D.R. feito por cerca de dez mil clínicos treinados até agora, demonstrou ampla gama de aplicabilidade do método. Por exemplo, um levantamento financiado pelo Departamento de Assuntos Ligados a Veteranos (Department of Veteranns Affairs - DVA) entrevistou clínicos treinados em E.M.D.R. que haviam tratado mais de dez mil clientes. Descobre-se que aproximadamente 74% desses clínicos citaram mais efeitos benéficos de tratamento com E.M.D.R. do que outro método utilizado, enquanto apenas 4% afirmaram ter tido um êxito inferior.

Atividades não incomuns para clientes frágeis em psicoterapia - tais como ideação suicida (sem e com atividade), violência, dissociação pós - sessão, doença física, cancelamento da sessão seguinte e término prematuro do tratamento - são relatadas em uma freqüência consideravelmente menor com o E.M.D.R. do que com outros tratamentos. Relatos de agitação extrema ou pânico, dissociação durante a sessão ocorre em função de vir a tona, o material reprimido, acompanhado de fortes afetos negativos. Esses efeitos negativos, são limitados a sessão em si, por que o material reprimido vai sendo sucessivamente integrado. O E.M.D.R. foi associado à emergência de material reprimido com uma freqüência tão esmagadoramente maior, que esse efeito poderia ser considerado uma característica principal do método. Havendo, portanto menos ideação e atividades suicidas, doenças físicas e violência associados ao E.M.D.R. do que a outros procedimentos.

Limites da Eficácia:
A respeito de problemas para os quais o E.M.D.R. em geral não apresentava efeito algum, o transtorno obsessivo - compulsivo foi claramente o mais citado. Foi especificamente sugerido que o E.M.D.R. era mais eficiente com pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo quando combinado a outros métodos comportamentais. Problemas de personalidade foram também freqüentemente citados como não-responsivos ao E.M.D.R.. Tais clientes não-responsivos eram em geral considerados como apresentando problemas de evitação, hostilidade e questões relacionadas ao controle.

Efeitos benéficos:
Com base em relatos o transtorno do estresse pós - traumático tratado com o E.M.D.R. costuma ter efeitos benéficos. Muitas vezes as respostas foram extremamente entusiásticas. Fobias ansiedade, pânico, depressão e transtorno de personalidade múltipla também apresentam respostas benéficas com o E.M.D.R.

Medicação e Uso de Drogas:

O que se observa é que a interação entre E.M.D.R. e medicamentos é complexa. Em geral, antidepressivos não parecem interferir na eficácia do E.M.D.R., e em alguns casos parecem ter aumentado a eficácia deste, enquanto que os ansiolíticos sempre melhoram a eficiência. De um modo geral, sugere-se que a medicação mais pesada exclui a possibilidade do uso do E.M.D.R. - talvez aqueles casos de depressão mais severa - a medicação pode proporcionar uma estabilização de tal ordem , sendo o suficiente para não se poder dar início ao tratamento por E.M.D.R.

Auto - uso:
De modo geral os relatos sugerem que os efeitos de auto - uso segundo Shapiro, são mais moderados.

 

 

Campo de Estudos


O sucesso obtido nos resultados clínicos do tratamento com E.M.D.R. feito por cerca de dez mil clínicos treinados até agora demonstrou ampla gama de aplicabilidade do método. Por exemplo, um levantamento aprovado e parcialmente financiado por um centro médico do Departamento de Assuntos Ligados a Veteranos (Department of Veterans Affairs - DVA) entrevistou clínicos treinados em E.M.D.R. que haviam tratado mais de dez mil cliente. Descobriu-se que aproximadamente 74% desses clínicos citaram mais efeitos benéficos de tratamento com E.M.D.R. do que com qualquer outro método utilizado, enquanto apenas 4% afirmaram Ter tido um êxito inferior (Lipke, 1992b; ver Apêndice D). Estudos de casos publicados e apresentações em conferências têm descrito bons efeitos no tratamento com E.M.D.R. com uma ampla gama de populações clínicas, incluindo as seguintes:

1. Ex-combatentes da Tempestade no Deserto (Desert Storm, da Guerra do Golfo), da Guerra do Vietnã, da Guerra da Coréia e da Segunda Guerra Mundial que haviam apresentado anteriormente resistência ao tratamento, e que deixaram de vivenciar flashbacks, pesadelos e outras seqüelas de TEPT (Blore, 1997b; Carlson, Chemtob, Rusnak & Hedlund, no prelo; Daniels, Lipke, Richardson & Silver, 1992; Lipke & Botkin, 1992; Perry, no prelo Taber, no prelo; Thomas & Gafner, 1993; Viola & McCarthy, 1994; Young, no prelo).

2. Pessoas com fobias e transtornos de pânico que revelaram uma rápida redução do medo e da sintomatologia (Doctor, 1994; de Jongh & tem Broeke, 1998; de Jongh, tem Broeke & Renssen, no prelo; Fesk & Goldstein, 1997; Goldstein, 1992; Goldstein & Feske, 1994; Kleinknecht, 1993; Nadler, 1996; O'Brien, 1993) 3. Vítimas de crimes e policiais que já não mais são perturbados por efeitos posteriores a ataques violentos (Baker & McBride, 1991; Kleinknecht, 1992; Page & Crino, 1993; Shapiro & Solomon, 1995; Solomon, 1995, no prelo) 4. Pessoas aliviadas de uma aflição excessiva decorrente da perda de um ente querido ou de mortes durante o cumprimento do trabalho, tais como maquinistas que não mais sentem-se devastados de culpa por haver seu trem matado pedestres involuntariamente (Puk, 1991; Solomon, 1994, 1995, no prelo; Shapiro & Solomon, 1995) 5. Crianças curadas de sintomas causados pelo trauma decorrente de ataques ou desastres naturais (Chemtob, Nakashima, Hamada & Carlson, 1996; Cocco & Sharpe, 1993; Datta & Wallace. 1994, 1996; Greenwald, 1994, 1999; Lovett. 1999; Pellicer, 1993; Puffer, Greenwald & Elrod, no prelo; Shapiro, 1991; Tinker & Wilson, 1999). 6. Vítimas de ataques sexuais que hoje são capazes de levar vidas normais e ter relações íntimas (Hyer, 1995; Parnell, 1994; Puk, 1991a; Shapiro, 1989b; 1991, 1994; Wolpe & Abrams, 1991). 7. Vítimas de acidentes, cirurgias e incêndios que estiveram debilitadas emocional ou fisicamente e que agora conseguiram retomar suas vidas produtivas (Blore, 1997a; Hassard, 1993; McCann, 1992; Puk, 1992; Solomon & Kaufman, 1994). 8. Vítimas de disfunções sexuais que hoje são capazes de manter relações sexuais saudáveis (Levin, 1993; Wernick, 1993). 9. Clientes em todos os estágios de dependência química e pessoas com uma relação patológica de compulsão por jogos de azar que agora apresentam uma recuperação estável e um decréscimo na tendência a reincidências (Henry, 1996; Shapiro; Voglemann-Sine, 1994). 10. Pessoas com trantornos dissociativos que progrediram a uma taxa mais rápida do que a alcançada pelo tratamento convencional (Fine, 1994; Lazrove, 1994; Lazrove & Fine, no prelo; Marquis & Puk, 1994; Paulsen, 1995; Rouanzion, 1994; Young, 1994) 11. Pessoas envolvidas com negócios, artes performáticas e esportes que se beneficiaram do E.M.D.R. como uma ferramenta para ajudá-las a aprimorar seu desempenho (Crabbe, 1996; Foster & Lendl, 1995, 1996)

12. Clientes com uma ampla variedade de TEPT e outros diagnósticos que experimentam benefícios substanciais com o E.M.D.R. (Allen & Lewis, 1996; Brown, mcGoldrick & Buchanan, 1997; Cohn, 1993; Fensterheim, 1996; Forbes, Creamer & Rycroft, 1994; Manfield, 1998; Marquis, 1991, Parnell, 1996, 1997; Puk, 1991b; Shapiro & Forrest, 1997; Spates & Burnette, 1995; Spector & Huthwaite, 1993; Vaugham, Wiese, Gol & Tarrier, 1994; Wolpe & Abrams, 1991).

 


Referências Bibliográficas


Baer, L., Hulery, J. D., Minichiello, W. E., Ott, B.D., Penzel, F. & Ricciardi, J. (1992). E.M.D.R. workshop: Disturbing issues? Behavior Therapist, 15 (5), 110-111.

Keane, T. (1992, October).Keynote address for the Annual Convention of the Internacional Society for traumatic Stress Studies, Los Angeles. Putnam, F. W. & Loewenstein, R. J. (1994).
Treatment of multiple personality disorder: A survey of current practices. American Jounal of Psychiatry, 150 (7), 1048-1052.

Shipley, R. H. & Boudewyns, P. A. (1980). Flooding and implosive therapy; Are they harmful? Bebavior Therapy, 11, 503-508.



"MARIA ARIELZE RABELO BRANCO"

Psicóloga com especialização em Psicologia Junguiana Coligada a Técnicas Corporais e Cinesiologia Psicológica (Integração Fisio - psíquica), pelo Instituto Sedes Sapientiae.
Trainer em Hipnoterapia Erkisoniana e EMDR - nível I e II (psicoterapia do estresse pós - traumático, fobias, pânico e ansiedade), pelo EMDR Instituto.
Coordenadora de grupos de relaxamento (inclusive para 3ª idade).
"MARIA AÍRES RABELO ALMEIDA"

Psicóloga com especialização em Psicologia Junguiana Coligada a Técnicas Corporais e Cinesiologia Psicológica (Integração Fisio - psíquica), pelo Instituto Sedes Sapientiae.
Trainer em Hipnoterapia Erkisoniana e EMDR - nível I e II (psicoterapia do estresse pós - traumático, fobias, pânico e ansiedade), pelo EMDR Instituto.
Coordenadora de Grupos de Orientação Vocacional e Orientação a Pais.
Atua na área clínica com crianças, adolescentes e adultos.

 

 

Comissão

Sem Coordenador no Momento

 

 

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