A mesma evolução da tecnologia e da automatização que promove o avanço da medicina, através do surgimento de novos aparelhos cada vez mais precisos, também acarreta facilidades no dia a dia das pessoas que diminuem cada vez mais o nível de aptidão física do ser humano. Óbvio e reconhecido por todos é o fato que quanto menor a capacidade física de uma pessoa, e conseqüente menor capacidade funcional deste corpo, menor é a sua capacidade de reação contra situações adversas e até mesmo menor a capacidade de prevenção contra o surgimento de várias doenças. Assim como a diminuição da capacidade física pela idade, o sedentarismo merece ser "tratado" como uma doença que alavanca o surgimento de outras como a obesidade, diabetes, hipertensão, cardiopatias, etc. Talvez por isso, a evolução da Medicina do Esporte tem sido tão comemorada e estudada.
Definição
Um treinamento adequado qualitativamente e quantitativamente proporciona uma importante adaptação bioquímica e física do corpo humano, promovendo assim um restabelecimento das condições fisiológicas e até mesmo facilitando a prevenção de inúmeras doenças.
O nome tradicionalmente usado Medicina do Esporte, erroneamente leva as pessoas a crerem que se trata de uma área da medicina destinada somente ao apoio aos atletas, sequer dando a ela um caráter preventivo, entendida, muitas vezes, apenas como uma "Ortopedia de Atletas". Muito mais do que isso, talvez a melhor definição venha do Instituto de Cardiologia e Medicina do Esporte de Colônia, Alemanha, que desde 1958 definiu a Medicina do Esporte da seguinte maneira:
"A medicina do Esporte inclui aquelas áreas teóricas e práticas da medicina que investigam a influência do exercício, do treinamento e do esporte nas pessoas sadias ou doentes , e no esportista, assim como estuda falta do exercício, com a finalidade de proporcionar resultados úteis para prevenir, tratar e reabilitar"
Desenvolvimento
Nas últimas décadas, assim como a Medicina do Esporte tem se aproveitado do conhecimento de outras áreas da medicina para o seu desenvolvimento, muitas especialidades médicas tem se utilizado das suas investigações e orientações.
O Comitê Olímpico Internacional e a Federação Internacional de Medicina do Esporte resumem desta maneira os seus aspectos mais importantes:
1. Investigação Médica antes de iniciar um esporte, ou qualquer atividade física, para detectar qualquer alteração que possa piorar em conseqüência da sua prática;
2. Investigação médica do rendimento para avaliar a capacidade de esforço do coração, circulação, respiração, metabolismo e sistema musculoesquelético;
3. Valorização funcional específica para o tipo de esporte ou atividade física;
4. Aconselhamento médico sobre o estilo de vida e nutrição;
5. Assistência médica no desenvolvimento dos métodos mais adequados de treinamento;
6. Controle científico da treinamento;
7. Tratamento médico de lesões e enfermidades;
Conclusão
A prática de alguma atividade física ou de algum esporte tem trazido alegria e saúde desde antigos tempos mas é também acompanhada pela idéia de perfeição. A busca pela superação de recordes e marcas e até mesmo a influência da vaidade tem feito os praticantes e atletas superarem também os próprios limites, muitas vezes se afastando dos limites saudáveis. Esforços sobre-humanos são vistos freqüentemente por todos nós que infelizmente se mostram através das lesões de atletas famosos. Nem a morte de atletas por excesso de atividade física praticada, até mesmo em "esportes profissionais", tem sido tomada como exemplo.
É dever de todos nós, Médicos, Preparadores Físicos, Técnicos, Fisioterapêutas, Nutricionistas e principalmente do próprio "atleta" ou "praticante" serem autocríticos o suficiente para reconhecerem e principalmente respeitarem os verdadeiros limites de um ser humano.