Nosso principal objetivo é elaborar " PROTOCOLOS DE CONSENSO " das estratégias terapêuticas, com a finalidade de " REGULAMENTAÇÃO " no Conselho Federal de Medicina ou nos Conselhos de Classe Competentes.
Abordagem integrativa da pessoa humana que se utiliza
do modelo compreensivo para investigar o complexo
psicossoma e suas interações com o ambiente
externo, necessitando portanto de ações
interdisciplinares para o seu conhecimento.
Sua evolução, inicialmente psicanalítica,
causou perplexidade a Freud ao se deparar com o problema
do relacionamento entre os fatos da vida psíquica
e os da vida orgânica, referindo-se aos sintomas
físicos da histeria como "aquele misterioso
salto da mente para o corpo" onde uma doença
de causa essencialmente psíquica dá
lugar a várias expressões corporais.
Numa fase intermediária ou behaviorista caracterizada
pelo estímulo à pesquisa em animais
e homens, buscava enquadrar os achados à luz
das Ciências Exatas, tendo se desenvolvido os
estudos sobre o estresse.
Na fase atual, multidisciplinar, emerge a importância
do social onde o ser sociopsicossomático passa
a nos caracterizar como pessoa, com as experiências
clínicas evidenciando a importância da
história de vida da pessoa no processo saúde/doença.
Embora seus princípios estejam contidos na
doutrina médica desde os tempos hipocráticos,
só recentemente, com a contribuição
de Engel sobre a teoria geral dos sistemas, trazendo
o modelo biopsicossocial ao conceito mais recente
de saúde da OMS como "equilíbrio biopsicossocial",
a psicossomática assume sua identidade como
abordagem investigativa da indissociabilidade mente-corpo
ou psicossoma no processo saúde/doença
e como prática que demanda a interação
multidisciplinar por ter como objeto de investigação
a pessoa e suas complexas interações,
demandando vários vértices de observação,
como são os conhecimentos multidisciplinares.
Histórico
O termo "psicossomática" surgiu em 1918 quando
Heinroth procurava distinguir os tipos de influência
e suas diferentes direções ao estudar
as relações entre mente e corpo, criando
também a expressão "somatopsíquica".
Embora tenha se iniciado muito antes e com complexa
história (medicina combinada aos cerimoniais
religiosos da pré-história, código
de hamurabi, papiros egípcios, Torá,
Talmud (literatura haggádica e a cura pela
oração do rabino Hamina Bem Dosa), Bíblia
, Velho Testamento, história dos milagres ou
midrash, tais como os "acontecimentos de Pentecostes"
("o milagre da compreensão e do Amor", "sinal
de Jonas" no kikaion, os milagres dos antigos gregos
(pseudociese curada pelo taumaturgo Apolonio de Tiana),
Hipócrates (600 aC) e de Jesus (fé no
kerigma: caso da ressurreição da filha
de Jairo, provável anorexia nervosa e da mulher
com metrorragia), "milagres" estes que podem ser explicados
pela medicina psicossomática.
Durante séculos, por falta de comprovação
científica, a medicina psicossomática
ficou em latência, embora o termo "psico-somático"
tenha sido utilizado por Heinroth em 1818. Com Freud
nova luz veio despertar o interesse mente-corpo. Após
sua morte em 1939 surge a revista Psychosomatic Medicine,
editada por Flanders Dumbar, em que 50 anos depois,
os editoriais mostraram o progresso bioquímico
e psiconeuroimunológico da correlação
mente-corpo, distanciando-se da contribuição
psicanalítica que revolucionara os conceitos
etiopatogênicos.
Ao lado de Georg Groddeck, Felix Deutsch, Franz Alexander,
Weisse English, George Engel, Hans Selye, Luiz Chiozza,
Rob Carballo, temos os fundadores da psicossomática
brasileira: Durval Marcondes, Danilo Perestrello,
Helládio Francisco Capisano, José Fernandes
Pontes e Luis Miller de Paiva, sendo que os nove primeiros
presidentes da Associação Brasileira
de Medicina Psicossomática, eram psicanalistas
e médicos associados a atividades docentes
e médico-hospitalares. Portanto, em 1965, foi
fundada na sede da Associação Paulista
de Medicina , a Associação Brasileira
de Medicina Psicossomática, onde se reuniram
Capisano , Miller, Pontes, Perestrello, Abram Eksterman
e mais 142 médicos principalmente do Rio de
Janeiro, Porto Alegre e São Paulo.
Intervenções
Terapêuticas
Observando a doença com sua dimensão
psicossocial, a relação médico
paciente em seus múltiplos desdobramentos e
ação terapêutica voltada para
a PESSOA do doente, entendido como um ser biopsicossocial,
a psicossomática passa a mobilizar atividades
paramédicas (Enfermagem, Psicologia, Nutrição,
Assistência Social) e assim formar equipes multidisciplinares,
comprometidas, além da condição
existencial do doente, com a dimensão social
da patologia. O conhecimento do homem como um todo
indissociável progrediu muito, porém
a resistência dos médicos em aceitar
o comando das doenças somáticas pelos
conflitos inconscientes é grande.
Por ser uma abordagem integrativa da pessoa, o profissional
que se utiliza da psicossomática vai além
da realidade física da doença, sem no
entanto, negá-la. Agrega aos saberes médicos
vinculados à metodologia das Ciências
Naturais, todo um conhecimento que deriva das Ciências
Humanas e Sociais, propiciando uma visão integrativa,
que tende a afastar o profissional do reducionismo
(biologismo, psicologismo, sociologismo).
A identificação da situação
de conflito, seja do indivíduo consigo mesmo
ou com a circunstância à qual está
submetido - geradora de emoção - é
suficiente para originar transtornos funcionais, e
estes, se repetidos e persistentes, alteram a vida
celular, acarretando a lesão orgânica
e suas complicações.
Como a EMOÇÃO ocorre simultaneamente
no subsistema somático e no subsistema processos
mentais, aquilo que no nível psíquico
é raiva, medo, dor, tristeza, alegria, fome,
no nível corporal ou somático se expressa
através de modificações das funções
motoras, secretoras e circulatórias, coordenadas
pelo eixo psiconeuroimunoendocrinológico.
A disfunção pode resultar da fibra muscular
lisa que existe em vários órgãos.
Assim a pessoa pode apresentar disfunções
motoras no aparelho digestivo (vômitos, diarréias,
prisão de ventre, discinesias), respiratório
(asma, bronquite), geniturinário (disúria,
cólica pieloureteral, dismenorréia ,
polaciúria, vaginismo, taquispermia), circulatório
(hipertensão arterial, enxaqueca, cefaléia
tensional, insuficiência coronariana, infarto
agudo do miocárdio), pele (eczemas, pruridos,
neurodermites).
A disfunção quando secretora, altera
a produção de muco e secreções
endócrinas, na produção de hormônios
do aparelho digestivo, secreção gástrica,
biliar, pancreática e entérica.
A disfunção da irrigação
sangüínea nos órgãos exerce
importante papel na determinação de
processos agudos e crônicos, e na dependência
da intensidade, da repetição e da duração
deles pode ocasionar a diminuição da
resistência da mucosa a outros agentes agressivos,
surgindo hemorragias, úlceras, reações
imuno-alérgicas, infecções e
neoplasias.
As alterações dessas 3 funções
parciais ocorrem em combinações múltiplas,
ao sabor das mais variadas situações
de vida, ligadas a sentimentos de raiva, medo, dor
(mal estar), humilhação, desesperança,
desalento, tristeza e melancolia.
O profissional que utiliza a psicossomática,
busca identificar quais as alterações
observadas nos três subsistemas através
de uma anamnese passiva, exame físico, mental
e laboratorial, obtendo-se o diagnóstico biopsicossocial
pelas interações recíprocas entre
os subsistemas.
Utilizam-se tratamentos médicos, psiquiátricos,
psicológicos, psicanalítico, nutricionais,
orientações psicopedagógicas
e psicossociais, familiares e ocupacionais. Os profissionais
que cuidam do mesmo paciente se comunicam entre si,
informando ao colega sobre o seu vértice de
observação e recebendo dele os conhecimentos
de sua especialidade, enriquecendo a compreensão
da pessoa, aumentando a possibilidade de acerto, evitando
medicações desnecessárias, quando
os transtornos são meramente funcionais, psicogênicos,
recebendo nesse caso psicoterapia, evitando atitudes
reducionistas e iatrogênicas, pois a RELAÇÃO
profissional-paciente é reconhecida e valorizada
como a recriação e a restauração
da relação mãe-bebê, propiciando
o acolhimento, a compreensão da pessoa ao invés
da relação causa-efeito, observada freqüentemente
no modelo médico.