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Diminuição de Cálcio na Água Servida à Cidade e Incidência de Morte Súbita

 

José de Felippe Junior

Quanto menor a quantidade de cálcio na água ingerida, maior a probabilidade de morte súbita nos coronáriopatas (epidemiológico).

Em 1967, em Ontário - Canadá , foram analisados os atestados de óbito de 55.000 pessoas entre 35 e 74 anos , de acordo com a causa mortis , idade, sexo e relacionou-se a moléstia isquêmica do coração com o tipo de água servida ao município . O tipo de água foi expresso em termos da quantidade de carbonato de cálcio em partes por milhão (ppm). Os vários municípios foram divididos de acordo com a dureza da água (hardness) em 3 regiões: menores do que 100ppm, entre 100 e 200 ppm e maior do que 200ppm. A morte por moléstia isquêmica do coração declinou de 416 por 100.000 habitantes na área inferior a 100ppm, para 390 por 100.000 na área intermediária e para 365 por 100.000 na área superior a 200 ppm.

Quando o atestado era fornecido pelo médico legista, 47% das mortes por moléstia isquêmica do coração acontecia nos municípios servidos por água com menor quantidade de cálcio , contrastando com 35% das mortes acontecendo nos municípios por águas com maior quantidade de cálcio.

Para outras moléstias não se observou nenhuma tendência quanto à dureza da água.

Os atestados de óbito assinados pelos legistas apresentaram um marcante gradiente (195, 164 e 120 por 100.000) nas 3 regiões estudadas , enquanto os atestados dos não legistas não mostraram essa diferença (220. 226 e 246 por 100.000). Desta forma os autores concluíram que a correlação existente entre o total de mortes por moléstia isquêmica do coração e a dureza da água , parece ser o resultado de um aumento seletivo das mortes súbitas (atestadas pelos legistas e não pelos outros médicos ). Por outro lado, as mortes acasionadas pela doença isquêmica do coração, não súbitas , não foram afetadas pela dureza da água .

Concluiu-se que os moradores de regiões com água pobre em cálcio estão mais propensos a morrer de arritmias fatais , quando portadores de doença isquêmica do coração .

De fato, Crawford, (1967) em autópsias , não encontrou diferença na prevalência da aterosclerose coronária entre os residentes de áreas servidas por água pesada ( rica em cálcio ) e água leve ( pobre em cálcio) , porém notou maior incidência de infarto do miocárdio naqueles que bebiam água leve.

Comentário

O trabalho dá uma idéia da correlação entre a maior quantidade de cálcio da água ingerida por longo tempo e uma possível proteção contra a morte súbita , talvez por arritmia fatal, nos portadores de coronariopatia . O próprio autor comenta que não foi levado em consideração, os fatores climáticos , a densidade populacional e o nível sócio econômico e que a correlação encontrada pode ter sido fortuita . Entretanto, existem outros trabalhos do gênero mostrando correlações semelhantes , isto é , o benefício da ingestão de água rica em cálcio .

 Referência Bibliográfica :

  1. Anderson, T.W.; Mackay, J.S.. Sudden death and ischemic heart disease . Correlation with hardness of local water supply. New England J.Med 280(15):805-807, 1967.

 

 

 

 

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