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José de Felippe Junior
“Primun non nocere”
“Somente o médico que não estuda usa as últimas novidades da Industria Farmacêutica”
JFJ
“A maioria dos médicos são camelôs da Industria Farmacêutica “
Walter Edgar Maffei
Há muitos anos os bloqueadores dos canais de cálcio são amplamente usados pelos cardiologistas e nefrologistas devido sua alta eficácia no controle da hipertensão arterial. Eles são bem tolerados e não apresentam efeitos colaterais dignos de nota quando utilizados a curto prazo.
De maneira semelhante ao que acontece com muitos medicamentos lançados pela industria farmacêutica e aprovados pelo FDA, a agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos da América do Norte, somente ficamos sabendo dos efeitos colaterais de longo prazo, quando pesquisadores independentes e sem conflito de interesse resolvem alertar os médicos que os empregam. Muitas vezes tais pesquisadores perde o seu emprego de professor nas Universidades.
Tais drogas, beneficiam o paciente de um lado (amplamente comentado e divulgado) e prejudicam de outro (nunca comentado e escondido de todos, até dos próprios médicos). Pertencem a essa classe de drogas o verapamil, o diltiazem e a nifedipina, todos eles bloqueadores do cálcio.
Foi Pahor em 1996, o primeiro autor a alertar sobre o aumento da incidência de câncer nos pacientes que usam há pelo menos 3 anos este tipo de droga. Os bloqueadores dos canais de cálcio impedindo a entrada de cálcio no intracelular inibem a apoptose, importante mecanismo de morte de células transformadas, de células com DNA alterado, de células infectadas por vírus ou lesadas por estresse oxidativo (excesso de radicais livres).
Em julho de 1996 Pahor publica na conceituada revista “Americam Journal Hipertension” estudo envolvendo 750 pacientes com hipertensão arterial sem historia de câncer, avaliados no período de 1988 a 1992. O risco relativo de câncer nos pacientes que receberam beta-bloqueadores (n = 424 com 28 eventos) e nos pacientes que receberam inibidores da enzima de conversão (n = 124 com 6 eventos) foi de 0,73. Quando comparados com os pacientes que receberam os bloqueadores dos canais de cálcio (n = 202 com 27 eventos) noto-se um drástico aumento do risco da incidência de câncer para 2,02.
Estes dados indicam que o uso dos bloqueadores dos canais de cálcio aumenta significantemente o risco de aparecimento de câncer.
Em agosto de 1996 o mesmo autor publica em outra conceituada revista médica “Lancet” conclusões semelhantes comparando a incidência de câncer em três regiões de Massachusetts: pacientes que ingeriram verapamil, diltiazem ou nifedipina apresentaram incidência de câncer superior ao da população onde vivem.
Após essas observações inéditas surgiram muitos estudos semelhantes, alguns concordando e outros discordando de Pahor. Alguns autores mostraram que os bloqueadores de cálcio não provocam câncer, porém, é muito dificil sabermos se há conflito de interesse, isto é, se tais trabalhos são na verdade “encomendas” dos laboratórios farmacêuticos com interesse no produto.
A enorme avalanche de inibidores da enzima de conversão, os beta-bloqueadores seletivos, os diuréticos (curto prazo) e a diminuição da ingestão de sal, juntamente com os exercícios regulares e o controle do peso nos permitem controlar a pressão arterial sem a necessidade de corrermos riscos sérios e desnecessários, em praticamente todos os pacientes.
Interessante saber que o cálcio é um cátion estruturador da água intracelular e portanto é uma substância necessária para manter o grau de ordem – informação do sistema termodinâmico aberto que é a célula (vide : Felippe JJ . Água : vida – envelhecimento – doença – câncer , na Biblioteca de Câncer” do site : www.medicinacomplementar.com.br)
Por precaução há muitos anos não temos empregado os bloqueadores dos canais de cálcio no tratamento da hipertensão ou em qualquer outro tipo de doença.
“ MEDICINA BIOMOLECULAR é aquela que cuida do corpo humano com todo respeito bioquímico e fisiológico. É aquela que cuida da : MATÉRIA - INFORMAÇÃO - ENERGIA”
JFJ
1-Pahor M; Guralnik JM; Salive ME; Corti MC; Carbonin P; Havlik RJ
Do calcium channel blockers increase the risk of cancer?
Comment In:Am J Hypertens. 1996 Oct;9(10 Pt 1):1045-6, author reply 1051-3
Am J Hypertens; 9(7):695-9, 1996 Jul.
Calcium channel blockers can block calcium signals that trigger cell differentiation and apoptosis, which are important mechanisms of cancer growth regulation. To ascertain whether calcium channel blocker use was associated with an increased risk of cancer, 750 hypertensive persons age > or = 71 years, with no history of cancer at baseline, were followed from 1988 through 1992. The patients were using either beta-blockers, angiotensin converting enzyme inhibitors or calcium channel blockers (verapamil, nifedipine, and diltiazem; mainly of the short-acting variety). Compared to beta-blockers (n = 424, 28 events), after adjusting for age, gender, race, smoking, body mass index, and number of hospital admissions not related with cancer, the relative risks of cancer (95% confidence interval) for angiotensin converting enzyme inhibitors (n = 124, 6 events) and calcium channel blockers (n = 202, 27 events) were 0.73 (0.30 to 1.78) and 2.02 (1.16 to 3.54), respectively. These findings indicate that calcium channel blocker therapy might increase the risk of cancer. New data are needed in patients using modern calcium channel blocker agents with more gradual absorption. This report should encourage further study of cancer outcomes in elderly patients who are vulnerable to cancer and who are receiving calcium channel blockers.
2-Pahor M; Guralnik JM; Ferrucci L; Corti MC; Salive ME; Cerhan JR; Wallace RB; Havlik RJ
Calcium-channel blockade and incidence of cancer in aged populations.
Comment In:Lancet. 1996 Aug 24;348(9026):487
Lancet; 348(9026):493-7, 1996 Aug 24.
BACKGROUND: Calcium-channel blockers can alter apoptosis, a mechanism for destruction of cancer cells. We examined whether the long-term use of calcium-channel blockers is associated with an increased risk of cancer. METHODS: Between 1988 and 1992 we carried out a prospective cohort study of 5052 people aged 71 years or more and who lived in three regions of Massachusetts, Iowa, and Connecticut USA. Those taking calcium-channel blockers (n = 451) were compared with all other participants (n = 4601). The incidence of cancer was assessed by survey of hospital discharge diagnoses and causes of death. These outcomes were validated by the cancer registry in the one region where it was available. Demographic variables, disability, cigarette smoking, alcohol consumption, blood pressure, body-mass index, use of other drugs, hospital admissions for other causes, and comorbidity were all assessed as possible confounding factors. FINDINGS: The hazard ratio for cancer associated with calcium-channel blockers (1549 person-years, 47 events) compared with those not taking calcium-channel blockers (17225 person-years, 373 events) was 1.72 (95% CI 1.27-2.34, p = 0.0005), after adjustment for confounding factors. A significant dose-response gradient was found. Hazard ratios associated with verapamil, diltiazem, and nifedipine did not differ significantly from each other. The results remained unchanged in community-specific analyses. The association between calcium-channel blockers and cancer was found with most of the common cancers. INTERPRETATION: Calcium-channel blockers were associated with a general increased risk of cancer in the study populations, which suggested a common mechanism. These observational findings should be confirmed by other studies0.
Vide mais referências sobre o assunto na “biblioteca de câncer : 45 trabalhos retirados do MEDLINE.
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