José de Felippe Junior
O câncer já foi vencido em culturas de tecido e em animais de experimentação, o próximo passo é vence-lo no homem e estamos muito perto.
As células do corpo humano vivem em uma sociedade peculiar. Elas respeitam o território sagrado das suas vizinhas e são altruístas ao ponto de se sacrificarem pela comunidade em um mecanismo de suicídio celular programado, ao perderem a capacidade de ajudar a sociedade onde vivem. Tudo em prol de um bem maior que é a manutenção do organismo vivo e saudável.
Cada célula funciona em perfeita harmonia e desempenha as suas funções através da produção de energia via glicólise anaeróbia e via fosforilação oxidativa.
A glicólise anaeróbia, pobre geradora de energia e residente no citoplasma, de maneira semelhante à muitas pessoas de baixa renda se incomodam com a falta de recursos dos que vivem ao seu redor e distribuem o que geram para célula inteira: citoplasma e núcleo.
A fosforilação oxidativa, rica geradora de energia residente no mitocondria, representa o lado rico e poderoso da célula e somente distribui seus recursos para o meio imediato onde estão inseridos e no qual sobrevivem , o citoplasma e para o local que dependem para produzir mais energia, a membrana citoplasmática.
O núcleo contém , não a inteligência , mas a memória necessária para o correto funcionamento celular – genoma – moldes de todas as substâncias que a célula é capaz de produzir. Entretanto o núcleo não tem recursos financeiros. Ele não produz energia, dependendo exclusivamente da glicólise, o lado pobre da célula.
A mitocondria dispõe de toda riqueza e para sobreviver gera energia para os ribossomas fabricarem as proteínas necessárias para o bom desempenho celular. Entretanto , é necessário o “molde” que está no núcleo e quem proporciona os recursos é a glicólise com seus parcos proventos, porém tudo é feito de comum acordo e em perfeita harmonia respeitando as limitações de cada elemento.
Quando a mitocondria , seja por agressão física ou química, exógena ou endógena, perde o controle financeiro e diminui ou estanca por completo a produção de energia, a glicólise assume o poder. Neste caso a maior força da natureza é dirigida para a sobrevivência da célula e por essa razão a glicólise toma conta por completo do ambiente e fornece energia para o núcleo. O núcleo começa imediatamente a fazer cópias das células lesadas, pois, maior número de indivíduos da mesma espécie em ambiente hostil têm mais chances de sobreviver: é o início da proliferação celular.
Se os agentes que agrediram a célula não machucaram o DNA nuclear (memória intacta), a proliferação celular será idêntica às células normais , isto é a proliferação celular será benigna : TUMOR BENIGNO.
A proliferação será desordenada e invasiva e não respeitará o sagrado território das células vizinhas. Esta célula transformada, sob novo molde (DNA nuclear alterado) e novo controle (glicólise anaeróbia), não mais se sacrifica pelo bem comum e não segue as regras da comunidade, porque agora ela é diferente. Crescem desordenadamente e não respeitam limites e por isso são malignas. São um verdadeiro câncer tomando de assalto o organismo.
Estas células fazem de tudo para sobreviver por si mesmas e possuem um alto grau de adaptação às condições adversas do meio – hipóxia , acidose, radioterapia, quimioterapia, hipertermia, etc. São guerreiras subversivas, são rebeldes e destroem qualquer coisa em seu caminho para tomar posse de mais território, lutando para sobreviver a qualquer custo. Somente o que importa é permanecerem vivas e se reproduzindo.
Como deter células rebeldes ?
Devemos usar a força ou a diplomacia? O extermínio indiscriminado ou a compaixão?
Quando em um País começa a nascer um grupo revolucionário, um grupo de pessoas diferentes, arrogantes e fanáticas com aumento exponencial de seguidores, deve-se tomar medidas com urgência.
Se o grupo é pequeno e isolado e sem ramificações pelo País, a extirpação cirúrgica do grupo pode ser o suficiente para resolver o problema imediato. Deve-se proceder a seguir mudanças sérias no País para prevenir o risco do crescimento de outros grupos, que certamente vão aparecer se nada for feito.
Se o grupo revolucionário for maior, somente a extirpação cirúrgica não será suficiente.
Nos países onde se optou por medidas drásticas de extermínio de todos os componentes do grupo, a história nos mostra uma longa batalha com muito sofrimento e vitória incerta.
Nos países onde se optou pelo extermínio dos mais perigosos e irrecuperáveis juntamente com a reabilitação dos menos fanáticos - menos malignos - a batalha não foi tão árdua e longa, o sofrimento foi bem menor e na maioria das vezes o País voltou a viver em paz.
Quando optamos simplesmente pelo extermínio das células malignas (quimioterapia, radioterapia) , além de matarmos células normais falhamos em matar todas as células malignas e as que sobrevivem saem do combate mais fortalecidas, mais resistentes a novas investidas. É mais ou menos como se bombardeássemos uma cidade inteira, afim de destruir apenas uma fábrica de armas, sempre acabamos atingindo os civis, que são os que mais sofrem nestes casos. Na verdade a quimioterapia ou a radioterapia de repetição ativam mecanismos de sobrevivência celular adquiridos em milhões de anos de evolução da nossa espécie e que são realmente os responsáveis por estarmos presentes atualmente no planeta.
Quando atacamos uma célula e ela não morre esta célula coloca em ação mecanismos de defesa milenares ativando fatores de transcrição nuclear. O principal deles é o fator de transcrição nuclear – NF-kappaB – o qual inibe as vias de morte celular (apoptose) e ativa as vias de proliferação celular. Concomitantemente ocorre ativação da neoangiogênese que permitirá nutrir as novas células rebeldes.
Desta forma, possivelmente o ideal seria promover um ataque firme, forte e de curta duração para aniquilar as células mais indiferenciadas, mais malignas, com maior índice de proliferação que coincidentemente são as mais susceptíveis à quimioterapia e à radioterapia. Logo a seguir colocaríamos em ação medidas de reabilitação celular, os procedimentos de desdiferenciação, dirigidos às células não muito malignas, não muito indiferenciadas, com menor índice de proliferação e que são justamente as células com maior potencial de recuperação. Quando conseguirmos mudar as células de malignas para benignas elas voltam ao convívio em sociedade seguem o seu ciclo de vida e no final chegam à morte natural programada (apoptose).
Câncer não é somente o tumor visível
O câncer é um desequilíbrio entre a proliferação celular e a diferenciação . É uma doença sistêmica , não é apenas algo localizado crescendo desordenadamente, não é apenas o tumor visível. A revolta e até mesmo a guerra não aparecem num país politicamente organizado e economicamente forte, onde seus cidadãos tem um bom padrão de vida.
O câncer só começa a existir em um terreno , em um organismo preparado para aceita-lo. São pessoas que por muitos anos não respeitaram as suas próprias células. Abusaram do fumo, das gorduras saturadas, dos carboidratos refinados, dos alimentos enlatados, dos embutidos e defumados, se contaminaram com metais tóxicos e se intoxicaram com o medo, a inveja e a depressão. As causas são múltiplas e o tratamento também deve ser.
Atualmente são 5 as modalidades convencionais empregadas no seu tratamento : cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e hipertermia. Os procedimentos de diferenciação celular ainda estão em estudo.
Das 5 modalidades convencionais, nenhuma delas por si só , consegue a erradicação total do tumor maligno. Sempre se empregou o concurso de várias estratégias, para aniquilar por completo, esse inimigo tão astuto, tão traiçoeiro, com tanta vontade de sobreviver a qualquer custo, que chega a ser insano, pois a sua vitoria significa o seu próprio desaparecimento.
O organismo sozinho não consegue, mas com o emprego de vários tipos de diferentes modalidades estratégicas, as de exterminação e as de diferenciação, cada uma atuando em locais distintos da célula maligna, da massa tumoral e do meio ambiente que vive a célula, temos obtido o desaparecimento total de vários tipos de tumores. Resta esperar os necessários 5 anos, para selar com chave de ouro a estratégia de exterminação e diferenciação que estamos empregando.
Ao erradicarmos os tumores, seja qual for o método empregado , precisamos cuidar do terreno, isto é, do organismo como um todo. Devemos retirar do corpo todos metais tóxicos, suprir as células normais com os 45 nutrientes essenciais, afastar intolerâncias e alergias alimentares, afastar o paciente de campos eletromagnéticos prejudiciais, orientar para não dormir em zonas geopatogênicas e outras medidas, para diminuirmos drasticamente a possibilidade de recidiva ou o início de um novo grupo de células transformadas e rebeldes.
No site oficial da Associação Brasileira de Medicina Complementar demonstramos em mais de 18 trabalhos científicos referendados por quase 1200 trabalhos da literatura médica, as diferenças bioquímicas, fisiológicas, farmacológicas, anatômicas e biológicas entre as células normais e as células malignas.
O trabalho não está terminado , muito temos que aprender, porém, o conhecimento destas diferenças nos permite elaborar estratégias cada vez mais eficazes que nos possibilitará aniquilar as células cancerosas mais malignas, recuperar as células não tão malignas e preservar as células normais.
“Depois de se tornar um especialista, a pessoa pára de pensar. Para quê? É especialista “
Frank Lloyd Wright nascido em 1867
Referencias Bibliográficas
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- Felippe JJ . Câncer avançado: Tratamento com Radio Freqüência e Oxidação Sistêmica. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar. www.medicinacomplementar.com.br. Tema do mês de junho de 2004
- Felippe JJ. Desacetilação como mecanismo de controle epigenético do Câncer : Inibição da Proliferação Celular Maligna, Aumento da Diferenciação Celular e Aumento da Apoptose. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar. www.medicinacomplementar.com.br. Tema do mês de julho de 2004.
- Felippe JJ. Metabolismo da Célula Tumoral - Câncer como um Problema da Bioenergética Mitocondrial : Impedimento da Fosforilação Oxidativa - Fisiopatologia e Perspectivas de Tratamento. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar. www.medicinacomplementar.com.br. Tema do mês de agosto de 2004
- Felippe JJ. Metabolismo das Células Cancerosas: A Drástica Queda do GSH e o Aumento da Oxidação Intracelular Provoca Parada da Proliferação Celular Maligna, Aumento da Apoptose e Antiangiogênese Tumoral Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar. www.medicinacomplementar.com.br. Tema do mês de setembro de 2004.
- Felippe JJ. A hipoglicemia induz citotoxidade no carcinoma de mama resistente à quimioterapia. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar. www.medicinacomplementar.com.br. Tema do mês de fevereiro de 2005.
- Felippe JJ. A insulinemia elevada possui papel relevante na fisiopatologia do infarto do miocárdio, do acidente vascular cerebral e do câncer. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar. www.medicinacomplementar.com.br. Tema do mês de abril de 2005.
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José de Felippe Junior
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