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José de Felippe Junior
“As enfermidades são muito antigas e nada a respeito delas mudou. Somos nós que mudamos ao aprender a reconhecer nelas o que antes não percebíamos”
Charcot
“ Médicos : Não sejam camelôs da Indústria Farmacêutica “
Walter Edgar Maffei
“Médicos : deixar de estudar é parar de ser médico
JFJ
“Médicos: a MEDICINA se aprende em trabalhos científicos sem conflito de interesse”
JFJ
“ Médicos tenham cuidado : os Congressos da nossa Classe são financiados pelas Indústrias Farmacêuticas”
No intracelular coexistem dois tipos de água: tipo A (desestruturada) e tipo B estruturada :
Água A: Alta densidade, ativa e fluída por apresentarem pontes de hidrogênio fracas.
É uma água sem estrutura (desestruturada), com “clusters” pequenos, isto é, com o “n” do (H2O)n muito baixo.
É a água predominante nas células em proliferação.
Densidade : 1,18 g/ml
Água B: Baixa densidade, inativa e viscosa por apresentarem pontes de hidrogênio fortes.
É uma água estruturada, com “clusters” maiores, isto é, com o “n” do (H2O)n elevado e mais fortes.
É a água predominante nas células em estado quiescente, sem proliferação.
Densidade: 0,91 g/ml
Quando aumenta a quantidade de água desestruturada no intracelular (lesões externas ou internas cancerígenas), as células sofrem profundas modificações metabólicas, profundas modificações das vias de sinalização, aumento progressivo da entropia que culmina na diminuição do grau de ordem-informação do sistema termodinâmico aberto que é a célula. Na evolução deste processo o grau de ordem – informação chega a um ponto crucial e a célula atinge um nível quase não tolerável de desestruturação, um estado de “estresse de quase morte”.
Ao chegar no “estresse de quase morte” desencadeiam-se mecanismos milenares de sobrevivência celular e as células começam a se dividir, entram em proliferação, entram em estado de mitose contínua, único modo de continuarem vivendo.
A célula normal quando agredida coloca em ação todo potencial adquirido nos milhões de anos de planeta Terra para sobreviver. A células assim chamadas de “malignas”, são carne de nossa própria carne e portanto também usam este potencial colocando em ação todos mecanismos disponíveis de sobrevivência, isto é, a ativação de fatores que: 1- promovem a proliferação celular; 2- impedem a apoptose e 3- aumentam a geração de novos vasos.
Desta forma, ao atingir o estado de “estresse de quase morte” desencadeia-se os fatores de sobrevivência e as células começam a proliferar, a se proteger da apoptose e a criar novos vasos para se nutrir.
O modo mais coerente de abordar o paciente com câncer e que está de acordo com a fisiopatologia do processo patológico seria proporcionar condições ideais para que as células doentes recuperem e restabeleçam as suas funções. Uma das estratégias é agir na água intracelular transformando-a de desestruturada (alta densidade, ativa, fluída) em estruturada (baixa densidade, inativa, viscosa).
O tiosulfato de sódio (Na2S2O3), antigamente chamado hiposulfito de sódio, é um dos fortes estruturadores da água intracelular ao lado de outras substâncias estruturadoras ou kosmotropas : anions polivalentes, cátions monovalentes e polivalentes e a alguns compostos não iônicos. Pois bem, Norbert Viallet em 2005 empregando apenas o tiosulfato de sódio como estruturador conseguiu diminuir significantemente (quase 50%) a proliferação do carcinoma epidermoide humano implantado no camundongo.
Na verdade o autor utilizou o tiosulfato para verificar se ocorria proteção do animal da ototoxicicidade e nefrotoxicidade provocada pelo cis-diaminonedicloroplatina (CDDP) e se havia interferência do tiosulfato na eficácia deste quimioterápico.
Os camundongos foram implantados com células FACU do carcinoma epidermoide humano e a seguir receberam uma única injeção intraperitoneal de salina (controle), CDDP, CDDP mais tiosulfato e somente tiosulfato (1600 mg/Kg).
No grupo salina observou-se que o volume do tumor atingiu 1200 mm3 em 25 dias de evolução e no grupo com somente tiosulfato atingiu 650 mm3 , isto é, houve diminuição de quase 50% do volume tumoral , empregando –se apenas um dos tipos de estruturadores que as células normais utilizam na sua fisiologia normal.
Conclusão: Dispomos de mais uma estratégia para curar o câncer
Não vamos desistir desta luta
Referências
- Felippe, J.J. Câncer: população rebelde de células esperando por compaixão e reabilitação. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar . www.medicinacomplementar.com.br . Biblioteca de Câncer. Tema da semana de 16/05/05.
- Felippe JJ . Todos nós temos o poder de curar a nós mesmos. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar, www.medicinacomplementar.com.br . Biblioteca de Câncer. Tema do mês de Janeiro de 2006.
- Felippe JJ. Água: vida – saúde – envelhecimento – doença – câncer .Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar. www.medicinacomplementar.com.br. Tema do mês de fevereiro de 2008.
- Viallet,NR ; Blakley,BW ; Begleiter A and Leith MK. Effect of sodium thiosulphate and cis-diamminedichloroplatinum on FADU tumor cells in nude mice. The Journal of Otolaryngology 34:6,2005.
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