José de Felippe Junior
“Na arte de curar, deixar de aprender é omitir socorro, e retardar tratamentos esperando maiores evidências científicas é ser cientista e não médico”
JFJ
“Em primeiro lugar sempre a Medicina Convencional”
JFJ
“Se a Medicina Convencional não surtiu os efeitos desejados temos o direito e o dever de utilizar os recursos da Medicina Não Convencional orientada por médicos”
JFJ
“Nunca devemos trocar uma Medicina pela Outra podemos sim complementá-la com Estratégias bem estudadas da Medicina Complementar”
JFJ
“Na verdade a MEDICINA é uma só”
Vários Autores
“É do médico a responsabilidade do paciente”
Convenção de Helsinque
“Curar muitas vezes, aliviar e consolar sempre, desistir nunca”
Médicos Humanos
Introdução
O câncer é um desequilíbrio entre a proliferação celular e a diferenciação celular. É uma doença sistêmica, não é apenas algo localizado crescendo desordenadamente, não é apenas o tumor visível.
O câncer só começa a existir em um terreno, em um organismo preparado para aceitá-lo. São pessoas que por muitos anos não respeitaram as suas próprias células. Abusaram do fumo, do sal, das gorduras saturadas, dos carboidratos refinados, dos alimentos enlatados, dos embutidos e dos defumados, se contaminaram com metais tóxicos e se intoxicaram com o medo, a inveja e a depressão. As causas do câncer são múltiplas, o tratamento também deve ser múltiplo.
O câncer é a segunda grande causa de morte nos países economicamente estáveis, como Estados Unidos da América e grande parte da Europa. Fatores carcinogênicos internos e externos, físicos e biológicos têm sido incriminados como agentes causais. Entretanto, como em toda doença de fisiopatologia e fisiopatogenia não completamente conhecida, os cientistas estão à procura de parâmetros mais concretos que possam explicar não somente a doença em si, mas também os possíveis fatores de prevenção e tratamento. As células cancerosas são carne da nossa própria carne apenas um pouco diferentes e por assim serem lutam com as armas das nossas próprias células normais para sobreviverem. Desta forma, elas apresentam aguçados todos os mecanismos de proliferação celular, de proteção apoptótica e ainda não respeitam o território sagrado das células vizinhas, invadindo e tomando conta de novos territórios. Entretanto as células normais estão em muito maior número e teriam condições de se defenderem se não tivessem sido pegas de “surpresa” porque o hospedeiro, o ser humano constituído por elas, as maltratou contínua e ininterruptamente por muito tempo, até que um grupo se rebelou e começou a viver por si só : o câncer ( Felippe – 2000 a 2005). Todos os mecanismos de sobrevivência das células cancerosas já haviam sido adquiridos pelas células normais durante o processo evolutivo, com a finalidade de se manterem vivas devido às condições desfavoráveis do meio ambiente pré-histórico. As células malignas lançam mão de todos esses mecanismos adquiridos em milhões de anos de evolução, por um motivo muito sério, para sobreviverem. A quimioterapia e a radioterapia fatores de agressão do mais alto grau desencadeiam e exacerbam esses mecanismos de sobrevivência e tornam as células que não morreram, resistentes ao tratamento subseqüente. Devemos nos lembrar que as células cancerosas quando agredidas também aumentam a geração de outras substâncias como o fator de transcrição nuclear NF-kappaB o qual também é um fator de sobrevivência das células normais e que as células malignas sabem muito bem utilizar (Felippe – 2004 a 2007).
Dieta
O câncer é a segunda doença principal do planeta e está querendo passar para o primeiro lugar, mas felizmente cerca de 75% dos casos podem ser prevenidos por alterações do estilo de vida, principalmente os que se referem à dieta. Na Ásia a incidência do câncer de mama, de próstata e de colon é bem menor que na América do Norte, possivelmente pelo alto consumo de isoflavonas. Estudos em animais corroborados por evidências epidemiológicas mostram forte relação entre o consumo de isoflavonas e o baixo índice de câncer (Kennedy-1995, Valachovicova-2004 , Sarkar-2002-2004 , Park-2004).
A incidência de câncer de colon, de reto, de pâncreas, de mama, de endométrio e de próstata é 10 vezes maior na América do Norte, Europa e Austrália quando comparada com a África e o Sul da Ásia (International Agency for Research on Cancer – 1997). Quando os imigrantes destes países de baixo risco passam a viver nas áreas de alto risco aumenta a incidência dos cânceres acima mencionados mostrando que o câncer possui mais relação com a alimentação e o ambiente que a pessoa vive do que com a própria genética. Estudos epidemiológicos indicam que populações que consomem grandes quantidades de ácidos graxos ômega-3 apresentam menor incidência de câncer de mama, de próstata e de colon quando comparadas com populações que consomem menores quantidades desses elementos (Hardman-2002). Existem evidências que quanto menor o conteúdo de ácidos graxos intratumoral maior é o grau de malignidade do tumor (Hardman-2002-2004, Shahidi-2004 , Babcock-2005 , Rodriguez-Cruz-2005). O aumento da ingestão de calorias na forma de carboidratos refinados, a baixa ingestão de frutas e vegetais, a hiperinsulinemia e os altos níveis dos IGFs ( Fatores de Crescimento Dependentes de Insulina) proporcionam maior risco de aparecimento de vários tipos de câncer (Giovannucci – 1999 , Augustin – 2002 , Kaaks - 1996). A ingestão de alimentos de elevado índice glicêmico, o aumento da carga glicêmica e a falta de atividade física acarretam hiperinsulinemia a qual se associa ao aumento da incidência de vários tipos de câncer. A obesidade se associa com hiperinsulinemia e aumento do risco de câncer. A gordura corporal total se correlaciona com câncer de mama, colo-retal, próstata, endométrio e ovário (Albanes – 1990 , Schapira – 1990 , Russo – 1998). Já foi demonstrado o relevante papel da insulina no carcinoma de mama (Castro – 1980 , Kaaks- 1996), no câncer de ovário (Beck - 1994) e em outros tipos. Inclusive no câncer colo-retal, de estômago e de mama conseguiu-se detectar elevados níveis de insulina no tecido canceroso quando comparado com amostras de tecido controle sem câncer (Yam - 1996). A associação direta entre o índice glicêmico com o câncer colo-retal ou o câncer de mama foi mostrado sem sombras de dúvidas em 3 estudos epidemiológicos ( Slattery – 1997 , Franceschi – 2001 , Augustin – 2001). Entretanto, as evidências apontam para uma associação mais ampla envolvendo outros tipos de câncer e responsabilizando tanto o índice glicêmico, como a carga glicêmica ( McKeown-Eyssen – 1994 , Giovannucci – 1995-1999 , Bruning – 1992) .
Fatores de crescimento
Outro fator importante na grande maioria dos cânceres é o IGF-I. O sistema GH/IGF( Growth Hormone/ Insulin-Like Growth Factor ) desempenha papel crucial na carcinogênese humana. O sistema GH/IGF promove a progressão do ciclo celular (mitose), previne a execução da apoptose, facilita a neoangiogênese tumoral, induz a invasão tumoral, assiste os oncogenes na transformação de células benignas em malignas, dificulta a diferenciação celular e provoca resistência ao tratamento do câncer com a quimioterapia e a radioterapia. Os IGFs e seus receptores estão envolvidos no desenvolvimento de vários tipos de câncer como : mama, próstata, pulmão, colo-retal, endométrio, osteosarcoma, neuroblastoma, pâncreas, ovário e testículo (Sullivan – 1995 , Torestsky – 1996 , Sachdev – 2001 , Moschos – 2002 , Dupont – 2003 ). Vários estudos epidemiológicos têm sistematicamente apontado que o elevado nível de IGF-I está associado com maior risco de desenvolvimento do câncer colo-retal, próstata, mama e pulmão. Citamos aqui em ordem, 4 estudos de câncer colo-retal , 4 de próstata, 4 de mama e 1 de pulmão : Ma-1999 , Peters-2003 , Nomura-2003 , Palmqvist-2002 , Chan-1998 , Chokkalingam-2001 , Stattin-2000 , Shi-2001 , Hankinson -1998 , Kaaks-2002 , Toniolo-2000 , Krajcik-2002 , Yu-1999.
Potencial transmembrana da membrana citoplasmática
De fundamental importância é o fato já demonstrado por alguns pesquisadores sobre a relação entre o potencial transmembrana e a proliferação celular. Guidon , Woodland, Clarence Cone e outros mostraram que a queda de potencial da membrana citoplasmática a níveis inferiores a -15 milivolts , desencadeia a síntese de DNA e dispara a multiplicação celular : mitose. Normalmente o potencial transmembrana das células está ao redor de - 20 a –90mv: células beta do pâncreas:-20mv, células gástricas:-50mv, células hepáticas:-60 mv, neurônios:-70mv, células do músculo esquelético:-90mv e fibras miocárdicas:-90mv. Para Conway a ingestão de uma dieta pobre em sódio e rica em potássio, diminui o sódio e aumenta o potássio dentro da célula e assim ativa a ATPase da bomba de sódio/potássio, aumenta a quantidade de ATP disponível e polariza a célula, restaurando o potencial transmembrana ao normal. Em outras palavras diminui a entropia e conseqüentemente aumenta o grau de ordem e informação do sistema termodinâmico aberto que é a célula , normalizando a proliferação celular desordenada. Considera-se ideal do ponto de vista termodinâmico, um sódio plasmático de 136-137 mEq/l e não 136 a 146 mEq/l (normal estatístico). O ideal do potássio é de 4,8 a 5 mEq/l e do magnésio, 2,2 a 2,4mEq/l. Damadian e Cope, demonstraram aumento de sódio e diminuição de potássio intracelular em vários tipos de células cancerosas. Também observaram diminuição da produção de ATP. Goldsmith e Damadian, estudando a ressonância do sódio-23 em quatro tipos de células cancerosas e seis tipos de células normais constataram maior quantidade de sódio nas células cancerosas quando comparadas com as células normais correspondentes. Soddi Pallares, cita o trabalho de Avioli e Raisz de 1980: “Quando o metabolismo celular está alto (potencial transmembrana elevado e célula altamente polarizada), o meio intracelular é rico em magnésio, potássio e ATP. Quando o metabolismo está baixo (potencial transmembrana diminuído e célula despolarizada), o meio intracelular é rico em cálcio e sódio e pobre em ATP".
Potencial transmembrana da membrana mitocondrial
As mitocôndrias no câncer são hiperpolarizadas e conseqüentemente têm baixa fosforilação oxidativa e ambas alterações são revertidas pelo dicloroacetato de sódio (DCA) Michelakis -2007). Foi estudado o potencial transmembrana mitocondrial (PTM) em três linhagens de células malignas humanas: A549 (câncer de pulmão de células não pequenas), M059K (glioblastoma) e MCF-7 (câncer de mama) e comparadas com três linhagens de células não cancerosas também humanas: células epiteliais de vias aéreas, fibroblastos e músculo liso de artéria pulmonar (Bonnet e Michelakis – fev-2007). Todas células malignas apresentavam mitocôndrias significantemente hiperpolarizadas (alto PTM) quando comparadas com as células normais. A incubação com DCA por 48 horas reverte o estado hiperpolarizado das três linhagens malignas, isto é, os valores do PTM diminuem e retornam aos valores normais. O DCA não altera o PTM das células normais. Lan Bo Chen em 1988, faz revisão do assunto e constata que 200 tipos / linhagens de células derivadas de tumores humanos apresentavam potencial transmembrana mitocondrial elevado ( hiperpolarização ) : rins, ovário, pâncreas, pulmão, córtex adrenal, pele, mama, próstata, cervix, vulva, colon, fígado, testículo, esôfago, língua , a grande maioria dos adenocarcinomas, carcinoma de célula transicional, carcinoma epidermoide e melanoma. Temos exceções , isto é, tipos de células malignas que não apresentam hiperpolarização da membrana mitocondrial: câncer de pulmão de pequenas células (oat cell) e carcinoma pobremente diferenciado de colon.
Perigo dos antioxidantes : agrava o câncer e interfere com a quimioterapia
Com o passar dos anos e o conhecimento mais profundo das reações de oxido-redução têm surgido na literatura grande número de trabalhos mostrando que, enquanto concentrações normais de GSH e de outros antioxidantes no intracelular protegem o DNA nuclear das lesões provocadas pelas ERTO (espécies reativas tóxicas de oxigênio) e diminuem a prevalência do câncer, a presença de quantidades normais de GSH e de outros antioxidantes no câncer já instalado provoca aumento da proliferação celular maligna, diminuição da apoptose e facilita a neoangiogênese tumoral ( Felippe –1990-2001- 2004- 2005 ).
Temos que compreender muito bem que os antioxidantes protegem o DNA nuclear das lesões oxidativas e diminuem a prevalência do câncer, funcionando como agentes preventivos. Entretanto, no câncer já instalado os antioxidantes protegem a célula cancerosa enquanto que os agentes oxidantes promovem a lesão do DNA nuclear provocando a morte da célula maligna, funcionando assim como agentes curativos. Aqui os antioxidantes seriam um verdadeiro desastre (Felippe –1994- 2004). O uso de antioxidantes em doses exageradas pode inibir importantes mecanismos de defesa contra o câncer (Verhaegen - 1995, McGovan - 1996, Maxwell - 1999, Salganik - 2001). Em 1996, Saintot na França já indicava que no câncer de mama a progressão tumoral e a presença de metástases se associavam à maior concentração de vitamina E no soro concomitante com o menor nível sérico de peroxidação lipídica atestada pelos baixos níveis de malondialdeído, marcador da presença de radicais livres. Assim sendo a progressão tumoral e a presença de metástases se associou ao alto potencial antioxidante do soro destas pacientes. Em 1996 Schwartz mostrou que o aumento da atividade antioxidante em células transformadas aumentava a sua proliferação e advertiu que devemos conhecer muito bem a farmacologia dos nutrientes antioxidantes antes de empregá-los no câncer. De fato, Salganik mostrou que o acetato de alfa-tocoferol, potente agente antioxidante de membrana, inibe a geração de radicais livres em células do câncer de mama humano e como conseqüência inibe também a apoptose dessas células malignas (Salganik – 2000). Muito importante e de grande valor prático é o trabalho de Labriola, que constatou que os antioxidantes exógenos podem inibir a atividade da quimioterapia anticâncer nos seres humanos. Quando os médicos prescrevem antioxidantes em excesso no intuito de diminuir os efeitos colaterais da quimioterapia pode ocorrer interferência na eficácia desta estratégia (Labriola – 1999, Felippe – 2004). Muitos médicos na tentativa de amenizar os efeitos colaterais da quimioterapia e da radioterapia prescrevem antioxidantes. Querem ajudar e acabam por dificultar o tratamento do câncer. O autor se inclui nos médicos que prescreviam antioxidantes para minimizar o sofrimento causado pela quimioterapia. Nunca é tarde para aprender. A ignorância é um pesado fardo que fica cada vez mais leve enquanto aprendemos. Lembremos que é o estilo de vida saudável que diminui o risco de câncer e não o emprego de pílulas mágicas.
Perigo da Vitamina B1 - Tiamina: aumenta a produção de NADPH poderoso antioxidante intracelular
A tiamina pode agravar muitos tipos de câncer, justamente aqueles que utilizam amplamente a via das pentoses que é potente gerador de agentes antioxidantes (NADPH) no meio intracelular durante o metabolismo da glicose. A dose de tiamina necessária somente para corrigir a sua deficiência já é suficiente para estimular o crescimento do tumor (Felippe- 2005).
Nunca vi na prática clínica, médicos ou nutricionistas se preocuparem com a vitamina B1 no câncer. Dispomos das drogas mais modernas para o tratamento do câncer, os aparelhos mais sofisticados e continuamos a administrar tiamina. Vamos estudar juntos e aprender. Os professores de medicina mais dedicados e humanos nos ensinam que: “Em primeiro lugar, o médico não deve causar danos”. “Primun non nocere”
Tratamento
Dispomos de 7 estratégias que podem ser empregadas no tratamento do câncer, 5 delas são convencionais: cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e hipertermia ; e 2 delas não convencionais ou não habituais: endócrino-nutricional e estratégias complementares.
Destas 7 modalidades, nenhuma delas por si só consegue a erradicação total do tumor maligno. Sempre é necessário o concurso de várias estratégias, para aniquilar por completo, esse inimigo tão astuto, tão traiçoeiro, com tanta vontade de sobreviver a qualquer custo, que chega a ser insano, pois a sua vitória significa o seu próprio desaparecimento.
O organismo sozinho não consegue, mas com o emprego de vários tipos de estratégias, cada uma atuando em locais distintos da célula maligna, da massa tumoral e do meio ambiente que vive a célula, juntamente com o tratamento do terreno, têm-se obtido a erradicação total de vários tipos de tumores, inclusive aqueles com metástases.
As medidas terapêuticas modernas que matam as células malignas ou por meio físico com a radioterapia (radiação ionizante) ou por meio químico com a quimioterapia, muitas vezes provocam a seleção das células malignas mais resistentes e deste modo mais aptas de tomarem conta do hospedeiro. Isto pode acontecer porque estes métodos sozinhos dificilmente conseguem exterminar 100% das células malignas.
A estratégia endócrino-nutricional ou metabólico-nutricional deve ser empregada em conjunto com o médico oncologista para aumentar o índice de sucesso terapêutico. Na verdade a aplicação em conjunto dos procedimentos do oncologista e do clínico aumenta a eficácia do tratamento melhorando tanto a qualidade de vida como a probabilidade de cura (Felippe- 2007)
Vários são os fatores sistêmicos que o clínico valoriza quando cuida do paciente com câncer.
O primeiro fator é o bom funcionamento do trato digestivo, de importância relevante no sucesso terapêutico de qualquer doença crônica. Os cuidados com o sistema digestório propiciam melhor absorção dos macronutrientes e dos micronutrientes da dieta, maximizam a produção de vitaminas pela flora intestinal e regularizam a produção de hormônios pela mucosa intestinal saudável. Outro sistema importante é o endócrino. A maioria dos hormônios secretados pelas glândulas endócrinas interfere na evolução do câncer.Estes hormônios aumentam ou diminuem a proliferação celular maligna, a apoptose e a neoangiogênese tumoral. Seguem-se o sistema imunológico, o cárdio-circulatório e todos os outros que devem ser bem examinados e tratados com muito rigor pelo clínico.
Quanto aos exames laboratoriais, solicitam-se aqueles que ajudam a compreender o organismo como um todo e aqueles que interferem na evolução do tumor. São exames de sangue simples e cobertos pela maioria dos convênios médicos: glicemia / insulinemia de jejum, IGF-I, IGFBP-3 (proteína que se liga ao IGF), prolactina, ferritina, ceruloplasmina, hemograma, sódio, potássio, cálcio, magnésio, fósforo, T4 livre / TSH, testosterona livre, dehidrotestosterona, estrógeno, SHBG (globulina que se liga aos hormônios sexuais), ácido fólico, vitamina B12, PTH, DHEA / DHEA sulfato, PCR ultrasensível e VHS. Solicitamos também, exames para aferir o sistema imunológico, a função renal e o metabolismo das gorduras, dos carboidratos e das proteínas.
Na cura do câncer é fundamental uma atitude positiva do paciente perante a doença. A pessoa deve querer se ajudar, querer lutar e viver. Se ela desistir não há nada no mundo capaz de salvá-la.
Atualmente com a integração da oncologia, atacando o tumor propriamente dito e com a medicina interna cuidando do organismo como um todo, temos visto aumentar drasticamente o número de pessoas curadas totalmente do câncer (Felippe-fev-2007).
A aplicação da estratégia metabólico- nutricional ao lado das estratégias complementares e outras está desencadeando uma modalidade terapêutica que vem ganhando muita atenção por ser racional, inteligente e que respeita tanto as células normais como as células não tão malignas : é a diferenciação celular. Esta técnica consiste em fazer com que as células rebeldes voltem ao convívio junto às células normais com medidas de diferenciação celular: mata-se as células malignas irrecuperáveis e transforma-se as não tão malignas em benignas ( Felippe- 2004 -2005 – 2006 – 2007)
Ao erradicarmos os tumores, seja qual for o método empregado precisamos cuidar do terreno, isto é do organismo como um todo para que diminua drasticamente a possibilidade de recidiva, de metástases ou o início de um novo grupo de células transformadas. Devemos retirar do corpo todos metais tóxicos (chumbo, mercúrio, alumínio, cádmio, flúor, etc.), suprir as células normais com os 45 nutrientes essenciais, controlar e cuidar de todo sistema endócrino, praticar exercícios moderados e uma dieta inteligente, afastar intolerâncias alimentares, afastar o paciente de campos eletromagnéticos prejudiciais e orientar para não dormir em zonas geopatogênicas (trabalhos de Hans Niepper e vários autores alemães).
CÂNCER DE MAMA : ESTRATRÉGIAS COMPLEMENTARES
Hiperinsulinemia
Foi Heuson, em 1967 que observou pela primeira vez que a insulina aumenta a proliferação do carcinoma de mama em ratos. No mesmo ano Osborne em culturas de células demonstrou o papel regulador da insulina na proliferação do câncer de mama humano. Trinta anos depois Mathieu mostra que a menor quantidade de receptores de insulina no tumor aumenta a sobrevida das pacientes com adenocarcinoma de mama.
Estudos Epidemiológicos Relacionando a Hiperinsulinemia com o Câncer de Mama
Já foi demonstrado o relevante papel da insulina no carcinoma de mama (Castro – 1980 , Kaaks- 1996), no câncer de ovário (Beck - 1994) e em outros tipos. Inclusive no câncer colo-retal, estômago e mama conseguiu-se detectar elevados níveis de insulina no tecido canceroso quando comparado com amostras de tecido controle sem câncer (Yam - 1996).
A obesidade se associa com hiperinsulinemia e aumento do risco de câncer. A gordura corporal total se correlaciona com câncer de mama, colo-retal, próstata, endométrio e ovário (Albanes – 1990 , Schapira – 1990 , Russo – 1998).
A associação direta entre o índice glicêmico com o câncer colo-retal ou o câncer de mama foi mostrado sem sombras de dúvidas em 3 estudos epidemiológicos ( Slattery – 1997 , Franceschi – 2001 , Augustin – 2001), entretanto , as evidências apontam para uma associação mais ampla envolvendo vários tipos de câncer e responsabilizando tanto o índice glicêmico como a carga glicêmica ( McKeown-Eyssen – 1994 , Giovannucci – 1995-1999 , Bruning – 1992) .
Para Kaaks a hiperinsulinemia com resistência à insulina desempenha papel crucial no desenvolvimento do câncer de mama ( Kaaks – 1996).
A obesidade geral e em particular a obesidade central quando se acompanham de hiperinsulinemia e resistência à insulina são fatores de risco para o câncer de mama na pós menopausa (Selers – 1992 , Galanis – 1998).
No período pós menopausa da mulher obesa a hiperinsulinemia é considerada como verdadeiro marcador de risco de câncer de mama e o autor crê que o problema reside na obesidade abdominal(Stoll - 1996). Entretanto, um outro pesquisador mostrou que a hiperinsulinemia com resistência à insulina é risco de câncer de mama independentemente da presença de obesidade geral ou abdominal (Bruning - 1992).
Quando 99 mulheres não diabéticas na pré menopausa com carcinoma invasivo grau 1
foram comparadas com 99 mulheres controles com doença benigna de mama também encontrou-se uma associação positiva entre a insulinemia e a presença de câncer de mama(Del Guidice – 1998).
O grande valor prático desses conceitos foi apontado no estudo de intervenção Europeu – Projeto Diana – que nos ensinou que em mulheres na pós menopausa em apenas 4 meses e meio de uma dieta rica em alimentos de baixo índice glicêmico consegue-se diminuir a insulinemia e reduzir os níveis de estradiol e testosterona livres, dois hormônios associados com o câncer de mama neste período da vida (Berrino – 2001). Lembrar que a queda da insulinemia aumenta a concentração sérica de SHBG (globulinas ligadoras de hormônios sexuais) e assim diminui o estrógeno livre e a testosterona livre. Berrino neste estudo prospectivo, randomizado e controlado empregou a soja e seus derivados.
IGF-I
Em 2004, Renehan e colaboradores fizeram uma revisão sistemática e uma análise de meta-regressão de estudos “case-control” e elegeram 21 estudos incluindo 3.609 casos e 7.137 controles. Concluíram que altas concentrações séricas de IGF-I se associam com o aumento do risco de câncer de mama na pré menopausa.
Em 2004, Vrieling e colaboradores estudaram o IGF-I e os IGFBPs em relação a alguns hábitos alimentares em 224 mulheres no período pré menopausa e 162 no período pós menopausa com idade variando entre 49 e 69 anos. Os autores constataram que:
A-na pré menopausa
- a ingestão de álcool se associa com diminuição de IGF-I e aumento de IGFBP-3
- a alta ingestão de soja se associa com altas concentrações de IGFBP-2 (2,5 g/dia:3% de aumento)
B-na pós menopausa
- a alta ingestão de álcool se associa com baixos níveis de IGFBP-1(1,4 a 20g/dia:20% de diminuição)
- a alta ingestão de lignans de plantas se associa com altas concentrações de IGFBP-1 (1 mg/dia : 59% de aumento)
Neste estudo as calorias totais ingeridas por dia e a quantidade de proteínas, de fitoestrógenos e de licopeno não se associaram com o IGF-I ou o IGFBP-3. Lavigne em 2005 mostrou que as mulheres que estão mantendo o peso na pós menopausa e que ingerem álcool apresentam menores níveis de IGF-I . Este resultado é obtido com a ingestão de duas doses de álcool diárias (30g) , uma dose somente não provoca diminuição do IGF-I . Dietas ricas em carboidratos aumentam modestamente e dietas ricas em gordura aumentam muito os níveis de IGF-I ( Thissen – 1994). As dietas ricas em carboidratos aumentam a hiperinsulinemia e consigo o aumento do risco de câncer .
Ácido linoleico conjugado (CLA)
Enquanto que o ácido linoleico (LA) exerce diferentes efeitos na carcinogênese, indo da inibição a neutro ou mesmo promovendo a proliferação, o CLA, ácido linoleico conjugado mostra efeitos inibitórios sobre a proliferação celular maligna em todas as linhagens de células cancerosas humanas testadas (colon, mama, próstata, fígado, bexiga, glioblastoma) e ele é particularmente efetivo contra as células mais malignas. No câncer de mama é o contrário, quanto mais maligno menor é o seu efeito. O mecanismo de ação principal do CLA em todas essas linhagens de células foi aumentar muito o PPAR-alfa e diminuir o PPAR-beta/delta o que provocou apoptose ou necrose das células malignas. Quando o PPAR-gama diminuiu houve drástica queda da proliferação célular maligna. (Maggiora-2004).
Dauchy em 2006 relata que os agentes anticâncer, melatonina, ácido eicosapentanoico (EPA) e o CLA inibem a proliferação de vários tumores animais suprimindo a captação tumoral de ácido linoleico, principal ácido graxo promotor da proliferação celular maligna. A diminuição de ácido linoleico tumoral diminui a produção do agente mitótico ácido 13-hidroxioctadecadienoico (13-HODE). Usando um elegante modelo de perfusão de tumor de mama humano (MCF-7) implantado em camundongo, o autor mostrou que a captação de ácido linoleico pelo tumor era de 1,06+/-0,28 microgramas/min/g e que a produção de 13-HODE era de 1,38+/-0,02 nanogramas/min/g de tecido tumoral. Tanto a captação de ácido linoleico como a produção de 13-HODE caiu a zero com 5 minutos de perfusão quando se utilizou em separado cada um dos agentes, melatonina, EPA ou CLA.
Em células do câncer de mama não responsivo a estrógenos (MDA-MB-231) o CLA provocou redução da proliferação celular com acúmulo de células na fase S do ciclo celular e apoptose. Verificou-se redução da ERK1/2 e aumento da proteína pró apoptótica Bak. Estes eventos se associaram com a translocação do citocromo-c da mitocondria para o citoplasma, com a clivagem da pró caspase-9 e da pró caspase-3 e com a diminuição dos níveis da proteína anti apoptótica Bcl-x(L), todos fatores envolvidos com a via mitocondrial de apoptose (Miglietta-2006).
Em células do câncer de mama humano responsivas aos estrógenos (MCF-7 ER+) o CLA possui uma atividade antiestrogênica direta. O CLA, 9cis,11cis e com menor efeito o 9cis,11trans, diminui a expressão do ERalfa a nível de RNA mensageiro e de proteína (Tanmahasamut-2004).
Células MCF-7 do câncer de mama humano foram submetidas a concentrações crescentes do isômero natural do CLA: 25, 50, 100 e 200 micromol/l e o autor observou inibições também crescentes da proliferação celular, respectivamente: 6%, 45% , 99% e 99,4%. Também houve aumento crescente da apoptose. As células MCF-7 normalmente apresentam diminuição da expressão da proteína p53. Quando foram submetidas ao CLA houve drástico aumento da proteína p53 que é pró apoptótica (Liu-2004).
Sabe-se que o CLA protege as mulheres do câncer de mama. O CLA inibe a proliferação de células MCF-7 do câncer de mama de um modo concentração dependente e tempo dependente. O CLA diminui a produção de Raf-1 e assim diminui os níveis de fosfo-ERK1/2 ( ERK1/2 : extracelular signal-regulated kinase 1/2), diminui a expressão do c-mic e aumenta a expressão do PP2A (protein phosphatase 2A). Neste processo o PPA2 participa na desativação ou diminuição da atividade do ERK1/2 sendo este um novo mecanismo de ação do CLA como antiproliferativo (Miglietta-2006).
O aumento da expressão da ciclooxigenase-2 (COX-2) é um dos fatores que inicia a formação de tumores de mama. Células MCF-7 do tumor de mama humano tratadas com CLA apresentam atenuação da transcrição da COX-2 induzida por agentes inflamatórios, via redução da ativação do AP-1 (activator protein-1). O isômero sintético é mais eficaz que o natural. O ácido linoleico provoca efeitos inversos, isto é ele aumenta a ativação do AP-1 e conseqüentemente acentua a transcrição da COX-2 e aumenta a proliferação do tumor de mama (Degner-2006).
O ácido 5-hidroxi-eicosatetraenoico (5-HETE) é derivado da via lipoxigenase das prostaglandinas e está implicado na carcinogênese mamaria. Os CLAs, tanto o sintético como o natural, reduzem a produção de 5-HETE em células MDA-MB-231 do câncer de mama humano (Kim-2005) .
A proteína tirosina fosfatase gama (PTPgama) é conhecida como um gene supressor de tumor de pulmão, de mama e de rim. O estradiol induz a supressão do PTPgama e pode provocar o aparecimento de tumores de mama. Estudando tecido mamário retirado de neoplasias ou de cirurgias plásticas, observou-se que a expressão do PTPgama é menor no tecido com câncer do que no tecido mamário normal. Os dois principais isômeros do CLA aumentam significativamente os níveis do mRNA do PTPgama em células do estroma normais e em células malignas epiteliais, porém não em células malignas do estroma. O isômero sintético é o mais ativo (Wang-2006).
O VEGF-A (vascular endothelial growth factor-A) é um fator promotor da neoangiogênese . Em células MCF-7 do estroma do câncer de mama humano, o CLA diminuiu significantemente o mRNA do VEGF-A e os seus níveis de proteínas, isto é , diminuiu a expressão do VEGF-A. O autor concluiu que o CLA da dieta, produtos de ruminantes e laticínios, serve como agente quimiopreventivo no câncer de mama humano, diminuindo a expressão do agente promotor da neoangiogênese maligna, o VEGF-A (Wang-2005).
Na fase de proliferação celular maligna o estresse oxidativo dobra a incorporação do CLA nas células do adenocarcinoma mamário (MCF-7) e reduz a incorporação nas células mamárias normais. O CLA provoca nas células tumorais o aumento da expressão do 4-hidroxi-2-nonenal (4HNE) produto da lipoperoxidação e diminui a proliferação das células malignas. A diminuição da proliferação induzida pelo CLA coincide com o aumento da ativação da proteína p53, agente pró apoptótico (Albright-2005). Pode ser que o aumento da p53 observado seja secundário ao extresse oxidativo (Felippe 2004 – 2005).
Ratos com câncer de mama alimentados com manteiga rica em 9c,11t-CLA por 4 semanas apresentam redução da expressão das ciclinas D e A do epitélio mamário que são proteínas chaves envolvidas a primeira na facilitação da entrada das células no ciclo celular e a segunda na progressão para a fase S de síntese de DNA . O CLA também afeta outras ciclinas e as CDKs (cyclin-dependent kinases) do ciclo celular (IP-2001 , Johnson-1999).
Mecanismos de Ação do CLA como antiproliferativo e apoptótico
- Inibe o fator de transcrição nuclear NF-kappaB
- Não permite a ativação da proteína kinase C e do fator de transcrição nuclear NF-kappaB provocada por ácidos biliares.
- Aumenta a produção de PPAR-gama : diminui a inflamação e aumenta a diferenciação celular (reverte o fenótipo maligno)
- Aumenta a produção de PPAR-alfa e diminui a produção de PPAR-beta/delta : apoptose
- Aumenta a proteína pró apoptótica Bak
- Reduz a atividade da ERK1/2
- Aumenta a expressão do PPA2 (protein phosphatase A2) reduzindo a atividade da ERK1/2 (extracelular signal-regulated kinase 1/2)
- Aumenta a expressão do CDK inibidor do ciclo celular p21(WAF1/Cip1)
- Diminui a fosforilação da proteína retinoblastoma
- Suprime a captação tumoral de ácido linoleico
- Suprime a produção celular do agente mitótico 13-HODE
- Inibe a expressão do gene anti tumoral NAG-1
- Ativa o AP-1(activator fator-1) atenuando a transcrição da Cooxigenase-2
- Diminui a produção do 5-HETE via lipoxigenase
- Ativa o PTP-gama, gene supressor de tumor
- Diminui a neoangiogênese: diminuindo a expressão do VEGF-A e diminuindo a ativação da COX-2
- Diminui a expressão da Erb-3 que inibe a ativação da via Akt
- Ativa a proteína p53
- Aumenta a PKC-delta e diminui a PKC-iota
- Reduz a expressão das ciclinas e das CDKs (cyclin dependent-kinases) inibindo o ciclo celular proliferativo
- Aumenta a atividade do sistema imunológico
Genisteína
A genisteína, um dos isoflavonóides predominantes da soja, possui potente efeito antiproliferativo e pró apoptótico em vários tipos de câncer: mama (El-Zarruk-1999), próstata (Zhou-1999), cabeça e pescoço (Alhasan-1999), pulmonar (Lian-1998), pancreático (Boros-2001 , Douziech-1998-1999), bexiga (Su-2000), fígado (Tacchini-2000), endométrio (Konstantakopoulos-2006), linfoma (Park-2005), incluindo as leucemias refratárias à quimioterapia como a linfoblástica aguda da criança e a linfoblástica crônica do adulto (Uckun-1999). A genisteína inibe a tirosina kinase (El-Zarruk-1999), a proteína kinase (Waldron-2000), a proteína tirosina kinase (AKT), o ramo não oxidativo da via das pentoses e inibe parcialmente a glicose-6-fosfatodehidrogenase (G6PD), fatores que provocam a parada do ciclo celular, a inibição da proliferação celular maligna e o aumento da apoptose (Boros-2001). Além disso, a genisteína inibe a neoangiogênese tumoral e o aparecimento de metástases (Zhou-1999) e inibe a expressão do oncogene MDM2 (Li and Zhang-2005). A genisteína aumenta o efeito anti câncer de vários agentes fitoquímicos como limoneno, curcumina, epigalacatequina galato e sulforafene (Bradlow-1999) e aumenta a sensibilidade das células malignas à quimioterapia e radioterapia. A genisteína inibe a proliferação celular no carcinoma de mama humano estrógeno dependente (MCF-7) e estrógeno não dependente (MDA-MB-231) . Nestas condições a genisteína inibe em até 54% a atividade da ornitina decarboxilase (ODC) em 6 horas de tratamento com apenas 50 milimol de concentração (Shon-2006). O aumento da expressão da COX-2 se associa com o aumento do risco de câncer de mama. A genisteína e a daidzeína inibem a expressão da COX-2 induzida pelo forbol miristato em células MCF-7 do câncer de mama (Lau-2006). A genisteína, potente inibidor da tirosino kinase, afeta os sinais de transdução de componentes como Akt, ErbB-2 e Bcl-2 e enzimas implicadas na invasão do câncer de mama. Para revisão vide Kousidou-2006. A genisteína suprime a proliferação celular maligna e a expressão do oncogene MET e induz a expressão o gene supressor de tumor, EGR-1 em células imortalizadas do epitélio de mama humano (Singletary-2006). A genisteína e o EPA reduzem a atividade da HMG-CoA redutase em células MCF-7 do câncer de mama humano, principalmente por efeitos pós transcripcional, provocando diminuição da proliferação por este mecanismo (Duncan-2005). A genisteína inibe o crescimento de células epiteliais do câncer de mama in vitro e a adição de tamoxifen possui efeito sinérgico ou aditivo nesta inibição (Tanos-2002). Estes efeitos não são modulados por receptores estrogênicos.
Compete com o estrógeno
É bem conhecido o papel promotor do estrógeno na carcinogênese da mama, entretanto também existem receptores de estrógeno na próstata e no colon os quais podem promover a proliferação maligna destes orgãos (Weihua-2001, Foley-2000).
A genisteína compete com o receptor do 17 beta-estradiol devido à similaridade estrutural, resultando em atividade agonista (baixas doses) ou antagonista (altas doses). A atividade antagonista provoca inibição da proliferação celular do câncer de mama e de próstata in vivo e in vitro (Sarkar-2006a).
As isoflavonas, daidzin e genistin, do feijão de soja da dieta são metabolizadas em daidzein e genistein e a seguir em equol e dihidrogenistin respectivamente. Os metabolitos se ligam mais fortemente aos receptores estrogênicos hER beta dos que aos hER alfa. A afinidade da genisteína é comparável ao 17 beta-estradilol (Kinjo-2000).
Inibe a via Akt
A via Akt é uma importante via de sinalização envolvida na resistência aos quimioterápicos. A genisteína aumenta a morte celular por necrose com significante inibição da atividade da via Akt em células do câncer de mama tratadas com adriamicina (Satoh-2003).
Inibe o fator NF-kappaB
O fator de transcrição nuclear NF-kappaB é poderoso fator de sobrevivência das células malignas porque aumenta a proliferação celular, abole a apoptose e aumenta a neoangiogênese tumoral (Felippe-2004). A genisteína inibe o fator de transcrição nuclear NF-kappaB em vários tipos de câncer (Wang-2006 , Sarkar-2006a).
Os quimioterápicos habitualmente usados no tratamento do câncer induzem o aumento da atividade do NF-kappaB como mecanismo de defesa das células malignas e assim aumentam a sua resistência aos quimioterápicos (Chuang-2002). Estudos in vivo e in vitro mostraram que o NF-kappaB é significativamente aumentado pela cisplatina, docetaxel, gemcitabine e radioterapia e que este aumento de atividade é completamente abolido com o pré tratamento com genisteína em células do câncer de próstata, mama, pulmão e pâncreas (Li-2004-2005 , Hillman-2001).
A genisteína inibindo o NF-kappaB consegue sensibilizar as células malignas a vários quimioterápicos tais como, cisplatina, docetaxel e gemcitabine (Li-2005 , Sarkar-2006a -2006b).
Mecanismos de Ação da Genisteína como antiproliferativo e pró apoptótico
- Inibe a tirosina kinase
- Inibe a proteína kinase
- Inibe a proteína tirosino kinase (PTK)
- Inibe a transcetolase – diminui síntese de ribose
- Inibe parcialmente a G6PD – diminui a produção de NADPH
- Inibe o fator de crescimento semelhante a insulina-I : IGF-I
- Inibe o fator de crescimento epidérmico: EGF
- Inibe o fator de crescimento-beta: TGF-beta
- Inibe fatores pró apoptoticos: Bcl-2, Bcl-XL, p21waf1 e survivina
- Inibe o VEGF (vascular endothelial growth factor)
- Inibe a via Akt de resistência à quimioterapia e radioterapia
- Inibe o NF-kappaB
- Inibe a COX-2
- Inibe a neoangiogênese tumoral
- Reduz os sinais de transdução pela diminuição do segundo mensageiro IP3
- Inibe a topoisomerase II
- Inibe a gelatinase – MMP-2
- Inibe a ciclina B e promove a parada do ciclo celular em G2/M
- Inibe a expressão do oncogene MDM2
- Aumenta o efeito da quimioterapia
- Aumenta o efeito da radioterapia
Glycyrrhiza glabra - Alcaçuz
O extrato da raiz do alcaçuz mostrou atividade anti tumoral em células dos seguintes tipos de câncer humanos: próstata, mama, leucemia, colon , gástrico, endometrial, hepático, pulmonar , epidérmico e renal (Rafi-2000 , Baba-2002 , Amato-2002, Ma-2000-2001, Mori-2000 , Watari-1976, Wang-1992 , Agarwal-1991 , Yamazaki-2002).
A licochalcone-A (LA) isolada da raiz da Glycyrrhiza demonstrou potente efeito anti tumoral em células do câncer de próstata, mama e leucemia humana (Rafi-2000). O LA induziu apoptose em células MCF-7 do câncer de mama e células HL-60 da leucemia, reduziu a expressão do bcl-2 e diminuiu o quociente bcl-2 / bax (Rafi-2000-2002).
A raiz do alcaçuz contém beta-hidroxi-DHP, a qual induz fosforilação da proteína anti apoptótica Bcl-2, induz apoptose e parada do ciclo celular na fase G2/M , em células do câncer de mama e de próstata, de um modo semelhante ao quimioterápico paclitaxel, agente anti-microtúbulo (Rafi – Vastano-2002)
O alcaçuz possui efeitos preventivos e supressivos sobre o câncer de mama (Kelloff-1994 , Hundertmark-1997 , Rafi-2000 , Tamir-2000 , Zava-1998). Sabe-se que os hormônios esteroides, particularmente os estrógenos, possuem papel relevante no desenvolvimento do câncer de mama, endométrio e próstata (in Yager-2000 , Carolin-2000).
A raiz do alcaçuz possui atividade fitoestrogênica. Entre mais de 150 ervas estudadas as mais potentes que se ligaram aos receptores estrogênicos foram a soja, o alcaçuz e o “red clover” (trevo dos prados). O alcaçuz e o “red clover”, mas, não a soja também possuem atividade anti-progesterona (Zava-1998).
O extrato da Glicyrrhiza uralensis em células MCF-7 do câncer de mama, aumenta a expressão do gene apoptótico p53, aumenta a proteína pró apoptotica Bax, aumenta o p21(waf1/cip1) e promove a parada do ciclo celular na fase G1 diminuindo a cdk2 e a ciclina E (Jo-2005).
Mecanismos de ação do Alcaçuz (glicirrizina) na inibição da proliferação celular e apoptose
- Parada do ciclo celular na fase G2/M
- Parada do ciclo celular na fase S e G1
- Suprime as ciclinas B1 , cdc2 e E
- Fosforila a proteína retinoblastoma
- Diminui a expressão do fator de transcrição E2F e reduz ciclina D1
- Diminui a CDK 2 , CDK 4 e a CDK 6
- Aumenta expressão da ciclina E (para alguns diminui)
- Reduz a expressão da proteína anti apoptótica Bcl-2
- Fosforila a proteína Bcl-2
- Aumenta a expressão do bax - apoptótico
- Aumenta a expressão do gene apoptótico p53
- Aumenta o p21(waf1/cip1)
- Aumenta a expressão do GADD153 mRNA
- Suprime o efeito do estradiol sobre os proto-oncogenes: c-fos, c-jun e c-myc
- Diminui a expressão da ciclooxigenase-2
- Diminui a expressão da lipoxigenase
- Inibe a proteína kinase C (PKC)
- Inibe o fator de crescimento tumoral epidérmico (EGF)
- Aumenta o cálcio intracelular com diminuição do potencial transmembrana Deltapsi mitocondrial e apoptose
- Inibe atividade da ornitina decarboxilase (OD)
- Inibe a monoaminooxidase (MAO), aumenta o adrenocromo e inibe a mitose.
- Diminui os níveis séricos de testosterona
Ácidos graxos ômega-3
Redução do Risco de Câncer com o consumo de ácidos graxos ômega-3
A incidência de câncer de mama de mulheres Japonesas aumenta na primeira geração quando elas migram para os Estados Unidos (Ziegler-1993). A incidência de câncer de mama, próstata e colon está aumentando assustadoramente no Japão (Wynder-1991) e no Alasca (Ziegler-1993), à medida que essas culturas adotam a dieta americana, isto é , diminuem a ingestão de peixes e aumentam a ingestão de ácidos graxos ômega-6 (ácido linoleico).
Estudos epidemiológicos e em animais indicam que não é o valor absoluto da ingestão dos ômega-3 o importante para reduzir o risco de câncer, o que possui valor é
a relação ômega-6/ômega-3. Em animais a relação de 1,2/1,0 reduz a incidência de câncer (Somonsem-1998). Não entendemos porque organizações internacionais como FAO/WHO recomendam que a ingestão ótima de n6/n3 seja de 5-10 / 1 (Rodriguez-Cruz-2005).
Em 2006 uma revisão sistemática de 38 artigos não conseguiu mostrar que o consumo de ômega-3 diminui a incidência de câncer, entretanto os autores se esqueceram de verificar a relação ômega-6/ômega-3 (MacLean-2006).
Os ácidos graxos polinsaturados possuem vários efeitos contra as células malignas e o seu emprego em seres humanos no combate ao câncer está muito perto, pois em modelos animais e em cultura de células eles diminuem a proliferação maligna, aumentam a apoptose, induzem a diferenciação celular, diminuem a neoangiogênese tumoral e diminuem o aparecimento de metástases. Existem evidências que quanto menor o conteúdo de ácidos graxos intratumoral maior é o grau de malignidade do tumor (Hardman-2002-2004, Shahidi-2004 , Babcock-2005 , Rodriguez-Cruz-2005).
Em animais o consumo de ácidos graxos ômega-3 diminui a proliferação maligna de células cancerosas humanas neles implantadas, aumenta a eficácia da quimioterapia, reduz os efeitos colaterais da quimioterapia e reduz os efeitos mórbidos do câncer. Esses ácidos graxos são importantes em vários aspectos da saúde incluindo a cardiovascular (Hardman-1999-2000-2001-2002 , Barber-1999 , La Guardia-2005 , Moyad-2005).
Estudos epidemiológicos indicam que populações que consomem grandes quantidades de ácidos graxos ômega-3 apresentam menor incidência de câncer de mama, de próstata e de colon quando comparadas com populações que consomem menores quantidades desses elementos (in Hardman-2002).
Alterações do metabolismo dos eicosanoides
Existem duas isoenzimas da COX : a COX-1 e a COX-2. A COX-1 é produzida constitutivamente na maioria dos tecidos. A COX-2 é induzida em resposta à inflamação e não é detectada nos tecidos normais, não inflamados. Entretanto, a COX-2 está aumentada em grande variedade de cânceres humanos, incluindo de epiderme (Higashi-2000) , hepatocelular (Kondo-1999), cervical (Kulkarni-2001), pancreático (Okami-1999), carcinoma epidermoide de esôfago (Shamma-2000), carcinoma transicional de bexiga (Shirahama-2000), colon (Kargman-1995) e mama (Parret-1997 , Hwang-1998).
Os ácidos graxos ômega-3 podem inibir a indução da COX-2. Os ômega-3 por esse mecanismo diminuem a proliferação celular maligna em células MDA-MB 231 do câncer de mama humano (Obata-1999, Hamid-1999) e do câncer de colon (Rao-1995, Reddy-1990) e eles funcionam tanto no tumor primário como nos tumores metastáticos.
Parada da mitose
Descreve-se 6 mecanismos de diminuição da mitose com os ômega-3:
a- Tanto o ácido linoleico como o araquidonico ativam a proteína kinase C (PKC) indutora de mitose (Craven-1988). O EPA e o DHA revertem a atividade da PKC na carcinogênese do colon (Rose-1999 , McCarty-1996).
b- O EPA e o DHA diminuem a atividade dos oncogenes Ras (Collett-2001) e AP-1 (Liu-2001) que freqüentemente estão ativos nos tumores malignos humanos e estimulam a mitose.
c- Os produtos derivados do AA pelas COX e LOX aumentam a mitose. Os produtos derivados do DHA e do EPA diminuem a mitose e inibem a proliferação celular no câncer de mama e de colon (Rose-1993-1995, Buckman-1991, Abou-El-Ela-1988).
d- O DHA induz a parada do ciclo celular e a apoptose ativando fosfatases protéicas que promovem a defosforilação da proteína retinoblastoma (Siddiqui-2004).
e- Os ômega-3 suprimem a ativação do fator de transcrição nuclear NF-kappaB de um modo dose dependente, isto é, quanto maior a quantidade ingerida na dieta maior é a inibição (in-Hardman-2002). A inibição do NF-kappaB diminui a proliferação celular, aumenta a apoptose e diminui a angiogênese tumoral (Felippe-fev.2004).
f- Os ômega-3 promovem a fosforilação da sub unidade IF2 com a subseqüente inibição do início da translação, o que leva à inibição da proliferação celular maligna (Aktas-2004).
Indução da diferenciação celular
Os ômega-3 induzem a diferenciação de células do câncer de mama (Wang-2000) e células diferenciadas não se multiplicam elas seguem as vias normais de apoptose.
Supressão da angiogênese
Sabe-se que o alto consumo de gorduras ricas em ácidos graxos ômega-6 (ácido linoleico) se associa com o pobre prognóstico das mulheres com câncer de mama (Rose-2000). Os produtos derivados da atividade da COX e LOX sobre o ácido linoleico são angiogênicos in “vitro” e estimulam a neoangiogênese tumoral “in vivo”, enquanto que os produtos dessas duas enzimas sobre os ômega-3 não somente impedem a estimulação da neoangiogênese tumoral como provocam a sua diminuição (McCarty-1996 , Form-1983 , Connolly-1998 , Rose-2000, Wen-2003).
Modificação do metabolismo estrogênico
É bem conhecido o papel promotor do estrógeno na carcinogênese da mama, entretanto, é importante recordar que também existem receptores de estrógeno na próstata e no colon os quais podem promover a proliferação maligna destes orgãos (Weihua-2001, Foley-2000).
A prostaglandina E2 (PGE2) produto do ácido araquidonico (AA) , ativa a aromatase P450 o que aumenta a produção de estrógenos (Noble-1997). A prostaglandina E3 (PGE3) produto do EPA não ativa a aromatase P450. Desta forma, a diminuição da PGE2 e o aumento da PGE3 diminui a produção de estrógenos e conseqüentemente diminui a proliferação celular.
Os ácidos graxos ômega-3 provocam diminuição da proliferação mitótica maligna tanto em cultura de células do câncer de mama (Telang-1988) como em mulheres com essa doença (Osborne-1988).
Aumento do potencial redox da célula maligna
Os ácidos graxos polinsaturados aumentam a geração do radical superóxido (O2*) e do peróxido de hidrogênio ( H2O2) provocando a morte das células tumorais. Os radicais livres e os peróxidos lipídicos suprimem a expressão do Bcl-2, ativam as caspases e encurtam os telomeros e assim induzem apoptose das células malignas ( Bougnoux-1999 , Felippe- 2005).
As células cancerosas são mais resistentes à peroxidação lipídica quando comparada com as células normais. As possíveis razões são: 1- baixo conteúdo de ácidos graxos polinsaturados nos tumores, 2- baixa concentração do citocromo P-450, elemento que gera radical superóxido, 3- alto conteúdo de NADPH , agente redutor, produzido na via das pentoses pelas enzimas glicose-6-fosfatodehidrogenase e transcetolase e 4- elevada atividade antioxidante (Begin-1986).
Esses fatos levaram Begin e colaboradores a verificar quais eram as concentrações de ácidos graxos polinsaturados que adicionadas a um meio de cultura eram citotóxicas para as células malignas, mas não afetavam as células normais. Foram testados em cultura de tecido, ácidos graxos contendo duas ligações insaturadas (ácido linoleico - LA), três (ácido alfa linoleico- ALA, ácido gama linoleico- GLA e ácido dihomogamalinoleico- DGLA), quatro (ácido araquidonico - AA), cinco ( ácido eicosapentanoico- EPA ) e seis (ácido docosahexanoico- DHA), diretamente sobre o crescimento das células tumorais e diretamente sobre sua correspondente célula não tumoral .
Os experimentos revelaram que doses de 10 a 30 microgramas/ml ( 0,000 001 a 0,000 003g) desses ácidos graxos eram letais para as células tumorais e totalmente inócuas para as células não tumorais. A dose letal por célula foi de 1 nanograma (0,000 000 001g). O efeito letal demorou 3 a 4 dias para se tornar aparente e de 7 a 10 dias para ser completo.
Diferentes tipos de ácidos graxos mostraram diferentes potenciais de citotoxicidade. Os mais eficazes para matar as células tumorais em cultura foram o ácido gamalinolenico (GLA) e o ácido araquidonico (AA) seguidos de perto pelo EPA, ácido linoleico (LA) e ácido alfa linolenico (LNA). O DHA não foi letal (Begin 1986).
Aumento do potencial transmembrana da membrana citoplasmática
Os ácidos graxos ômega-3 provocam aumento da excreção renal de sódio, diminuição do cálcio intracelular e aumento do potássio intracelular (Knapp-1991) e desta forma interferem no potencial de ação das membranas citoplasmáticas das células malignas. Todos esses fatores levam ao aumento do potencial de ação, isto é, polarização da membrana celular com o conseqüente aumento da produção de ATP. Sabe-se que o aumento do potencial de membrana acima de -15mv faz cessar a proliferação mitótica e que o aumento da produção de ATP via fosforilação oxidativa mitocondrial faz cessar a glicólise anaeróbia, motor da mitose (Felippe-jan 2004).
Tratamento do câncer humano com ômega-3
Em 1995, Gogos usou 18 g / dia de óleo de peixe em 20 pacientes com tumores sólidos. No final de 40 dias detectou significante aumento da razão T-Helper / T-Supressor, principalmente devido ao aumento dos linfócitos T supressores.
Em 1998, Gogos em estudo prospectivo, randomizado e controlado com placebo, usou 18g /dia de óleo de peixe em 60 pacientes. No grupo suplementado houve aumento da relação CD4/CD8, diminuição do fator de necrose tumoral no grupo subnutrido e um aumento da sobrevida no grupo bem nutrido e subnutrido.
Burns, em 1999, mostrou que a dose tolerada de ácidos graxos ômega-3 como óleo de peixe é de 0,3 g/kg por dia ou 21 g/dia em pessoa com 70 kilos.
Em pacientes com câncer de pâncreas, 12 g/dia de óleo de peixe (18%EPA e 12%DHA) verificou-se diminuição da perda de peso e também que alguns pacientes realmente começaram a ganhar peso (Wigmore-1996).
O EPA, 2 a18 g ao dia, aumentou o apetite de pacientes com câncer e caquexia e observou-se um real aumento do peso. O uso de megestrol provocou os mesmos efeitos (Jatoi-2004). A melhor dose para caquexia está entre 2 a 4 g/dia de EPA.
Bougnoux, em 1999, mostrou que os pacientes com câncer de mama e maiores concentrações tissulares de DHA a longo tempo responderam melhor à quimioterapia, com maior número de remissões completas ou respostas parciais. Outro autor mostrou que se consegue este tipo de resultado em apenas 3 meses de suplementação (Bagga-1997).
Mecanismos de Ação do óleo de peixe ômega-3
- Inibe o fator de transcrição nuclear NF-kappaB
- Inibe a indução da COX-2
- Diminui a produção de PGE2 (proliferativo) e aumenta a de PGE3 (não proliferativo)
- Inibe a aromatase P450 diminuindo a produção de estrógenos
- Inibe a proteína kinase C (PKC)
- Diminui a expressão dos oncogenes: Ras e AP-1
- Inativa a família Bcl-2 de genes anti apoptóticos
- Aumenta a transcrição de genes pró apoptóticos
- Ativa caspase-3
- Induz a diferenciação celular
- Inibe a neoangiogênese
- Aumenta o potencial redox intracelular
- Aumenta a atividade da G6PD: efeito prejudicial no câncer
- Aumenta o potencial transmembrana
- Defosforila a proteína retinoblastoma
- Inibe a translação do mRNA
- Fosforila a sub unidade IF2 inibindo translação
- Ativa o sistema imune
- Aumenta o efeito da quimioterapia
G6PD - Glicose 6 fosfatodehidrogenase
O NADPH produzido na via das pentoses é o principal agente redutor intracelular, ele é o principal fornecedor de átomos de hidrogênio (elétrons) no citoplasma e o seu papel fundamental é manter a glutationa em seu estado reduzido (GSH) o que protege os grupos sulfidrilas e a integridade celular do excesso de radicais livres de oxigênio.
De fato, q uando o meio intracelular é redutor, isto é, o equilíbrio da oxi-redução tende para a redução (excesso de antioxidantes, excesso de agentes doadores de hidrogênio ou de elétrons), à medida que a GSSG (glutationa oxidada) vai sendo formada ela é reduzida para GSH a qual ativa a glicolíse anaeróbia que é o motor da mitose, aumentando a proliferação celular neoplásica. Este meio redutor facilita a fosforilação da proteina retinoblastoma, do NF-kappaB e do importante fator de proliferação celular : “mitogen-activated protein kinase” (MAP kinase), todos eles contribuindo para a proliferação celular.
Quando o meio intracelular é oxidante, isto é, o equilíbrio da oxi-redução tende para a oxidação (excesso de oxidantes, excesso de agentes aceptores de hidrogênio ou de elétrons), à medida que a GSSG (glutationa oxidada) é formada ela inibe a glicólise anaeróbia. A inibição da glicólise anaeróbia faz parar o ciclo celular (mitose) e a conseqüência é a diminuição da proliferação celular neoplásica com apoptose da célula tumoral (Felippe-2004).
Quando o potencial redox é alto, as células estão em estágio quiescente, sem proliferação. Quando o potencial redox é alto, isto é, quando o meio intracelular é oxidante se formam pontes S-S de disulfeto (por ex: GS-SG). Estas pontes estabilizam a estrutura tridimensional das proteínas e nestas condições a proteína retinoblastoma (RBp) está defosforilada e portanto não ocorre a transcrição nuclear necessária para o avanço do ciclo celular e as células continuam no estado quiescente, sem proliferação. Fato importante é um outro efeito do potencial redox alto. Ele inibe o fator de transcrição nuclear NF KappaB, o qual diminui a proliferação celular, promove a apoptose da célula maligna e dificulta a neoangiogênese tumoral (Felippe- 1990-1994-2003-2004-2005).
Se o meio intracelular é mantido oxidante consegue-se bloquear a proliferação celular maligna e a célula pode entrar na fase G0 ou sofrer citotoxicidade, posteriormente caminhando para apoptose e /ou necrose.
É muito interessante saber que as células cancerosas requerem apenas um leve aumento do potencial redox para cessarem a proliferação, entretanto este leve aumento deve ser contínuo e ininterrupto até acontecer a apoptose, porque se houver queda do potencial redox restaura-se a fosforilação da proteína retinoblastoma e as células voltam a proliferar (Felippe -2004-2005).
Recentemente surgiram muitos trabalhos em animais de experimentação inoculados com células de câncer humano e estudos em cultura de células neoplásicas humanas, mostrando que o meio intracelular oxidante provoca parada do ciclo celular e apoptose pelos seguintes mecanismos:
a-acúmulo da proteína p53
b-
ativação da deoxiribonuclease
c-
defosforilação da proteína retinoblastoma
d-
inibição da proteína-tirosina-kinase
e-
inibição da Cdc25 fosfatase
f-
inativação do cdK1
g-
inibição da MAP kinase
h-
diminuição da atividade da fosfofrutoquinase com diminuição do NADH
i-
inibição da expressão da proteína Bcl-2
j-
inibição do fator de transcrição nuclear NF-KappaB
Estes efeitos foram observados em mais de 20 tipos de câncer humano incluindo: mama, próstata, pulmão, astrocitomas, gliomas, tumores de cabeça e pescoço, tumores colo-retal, tumores de fígado, tumores de pâncreas, carcinoma epidermóide, etc. (Felippe- 2004 – 2005).
a-IGF-I Os fatores de crescimento são necessários para o desenvolvimento e a regulação dos tecidos normais. O mais importante deles é o IGF-I, considerado um dos principais fatores de sobrevivência celular adquirido nos milhões de anos de evolução, porque ele aumenta a proliferação celular mitótica e bloqueia a apoptose (Frysty – 2004 , Ibrahim - 2004).
O IGF-I promove a progressão do ciclo celular (mitose), previne a apoptose, facilita a angiogênese tumoral, induz a invasão tumoral, assiste os oncogenes na transformação de células benignas em malignas, dificulta a diferenciação celular e provoca resistência ao tratamento com a quimioterapia ou radioterapia. O IGF-I é atuante nos mais variados tipos de câncer, incluindo os mais comuns: câncer de mama, de próstata, de pulmão e colo-retal (Felippe-agosto 2005c).
b-Insulina Já foi demonstrado o relevante papel da insulina no carcinoma de mama, no câncer de ovário e em outros tipos de câncer . Inclusive no câncer colo-retal, de estômago e de mama conseguiu-se detectar elevados níveis de insulina no tecido canceroso quando comparado com amostras de tecido controle sem câncer (Felippe- maio2005).
Desde 1967 não cessam de aparecer na literatura médica, estudos in vitro, em animais de experimentação e epidemiológicos demonstrando a firme relação entre insulina e câncer.
Vários autores mostraram que a administração de insulina a animais de experimentação é fator promotor da carcinogênese. A insulina aumenta o crescimento do tumor de colon e exerce efeito direto no crescimento da mucosa do intestino grosso, a qual pode se transformar em neoplasia (Felippe- maio 2005).
Mecanismos de ação da glicose-6-fosfatodehidrogenase
A - Ativação da G6PD
- Aumenta a produção de NADPH, diminui o potencial redox intracelular e provoca ativação da proliferação celular maligna e diminuição da apoptose
- Aumenta a produção de ribose, coluna dorsal do DNA e RNA das células malignas
- Permite o efeito dos fatores de crescimento tumoral: IGF-I, Insulina, EGF, PDGF
- Aumenta a resistência à quimioterapia e radioterapia
- Diminui o efeito dos oxidantes na apoptose e na proliferação celular
- Ativa a MAP kinase
- Ativa a fosforilação da tirosina
B - Inibição da G6PD
- Diminui a produção de NADPH, aumenta o potencial redox intracelular e provoca inibição da proliferação celular maligna e aumento da apoptose
- Diminui a produção de ribose, matéria prima para construção do DNA e RNA
- Diminui ou abole completamente o efeito dos fatores de crescimento tumoral: IGF-I, Insulina, EGF, PDGF
- Aumenta o efeito da quimioterapia e da radioterapia
- Aumenta o efeito dos oxidantes na apoptose e na inibição da proliferação celular
- Inibe a MAP kinase
- Inibe a fosforilação da tirosina
Molibdênio
Em um tipo de modelo de câncer de mama espontâneo em ratos susceptíveis geneticamente, o habitual é que quase todos os animais desenvolvam o tumor de mama no primeiro ano de vida. Neste experimento, durante o período de 270 dias 18 dos 22 animais susceptíveis geneticamente (animais controle) desenvolveram o esperado tumor de mama, entretanto, nenhum dos 15 animais que receberam previamente o tetratiomolibdato de amônio (TM) por gavagem apresentaram tumor visível, havendo apenas pequenas formações tumorais microscópicas. A interrupção do TM fez surgir tumoração visível. O tratamento com TM no grupo controle com tumor espontâneo estabilizou o crescimento tumoral por um longo tempo de observação. Vemos aqui o papel do TM, tanto na profilaxia como no tratamento de tumores já estabelecidos. O TM funciona como anticâncer por diminuir os níveis do cobre intratumoral. Outro elemento que diminui o cobre intratumoral é o zinco. Foi usado como terapia anti cobre o tetratiomolibdato ( TM ) e como controle da terapia usou-se os níveis séricos de ceruloplasmina ,que foi mantida entre 5 e 15 mg/dl (normal: 20 a 35 mg/dl ) por pelo menos 60 dias. Não se espera qualquer efeito antes deste período, incluindo a diminuição do cobre no tumor, o qual é muito ávido para seqüestrar qualquer cobre extra. O primeiro sinal clínico de deficiência de cobre é a anemia. O único efeito colateral do TM , poderoso quelante do cobre é justamente a anemia por deficiência de cobre. Mais recentemente o mesmo autor optou por manter os níveis de ceruloplasmina em apenas 5 mg/dl, pois, não observou anemia nestas condições. A dose de TM utilizada foi de 120 mg/dia divididas em 6 doses. Em 6 casos de câncer metastático , cinco mostraram estabilização da doença ,incluindo 1 caso com regressão de metástase pulmonar. Em estudo clínico não controlado, 18 pacientes com 11 tipos diferentes de câncer metastático e que alcançaram as metas de ceruloplasmina entre 5 e 15 mg/dl, conseguiram a estabilização da doença por um período de 30 meses. Um paciente com condrosarcoma metastático e uma paciente com câncer de mama com metástases permanecem estáveis há 2,5 anos. É necessário maior número de casos e trabalhos clínicos controlados para conclusões mais seguras.
Mecanismo de ação dos sais de molibdênio:
1. Antiangiogênese
a- Inibe o fator de crescimento endotelial vascular (VGEF),
b- Inibe o fator 2 de crescimento do fibroblasto,
c -Diminui a produção de IL-1 alfa,
d -Diminui a produção de IL-6
e -Diminui a produção de IL-8.
2. Inibe a atividade do NFkappa-B: diminui a proliferação celular, diminui a angiogênese e aumenta a apoptose. 3. Diminui a atividade da SODCuZn : aumenta o potencial oxidativo intracelular
Naltrexone
Bihari em 1995 foi o primeiro pesquisador a usar o naltrexone na AIDS com resultados promissores e logo a seguir começou a empregá-lo no tratamento do câncer. Ele utilizou o naltrexone em baixa dose, de um modo não duplo cego e não controlado com placebo, em 450 pacientes com os mais diversos tipos de neoplasia que não haviam respondido ao tratamento convencional (cirurgia e ou quimioterapia e ou radioterapia).
No seguimento clínico 96 pacientes foram descartados do estudo porque não seguiram o protocolo estabelecido ou se perderam por outros motivos. Dos 354 pacientes restantes, 84 morreram nas primeiras 8 a 12 semanas do início do naltrexone devido à grande gravidade da doença destes pacientes, que já haviam se submetido ao tratamento convencional sem apresentarem resposta. Dos 270 pacientes restantes, 220 receberam o naltrexone por seis meses ou mais. Destes 220 pacientes com naltrexone por maior tempo e que tomaram regularmente o medicamento, 86/220 ou quase 40% apresentaram redução do volume tumoral igual ou superior a 75%. Dos 134 pacientes restantes (220-86=134), 125/220 ou 56,8% apresentaram estabilização ou estavam caminhando para remissão, porém não atingiram o critério de redução tumoral de 75% e 9/220 ou 4% mostraram progressão do tumor.
Os pacientes que responderam ao tratamento com naltrexone ministrado sob a supervisão do Dr. Bihari apresentavam os seguintes tipos de câncer, justamente aqueles que apresentam receptores opióides em sua membrana celular: bexiga, mama, carcinoide, colo-retal, melanoma maligno, mieloma múltiplo, neuroblastoma, ovário, glioblastoma multiforme, fígado, pulmão (não oat cell) , leucemia linfocítica crônica, linfoma de Hodgkin, linfoma não Hodgkin, próstata, pâncreas, útero, carcinoma renal e câncer de cabeça e pescoço. É importante frisar que os pacientes que nunca haviam recebido quimioterapia responderam melhor ao tratamento com o naltrexone. Sabe-se que a quimioterapia provoca profundas alterações no sistema imunológico com imunosupressão das defesas contra os agentes infecciosos e contra as células malignas.
Somatostatina
A somatostatina ou fator inibidor de liberação da somatotropina , é um peptídeo de origem hipotalâmica localizado em várias partes do sistema nervoso central, ilhotas de Langerhans e mucosa do trato digestivo superior. Entre as suas principais ações destaca-se a supressão dos seguintes hormônios: hormônio do crescimento (GH), insulina, glucagon e L-DOPA.
A somatostatina tem sido usada no tratamento de tumores malignos, em processos inflamatórios como pancreatite e diarréia maligna e no sangramento intestinal.
A somatostatina apresenta efeito antiproliferativo em vários modelos animais e em vários tipos de linhagens de células malignas de seres humanos (Reubi - 1993).
Em 1990 descobriu-se que vários tumores humanos como os de mama, próstata, pâncreas, ovário e o meningeoma. apresentavam receptores altamente específicos para a somatostatina (Srkalovic - 1990) , e que a sua função era a de inibir o crescimento tumoral nestes orgãos . De fato, já foi demonstrado que a somatostatina inibe o crescimento do tumor de próstata de rato, do tumor de mama de camundongos e do câncer pancreático de cobaia (Schally - 1990).
Acredita-se que a somatostatina funcione como um inibidor das enzimas, glucose-6-fosfatodehidrogenase (G6PD) e transcetolase , as quais estão envolvidas na síntese de NADPH , principal agente redutor do intracelular e na síntese de ribose, coluna dorsal dos ácidos nucleicos necessários para a formação de RNA e DNA no processo de proliferação celular maligna
Mecanismos de ação da somatostatina
1- inibe as principais enzimas do ciclo das pentoses, G6PD e transcetolase, diminui drasticamente a formação de ribose e portanto de RNA e DNA elementos sem os quais não há proliferação celular maligna.
2- suprime a insulina e provoca diminuição da glicólise anaeróbia, motor da mitose
3- suprime a geração de GH diminuindo a síntese hepática do IGF-I e desta forma provoca a diminuição da proliferação celular maligna, o aumento da apoptose e a diminuição da neoangiogênese tumoral (Felippe – 2005 agosto).
Álcool perilico
O álcool perílico inibe a carcinogênese, suprime a proliferação celular, aumenta drasticamente a apoptose tumoral e induz a diferenciação celular das células malignas in vitro e in vivo, provocando a regressão total de vários tipos de tumores em animais de experimentação, quase sem toxicidade. (Haag – 1994 , Stark – 1995 , Mills – 1995 , Stayrook – 1997 , Reddy – 1997 , Ariazi – 1999 , Shin – 1999 , Unlu – 2000, Wei – 2000 , Clark – 2002 e 2003).
No carcinoma mamário avançado de ratas ele provoca a regressão completa do tumor. As células primeiramente perdem sua característica anaplásica em um processo morfológico semelhante à rediferenciação e em seguida acontece a reposição do parênquima tumoral por células do estroma (Haag – 1992).
Ativação da sinalização do TGF – beta (Transforming Growth Factor – beta)
Para alguns é o principal mecanismo de ação anti tumoral do álcool perílico (Jirtle- 1993 , Mills – 1995 , Grasl-Kraupp – 1998 , Ariazi- 1999) .
Primeiro acontece o aumento da M6P/IGFR-II (Manose 6 Fosfato/Insulin Growth Factor II Receptor) e depois a ativação do TGF- beta (Jirtle – 1993 , Yu – 1997). A ativação do TGF-beta dispara sinal de transdução que acarreta a parada do ciclo celular em G1 e apoptose (Wang – 1991 , Lin – 1992 , Lopez-Casillas – 1993 , Wrana – 1994 , Bassing – 1994 , Grasl-Kraupp – 1998).
O álcool perílico suprime o crescimento de tumores de fígado de rato e este efeito se associa à grande elevação dos níveis de mRNA do receptor M6P/IGF-II e de receptores do TGF-beta (Mills – 1995).
No carcinoma de mama de rata, o álcool perílico ativa imediatamente a via de sinalização TGF-beta a qual ativa fatores pró-apoptóticos como Bax, Bak e Bad , sem afetar a expressão do p53 ou do Bcl-2 (Stayrook – 1997 , Ariazi.- 1999).
O aumento dos sinais apoptóticos são seguidos pela ativação de sinais relacionados com a parada do ciclo celular, tais como o aumento da expressão do gene p21 e a diminuição da expressão do CdK-2 (Ciclin dependent Kinase-2) e da ciclina-E (Shi – 2002)
Overgaard , resumiu sua experiência sobre o efeito adjuvante da hipertermia na radioterapia, em um total de 2234 pacientes com tumores das mais variadas histologias. Somente com a radioterapia observou completa remissão dos tumores em 35% dos pacientes e com o efeito combinado com a hipertermia esse número se elevou para 65%. Os melhores efeitos foram observados no câncer de mama, no câncer de cabeça e pescoço e no melanoma maligno. Nos Estados Unidos, Universidade de Washington , Hornback se destacou por seus inúmeros trabalhos sobre a hipertermia no câncer. Em 1977 ele descreve os resultados clínicos preliminares do uso da hipertermia por microondas ( 434 MHz ) juntamente com a radioterapia. Setenta pacientes com câncer avançado refratário ao tratamento convencional, foram tratados com a combinação de microondas e radiação ionizante. Somente 21 pacientes completaram o protocolo e em 9 semanas de tratamento 90% dos pacientes experimentaram melhora completa dos sintomas e 10 % melhora parcial. Observou o espetacular resultado de uma completa remissão de todos os tumores em 16 de 20 pacientes ( 80% ). Nove dos pacientes que responderam completamente, ficaram livres de recidiva por pelo menos 9 a 14 meses pelo menos ( data da publicação do trabalho). Cada paciente recebeu 20 minutos de microondas local e imediatamente depois a radiação ionizante. Constavam do estudo: 9 carcinomas de cabeça e pescoço com ou sem metástase ganglionar; 4 carcinomas recorrentes de mama; 2 Ca de cervix invadindo a bexiga e reto; 1 Ca recorrente de lábio e língua com metástase no pescoço; 1 Ca recorrente de reto com metástase em sacro; 1 melanoma recorrente anal com metástase pulmonar e cerebral; 1 carcinoma de testículo; 1 leiomiosarcoma de intestino delgado e 1 rabdomiosarcoma retroperitoneal. A opinião dos clínicos envolvidos no protocolo foi que o calor administrado por microondas potenciou os efeitos ionizantes da radioterapia , e os resultados terapêuticos foram acima daqueles esperados somente com a radiação. Pelo fato que todos os pacientes no estudo apresentavam câncer refratário ao tratamento médico, a marcante melhora dos sintomas e a regressão tumoral observada foram consideradas encorajadoras pelo modesto autor. Scott e Hornbaack em 1988 empregam a RF com a radiação ionizante em tumores superficiais malignos com menos de 4 cm de profundidade (resolução do aparelho gerador de RF) . A dose total de radiação foi de 60 Gy, administradas em frações de 2 Gy, 5 vezes por semana. A hipertermia foi administrada 2 vezes por semana, 15 minutos após a radiação , com tempo de exposição de 60 minutos, o que provocou aumento da temperatura tumoral para 43 oC. Dos 133 pacientes iniciais, 117 completaram o protocolo e estavam assim distribuídos: 46% adenocarcinoma de mama, 35% carcinoma epidermoide de cabeça e pescoço e 19% em outros locais. Observou-se remissão completa do tumor em 85% dos pacientes. Após 2 anos de evolução , não houve recidiva tumoral. Calabro e Cavalieri também em 1989 testaram “in vitro” a termo-quimiosensibilidade de vários tumores humanos e mostraram os efeitos potenciadores da cisplatina, mas não da adriamicina. Quanto maior a temperatura alcançada e maior o tempo de exposição, maior é a quimiosensibilidade do tumor à cisplatina. Com a adriamicina observa-se muitas vezes um antagonismo com a hipertermia, “in vitro” . Em 1976, Overgaarg já havia mostrado in vivo os efeitos antagônicos entre a hipertermia e a adriamicina , no carcinoma mamário murino.
Benzaldeído
Como o benzaldeído é muito pouco solúvel em água ele não é adequado para injeção intravenosa, intramuscular ou subcutânea. Desta forma preparou-se uma inclusão betaciclodextrina-benzaldeido que foi administrada na forma de tabletes ou de supositórios. A quantidade de benzaldeído no CDBA é de 8.3%, e assim 6g de CDBA contém cerca de 500mg de benzaldeído.
Resultado do estudo:
Todos os pacientes que entraram no estudo possuíam confirmação histológica do diagnostico tumoral. Os pacientes já haviam se submetido a todo tipo de tratamento convencional tais como, cirurgia, quimioterapia e ou radioterapia, sem sucesso terapêutico e com progressão da doença maligna.
Dos 57 pacientes, 32 eram homens, 15 eram mulheres e todos se encontravam em estágio bem avançado da doença maligna, sendo considerados pacientes terminais. A idade dos pacientes variou de 4 a 82 anos com média de 53 anos. Os tipos de câncer eram os mais variados: leucemia mielocítica aguda (2), linfoma maligno (2), mieloma múltiplo (1), leiomiosarcoma (1) e os seguintes carcinomas: língua (4), parótida (2), pulmão (9), mama (2), esôfago (2), estomago (10), fígado (6), pâncreas (4), colon (1), reto (3), rins (2), cérebro (3), bexiga (2) e seminoma de testículo (1).
Neste estudo a administração do benzaldeído durou 2 anos e 5 meses e todos os pacientes foram observados por 2-4 semanas a mais de 2 anos.
Segundo Kochi, dos 57 pacientes com câncer terminal, 19/57 ou 33% apresentaram remissão completa do tumor; 10/57 ou 17,5% apresentaram remissão parcial (acima de 50% de regressão); 19/57 ou 33% estavam melhorando ao ser escrito o trabalho; 7/57 ou 12,3% permaneceram com a doença estável e em 2 pacientes houve progressão da doença.
Dos 9 carcinomas de pulmão , 3 apresentaram remissão completa, 3 remissão parcial , 1 se estabilizou e 2 apresentaram progressão da doença.
Três dos 4 pacientes com carcinoma epidermoide de língua haviam recebido previamente radioterapia e quimioterapia e todos se encontravam em péssimas condições clínicas no início do tratamento. Após 1,5 a 6 meses de CDBA, todos os pacientes com câncer de língua alcançaram remissão completa. Nestes 4 pacientes houve um fato muito interessante: a diferenciação maligna para células epidermoides normais e queratinizadas.
Uma paciente de 83 anos com adenocarcinoma de reto e obstrução quase completa do canal anal, respondeu completamente ao CDBA não sendo necessária a cirurgia, pois as fezes agora passavam livremente pelo canal anal. Aqui também se observou diferenciação do adenocarcinoma em células normais.
Mecanismos de ação do Benzaldeído
- Aceptor de íons hidrogênio : bloqueio do motor da mitose
- Inibe fases G1,S e G2 do ciclo celular
- Inibe a síntese do DNA
- Aumenta número e atividade das células natural “killer”
- Aumenta a termo-sensibilidade do tumor e evita a termo-tolerância
- Suprime a super-expressão do oncogene c-myc
- Inibe a função da oncoproteína Ras
- Aumenta a expressão do gene p53 – supressor tumoral
- Interrompe a via P46 da mitose
- Inibidor da tirosinase
- Indiretamente : aumento da atividade da glicose-6-fosfatodehidrogenase (G6PD)
Efeitos com agente oxidante:
- acúmulo da proteína p53
- ativação da cascata das caspases
- ativação da deoxiribonuclease
- defosforilação da proteína retinoblastoma
- inibição da proteína-tirosina-kinase
- inibição da Cdc25 fosfatase
- inativação do cdK1
- inibição da expressão da proteína Bcl-2
- inibição do fator de transcrição nuclear NF-Kappa-B
Dicloroacetato de sódio - DCA
As mitocôndrias no câncer são hiperpolarizadas e têm baixa fosforilação oxidativa e ambas alterações são revertidas pelo DCA. Foi estudado o potencial transmembrana mitocondrial (PTM) em três linhagens de células malignas humanas: A549 (câncer de pulmão de células não pequenas), M059K (glioblastoma) e MCF-7 (câncer de mama) e comparadas com três linhagens de células não cancerosas também humanas: células epiteliais de vias aéreas , fibroblastos e músculo liso de artéria pulmonar. O dicloroacetato é um inibidor bem conhecido e muito estudado da PDH kinase (Bowker-1998 , Stacpoole-1989 , Knoechel-2006). A inibição da PDH kinase permite que somente as forças de ativação da PDH prevaleçam e assim o DCA abre as portas para a fosforilação oxidativa a qual inibe a glicólise anaeróbia brecando o motor da proliferação celular maligna. Recentemente foi demonstrado que o DCA é capaz de reverter as alterações elétricas e metabólicas encontradas em vários tipos de câncer humano, tais como a hiperpolarização da membrana mitocondrial , a ativação do NFAT1 e a baixa expressão dos canais de K+ - Kv 1.5 provocando drástica apoptose e culminando na diminuição do crescimento tumoral (NFAT1 : fator nuclear de ativação dos linfócitos T).
Estes efeitos que acontecem tanto in vitro como in vivo foram demonstrados por Evangelos Michelakis e colaboradores e publicados em janeiro de 2007 (Bonnet S , Michelakis ED-2007)
Ácido gamalinolenico - GLA
Gavino em 1981 mostrou que os ácidos graxos polinsaturados(AGPI) mais eficazes em destruir as células tumorais do câncer de mama humano, são aqueles que conseguem gerar maior quantidade de radical superoxido e de hidroperoxidos, dentro da célula tumoral. Jiang em 1995, mostrou que o ácido gamalinolenico (óleo de borage, óleo de prímula) aumenta a expressão da E-caderina em muitos tipos de células tumorais humanas , incluindo o câncer de mama, pulmão, colon, melanoma e fígado. Os níveis elevados de E-caderina estão associados com o aumento da agregação celular e a redução da invasão celular in vitro. O ácido linoleico , o araquidonico e o EPA , não modificam a E- caderina. Outras substâncias que aumentam a expressão da E-caderina ao lado do ácido gamalinolenico ,são: o ácido cis retinóico, o 17 beta estradiol, o tamoxifeno , a relaxina e o aumento de cálcio sérico. Mesmo em tumores que não expressam a E-caderina o GLA regula a adesão celular mediada pelo desmossoma o que aumenta a adesão célula a célula impedindo o seu desgarramento e a consequente metástase. O “ MASPIN” um inibidor da protease mamaria sérica, é um supressor tumoral que diminuí profundamente a motilidade celular , o que in vivo diminuí drasticamente o número e a incidência de metástases. Jiang em 1997 utilizando três linhagens de câncer humano ( mama, melanoma e colon) mostrou que o GLA provoca aumento da expressão do MASPIN , tipo dose dependente. Jiang e Horrobin em 1988 mostraram em células do câncer de mama humano ( MCF-7) que o tratamento por apenas 2 horas com GLA provoca diminuição da fosforilação de dois importantes inibidores do ciclo celular, o p27Kip1e o p52Kip2o que acarreta o bloqueio deste ciclo, oque significa parada da proliferação celular. O bloqueio do ciclo celular é de 70% na fase GO/G1 , de 21% na fase S e de 8,5% na fase G2+M. Em trinta e duas pacientes com câncer de mama e metástase em linfonodos axilares foram administrados diariamente uma combinação de: Vitamina C: 2850 mg, Vitamina E : 2500 UI, Beta caroteno: 32,5 UI , selênio: 387 mcg e Coenzima Q10 : 90 mg, acrescido de outros sais minerais e vitaminas ao lado de GLA e ômega-3. A dose de GLA foi de 1,2 g e a de ácidos graxos ômega-3, foi de 3,5g ao dia. Muito interessante foi que nenhum paciente faleceu durante os 18 meses de estudo quando estatisticamente o esperado era de quatro óbitos. Não houve progressão das metástases e a qualidade de vida melhorou, não se observou perda de peso e houve menor necessidade de analgésicos . Durante esse período 6 pacientes mostraram remissão parcial do tumor ( Lockwood,1994).
Vanádio
O vanádio como monovanadato de amônio ( 0,5 ppm na água ad libtum) confere proteção substancial contra o câncer mamário provocado pelo antraceno em ratas. Observou-se redução do número e do volume dos tumores e o retardo do aparecimento do tumor.
Selênio
Lanfear em 1994 , mostrou que o selenito de sódio aumenta a expressão da proteina p53e assim induz à apoptose. A proteina p53 é um supressor tumoral que inibe a progressão da proliferação das células malignas por interferir no ciclo celular e na apoptose. Lu em 1994, verificou que o selenito de sódio aumenta a atividade da endonuclease a qual provoca a clivagem do DNA e a conseqüente apoptose das células malignas. Entretanto a apoptose pode ser desencadeada independentemente de lesão do DNA e mesmo em células que não possuam o fenotipo p53, pois descobriu-se que várias substâncias que possuem selênio na sua estrutura, inibem fortemente a cdK2e a proteina kinase C, provocando a parada do ciclo celular e a morte celular. Recentemente foi descoberto outro efeito importante do selênio como agente anticâncer. Jiang em 1999 mostrou que o aumento da ingestão de alho enriquecido com selênio na forma de selenito de sódio ou Se-metilselenocisteina, provoca a redução da densidade dos microvasos dentro do tumor, no carcinoma de mama de rato. Isto significa que o selênio possui a propriedade de inibir a neoangiogênese tuymoral, efeito de muita relevância para a inibição do crescimento dos tumores sólidos. Shen em 2000 mostrou que doses supranutricionais de selênio em uma primeira fase aumentam os níveis de GSH como mecanismo de defesa, porém logo a seguir com a continuidade e permanência do selênio acontece grande produção de H2O2, que acarreta drástica diminuição do GSH e os conseqüentes efeitos citotóxicos para a célula cancerosa. A superoxido dismutase, a catalase e a desferroxamina atenuam significantemente os efeitos apoptóticos do selênio.
Chemical speciation influences comparative activity of selenium-enriched garlic and yeast in mammary cancer prevention.
J Agric Food Chem 2000 Sep;48(9):4452.
Ip C, Birringer M, Block E, Kotrebai M, Tyson JF, Uden PC, Lisk DJ.
A recent human intervention trial showed that daily supplementation with selenized yeast (Se-yeast) led to a decrease in the overall cancer morbidity and mortality by nearly 50%; past research has also demonstrated that selenized garlic (Se-garlic) is very effective in mammary cancer chemoprevention in the rat model. The goal of this study was to compare certain biological activities of Se-garlic and Se-yeast and to elucidate the differences based on the chemical forms of selenium found in these two natural products. Characterization of organic selenium compounds in yeast (1922 microg/g Se) and garlic (296 microg/g Se) was carried out by high-performance liquid chromatography with inductively coupled plasma mass spectrometry or with electrospray mass spectrometry. Analytical speciation studies showed that the bulk of the selenium in Se-garlic and Se-yeast is in the form of gamma-glutamyl-Se-methylselenocysteine (73%) and selenomethionine (85%), respectively. The above methodology has the sensitivity and capability to account for >90% of total selenium. In the rat feeding studies, supplementation of Se-garlic in the diet at different levels consistently caused a lower total tissue selenium accumulation when compared to Se-yeast. On the other hand, Se-garlic was significantly more effective in suppressing the development of premalignant lesions and the formation of adenocarcinomas in the mammary gland of carcinogen-treated rats. Given the present finding on the identity of selenomethionine and gamma-glutamyl-Se-methylselenocysteine as the major form of selenium in Se-yeast and Se-garlic, respectively, the metabolism of these two compounds is discussed in an attempt to elucidate how their disposition in tissues might account for the differences in cancer chemopreventive activity.
Ácido ascórbico e cobalto
Trabalhos soviéticos de 1998 que conseguimos somente o resumo, apontam que o sistema catalítico binário constituído por um complexo orgânico de cobalto (na forma de hidroxicobalamina) e ácido ascórbico mostra-se como novo agente anti tumoral. Akatov em 1999, no Instituto de Biofísica de Moscou, mostrou que a hibroxicobalamina (mas não a cianocobalamina) juntamente com o ácido ascórbico se acumulam seletivamente nas células tumorais e provocam o aumento da geração de radicais livres, com a conseqüente lesão de DNA e morte celular por apoptose. Este efeito citotóxico é observado tanto in vivo como in vitro . Complexos de cobalto combinados com agentes redutores como o ascorbato possuem atividade antinucleasena presença de oxigênio molecular e assim conseguem promover a clivagem do DNA do tipo internucleossomal .
Vitamina K
Existem 3 formas de vitaminas K : vitamina K1 ( filoquinona ou fitonadiona ) , vitamina K2 ( menaquinona ) e vitamina K3 ( menadiona ). A vit K3 é a que possui maior atividade antitumoral mostrando inibição de 50% na formação de colônias em 86% dos tumores humanos testados à 1 micrograma/ml. Estes tumores incluem o câncer de mama, de próstata , gliomas , tumores de cabeça e pescoço, etc. In vivo a atividade antitumoral necessita de doses relativamente altas . A vitamina K 3 exerce efeito antitumoral inibindo a atividade da Cdk1. A ligação da vit. K3 à fosfatase Cdc25 provoca a formação de Cdk1 hiperfosforilado que é inativo o que subsequentemente induz à parada do ciclo celular e a morte das células. A vitamina K3 induz a parada do ciclo celular e a morte da célula por inibir a Cdc25 fosfatasea qual promove o acúmulo da proteína retinoblastoma inativa hipofosforilada e a Cdk1 inativa hiperfosforilada. A vit. K3 também induz apoptose por fragmentação do DNA e aumento da expressão do gene c-myc. Antioxidantes como a acetilcisteina, catalase , superoxido dismutase e desferroxamina podem diminuir ou até abolir o efeito da vit. K3. A aspirina e a indometacina conseguem suprimir quase que por completo a geração de radical superoxido pela menadiona.
Vitamina C e vitamina K3
A vitamina C e a vitamina K3 administradas na razão 100: 1 exibem atividade antitumoral sinérgica e preferencialmente matam as células tumorais por autoschizis. Esta dupla de vitaminas induz o bloqueio da divisão celular na fase G1/S, diminuí a síntese de DNA, aumenta a produção de radical superoxido e de H2O2 e diminuí severamente os níveis de GSH e de outros tiois celulares. Neste ínterim ocorre aumento de 8 a 10 vezes na quantidade intracelular de cálcio ionizado. As vitaminas K3 e C aumentam o estresse oxidativo até ele se sobrepor à defesa antioxidante endógena. Neste momento é que acontece a liberação de cálcio ionizado que ativa a DNAase dependente de cálcio , a qual provoca a clivagem do DNA. O Prof. Gilloteaux, descreve 3 pacientes com câncer de mama e um paciente com câncer de próstata com sobrevida de longo prazo com o emprego da dupla de vitaminas, C e K3.
Vitamina D
A vitamina D3 (1,25 dihidroxivitaminaD3 ) forma hormonal da vitamina D , possuí atividade anti câncer in vivo e in vitro. A noção que a vitamina 1,25(OH)2-D3 desempenha atividade anticâncer veio de estudos epidemiológicos que mostraram uma menor incidência e uma menor malignidade do câncer de mama com a exposição ao Sol, com a ingestão de vit. D e com maiores níveis sanguíneos de metabolitos da vit. D. Em células do câncer de mama o pré tratamento com vitamina D3 aumenta a citotoxicidade induzida pela menadiona ou pelo quimioterápico doxorubina. A N-acetil cisteína um antioxidante, impede a ação da vit.D3 sugerindo que o mecanismo de ação envolve a produção de radicais livres. A vit D3 in vivo retarda o crescimento de tumores humanos de mama, colon, melanoma e retinoblastoma , implantados no camundongo. In vivo a vit. D3 aumenta a ação citotóxica dos macrofagos, linfocitos e células Natural Killer e também potencia os efeitos citostáticos da citocinas como o TNF . É bem conhecido que a vit D3 apresenta propriedade antiangiogênica frente a tumores sólidos, incluindo os tumores de mama. Takaku em 2001 mostrou elegantemente que a vitamina D2 (ergosterol) também apresenta efeito antiangiogênico potente. No sarcoma 180 de rato, notou que o retardo do crescimento provocado por fração lipídica do Agaricus blazei Murill era por antiangiogênese e que o responsável por esse efeito era o ergosterol presente no extrato do cogumelo. O ergosterol não possuí atividade in vitro contra o sarcoma 180.
Tocotrienol
Empregando-se a fração rica de tocotrienol do óleo de palma, na concentração de 180 micrograma/ml no meio de cultura, Nesaretnan obteve 50% de inibição da proliferação celular da linhagem MDA – MB – 435 do câncer de mama humano. Em concentrações superiores a 225 micrograma/ml obteve 100% de inibição da proliferação celular. Como esta linhagem tumoral não possui receptores estrogênicos, o efeito observado ocorre por mecanismo diferente e independente de estrógeno. O mesmo autor continuou estudando o efeito do tocotrienol sobre o câncer de mama, agora empregando uma linhagem dependente de estrógeno: ER+ MCF7. A fração MCF7 sub tipo McGrath é tão dependente de estrógeno que ela é quase incapaz de proliferar na ausência do hormônio. Outro fator que regula a sua proliferação são fatores semelhantes ao IGF (insulin-like growth factors). Nesaretnan, elegantemente mostrou que a fração rica em tocotrienol inibe o crescimento desta linhagem de células na ausência de estrógeno e mesmo na sua presença e muito importante, de uma maneira dependente da dose. Na ausência de estrógeno as frações mais eficazes são a gama e a delta, que em concentrações de 6 microgramas/ml inibem completamente a proliferação celular. Na presença de estradiol a fração delta na concentração de 10 microgramas/ml é a mais eficaz, inibindo completamente a proliferação celular, enquanto a fração gama inibe, 63% e a fração alfa, 32%. Quanto ao modo de ação, o autor demonstrou que o tocotrienol age por um mecanismo não dependente de receptores estrogênicos e não dependente de fatores de crescimento insulin-like (IGFs). A inibição do câncer de mama pelos tocotrienois possui implicações clínicas importantes, porque eles são capazes não só de inibir o crescimento de fenotipos ER-positivos e ER-negativos, mas também porque as células responsivas ao estrógeno podem ser inibidas mesmo na presença deste hormônio . Os tocotrienois poderiam oferecer uma estratégia complementar no tratamento do câncer de mama resistente a outras terapêuticas ou mesmo ser empregado já nas fases iniciais do tratamento convencional. Os tocotrienois no presente momento são um dos mais importantes elementos a serem considerados quando pensamos na prevenção do câncer de mama. Ele já está sendo utilizado por muitos cancerologistas em vários países no tratamento coadjuvante do câncer de mama. Apesar de todas essas propriedades terapêuticas e dos inúmeros trabalhos científicos de bom nível, os tocotrienois têm merecido pouca atenção e pouco destaque , certamente por pertencerem ao grupo das drogas orfãs , isto é não patenteáveis e portanto com baixos índices de lucratividade.
Curcuma longa - curcumina
A curcumina possuí atividade cicatrizante , antinflamatória , anti proliferativa e anti tumoral. Ramachandran em 1999 mostrou que a curcumina induz apoptose no carcinoma da mama humano linhagem MCF-7/TH , provocando marcante diminuição do GSH intracelular. Embora o acúmulo de curcumina seja igual para as células mamárias cancerosas e normais (MCF – IDA) , as células cancerosas são 3,5 vezes mais sensíveis á curcumina. A curcumina induz o bloqueio do ciclo celular na fase G2 e na fase G0/G1 com apenas 20 a 40 micromol em 24 horas de incubação e tal bloqueio é feito de modo dose dependente. A curcumina provoca a redução da expressão do RNA mensageiro de genes envolvidos na proliferação celular: Ki67, PCNA, p53 e p21 desta linhagem de câncer de mama.
Alecrim de Jardim
Inhibition of 7,12-dimethylbenz[a]anthracene (DMBA)-induced mammary tumorigenesis and of in vivo formation of mammary DMBA-DNA adducts by rosemary extract.
Cancer Lett. 1991 Nov;60(2):169-75.
Singletary KW, Nelshoppen JM.
The effect of dietary intake of an extract of the spice plant Rosmarinus officinalis L. on 7,12-dimethylbenz[a]anthracene (DMBA)-induced mammary tumorigenesis and on the in vivo formation of mammary DMBA-DNA adducts was evaluated. Supplementation of a semi-purified diet with 1.0% (by wt.) rosemary extract resulted in a significant (47%) decrease in mammary tumor incidence compared to controls. In subsequent studies, dietary supplementation with 0.5% and 1.0% rosemary extract inhibited total in vivo binding of DMBA to mammary epithelial cell DNA by an average of 42%. This decrease in total binding was not due to a uniform decrease in the formation of all mammary DMBA-DNA adducts. The formation of two major adducts derived from the anti-diastereomer of DMBA and bound to deoxyguanosine (anti-dGuo) was significantly decreased at both dietary rosemary concentrations. The formation of the syn-dGuo adduct also was inhibited, whereas formation of the syn-dAdo adduct was unaffected by consumption of the rosemary extract. These studies suggest that use of rosemary extract and its individual antioxidative constituents as chemopreventative agents for experimental mammary tumorigenesis warrant further investigation.
Não vamos desistir desta luta.
No mundo não há fracassados e sim desistentes
Confúcio
Referências Bibliográficas
Os autores citados neste trabalho são encontrados nos trabalhos de revisão do autor e estão elencados na “Biblioteca de Câncer” e “Biblioteca de Doenças” da Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar , no site : www.medicinacomplementar.com.br
- Felippe JJ. Radicais Livres como Mecanismo Intermediário de Moléstia. In Felippe Jr. Pronto Socorro: Fisiopatologia – Diagnóstico – Tratamento. Ed.Guanabara –Koogan. 1168-1173,1990.
- Felippe JJ. Medicina Biomolecular. Revista Brasileira de Medicina Biomolecular e Radicais Livres. 1(1): 6-7,1994.
- Felippe JJ. Dieta Inteligente Journal of Biomolecular Medicine & Free Radicals.6(3):85-95,2000.
- Felippe JJ. Estratégia Biomolecular: uma das Bases da Medicina do Futuro. Revista Brasileira de Medicina Complementar. 7(1): 8-9,2001.
- Felippe JJ. Estratégia Terapêutica de Indução da Apoptose, da Inibição da Proliferação Celular e da Inibição da Angiogênese com a Oxidação Tumoral Provocada por Nutrientes Pró Oxidantes. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar. www.medicinacomplementar.com.br. Tema do mês de fevereiro de 2003.
- Felippe JJ. Eficácia da Indução Oxidante Intracelular e da Aplicação de Radio Freqüência no Tratamento do Câncer: Estratégia Química e Física. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar. www.medicinacomplementar.com.br. Tema do mês de abril de 2003.
- Felippe JJ . Em Busca do Mecanismo de Ação Único para o Tratamento das Doenças: Energia Livre - ATP. Um ensaio teórico com evidências experimentais. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar, www.medicinacomplementar.com.br . Biblioteca de Câncer. Janeiro. Tema do mês de maio de 2003.
- Felippe JJ. Estratégia terapêutica de indução de apoptose, de inibição da proliferação celular e de inibição da angiogênese com a oxidação intratumoral das células cancerosas. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar, www.medicinacomplementar.com.br . Biblioteca de Câncer – 2004.
- Felippe JJ . Eficácia da indução oxidante intracelular e da aplicação
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