Doença de Parkinson : Novas Perspectivas de Tratamento –
ATP e Riboflavina
Dr. José de
Felippe Júnior
Introdução | Conclusão|
Bibliografia
Introdução
A Doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa
comum associada com tremores, bradicinesia, rigidez e perda dos reflexos
posturais. A alteração patológica predominante é
a perda dos neurônios dopaminérgicos na substância
nigra pars compacta. Muitos fatores foram implicados na sua patogênese
tais como: predisposição genética, aumento da deposição
de ferro na substância nigra, à excitotoxicidade por disfunção
mitocondrial crônica e estresse oxidativo devido a dois fatores,
o aumento da atividade da enzima monoaminooxidase (MAO) e à inibição
da cadeia respiratória (Turner e Schapira – 2001 , Gu e Owen
– 1998).
A Doença de Parkinson como todas as doenças degenerativas
do cérebro está se tornando cada vez mais freqüente
nas pessoas idosas do primeiro mundo devido ao aumento da sobrevida da
população. Com o passar dos anos acontece um declínio
progressivo da função das células, coincidindo com
o declínio progressivo da função mitocondrial. Este
fato tem sido reconhecido como fator causal de muitas doenças dos
seres humanos em particular as doenças neurodegenerativas, porque
os neurônios são as células mais sensíveis
do organismo (Turner e Schapira – 2001, Schapira – 1992, Wallace
– 1992).
Para manterem as suas funções as células devem continuamente
produzir energia: ATP(trifosfato de adenosina). Sem energia as células
não conseguem sintetizar hormônios, enzimas e neurotransmissores
como a dopamina, a noradrenalina, a serotonina e a acetilcolina, todos
eles de capital importância para a função cerebral,
sendo a dopamina a que mais nos interessa no momento.
As duas vias principais de geração de ATP são a glicólise
anaeróbia (citoplasma) e a fosforilação oxidativa
(mitocondria), sendo esta última 17 vezes mais eficaz. As mitocondrias
são as organelas que produzem a maior parte do ATP necessário
para a função normal e a sobrevivência dos neurônios.
Até o presente momento não se encontrou a terapêutica
definitiva para a doença de Parkinson, entretanto, muita pesquisa
tem sido elaborada nos últimos anos sobre a neuroproteção
e cada vez mais conhecemos importantes elementos da fisiopatologia desta
doença, que apontam para um defeito quase que sistemático
da fosforilação oxidativa.
Estudos recentes sobre a bioenergética mitocondrial dos neurônios
da substância nigra pars compacta, nos permitem pensar que estamos
muito perto de alcançarmos uma estratégia terapêutica
mais eficaz do que aquelas atualmente existentes. Basta conhecermos um
pouco mais sobre a bioquímica e fisiologia deste nosso parasita
amigo: a mitocondria.
Doença de Parkinson como Deficiência do Complexo
I da Cadeia Respiratória Mitocondrial
A descoberta em 1989, que existe na Doença de Parkinson uma deficiência
do complexo I da cadeia respiratória limitada à substância
nigra focou a atenção sobre o papel da mitocondria na etiologia
e na patogenia desta doença (Schapira e Cooper-1989 , Schapira
e Mann – 1990 , Swerdlow - 1996). Comumente se encontra uma redução
de 35% do complexo I nos neurônios dopaminérgicos na substância
nigra . É interessante saber que apenas 5% dos neurônios
dessa região são dopaninérgicos e que eles são
altamente dependentes do metabolismo aeróbio o que faz essas células
serem particularmente vulneráveis à disfunção
mitocondrial.
Em 1998, o incansável pesquisador Schapira, relata que as mutações
do DNA mitocondrial estão associadas com um grande espectro de
doenças nos seres humanos tais como, as miopatias, encefalopatias,
cardiomiopatias , diabetes e lesões de orgãos com diminuição
de visão, surdez, etc.
A patogênese das mutações do DNA mitocondrial não
é conhecida plenamente, porém, ela sempre provoca o impedimento
da fosforilação oxidativa. Existe uma íntima e reciproca
relação entre a disfunção da fosforilação
oxidativa e a geração de radicais livres, e há evidências
de que exista estresse oxidativo com lesão de neurônios na
Doença de Parkinson, Doença de Alzheimer, Doença
de Huntington, Ataxia de Friedreich, Esclerose Lateral Amiotrofica, Esclerose
Múltipla e outras doenças neurodegenerativas , incluindo
o envelhecimento.
O impedimento da fosforilação oxidativa e a geração
de radicais livres podem independentemente afetar o potencial transmembrana
mitocondrial (Deltapsi-m). A queda do potencial Deltapsi-m é um
evento precoce no caminho da morte celular programada: apoptose. Este
evento é mais precoce que a própria fragmentação
nuclear.
É possível que a disfunção mitocondrial nas
doenças neurodegenerativas facilite a apoptose dos neurônios
e com o passar do tempo com a morte de cada vez maior número de
células aconteça a doença, sendo que a sintomatologia
vai depender do local preferencialmente atingido e geneticamente determinado,
no caso do Parkinson a substância nigra.
Desta forma a mitocondria apresenta-se como um importante alvo para futuras
estratégias de tratamento ou neuroproteção com a
finalidade de prevenir ou retardar a neurodegeneração.
A Doença de Parkinson é Sistêmica : Ela
não se Limita à Substância Nigra
Nos pacientes portadores de Parkinson. tem sido extensivamente mostrado
evidências de disfunção mitocondrial fora do sistema
nervoso central .
Alguns estudos, mas não todos, mostram defeitos da oxidação
fosforilativa no músculo esquelético desses pacientes (
DiMauro – 1993 , Taylor – 1994 e Penn – 1995). A maioria
das pesquisas entretanto, mostra que existe defeitos no complexo I , e
às vezes no complexo II e IV nas plaquetas ( Schapira – 1994
, Gu e Cooper – 1998).
Em 1992, Shoffner analisou as mitocondrias isoladas do músculo
de 6 pacientes com Doença de Parkinson. Os ensaios das enzimas
da cadeia respiratória foram comparadas com 16 controles normais.
O autor encontrou quatro pacientes com defeito do complexo I e um paciente
com defeito do complexo IV da cadeia respiratória. Não foram
encontrados neste estudo mutações do DNA mitocondrial :
insersão – deleção ou mutações
pontuais. O autor concluiu que a Doença de Parkinson é uma
desordem sistêmica da oxidação fosforilativa. A morte
prematura das células da substância nigra-estriada que fabricam
dopamina poderia ser devido ao impedimento energético e à
acentuada geração de radicais livres provocados pelo defeito
da oxidação fosforilativa.
Em 1998, Schapira e Gu relatam mais evidências que a Doença
de Parkinson é uma moléstia sistêmica mostrando que
existe nesses pacientes uma deficiência de complexo I , tanto na
substância nigra como nas plaquetas. Utilizando técnicas
de histoquímica, imunohistoquímica e abordagem funcional
do Deltapsi-m (potencial transmembrana da mitocondria) esses autores constataram
a presença de mutação do DNA mitocondrial, entretanto,
a deficiência do complexo I nos pacientes com distonia não
é devida a anormalidades do DNA mitocondrial.
Os autores crêem que o defeito do DNA mitocondrial sozinho possa
ser a causa da Doença de Parkinson em uma certa proporção
de pacientes e pode contribuir para a patogênese em outros.
É interessante sabermos que na prática diária, podemos
identificar o defeito do complexo I nesses pacientes analisando as suas
plaquetas.
Fatores Exógenos ou Ambientais
Segundo Schapira, a mutação do DNA mitocondrial é
a responsável pelo defeito do complexo I na Doença de Parkinson.
Entretanto, a maioria dos casos desta doença são esporádicos
e não seguem o padrão de herança materno, verificado
nas doenças mitocondriais hereditárias, indicando que a
mutação mitocondrial observada é somática
e ocorreu após o nascimento.
As mutações somáticas do DNA mitocondrial podem ser
provocadas por insultos tóxicos exógenos ou ambientais e
parece que essas mutações provocam defeitos bioquímicos
cujo alvo é a função da mitocondria.
O agente 1-metil-4-fenil-1,2,3,6-tetrahidropiridina (MPTP) foi identificado
como contaminante de análogos da meperidina, responsáveis
por induzir parksonismo em um grupo de viciados na Califórnia.
O quadro clínico é semelhante mas, não idêntico
ao da Doença de Parkinson Idiopática.
O estudo patológico do cérebro de um paciente que desenvolveu
parksonismo com a MPTP demonstrou severa destruição dos
neurônios dopaminérgicos da substância nigra (Davis
– 1979). Estudos com tomografia de emissão de positrons com
18-fluoro-dopa, em pacientes com parkinsonismo induzido pelo MPTP, indicaram
perda progressiva da substância nigro-estrial até sete anos
após o contato, a uma velocidade superior ao envelhecimento e comparável
à Doença de Parkinson Idiopática ( Vingerhoets –
1994).
O MPTP é uma pró-toxina metabolizada pela monoaminooxidase
B (MAO-B) e o produto resultante é um inibidor específico
e reversível do Complexo I da cadeia respiratória mitocondrial.
Se houver deficiência da citocromo-oxidase (Complexo IV) a inibição
do Complexo I será mais severa e irreversível (Cleeter –
1992). Esses eventos podem ser abolidos com varredores de radicais livres
indicando que a inibição do Complexo I é parcialmente
mediada pelo estresse oxidativo. A inibição do Complexo
I leva ao aumento da geração de radicais livres o que resulta
em um ciclo de auto-amplificação de inibição
deste Complexo provocando morte celular progressiva.
Existe um composto o 1,2,3,4-tetrahidroisoquinolina (TIQ) , estruturalmente
relacionado ao MPTP e absurdamente presente em certos gêneros alimentícios,
que tem sido encontrado no cérebro de pacientes com Doença
de Parkinson Idiopática. Esta substância é toxica
para os neurônios dopaminérgicos e induz deficits motores
em macacos (Niwa – 1987 e 1989). O TIQ é um inibidor do Complexo
I e é substrato da MAO-B (Suzuki – 1989). O TIQ pode ser
encontrado em certos gêneros alimentícios, ultrapassa a barreira
hematoencefálica e pode ser formado por reações químicas
no cérebro.
Fatores Endógenos
Não se conhece com certeza a etiologia da morte das células
nervosas nas doenças degenerativas neuronais. Entretanto sabe-se
que o mecanismo excitotóxico possui alguma ação em
doenças coma a Esclerose Lateral Amiotrófica, a Doença
de Alzheimer, a Doença de Huntington e a Doença de Parkinson.
Existe a possibilidade que um defeito do metabolismo energético
mitocondrial pudesse secundariamente levar a uma lenta morte neuronal
excitotóxica fazendo com que os neurônios ficassem mais vulneráveis
ao glutamato endógeno ( Beal – 1992) ou exógeno. O
glutamato é encontrado nos temperos orientais como no “Ajinomoto”.
Outro aminoácido excitotóxico é encontrado em um
dos adoçantes mais utilizados no Brasil, o aspartame, reconhecido
agente neurotóxico.
De acordo com Beal, a inibição da fosforilação
oxidativa levando à parcial despolarização da membrana
celular ativaria mais facilmente o receptor dos canais ionicos NMDA (N-metil-D-aspartato)
que são voltagem dependentes. Em adição, poderiam
ser impedidos outros processos envolvidos no tamponamento do cálcio
intracelular.
Estudos recentes em animais mostraram que toxinas mitocondriais provocam
um padrão de degeneração neuronal semelhante ao da
Doença de Huntington, que são bloqueadas com antagonistas
do NMDA. Os antagonistas do NMDA também bloqueiam a degeneração
neuronal induzida pelo 1-metil-4-fenilpiridium, que é usado para
produzir Doença de Parkinson ou melhor o parkinsonismo, em animais
de experimentação.
Beal conclui que o metabolismo energético fosforilativo realmente
desempenha um papel na morte celular nas desordens neurodegenerativas
e crê que a melhoria da função mitocondrial se constitua
em uma potencial estratégia terapêutica.
Em 1999 Cohen relaciona a ativação da monoaminaoxidase
(MAO) com a lesão mitocondrial de neurônios, mostrando mais
uma vez que os defeitos da cadeia de transporte de elétrons da
mitocondria caracterizam grande parte das doenças neurodegenerativas.
O autor descreve um mecanismo geral onde o metabolismo enzimático
de neurotransmissores pela MAO lesa a mitocondria por diminuir o seu conteúdo
de GSH (aumento da oxidação) e por suprimir a fosforilação
oxidativa (diminuição da produção de ATP).
Incubando por 15 minutos, mitocondrias de cérebro de ratos com
tiramina que é substrato da MAO-A e da MAO-B, o autor conseguiu
suprimir o estado respiratório 3 em 33% e o estado respiratório
5 em 40% e aumentar o estresse oxidativo. De fato, estas alterações
são acompanhadas por um aumento intracelular de até 10 vezes
na concentração de GS-SG ( glutationa oxidada).
Desta forma aprendemos que certas lesões mitocondriais podem derivar
do “turnover” natural de neurotransmissores das monoaminas
nas pessoas susceptíveis. Este fato é importante no envelhecimento
cerebral , Doença de Alzheimer , Doença de Parkinson e em
outras doenças neurodegenerativas. Essas observações
podem explicar as razões das pessoas mais alegres viverem muito
mais que as tristes. As alegres possuem uma quantidade constitucional
maior de inibidores da MAO em seus cérebros.
Neste ponto devemos nos lembrar dos ensinamentos de Simon que declara
a importância da função mitocondrial no envelhecimento
e nas doenças neurodegenerativas e alerta para a necessidade dos
clínicos reconhecerem as síndromes clínicas sugestivas
dos distúrbios mitocondriais .
Doença de Parkinson e Fosfoetanolamina
A fosfoetanolamina é metabolizada em fosfatidiletanolamina, principal
fosfolípide da membrana mitocondrial e um dos principais responsáveis
pela manutenção do potencial transmembrana - Deltapsi-m
- da mitocondria. A fosfoetanolamina administrada na dose de 500mg duas
vezes ao dia , é convertida no fígado nos três fosfolípides
constituintes da membrana interna mitocondrial : a fosfatidiletanolamina,
a fosfatidilcolina e a fosfatidilserina.
Esses três fosfolípides estão implicados diretamente
na permeabilidade da membrana interna do mitocondria e interferem diretamente
no potencial transmembrana, Deltapsi-m.
O evento mais precoce produzido pela lesão mitocondrial é
a alteração do potencial transmembrana Deltapsi-m e somente
a alteração deste potencial já diminui drasticamente
a produção de ATP, em um processo contínuo cuja seqüência
provoca alteração do Complexo I e demais componentes da
cadeia de elétrons da mitocondria.
Pacientes com Doença de Parkinson apresentaram razoável
melhoria dos movimentos e da postura com o emprego de somente fosfoetanolamina
(Prof.Gilberto Chierice e Dr. Dair Bicudo Piai - comunicação
pessoal).
Doença de Parkinson e Riboflavina
Coube a um pesquisador brasileiro o neurologista Coimbra mostrar que a
riboflavina melhora as condições clínicas dos pacientes
com Parkinson (Coimbra – 2003). Lembremos que o Complexo I da cadeia
respiratória mitocondrial é dependente de riboflavina(vitamina
B2): flavin-adenina dinucleotídeo (FAD) e flavin-mononucleotídeo
(FMN).
Coimbra verificou primeiramente que 31 pacientes consecutivos com Doença
de Parkinson, apresentavam diminuição dos níveis
séricos de riboflavina. Não havia deficiência de B2
na dieta, a homocisteina era normal, assim como eram normais no soro desses
pacientes a vitamina B6, o ácido fólico e a vitamina B12.
Em contraste somente três de dez pacientes consecutivos com demência,
apresentavam deficiência de B2 no sangue.
Dezenove pacientes receberam 30 mg de riboflavina de 8 em 8 horas, de
um modo não cego e não controlado, por 6 meses e durante
esse período não foi permitido ingerir carne vermelha (carne
de boi e de porco). Eram 8 homens e 11 mulheres com idade média
de 66,2+/-8,6 anos, em vários graus de gravidade da doença.
As drogas sintomáticas antiparkinson foram mantidas. A capacidade
motora foi avaliada porcentualmente por um método muito prático.
Após 1 mês de tratamento normalizou-se a concentração
sérica de riboflavina que passou de 106,4+/-34,9 para 179,2+/-23
nanogramos /ml.
O autor constatou que todos os 19 pacientes que completaram o tratamento
de 6 meses melhoraram significantemente da capacidade motora. No primeiro
mês de tratamento já foi possível detectar melhoria
motora que em muitos pacientes atingiu um “plateau” máximo
em 3 meses, enquanto outros continuaram melhorando até os 6 meses
de estudo. Em média a capacidade motora aumentou de 44% para 71
% em 6 meses de riboflavina e abstenção de carne vermelha
e esta melhoria foi altamente significante (p<0,001). A parada de ingestão
da B2 por alguns dias não interrompeu a melhoria da capacidade
motora, mostrando que o efeito da riboflavina é plástico
e não farmacológico.
É interessante ressaltar que cerca de 10 a 15% dos habitantes de
Londres e Florença apresentam baixa atividade de FMN e FAD , apesar
da ingestão adequada de B2, denotando diminuição
da absorção intestinal.( Anderson – 1979). Anderson
crê que este fato não possuí explicação
étnica e reflete a situação da população
mundial.
Outro fato interessante é que os pacientes com Parkinson apresentam
alta ingestão de carne vermelha, significantemente maior do que
a população em geral e que a maior prevalência desta
doença ocorre nos habitantes de Buenos Aires, onde o consumo de
carne vermelha é tradicionalmente muito alto (Coimbra – 2003).
Possivelmente os pacientes com Parkinson pertençam à camada
da população mundial de 10 – 15% , que apresentam
diminuição de absorção de B2.
A digestão da carne vermelha libera hemina, uma toxina altamente
difusível, que aumenta a concentração de ferro no
intracelular e provoca aumento da geração de radical hidroxila,
pela reação de Fenton. A hemina absorvida é destruída
no trato digestivo e fígado pela enzima heme-oxigenase ( Brown
– 1968). Esta enzima é oxidada no processo de transformação
da hemina em biliverdina e deve sofrer redução pela flavoenzima
citocromo P450 redutase para a continuação do processo de
inativação da hemina (Ryter – 2000). A enzima citocromo
P450 redutase é particularmente sensível à deficiência
de riboflavina (Wang – 1997).
É possível que pessoas com diminuição de absorção
de B2 não consigam inativar completamente os altos níveis
de hemina, facilitando a chegada deste composto no cérebro e provocando
a morte de neurônios é o que comenta o pesquisador brasileiro
Dr. Coimbra.
Nos pacientes com Parkinson a heme oxigenase-1 quase sempre está
aumentada nos astrocitos e reage com os corpos neuronais de Lewi na substância
nigra provocando deposição de ferro e lesão mitocondrial
(Shipper – 2000). A hemina pode se ligar à glutationa (GSH)
provocando sua diminuição e piorando o estresse oxidativo
( Sahini – 1966).
Vários autores constataram alterações sistêmicas
e cerebrais no metabolismo do ferro no Parkinson, sugerindo que os baixos
níveis de ferritina regional cerebral se correlaciona com os altos
níveis de ferro livre no intracelular o qual provoca o aumento
da geração de radicais livres e lesão neuronal (
Longroscino – 1997 , Dexter – 1990 , Mann – 1994).
Desta forma, Coimbra conseguiu demonstrar que o uso da riboflavina juntamente
com a parada de ingestão de carne vermelha provocou drástica
melhoria das condições clínicas dos pacientes com
Parkinson.
Perspectivas de Tratamento
I- Nutrientes Essenciais Constituintes da Cadeia Enzimática Mitocondrial
e do Acoplamento Químio–Energético Melhoram a Função
Mitocondrial em Mitocondriopatias Hereditárias
Barbara Marriage da Universidade de Alberta no Canadá em 2003,
fez revisão didática sobre o papel dos nutrientes essenciais
na melhoria da função mitocondrial de vários tipos
de mitocondriopatias que apresentavam defeitos da fosforilação
oxidativa.
Mostrou 18 trabalhos na literatura descrevendo pacientes com mitocondriopatias
hereditárias com defeitos nos complexos I ou II ou III que obtiveram
melhoria clínica de graus variáveis com o emprego da Coenzima
Q10 ( ubiquinona. ). Esta substância é a mais empregada no
tratamento das mitocondriopatias hereditárias , nas doses de 30
a 300 mg ao dia.
A CoQ10 é uma quinona liposolúvel que transfere elétrons
dos complexos I e II para o complexo III, processo este acoplado com a
síntese de ATP. Ela ajuda a estabilizar os complexos enzimáticos
dentro da membrana mitocondrial interna, mantendo uma adequada fluidez
de membrana.
Parta aumentar a eficácia terapêutica se emprega vários
tipos de nutrientes que tomam parte na fosforilaçào oxidativa
: Riboflavina (50 a 100 mg ao dia), Nicotinamida ( 200 a 3000 mg ao dia
) , Vitamina K3 – menadiona ( 40 a 80 mg ao dia ) , Vitamina C (
2 a 4 gramas ao dia ), L-Carnitina ( 50 a 200 mg ao dia ), L-taurina (100
a 300 mg/dia) , Creatina ( 10 g ao dia ) e Ácido Lipóico
(600 mg ao dia ).
Na Doença de Parkinson o nutriente chave, como mostrado por Coimbra,
é a riboflavina., principal componente do complexo I mitocondrial.
I!- Reparo da Membrana Mitocondrial Interna com Lípides
Quando acontece alterações lipídicas na membrana
interna mitocondrial a produção de energia diminui. Vários
trabalhos indicam que drásticas modificações da ingestão
de lípides da dieta, como a deficiência de ácidos
graxos polinsaturados na dieta, provocam alterações ultra
estruturais e prejuízo da função mitocondrial (Johnson
– 1963 , Smithson – 1969) .
Arcos mostrou que esta região lesada da membrana mitocondrial interna
pode ser susceptível de reparo porque o impedimento respiratório,
in vitro, é substancialmente diminuído ou até abolido
pela adição de lípides totais, obtidos de mitocondrias
normais (Arcos–1971).
Possivelmente esta sopa lipídica extraída de mitocondrias
normais esteja “contaminada” com vit.B2, vitB3, Coenzima Q10
, carnitina, etc , isto é, com os fatores envolvidos no adequado
funcionamento da mitocondria.
O principal fosfolípide da membrana mitocondrial interna é
a fosfatidiletanolamina, derivada metabólica da importante e crucial,
fosfoetanolamina.
Conclusão
Todo esse processo delicado e maravilhoso acontece minuto a minuto nas
células do organismo. São nesses processos que devemos atuar.
Devemos estudar minuciosamente os nossos pacientes. Vamos sempre nos lembrar
dos bons ensinamentos convencionais da medicina que aprendemos na Faculdade,
porém, devemos afastar os curto-circuítos mentais parasitas
que nos incutiram : "diagnóstico – tratamento com a
droga anti – sintoma do momento" , da moda, a mais moderna.
Deixemos de lado a famosa e perversa “medicina do anti “ ,
repleta de efeitos colaterais e que apenas escondem a verdadeira causa
das doenças.
Vamos cuidar das células e das suas organelas:
1- fornecendo e mantendo o equilíbrio dos 45 nutrientes essenciais
estaremos proporcionando às células a matéria prima
necessária para a produção de hormônios, anticorpos,
células novas, etc.
2- retirando os metais tóxicos do corpo, estaremos diminuindo a
presença destes poderosos inibidores metabólicos que atrapalham
a vida dos 45 nutrientes e estaremos diminuindo fonte geradora importante
de radicais livres.
3- vamos nos concentrar na administração de uma verdadeira
sopa mitocondrial para alimentar esse nosso parasita amigo: riboflavina,
nicotinamida, magnésio, vitamina C , vitamina K3 (menadiona), coenzima
Q10, l-carnitina, l-taurina , ácidos graxos essenciais (omega-3
e ácido gama-linolênico) e a fosfoetanolamina .
4- finalmente, na fase inicial do tratamento prescrevemos formulas magistrais
, porém, logo em seguida ensinamos a buscar na alimentação
tudo o que o organismo necessita.
A Medicina como a Mulher sempre nos fazem sofrer no mistério que
ocultam, porém, nunca deixamos de ama-las e sempre procuramos compreende-las,
porque não podemos viver sem elas.
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