Nosso principal objetivo é elaborar " PROTOCOLOS DE CONSENSO " das estratégias terapêuticas, com a finalidade de " REGULAMENTAÇÃO " no Conselho Federal de Medicina ou nos Conselhos de Classe Competentes.

Tema do Mês de Fevereiro de 2003

Estratégia terapêutica de indução de apoptose, de inibição da proliferação celular e de inibição da angiogênese com a oxidação intratumoral, provocada por nutrientes pro-oxidantes

Dr. Jose de Felippe Junior

Introdução | Radicais Livres | Cancer | Apoptose e Antiangiogênese | Bibliografia

Introdução


O câncer já foi vencido em culturas de tecido e em animais de experimentação, o próximo passo é vence-lo no homem.


O conhecimento da fisiologia e da bioquímica das espécies reativas tóxicas do oxigênio (ERTO) na saúde e nas doenças nos fez compreender melhor que tanto os mecanismos antioxidantes como os mecanismos oxidantes são importantes para o nosso organismo.
O sistema de defesa antioxidante protege as estruturas celulares da lesão oxidativa e já foi demonstrado por intermédio de estudos epidemiológicos uma diminuição da incidência de câncer , de doenças cardiovasculares e de outras condições dependentes dos radicais livres, em populações com um bom sistema de defesa antioxidante. Entretanto é através da geração de radicais livres que os mecanismos protetores do organismo promovem a fagocitose, a apoptose e as reações de desintoxicação.
A apoptose é um mecanismo que elimina células pré cancerosas , células cancerosas, células infectadas por vírus e todo tipo de células lesadas. A apoptose se caracteriza por condensação da cromatina nuclear, protrusões da membrana citoplasmática, inchaço mitocondrial , fragmentação do DNA e grande diminuição do volume celular, fatores estes que culminam na morte da célula.
É o aumento intracelular da geração de radicais livres que induz a morte celular por apoptose e consequentemente a inibição do crescimento tumoral. O excesso de antioxidantes é prejudicial, pois, diminuí a geração de radicais livres e provoca inibição da apoptose com a parada da eliminação das células malignas ou lesadas.
A população humana apresenta grande diversidade genética e portanto é grande a variação dos seus parâmetros bioquímicos. Desta forma teremos de um lado da curva de Gauss pessoas com um baixo nível de radicais livres ( sistema endógeno de defesa antioxidante eficaz ) e de outro lado pessoas com elevados níveis de radicais livres (sistema endógeno de defesa antioxidante não eficaz) .Entre os dois extremos teremos pessoas com níveis intermediários de produção de radicais livres.
As pessoas com sistema endógeno de defesa antioxidante não eficaz ( lado direito da curva de Gauss ), estarão mais sujeitas às doenças provocadas pelas ERTO e são aquelas que se beneficiam com o uso de antioxidantes. Entretanto são pessoas mais propensas a desenvolver câncer , via lesão de DNA. O uso terapêutico de antioxidantes diminuirá a incidência do câncer e de outras doenças relacionadas ao excesso de radicais livres.
As pessoas com sistema endógeno de defesa antioxidante muito eficaz ( lado esquerdo da curva de Gauss ) , apresentam baixos níveis de radicais livres e também são mais propensas ao câncer e à infecção, porque o mecanismo de morte celular por apoptose e o mecanismo de fagocitose estão prejudicados , pela diminuição de geração dos radicais livres. O uso de antioxidantes aumentará ainda mais a incidência de câncer por abolir a apoptose e aumentará a incidência de infecções por abolir a fagocitose.

 

 

Breve Revisão das Funções Fisiológicas dos Radicais Livres


Oxidantes e Antioxidantes

De todo oxigênio disponível pela célula, 95% se transforma em energia e 5 % se transforma em espécies reativas tóxicas de oxigênio: radical superóxido (O2*), peróxido de hidrogênio (H2O2 ) e radical hidroxila ( OH *). A produção desses elementos é contínua e ininterrupta .
A geração de radicais livres se faz em vários locais. No mitocondria eles são gerados pela liberação de elétrons da cadeia respiratória com redução das moléculas de oxigênio para radical superóxido. O superóxido é transformado em peróxido de hidrogênio pela SOD Mn e a SOD CuZn. O H2O2 é menos reativo que o radical superóxido , porém quando ele reage com metais de transição como o ferro e o cobre, forma-se o radical hidroxila, o mais reativo de todos os radicais livres (reação de Fenton). Outro local de geração de radicais livres é o retículo endoplasmático, via citocromo P-450, onde são produzidos radicais superóxidos para metabolizar substâncias hidrofóbicas para se proceder a desintoxicação de tais elementos. Outro importante local de produção das ERTO são os macrofagos e outros fagocitos , os quais geram radical superoxido, peróxido de hidrogênio e radical hidroxila para matar microorganismos e células cancerosas.
Além das espécies reativas tóxicas de oxigênio o organismo gera as espécies reativas tóxicas de nitrogênio: oxido nítrico ( NO*) , dióxido de nitrogênio (NO2*) e peroxinitrito (ONOO*).
As ERTO são capazes de lesar o DNA nuclear e provocar o fenômeno da inicialização do câncer, também conhecido como fase inicial do processo de carcinogênese. Outra estrutura muito sensível à oxidação é a membrana celular no fenômeno denominado de peroxidação lipídica e quanto maior a quantidade de ácidos graxos poli insaturados presentes na membrana , maior é a susceptibilidade desta estrutura à oxidação. O aumento da geração de radicais livres está implicada em vários tipos de moléstias como: câncer, aterosclerose, angina pectoris, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, catarata, degeneração macular senil , diabetes, artropatias, doenças auto imunes, etc
O organismo dos mamíferos possuí um potente sistema de defesa anti oxidante para proteger as estruturas celulares do excesso de geração de radicais livres. O sistema endógeno de defesa é constituído pelas enzimas, superoxido dismutase cobre/zinco ( SOD CuZn ) situada no citoplasma, pela superoxido dismutase manganês ( SOD Mn), situada no mitocontria , pela glutationa peroxidase ( dependente de selênio ) e a catalase ( dependente de ferro ). Também fazem parte do sistema endógeno antioxidante a importantíssima glutationa: tripeptídeo formado pela glutamina, cisteina e glicina. Outros antioxidantes endógenos são o ácido úrico, a albumina e o ubiquinol. As metalotioneinas, a ferritina, a transferrina e a ceruloplasmina se ligam aos metais de transição , aqueles que possuem número de elétrons variável na camada de valência e que são capazes de catalizar a formação do radical hidroxila pela reação de Fenton. Outras substâncias também possuem efeito protetor , como a vitamina C ( ácido ascórbico) , principal antioxidante dos líquidos corporais e a vitamina E ( acetato de alfa tocoferol) ,principal antioxidante de membrana.
O sistema antioxidante endógeno, apesar de muito poderoso não remove completamente os radicais livres gerados pelas células dos mamíferos e este fato é de fundamental importância, pois, os radicais livres desempenham muitas funções biológicas benéficas no organismo.

Funções Benéficas dos Radicais Livres

A geração de espécies reativas tóxicas de oxigênio ( ERTO ) é essencial em inúmeras reações bioquímicas necessárias para a síntese de prostaglandinas, oxidação das xantinas, hidroxilação da lisina e da prolina , etc. É através dos radicais livres que o organismo procede à fagocitose, às reações de desintoxicação e a remoção de células cancerosas por apoptose.
A geração de radicais livres é essencial para a indução da apoptose , mecanismo necessário para eliminar as células malignas e cessar o crescimento tumoral. A apoptose acontece numa sequência em cadeia envolvendo vários tipos de mediadores , a maioria deles necessitando dos radicais livres para serem ativados.
A mitocondria desempenha papel fundamental na apoptose. O estresse oxidativo promove acúmulo da proteina p53 a qual provoca na mitocondria a ativação da cascata das caspases, que digerem uma série de proteinas chaves e ativam a deoxiribonuclease. A deoxiribonuclease digere o DNA e provoca a morte da célula por apoptose.
O excesso de antioxidantes pode inibir esse importante mecanismo de defesa contra o câncer. Salganik , mostrou que o acetato de alfa tocoferol inibe a geração de radicais livres em células do câncer de mama humano e consequentemente inibe a apoptose induzida por um sistema gerador oxidante. Muito importante é o trabalho de Labriola, mostrando que os antioxidantes exógenos podem inibir a atividade terapêutica de drogas anticâncer nos seres humanos .
A concentração de radicais livres dentro da célula cancerosa pode se elevar ou por aumento da geração de radicais livres ou por diminuição da defesa antioxidante.
Salganik provocou aumento das ERTO em ratos com tumor cerebral com uma dieta deficiente em antioxidantes e observou dramático aumento da morte celular tumoral por apoptose. Muito importante foi a constatação que o aumento das ERTO não provocou apoptose das células normais. Este autor conseguiu resultados semelhantes em tumor de mama de camundongo, usando a mesma metodologia. Por outro lado o aumento da geração de radicais livres empregando o succinato de alfa tocoferil ( radical livre obtido a partir do tocoferol) também induziu apoptose em células malignas e diminuiu o índice de mitose em vários tipos de células malignas humanas.

 


Particularidades do Cancer


A habilidade das células eucarióticas de proliferar é controlada por uma complexa rede de eventos bioquímicos, coletivamente conhecido como ciclo celular. O ponto principal de controle neste processo é a transição da fase G1 para a fase S e é caracterizada pela fosforilação da proteina retinoblastoma (RBp : produto do gene retinoblastoma). A fosforilação da RBp é catalisada pelo complexo D1-cdk4-ciclina. A célula que passa por esse ponto principal se coloca em condições de replicar o seu genoma e completar o seu ciclo proliferativo.
Quando o potencial redox é alto ,as células estão em estágio quiescente. Quando o potencial redox é alto, isto é, quando o meio é oxidante se formam pontes S-S de disulfeto (por ex: GS-SG). Estas pontes estabilizam a estrutura tridimensional das proteinas e nestas condições a proteina retinoblastoma ( RBp ) está defosforilada e portanto não ocorre a transcrição necessária para o avanço do ciclo celular e as células continuam no estado quiescente, sem proliferação.
Quando o potencial redox é baixo, as células estão em estágio de proliferação. Quando o potencial redox é baixo, isto é, quando o meio é redutor as pontes S-S de disulfeto se rompem formando pontes SH (por ex: GSH). O rompimento destas pontes permitem que a proteina retinoblastoma ( RBp ) seja fosforilada e libere os fatores de transcrição que permitem às células entrarem na fase S do ciclo celular e se manterem em proliferação.
Se o ambiente intracelular permanecer com o potencial redox alto ( meio oxidante ) consegue-se bloquear a proliferação celular e a célula pode entrar na fase G0 ou sofrer citotoxicidade ou entrar em apoptose. A célula cancerosa requer apenas um leve aumento do potencial redox para ser induzida a parar a proliferação, entretanto este leve aumento deve ser contínuo e ininterrupto até acontecer a apoptose, porque se houver queda do potencial redox, restaura-se a fosforilação da RBp e a célula volta a proliferar. Em contraste com as células cancerosas, as células normais requerem aumento muito grande do potencial redox para cessarem a proliferação o que torna este tipo de estratégia muito segura e com baixa probabilidade de provocar efeitos colaterais indesejáveis.
Corroborando com esses fatos, estão vários autores que têm mostrado que as células tumorais em ativo estado de proliferação apresentam altos níveis citoplasmático e mitocondrial de GSH. Sabe-se também a muito tempo que tumores com elevados níveis de GSH intracelular são muito resistentes à quimioterapia e à radioterapia.
Qualquer que seja a substância que aumente a oxidação intracelular , se ela provocar a queda do GSH , ela também induzirá a parada da proliferação celular e apoptose.
O aumento do potencial redox também provoca inibição da PTPase ( proteina-tirosina-quinase) e a inativação do cdK1 o qual induz à parada da mitose e apoptose.
Os tumores sólidos criam um micro ambiente para seu crescimento , caracterizado por hipóxia, aumento da glicólise anaeróbia e um alto nível intracelular de ácido ascórbico. ( in:Vellio Bocci ). Algumas linhagens possuem quantidades relativamente elevadas de vitamina E, um potente antioxidante que juntamente com o metabolismo anaeróbio e a baixa produção de oxigênio fazem com que o equilíbrio do potencial redox tenda para o lado da protetora antioxidação e consequente aumento da proliferação maligna . Outras linhagens possuem quantidades relativamente baixas de superoxido dismutase (SOD) e metabolismo aeróbio. Nos dois tipos de células tumorais, isto é , maior metabolismo aeróbio ou anaeróbio , qualquer que seja o método que aumente a geração de radicais livres e que consiga romper o equilíbrio para tornar o meio intracelular oxidante sempre vai provocar a morte da célula cancerosa por apoptose .
A hipóxia não atrapalha a célula cancerosa , pelo contrário, é um fator regulador chave do crescimento tumoral. As células em hipóxia iniciam uma variedade de respostas biológicas como a ativação de vias de sinalização que regulam a proliferação celular e a neoformação de vasos que vão nutrir o tumor (angiogênese) sendo assim capazes de sobreviver e proliferar. O aumento da geração de radicais livres rompendo o equilíbrio para o lado oxidante provoca a antiangiogênese , isto é , inibição da neoformação dos vasos intratumorais, o que provoca inibição do crescimento do tumor por falta de aporte sangüíneo.
A seguir veremos extensa literatura retirada de revistas médicas conceituadas e de excelente nível científico , mostrando que o câncer já foi vencido em culturas de tecidos e nos animais de experimentação. Falta apenas um pequeno passo para conseguirmos transpor os conhecimentos adquiridos para o tratamento do câncer em humanos.
Vamos mostrar a indução de apoptose, de parada da proliferação celular maligna e da produção de antiangiogênese com os seguintes nutrientes pro oxidantes: ácidos graxos poli insaturados, vanádio, selênio, vitamina B12, vitamina K, vitamina D e o cobre.

 


Indução de Apoptose e Parada da Proliferação e Antiangiogênese em Células do Câncer Humano


1- Efeito dos ácidos graxos poli insaturados no câncer
2- Efeito do vanádio no câncer
3- Efeito do selênio no câncer
4- Efeito da vitamina B12 ( hidroxicobalamina) no câncer
5- Efeito da vitamina K no câncer
6- Efeito da vitamina D no câncer
7- Efeito da deficiência de cobre no câncer

 


Bibliografia


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Dr. Jose de Felippe Junior


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