Nosso principal objetivo é elaborar " PROTOCOLOS DE CONSENSO " das estratégias terapêuticas, com a finalidade de " REGULAMENTAÇÃO " no Conselho Federal de Medicina ou nos Conselhos de Classe Competentes.

Tema do Mês de Janeiro de 2004

O controle do câncer com um método muito simples e não dispendioso : provocar a hiperpolarização celular com dieta pobre em sódio e rica em potássio. Evidências clínicas e experimentais
Dr. José de Felippe Junior

Considerações| Observações | Implicações | Bibliografia


Consirerações teóricas sobre o potencial transmembrana

A evolução durou milhões de anos. No início havia átomos, depois moléculas boiando em uma verdadeira sopa de nutrientes , sob a influência de uma salada de campos eletromagnéticos fornecedores de energia e de informação. Quando os campos eletromagnéticos forneceram as informações certas, demos o grande salto e nos tornamos seres unicelulares. Nós vivíamos dispersos na água do mar, em um meio adverso, rarefeito em oxigênio e o nosso metabolismo era anaeróbio e gerava pouca energia.

Quando a atmosfera começou a se enriquecer de uma forma gradativa e constante de oxigênio, começamos a desenvolver mecanismos que nos tornariam dependentes do oxigênio para viver e neste momento começamos também a desenvolver mecanismos para dele nos defender. Foi assim que surgiu o metabolismo dependente do oxigênio , de alta produção de energia, o metabolismo aeróbio , uma das razões da nossa sobrevivência e sucesso no planeta. Foi nesta época que surgiram as defesas anti radicais livres, para dar conta dos elétrons que escapavam do metabolismo de alta energia.

A importância do ferro na troca de elétrons nos fez desenvolver mecanismos muito eficientes de absorção, porém, não apareceu até hoje na evolução , o modo de como dele se livrar. Isto , de um lado é bom, pois nos mantém com quantidades suficientes de um dos principais elementos envolvidos na produção de energia , porém , também nos deixa à mercê do seu excesso : aumento da geração de radicais livres com aumento de lesão dos componentes celulares: membrana, enzimas, DNA, mitocôndria, etc..

O meio ambiente era o oceano, rico em sódio, e nada mais econômico para a sobrevivência da espécie, do que usa-lo para a multiplicação celular. Se acreditarmos que a vida originada como replicação unicelular ocorreu dentro do oceano, onde o Na+ era o cation mais abundante, seria uma situação de alto valor evolutivo e de sobrevivência se a divisão e a multiplicação celular fossem estimuladas positivamente pelo onipresente Na+ e o associado baixo K+ . Foi assim que desenvolvemos mecanismos de síntese de DNA dependentes do sódio. De fato muitos trabalhos demonstram que o aumento do sódio intracelular age diretamente sobre enzimas intranucleares iniciando a síntese de DNA , o que acarreta o processo de multiplicação celular : mitose.

Desta forma surgiu outro grande salto na evolução: a formação dos seres pluricelulares; sempre sob a influência das substâncias químicas nutrientes e dos campos eletromagnéticos informacionais, isto é sob a influência de matéria e energia.

Os seres pluricelulares mantiveram o ambiente que banhava os seres unicelulares praticamente igual e assim o meio intersticial das nossas células ficou muito parecido com o do oceano : rico em sódio e pobre em potássio.

Neste ínterim foi crucial desenvolver mecanismos de controle da multiplicação celular e aí surgiu a bomba de sódio/ potássio capaz de manter o sódio ativamente fora da célula, para regular a mitose. Com o uso de muita energia para fazer funcionar esta bomba , as células mantém o meio intracelular pobre em sódio e rico em potássio, o que constitui um dos mecanismos principais de regulação do potencial transmembrana e consequentemente um dos mecanismos mais importantes de controle da multiplicação celular.

A membrana citoplasmática desempenhou papel primordial na evolução ,pois é ela que mantém os gradientes de concentração dos eletrólitos e portanto do potencial transmembrana. A membrana que envolve as mitocondrias reveste-se do mesmo valor, pois mantém os gradientes dos substratos e eletrólitos necessários ao metabolismo aeróbio de alta energia.

De fundamental importância é o fato já demonstrado por alguns pesquisadores sobre a relação entre o potencial transmembrana e a proliferação celular. Guidon e Woodland, Albert Szent- Gyorgi , Clarence Cone e outros mostraram que a queda do potencial transmembrana a níveis inferiores a -15 milivolts , desencadeia a síntese de DNA e dispara a multiplicação celular : mitose. Normalmente o potencial transmembrana das células está ao redor de - 20 a –90mv: células beta do pâncreas: -20mv, células gástricas:-50mv, células hepáticas:-60mv, neuronios:-70mv, células do músculo esquelético: -90mv e fibras miocárdicas:-90 mv.

Cone foi capaz de induzir a síntese de DNA e a consequente mitose em células que normalmente não se dividem. De fato , este brilhante pesquisador conseguiu induzir mitose em neurônios completamente diferenciados do sistema nervoso central , ao provocar despolarização artificial sustentada em meio de cultura (potencial transmembrana : -10mv), demonstrando a enorme importância deste mecanismo de disparo da proliferação celular.

Foi por intermédio da aquisição da capacidade de produzir grande quantidade controlada de energia (ATP) que conseguimos administrar a multiplicação celular desordenada , mantendo o potencial transmembrana em níveis superiores a –15mv. Foi também através do metabolismo aeróbio, com alta produção de energia que fabricamos tudo aquilo que necessitamos, na medida que dispomos dos combustíveis (carboidrato e gordura) e de matéria prima essencial (aminoácidos, sais minerais ,vitaminas e ácido linolenico).

De um modo geral, a presença dos 45 nutrientes essenciais no meio intracelular é condição para as células produzirem tudo que o organismo necessita, se houver ATP em quantidade adequada , não houver interferência de metais ou substâncias tóxicos e a célula for geneticamente capaz.

Para Conway a ingestão de uma dieta pobre em sódio e rica em potássio, diminui o sódio e aumenta o potássio dentro da célula e assim ativa a ATPase da bomba de sódio/potássio, aumenta a quantidade de ATP disponível e polariza a célula, restaurando o potencial transmembrana ao normal. Em outras palavras, diminui a entropia, isto é , aumenta o grau de ordem e informação ( célula saudável

A dieta rica em sódio, pelo contrário, aumenta o sódio dentro da célula, diminui o potencial transmembrana, diminui o metabolismo celular e despolariza a célula , isto é, aumenta a entropia e provoca diminuição do grau de ordem – informação no sistema aberto que é a célula , podendo desencadear a proliferação celular ( célula doente).

Desta maneira o sódio constitui-se no grande vilão da historia , e não pode ser considerado prejudicial somente na insuficiência cardíaca ou na hipertensão arterial. O sódio é prejudicial em outras doenças cardiovasculares como, angina pectoris, miocardites e cardiomiopatias, assim como em doenças como : artrite reumatóide, espondiloartrose, osteoporose, úlceras varicosas, herpes, lupus eritematoso, câncer , etc.

Considera-se ideal do ponto de vista termodinâmico, um sódio plasmático de 136-137 mEq/l e não 136 a 146 mEq/l como reza a literatura médica ortodoxa. O ideal do potássio é de 4,8 a 5 mEq/l e do magnésio, 2,2 a 2,4mEq/l.

Quanto ao câncer, os estudos de Damadian e Cope, demonstraram aumento de sódio e diminuição de potássio intracelular em vários tipos de células cancerosas. Também observaram diminuição da produção de ATP.

Goldsmith e Damadian em 1975, estudando a ressonância do sódio-23 em quatro tipos de células cancerosas e seis tipos de células normais, constataram maior quantidade de sódio nas células cancerosas quando comparadas com as células normais correspondentes.

Soddi Pallares, cita o trabalho de Avioli e Raisz de 1980: “Quando o metabolismo celular está alto ( potencial transmembrana elevado, célula altamente polarizada), o meio intracelular é rico em magnésio, potássio e ATP. Quando o metabolismo está baixo (potencial transmembrana diminuído, célula despolarizada), o meio intracelular é rico em cálcio e sódio e pobre em ATP".

Para Calva, a solução polarizante ( GKI : glicose, potássio e insulina) aumenta a produção de ATP em grande número de células, incluindo as células cancerosas.

Para Soddi Pallares os campos magnéticos pulsáteis também aumentam a produção de ATP.

Os três elementos acima, dieta pobre em sal, solução polarizante e campo magnético pulsátil, tem sido empregados por Sodi Pallares no México, com grande sucesso , em patologias muito diferentes como: miocardiopatia dilatada, artrite reumatóide, espondiloartrose, osteoporose, herpes zoster, úlceras varicosas e câncer.

Em 1970, Clarence Cone discorre sobre vários trabalhos científicos que referenciam o potencial transmembrana como mecanismo básico de controle da mitose.

De fato , uma série de observações experimentais indica que existe uma correlação significante entre o nível da diferença de potencial elétrico transmembrana ( Em) das células somáticas e o grau de atividade mitótica.

Nos seres vivos , a grande maioria das células somáticas maduras estão no período G1 do ciclo celular e devem primeiro passar pelo período S para sintetizar DNA , para somente em seguida entrarem em mitose. ( Baserga,1965).

A permanência das células no período G1 é mantida pela homeostase mitótica natural, possivelmente por bloqueios reversíveis de uma ou mais vias de síntese de DNA.. Tais bloqueios são liberados quando a proliferação celular é necessária para o crescimento ou reposição das células mortas.

A compreensão da natureza destes bloqueios e da liberação dos mecanismos de controle é de fundamental importância nos fenômenos biológicos que envolvem o equilíbrio e a regulação da mitose: morfogênese, desenvolvimento, cicatrização de feridas, regeneração, senescência e câncer.

 

 

Observações que sugerem a relação entre o nível do potencial transmembrana ( Em ) e a atividade mitótica.


Compreende-se muito bem que a presença do alto grau de polarização das células nervosas e musculares proporciona a grande excitabilidade de suas membranas e portanto se relaciona com a função destas células. Entretanto fica difícil entender o por quê da existência de polarização em todas as células somáticas. Assim parece razoável suspeitar que uma vez que a contínua e precisa manutenção da homeostase mitótica é imperativa em todass células somáticas e o potencial de membrana onipresente de tais células pode de alguma maneira estar funcionalmente relacionado com o controle mitótico.

Entre as células somáticas , as células nervosas e as musculares possuem um Em extremamente alto ( o potencial de membrana é alto em valores absolutos , a célula está muito polarizada, mais negativa ) na interfase e característicamente tais células exibem um grau extremamente baixo de atividade mitótica ( Weiss,1956). Esta quiescência mitótica tem sido atribuída simplesmente ao fato destas células serem “altamente diferenciadas” , porém é a manutenção do potencial transmembrana muito elevado que acarreta a quase ausência de atividade mitótica.

Um exemplo comum da correlação entre o potencial de membrana e a atividade mitótica, é visto nas culturas de células “in vitro” . Durante a adaptação das células somáticas das condições “in vivo” para o crescimento “in vitro” , observa-se uma pronunciada diminuição do nível do Em ( potencial de membrana menor em valores absolutos, célula mais despolarizada, menos negativa) que é acompanhada pelo início da proliferação ativa destas células.

O Em das células somáticas maduras ( fígado, pulmão, tecido conetivo) na interfase G1, “ in vivo ” , geralmente se encontra na faixa dos –40 a –50mv e a atividade mitótica é muito baixa . Quando se coloca tais células em meio de cultura o Em cai para –10mv e as células apresentam uma proliferação mitótica contínua, ininterrupta e assim permanecem, enquanto perdurar o nível baixo de Em.

A característica diminuição do nível de Em em G1, parece ser um fenômeno geral que ocorre nos mais diferentes tipos de células e demonstra que um valor baixo de Em ( menor que –15mv ) está associado com uma proliferação celular muito ativa.

Desta forma, a habilidade das células passarem de um estado de alto Em (-50 a -90mv ) com relativa quiescência mitótica, para um estado de baixo Em ( menor que –15mv ) com alta atividade mitótica, sob a imposição de um estímulo apropriado, é também demonstrado pela adaptação à cultura “in vitro”, nas palavras de Clarence Cone. No caso de células normais , o processo adaptativo é reversível.

Outro fato interessante: as células em cultura capazes de manter seu Em original que apresentavam “in vivo” , após a explantação e manutenção “in vitro” , não aumentam sua proliferação, mantendo a mesma atividade mitótica que mantinham “in vivo”. Neurônios maduros e mantidos por meses “in vitro” permanecem com um Em constante de –70mv em uma total ausência de mitose. Entretanto , se provocarmos a diminuição do Em para níveis inferiores a –10mv , tais neurônios começam a se proliferar.

Para Gurdon e Woodland ( 1968), o nível de Em associado com a reativação nuclear e consequente proliferação celular mitótica está entre –10 e –20mv.

Clarence nos alerta para outro exemplo significante de correlação entre o nível de Em e a atividade mitótica. É a observação sistemática de uma pronunciada despolarização celular que acompanha a transformação maligna das células somáticas “in vivo” . Os dados disponíveis sugerem que uma das características básicas da transformação maligna , é a diminuição sustentada do nível de Em em relação à célula homologa normal, sem câncer ( Shaefer,1956; Tokuoka,1956; John-Stone,1959 ) e esta diminuição é acompanhada pelo grande aumento da atividade proliferativa característico do estado maligno.

Outra semelhança entre a adaptação “in vitro” e a transformação maligna “in vivo” é que durante a adaptação das células normais em cultura ocorrre dissociação do tecido original em células individuais com alteração molecular da superfície celular ( 3) . Na transformação maligna a primeira alteração que acontece é a diminuição de adesividade das membranas transformadas ( Coman,1944) , levando à invasão vizinha e às metastases.

As semelhanças apresentadas sugerem que o fator primário que mudou nos dois casos , foi a natureza funcional e molecular da superfície celular e na teoria convencional de membrana, a superfície celular é que desempenha um íntimo papel na determinação do nível de Em e de suas variações. Deste modo , é possível que os mesmos tipos de alterações de superfície que levaram à invasão e às metastases das células malignas , sejam também a fonte do diminuído Em e da ativa proliferação mitótica maligna destas células.

A maioria das células somáticas “in vivo” aparentemente , mantém níveis intermediários de Em ( -30 a –60mv ) e também mantém níveis intermediários de proliferação celular, reforçando a possibilidade que a relação entre o valor do Em e o grau de atividade mitótica , realmente existe.

Sabemos que existem níveis de Em abaixo dos quais a mitose está completamente liberada e níveis de Em acima dos quais a mitose está completamente bloqueada . Isto nos mostra mais um dos caminhos que devemos trilhar para a completa erradicação das células malignas. Se atacarmos as células malditas de todos os lados e nos seus pontos fracos aniquilaremos esse bando de psicopatas completamente. Nada deve sobrar sobrar para ganharmos a guerra.

De fato , Cone e Tongier, demonstraram que provocando condições iônicas intracelular para atingir um Em de –70 mv ( equivalente às células nervosas que não se dividem ) bloqueia-se reversivelmente “in vitro” a síntese de DNA e consequentemente da mitose .

O potencial transmembrana - Em - é simplesmente a conseqüência do equilíbrio da concentração iônica através da membrana da célula, provocada por transporte ativo e pela permeabilidade diferente da membrana a vários tipos de ions. O Em representa o equilíbrio iônico entre o intra e o extra celular.

A membrana celular possuí uma baixa condutividade ou uma baixa permeabilidade ao Na+. Assim o Na+ é ativamente transportado para fora das células, o [Na+]i ( sódio intracelular) diminui e o Em se eleva numericamente , torna-se mais negayivo e a célula mais polarizada. Simultâneamente o K+ entra e o cloreto sai da célula movidos passivamente pelo gradiente eletroquímico. Ambos movimentos diminuem o Em , gerado inicialmente pela saida do Na+ do intracelular. No final se alcança o “steady state” onde o influxo de Na+ (passivo) se iguala exatamente ao seu efluxo ( ativo) , e o K+ e o cloreto ( Cl-) se equilibram passivamente.

Nestas condiçòes, quanto maior o efluxo de Na+ , menor será o sódio intraceleular, maior será o potássio intracelular e a célula ficará mais polarizada ( maior nível numérico de Em).

Uma vez que o Na+ é o cation inorgânico mais abundante no fluido intersticial dos mamíferos e o K+ é o segundo catiom mais abundante , é razoável esperar que ambos desempenhem o papel principal na geração do Em na maioria das células somáticas, bem como nas células musculares e nervosas.

Altos valores de [K+]i / [Na+]i e baixo conteúdo intracelular de ions inorgânicos , produz altos valores de Em , maior polarização, parada de proliferação celular.

Vários trabalhos mostram que a concentração absoluta de Na+ no intracelular exerce controle definitivo sobre a síntese de DNA e consequentemente da proliferação celular.

A equação básica de Nernst ,aplicável muito bem a ions livres em solução, nos fornece uma idéia aproximada do que ocorre nas células. Assim, o estado termodinâmico celular pode ser determinado pela distribuição do sódio e potássio através da membrana celular.

Delta G* K , Na = - RT logn Ki / Ke / Nai/Nae

Delta G* = energia livre

Se a relação for normal , obtém-se 4000 calorias por mol de glicose.

Também se obtém energia livre para realizar trabalho, em função das relações entre o Ca++ e o Na+ e entre o Mg++ e o Na+.

Controle do Potencial de Membrana – Em

Considerando-se a teoria clássica do potencial de membrana, os dois elementos chaves envolvidos na geração do Em são o gNa, a condutividade passiva do Na+ pela membrana celular e o J*Na, o transporte ativo do Na+ para fora da célula. Existe um mecanismo de feedback envolvendo o regime iônico e osmótico intracelular, que regula o potencial transmembrana.

Em alto induz a formação de polímeros de superfície os quais ajudam a manter o Em elevado.

O circuito de fedback :

gNa / J*Na --> Em ---> metabolismo dos polímeros ----> gNa / J*Na

de superfície

constitui-se em mecanismo eficaz de regulação da mitose.

J*Na : depende do metabolismo aeróbio , de alta energia

A mitocondria é muito sensível a alterações iônicas e osmóticas e nas células somáticas responde à diminuição do Em com uma direta diminuição da produção de energia que afeta o transporte ativo e provoca uma maior queda do Em ou a sua manutenção em nível baixo.

Warburg em 1924, observou a produção glicolítica de ATP como característica das células malignas. A existência deste metabolismo anaeróbio de baixa energia , é devido à diminuição dos níveis de Em da célula maligna e ajuda a manter e a estabilizar a diminuição do Em , através da diminuição da energia disponível para o transporte ativo do Na+ para fora do meio intracelular.

Fatores químicos, físicos e agentes virais que alteram os polímeros de superfície, podem afetar também a superfície da membrana mitocondrial, diminuindo a fosforilação oxidativa , o transporte ativo e consequentemente o Em , podendo disparar a proliferação celular.

Resumindo:

O potencial de membrana - Em - , depende do meio iônico e osmótico intracelular o qual influencia vias metabólicas, especificamentre ligadas à :

  • Síntese de DNA e preparação mitótica
  • Síntese dos polímeros de superfície
  • Energia celular

Diminuição do Em provoca:

  • Aumento da síntese de DNA e liberação da mitose
  • Diminuição da síntese de polímeros de superfície com aumento de gNa , aumento da entrada de Na+ no intracelular : mantém o Em baixo
  • Diminuição da energia celular por diminuição da fosforilação oxidativa mitocondrial , diminuição do J*Na, diminuição do efluxo de Na+: mantém o Em baixo
  • e 3 : mantém o Em baixo e libera a proliferação celular: bloqueia a mitose

Aumento do Em provoca :

  • Diminuição da síntese de DNA com bloqueio da mitose
  • Aumento da síntese dos polímeros de superfície com diminuição do gNa, diminuição do Na+ intracelular: mantém o Em alto
  • Aumento da energia celular por aumento da fosforilação oxidativa mitocondrial, aumento do J*Na, aumento do efluxo de Na+ : mantém o Em alto
  • e 3 : mantém o Em alto e bloqueia a proliferação celular : bloqueia a mitose

Outros trabalhos mostrando que a diminuição do Em provoca aumento da mitose

a- Estimulação mitótica por aumento do Na+. Cone em 1969, observou estimulação mitótica por aumento do sódio em células em meio de cultura. De fato, o excesso de sódio no meio de cultura provoca aumento do sódio intracelular com a consequente diminuição do Em e um efeito estimulante sobre a atividade mitótica , proliferação celular.

Gaulden em 1956, mostrou que em culturas com tonicidade (pressão osmótica) consideravelmente acima do normal, obtida por concentração elevada de sais, particularmente o NaCl , aumenta a síntese de DNA e diminui o tempo de interfase de neuroblastos.

Em alguns tipos de células é a diminuição do potássio intracelular e não o aumento do sódio, o agente estimulante da proliferação celular ( mitose).

b- Estimulação mitótica por alteração da superfície celular. A tripsina digere as proteinas de superfície nas culturas de células, diminui o Em e estimula a mitose.

c- Bloqueio mitótico por alteração da superfície celular. Os mucopolissacarídeos (glicosaminoglicanos) e compostos relacionados são os constituintes da superfície celular e estes polímeros também fazem parte da matrix intercelular. Eles estão intimamente envolvidos no mecanismo de geração e regulação do Em ( Katchalsky,1964 ).

Existem evidências que estes polímeros naturais influenciam as propriedades elétricas das células excitáveis, possivelmente por sua ação em superfície. Por exemplo a heparina é capaz de induzir parada cardíaca por provocar hiperpolarização miocárdica ( Regelson e Holland,1958). Assim a heparina e outros polissacarídeos são também potentes inibidores da divisão celular ( Regelson,1968 ; Lippman,1955 ).

 

 

Implicações Evolucionais

O sódio é o ion transportado ativamente e que desempenha papel central na mitogênese,porém o potássio intracelular e a relação potássio intracelular / sódio intracelular

também é muito importante. Em alguns sistemas de células que não se dividem , é o potássio o principal ion transportado ativamente ( Tolteson, 1963).

O cálcio , para alguns autores também é um ion chave na mitogênese. O Ca++ desempenha um papel essencial influenciando a permeabilidade da membrana ao Na+ alterando assim o potencial de membrana.

Clarence Cone crê , que do ponto de vista evolutivo é lógico esperar que o Na+ desempenhe o papel central na mitogênese.

Se acreditarmos que a vida originada como replicação unicelular dentro dos oceanos , onde o Na+ era o cation em maior abundância, seria uma situação de alto valor evolutivo e de sobrevivência, se a divisão e a multiplicação de tais entidades fossem estimuladas positivamente pelo onipresente Na+ e o associado baixo K+. Nestas condições de células livres, o potencial de membrana seria baixo , como acontece nas células somáticas em cultura, o Na+ intracelular seria relativamente alto e o K+ correspondentemente baixo, com a consequente estimulação da síntese de DNA e a divisão celular mitótica ( proliferação celular).

Quando estas entidades primitivas se diferenciaram e tornou-se possível a agregação funcional em formas multicelulares, tornou-se necessário um processo de controle mitótico. Consequentemente a especialização da superfície celular requerida para a formação de funções específicas de agregação, acompanhou-se da habilidade de gerar níveis substanciais de Em por transporte ativo de Na+ e assim regular o sódio intracelular e a divisão celular.

Desta maneira os organismos multicelulares desenvolveram a habilidade de controlar sua atividade mitótica, enquanto mantinham no extracelular o meio do modo como existia durante a evolução morfologica e metabolica da célula original nas águas do mar.

As variações do potencial de membrana não é o único mecanismo somático de controle da mitose e na verdade muitos fatores físicos e químicos podem induzir ou suprimir a mitose. Entretanto nas condições naturais das células somáticas, é o nível do Em que regula a atividade mitótica e em muitos casos a atividade de agentes naturais ( ex. hormônios, cicatrização) e agentes patológicos ( carcinogênicos químicos ou virais) realmente agem influenciando direta ou indiretamente o nível do potencial de membrana - Em .

Em seu livro , " Lo Que He Descubierto En El Tejido Canceroso " o Prof. Demetrio Sodi Pallares , descreve muitos pacientes com câncer de vários locais do organismo que se beneficiaram com a dieta pobre em sódio e rica em potássio.

Estratégia prática anti câncer:

  • Dieta pobre em sódio e rica em potássio
  • Dieta pobre em sal ( cloreto de sódio) e rica em frutas e verduras
  • Dieta de Sodi- Pallares. Vide : "Biblioteca de Doenças"
  • Solução polarizante de Sodi-Pallares

 

 

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Dr. José de Felippe Junior

 

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