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José de Felippe Junior
“Nada é pequeno para quem não tem a alma pequena”
Fernando Pessoa
“O médico cresce no coração e o fundamento mais valioso de sua arte de curar é o amor”
Paracelso
Os fatores de crescimento são necessários para o desenvolvimento e a regulação dos tecidos normais. O mais importante deles o IGF-I é considerado um dos principais fatores de sobrevivência celular adquirido nos milhões de anos de evolução, porque ele aumenta a proliferação celular mitótica e bloqueia a apoptose (Frysty – 2004 , Ibrahim - 2004).
São clássicos os conhecimentos sobre o hormônio do crescimento, GH. Ele é produzido na hipófise e depois de transformado em IGF-I pelo fígado age nos tecidos periféricos. É o lado endócrino do IGF-I, de acordo com a hipótese da somatomedina. Entretanto, a produção de IGF-I não se limita ao fígado, pois ele pode ser produzido localmente. É o lado autócrino e parácrino deste peptídeo (Sjogren – 1999 , Yakar – 1999).
O sistema GH/IGF( Growth Hormone/ Insulin-Like Growth Factor ) desempenha papel crucial na carcinogênese. Evidencias experimentais em abundância mostram que este sistema controla várias vias de sinalização independentes que culminam no aparecimento e manutenção dos mais variados tipos de câncer, incluindo os mais comuns, tais como: câncer de mama, de próstata, de pulmão e colo-retal.
O sistema GH/IGF promove a progressão do ciclo celular (mitose), previne a execução da apoptose, facilita a angiogênese tumoral, induz a invasão tumoral, assiste os oncogenes na transformação de células benignas em malignas, dificulta a diferenciação celular e provoca resistência ao tratamento habitual anticâncer.
O sistema GH/IGF compreende uma família de componentes: o peptídeo GH ; dois peptídeos efetores o IGF-I e o IGF-II ; dois receptores de membrana o IGF-IR e o IGF-IIR e seis proteínas que se ligam e transportam os IGFs, as IGF-BP de 1 a 6 (IGF-Binding Proteins). Os mais importantes da família são o IGF-I, o IGF-IR e o IGFBP-3. Cerca de 90% dos IGFs circulantes estão ligados ao IGFBP-3.
Na maioria das células as ações do IGF-I são mediadas pelo seu receptor IGF-IR, que está expresso em todos os tipos de células com exceção dos hepatocitos e dos linfocitos T (Werner – 1991 , Baserga – 1998).
Evidências relacionando o Sistema GH/IGF com o Câncer
Há mais de 50 anos observações clínicas indiretas mostravam que mulheres com câncer de mama submetidas a hipofisectomia (diminuição do eixo GH/IGF endócrino) apresentavam melhor prognóstico, o qual melhorava ainda mais com a ooforectomia (diminuição de estrogênio).
Outra evidência clínica do papel do IGF-I no desenvolvimento do câncer é que os pacientes com acromegalia (maior produção de GH pela hipópfise e conseqüente maior produção de IGF-I pelo fígado) têm risco maior que a população em geral de apresentar vários tipos de câncer, especialmente o câncer colo-retal ( Cats – 1996 , Jenkins – 2000 , Jenkins – 2001 ).
Muito interessante é a constatação que as pessoas mais altas apresentam maior risco de contrair câncer. A explicação aceita é a seguinte: as pessoas que mais cresceram foram aquelas que apresentaram maiores concentrações de IGF-I e insulina na fase pré adulta, fatores responsáveis pelo desenvolvimento físico acelerado e pela alta estatura. Recente trabalho extenso de revisão apontou para a associação entre a estatura e o risco de câncer, sendo que as pessoas mais altas apresentam um risco de 20 a 60% maior de contrair câncer dos mais variados tipos (Gunnell – 2001). Giovannucci em 2004 também mostrou a mesma associação.
Não existe correlação entre o peso e a altura ao nascer com o sistema IGF-I ou com o aparecimento de câncer na fase adulta ( Johnsen – 2004).
Os IGFs e seus receptores estão envolvidos no desenvolvimento de vários tipos de câncer como : mama, próstata, pulmão, colo-retal, endométrio, osteosarcoma, neuroblastoma, pâncreas, ovário e testículo (Sullivan – 1995 , Torestsky – 1996 , Sachdev – 2001 , Moschos – 2002 , Dupont – 2003 ).
Trabalhos clínicos prospectivos indicam que indivíduos com altos níveis de IGF-I e níveis baixos ou normais de IGFBP-3 apresentam maior risco de contraírem câncer de mama, pulmão e colo-retal ( Hankinson – 1998 , Ma e Pollak – 1999 , Giovannucci – 1999 , Manousos – 1999) . Entretanto existem controvérsias, pois, enquanto que Ma e Pollak em 1999 verificaram que altos níveis séricos de IGF-I e baixos níveis de IGFBP-3 estão independentemente associados com maior risco de câncer colo-retal ; el Atiq e colaboradores em 1994 mostravam que o aumento de IGFBP-3 e não a sua diminuição é que estava associado com o maior risco de câncer colo-retal .
Na verdade, deve ter acontecido algum erro metodológico de el Atiq porque, recentemente mostrou-se sem sombras de dúvidas que o aumento do IGFBP-3 é anti-proliferativo e pró-apoptótico e consequentemente o seu aumento acarreta diminuição do risco de desenvolvimento de câncer (Buckbinder – 1995 , Grinberg – 2000).
A exposição crônica a altos níveis de insulina e de IGF-I aumenta o risco de câncer dos mais variados tipos, sendo que a insulina funciona de um modo integrado com o IGF-I promovendo a proliferação celular maligna (Giovannucci – 2003 , Felippe – 2005). A insulina aumenta a bioatividade do IGF-I porque aumenta a sua síntese e diminui os seus carregarores plasmáticos (IGFBP-1 e 2 ). O aumento da insulina e do IGF-I no sangue é catastrófico, pois, a insulina ativa a glicolíse anaeróbia , motor da mitose e o IGF-I ativa a proliferação celular mitótica, ambos agindo sinergicamente e facilitando o aparecimento do fenótipo maligno ( Kaaks – 2004).
Estudos Epidemiológicos
Grimberg em recente revisão enumerou uma série de estudos case-control publicados nos últimos 5 anos, associando altos níveis de IGF-I circulante e o risco para diferentes tipos de câncer (Grimberg – 2003).
Vários estudos epidemiológicos têm sistematicamente apontado que o elevado nível de IGF-I está associado com maior risco de câncer colo-retal , próstata, mama e pulmão. Citamos aqui em ordem: 4 estudos de câncer colo-retal , 4 de próstata, 4 de mama e 1 de pulmão : Ma-1999 , Peters-2003 , Nomura-2003 , Palmqvist-2002 , Chan-1998 , Chokkalingam-2001 , Stattin-2000 , Shi-2001 , Hankinson -1998 , Kaaks-2002 , Toniolo-2000 , Krajcik-2002 , Yu-1999.
Chan em 1998 foi o primeiro a demonstrar a relação entre o IGF-I e o câncer. Das 14.196 amostras de plasma guardadas desde 1982 para outro estudo, 520 casos de câncer de próstata surgiram no seguimento subsequente. Destes, 152 tinham plasma suficiente para dosar o IGF-I, IGF-II e o IGFBP-3. Pela primeira vez na literatura mundial Chan e colaboradores constataram correlação positiva entre os níveis de IGF-I e o risco de câncer de próstata. Homens no quartil superior quanto aos níveis de IGF-I apresentavam 4,3 vezes mais risco de desenvolver câncer de próstata quando comparados com o quartil inferior.
Em 2004, Renehan e colaboradores fizeram uma revisão sistemática e uma análise de meta-regressão de estudos “case-control” e elegeram 21 estudos incluindo 3.609 casos e 7.137 controles. Concluíram que altas concentrações séricas de IGF-I se associam com o aumento do risco de câncer de próstata e com o aumento do risco de câncer de mama na pré menopausa.
Em 2004, Vrieling e colaboradores estudaram o IGF-I e os IGFBPs em relação a alguns hábitos alimentares em 224 mulheres no período pré menopausa e 162 no período pós menopausa com idade variando entre 49 e 69 anos. Os autores constataram que:
a - na pré menopausa
- a ingestão de álcool se associa com diminuição de IGF-I e aumento de IGFBP-3
- a alta ingestão de soja se associa com altas concentrações de IGFBP-2 (2,5 g/dia:3% de aumento)
b - na pós menopausa
- a alta ingestão de álcool se associa com baixos níveis de IGFBP-1(1,4 a 20g/dia:20% de diminuição)
- a alta ingestão de lignans de plantas se associa com altas concentrações de IGFBP-1 (1 mg/dia : 59% de aumento)
Neste estudo as calorias totais ingeridas ao dia e a quantidade de proteínas, de fitoestrógenos e de licopeno não se associaram com o IGF-I ou o IGFBP-3.
Lavigne em 2005 mostrou que as mulheres que estão mantendo o peso na pós menopausa e que ingerem álcool apresentam menores níveis de IGF-I . Este resultado é obtido com a ingestão de duas doses de álcool diárias (30g) , uma dose somente não provoca diminuição do IGF-I .
Dietas ricas em carboidratos aumentam modestamente e dietas ricas em gordura aumentam muito os níveis de IGF-I ( Thissen – 1994). As dietas ricas em carboidratos aumentam a hiperinsulinemia e consigo o aumento do risco de câncer (Felippe – 2005a).
O leite é rico em proteínas, minerais e possui IGF-I bovino e em estudos de intervenção alimentar, altas ingestões de leite aumentam os níveis de IGF-I (Heaney – 1999).
Em vegetarianos parece que o leite de soja também mantém o IGF-I em níveis comparáveis aos da carne e dos laticínios (Allen – 2002), porém estudos bem controlados não mostraram nenhum efeito das isoflavonas da soja nos níveis de IGF-I e de IGFBP-3,principais elementos da família GH/IGF (Vrieling – 2004). Inclusive sendo a proteína da soja rica em aminoácidos não essenciais ela favorece o aumento do glucagon., que no fígado aumenta a produção de IGFBP-1 . Acresce que a quantidade relativamente baixa de aminoácidos essenciais da soja, diminui a síntese hepática do IGF-I (MaCarty – 1999).
IGF-I circulante (sistema endócrino) e IGF-I local (sistema parácrino e autócrino)
A influência do sistema IGF no desenvolvimento do câncer reflete suas ações sistêmicas (endócrinas) e as suas ações locais (autócrina e parácrina).
A maioria dos IGFs circulantes são produzidos no fígado em resposta ao estimulo do GH (Arany – 1994). Entretanto, recentemente Le Roith questionou as ações endócrinas clássicas do sistema GH/IGF e deu grande valor às ações autócrinas e parácrinas do IGF-I no crescimento e desenvolvimento normais (Le Roith – 2001). Estes efeitos locais foram também considerados importantes para facilitar a neovascularização tumoral (Bustin – 2002).
Uma indicação de que o IGF-I local contribui para manter os níveis circulantes de IGF-I de maneira independente do GH produzido pela hipófise é o fato de pessoas com hipofisectomia total apresentarem níveis circulantes de IGF-I próximas do normal ou mesmo normal (in Jenkins-2004).
Um dos fatores que aumenta a produção hepática de IGF-I é o PTH . Estudos epidemiológicos revelam que a baixa exposição à luz solar, a deficiência de vitamina D e a deficiência de cálcio se associam com aumento do risco de câncer de mama, de próstata e de colon. Sabe-se que todos esses fatores provocam o aumento da secreção de PTH e acredita-se que esse hormônio seja um promotor do câncer funcionando indiretamente aumentando a produção do IGF-I hepático (McCarty – 2000).
Resumindo , os IGFs são os fatores de crescimento mais abundantes na circulação, são produzidos virtualmente por todos os tecidos e agem de uma maneira endócrina, autócrina e parácrina. De uma maneira geral, normalmente 75% dos IGFs são produzidos pelo fígado (Yakar – 2002).
IGF-I e o seu receptor IGF-IR
As funções do IGF-I como fator de sobrevida celular agindo como agente mitógeno e anti apoptótico estão bem descritos na literatura ( Jenkins – 2004). O IGF-IR é o mediador da maioria das ações do IGF-I e do IGF-II .
O IGF-IR desempenha importante papel no fenótipo transformado (maligno). Possui forte atividade antiapoptótica sendo que a sua sub-regulação provoca maciça apoptose das células malignas. Nos últimos anos o IGF-IR emergiu como um receptor de características únicas, pois ele é considerado (sem desprezar o receptor de membrana da insulina) como o receptor da mitogênese, da transformação e da proteção contra a apoptose. Ele também diminui a adesão celular facilitando o aparecimento de metástases ( Baserga – 2003 , Salerno – 2002).
O IGF-IR juntamente com o receptor da insulina (IRS-1) com o qual compartilha uma homologia de 70% , compreende o receptor tipo II da família das tirosino kinases, as quais estão envolvidas na proliferação celular . A ativação do IGF-IR pelo IGF-I provoca rápida fosforilação da tirosina a qual estimula várias vias de sinalização e transdução que facilitam a proliferação celular (mitogênese).
O gene p53 selvagem ou nativo é talvez o mais importante fator supressor de tumor existente em nossas células. Pois bem, o gene p53 selvagem sub-regula a expressão do IGF-IR nos protegendo contra o câncer e o gene p53 mutante super-regula o IGF-IR facilitando o aparecimento do câncer (Werner – 1996). Infelizmente quase 50% dos tumores malignos humanos apresentam o gene p53 mutante.
IGFBP-3
Outro efeito do gene p53 nativo é induzir a produção de IGFBP-3, o qual , apenas recentemente descobriu-se que possui duas funções, isto é, além de ser o principal carregador do IGF-I diminuindo desta forma a sua concentração sérica; o próprio IGFBP-3 possui efeitos apoptóticos diretos (Grinberg – 2000 , Buckbinder – 1995).
Desta forma o IGFBP-3 desempenha funções independentes, participando ativamente nas vias apoptóticas de sinalização desencadeadas pelo p53, tais como: WT-1 (Dong - 1997) , citocinas (Rajah – 1997 , Katz – 1999 , Rozen - 1998), e ácido retinoico (Gucev – 1996 , Hwa – 1997 , Han - 1997) funcionando como fator de proteção contra os efeitos carcinogênicos do IGF-I e do GH.
Em recente revisão mostrou-se que além de induzir a apoptose, o IGFBP-3 possui efeitos diretos na inibição da proliferação celular. Vários trabalhos clínicos citados na revisão mostraram que pessoas com altos níveis de IGFBP-3 apresentam menor risco de apresentar câncer de mama, de próstata, de pulmão e colo-retal (Ali – 2003).
O meio intersticial dentro de tumores sólidos é ácido. In vitro mostrou-se que a um pH de 5,8 acontece um aumento da ligação do IGF-I à sua proteína transportadora o IGFBP-3 e não ao receptor IGF-R1 e esta ligação não possui efeito na proliferação celular.( Forsten – 2001).
Resumindo, o IGFBP-3 além de diminuir a concentração de IGF-I circulante , apresenta efeitos diretos inibindo a proliferação celular e induzindo a apoptose das células tumorais.
Proliferação Celular Maligna - O Ciclo Celular e o Sistema IGF
Os tumores malignos são caracterizados pela proliferação celular anormal resultado de alterações dos mecanismos que regulam o ciclo celular. O conhecimento dos fatores que interferem em tais mecanismos são de grande valor para podermos interferir na evolução do processo de carcinogênese isto é, na prevenção e no tratamento do câncer (Sandhu – 2000 , Sherr – 2000 , Malumbres – 2001).
A seguir veremos os efeitos do sistema IGF sobre os vários componentes do ciclo celular de acordo com revisão feita por Dupont e colaboradores em 2003.
Ciclo Celular e os Efeitos do Sistema IGF
O ciclo celular é composto por 5 fases:
- Fase G0 : fase de quiescência (não reprodução)
- Fase G1 : fase de pré síntese de DNA
- Fase S : fase de síntese de DNA e de replicação de cromossomas
- Fase G2 : fase do intervalo pré-mitótico
- Fase M : fase da mitose
O sistema IGF age em todas as fases do ciclo celular promovendo e acelerando cada uma delas facilitando desta maneira a proliferação mitótica.
Fase G0/G1
Antes de entrar no ciclo celular as células precisam acumular suficiente material translacional, principalmente ribossomas, para proporcionar o processamento rápido das transcrições do ciclo celular. A biogênese dos ribossomas é a chave da proliferação celular e ocorre na fase G1.
O IGF-I ativa a P70S6 kinase a qual promove a fosforilação da proteína S6 do ribossoma e facilita a passagem da fase Go para a G1. Assim sendo, o IGF-I ativa a biogênese dos ribossomas.
Fase G1/S
Nas células normais a transição da fase G1 para S requer a atividade de duas classes de CDKs ( ciclin dependent kinases): CDK4/6 e CDK2. As CDK4/6 agem nas fases iniciais hiperfosforilando a proteína retinoblastoma , liberando fatores de transcrição e contribuindo para a ativação das kinases necessárias para a progressão da fase G1 para S. A CDK2 é necessária para completar a fase G1 e iniciar a fase S.
Os IGFs aumentam a proliferação celular regulando a expressão e a atividade de várias moléculas envolvidas na progressão G1/S do ciclo celular. O sistema IGF age principalmente regulando as ciclinas/CDKs e as CDKIs ( ciclin dependent kinase inhibitors ).
Fase G2/M
A célula que completou a fase S de síntese de DNA, passará para a fase M de mitose sem a necessidade de fatores de crescimento (IGFs). Entretanto , a falta de IGFs retarda profundamente a fase G2 e assim os IGFs também são necessários para a passagem G2/M.
Desta forma, os IGFs são importantes ,como já escrevemos, em todas as fases do ciclo celular.
Apoptose
O IGF-I é um poderoso agente anti apoptótico, funcionando em várias frentes do campo de batalha para a sobrevivência maligna.
Acredita-se que as células tumorais apresentem um bloqueio de diferenciação que as torna mais susceptíveis que as células normais à indução de apoptose. Desta forma, mecanismos que inibam a apoptose e promovam a sobrevivência através de vias como IGF-IR são ativamente selecionadas pelas células tumorais.
O IGF-I super- regula a expressão da proteína antiapoptótica Bcl-xl, fosforila a pró-caspase-9 impedindo a sua ativação em caspase-9, potente agente apoptótico e impede a progressão da cascata das caspases agindo sobre a caspase-3. Todos esses fatores impedem a apoptose da célula tumoral (Parrizas – 1997). O IGF-I também protege as células do câncer de colon de sofrerem apoptose pelo fator de necrose tumoral - TNF-alfa (Remacle-Bonnet - 2000).
Outro modo de ação do IGF-I é através da via PI3K/Akt que protege as células tumorais da apoptose (Kulik – 1997 , Peruzzi –1999 , Kulik – 1998).
Angiogênese
Tumores acima de certo tamanho dependem da formação de novos vasos para continuarem a crescer, sendo o VEGF (Vascular Endothelial Growth Factor) o principal fator que facilita esse processo. Sabe-se que a sinalização através do receptor IGF-IR aumenta a expressão do VEGF a nível de transcrição e de estabilização de RNA mensageiro facilitando portanto o processo de neo-vascularização tumoral (Akagi – 1998). O mecanismo parece envolver a via MAPK por ativação do fator-1 induzível pela hipóxia (Fukuda – 2002).
Metástases
O IGF-I regula a motilidade das células do câncer de mama ativando o receptor 2 da insulina na membrana celular (IRS-2) . O IGF-I também estimula a migração de vários tipos de células, propiciando o aumento numérico das metástases ( Jackson – 2001).
Linhagens de células de câncer de próstata metastáticas em osso de rato expressam até 100 vezes mais receptores de IGF-I do que as suas parentes não metastáticas (Rubin – 2004).
A administração de IGF-I a animais com câncer de colon aumenta o potencial metastático do tumor, sendo o processo acompanhado pelo aumento da expressão do VEGF (Wu – 2002).
Interação IGF-I e Hormônios Sexuais : Estrógenos e Andrógenos
O IGF-I promove a progressão do ciclo celular por seus próprios méritos e também pela interação com outras moléculas, como os estrógenos e os andrógenos.
O IGF-I e o IGF-II são potentes agentes mitógenos para o câncer de mama e o câncer de próstata agindo sinergicamente ou aditivamente aos estrógenos e aos andrógenos respectivamente.
Os estrógenos e a família GH/IGF-I funcionam em conjunto estimulando a proliferação do epitélio mamário normal aumentando o risco de câncer de mama (Laban - 2002).
O tamoxifeno, um antagonista do estrógeno, bloqueia a proliferação de células do câncer de mama mediada pelo IGF-I in vitro e diminui os níveis sangüíneos do IGF-I in vivo (Guvakova -1997 , Bonanni - 2001). Este último efeito é devido ao fato de o tamoxifeno aumentar as ações da somatostatina e de inibir diretamente a expressão do IGF-I , além de outros efeitos na família GH/IGF, acrescido das ações em receptores (Tannenbaum – 1992 , Huynh – 1993).
Conclusão
Todos os mecanismos de sobrevivência das células cancerosas, incluindo o sistema IGF, foram adquiridos pelas células normais durante o processo evolutivo, com a finalidade de se manterem vivas apesar das condições desfavoráveis do meio ambiente. A células malignas lançam mão de todos esses mecanismos adquiridos em milhões de anos de evolução simplesmente para sobreviverem. A quimioterapia e a radioterapia fatores de agressão do mais alto grau desencadeiam e exacerbam esses mecanismos de sobrevivência e tornam as células que não morreram, resistentes ao tratamento subsequente. Devemos nos lembrar que as células cancerosas quando agredidas também aumentam a geração de outras substâncias como o fator de transcrição nuclear NF-KappaB o qual também é um fator de sobrevivência das células normais e que as células malignas sabem muito bem utilizar (Felippe – 2004 fevereiro).
As células cancerosas são carne da nossa própria carne apenas um pouco diferentes e por assim serem lutam com as armas das nossas próprias células normais para sobreviverem e portanto apresentam aguçados todos os mecanismos de proliferação celular , de proteção apoptótica e ainda não respeitam o território sagrado das células vizinhas, invadem e tomam conta de novos territórios. Entretanto as células normais estão em muito maior número e teriam condições de se defenderem se não tivessem sido pegas de “surpresa” porque o hospedeiro , o ser humano constituído por elas, as maltratou contínua e ininterruptamente por muito tempo, até que um grupo se rebelou e começou a viver por si só : o câncer ( Felippe – 2005b)
As medidas terapêuticas modernas que matam as células malignas ou queimando com a radioterapia ou intoxicando com a quimioterapia, em última análise estão selecionando células malignas resistentes e portanto mais aptas de tomarem conta do hospedeiro.
Muito mais racional é fazer com que as células rebeldes voltem ao convívio junto às células normais com medidas de diferenciação celular : matamos as células malignas irrecuperáveis e transformamos as não tão malignas em benignas. Podemos fazer tudo isso utilizando nutrientes e substâncias que fazem parte do nosso organismo, para fortalecer o nosso sistema de defesa e corrigir as alterações metabólicas que originaram essas células um pouco diferentes ( Felippe- 2005c)
Os fatos descritos nesta revisão nos mostram que o sistema IGF deve ser considerado como um fator independente de risco de câncer e portanto não pode ser esquecido quando pretendemos ter sucesso no tratamento do câncer. Estratégias mais inteligentes devem inclui-lo nas medidas educadoras de diferenciação celular, usando de base substâncias íntimas da nossa própria biologia.
“A medicina nada mais é que a fisiologia do homem enfermo”
Magendie
“A fisiologia de hoje é a medicina de amanhã”
Starling
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