A Medicina Biomolecular foi regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina na Resolução 1500/1998 e homologada na Resolução 1938/2010 com a assessoria da Associação Brasileira de Medicina Biomolecular.
 

Desvendando os Segredos do Câncer. PEG – Polietilenoglicol

 

 

 

                 dezembro/2008

                                                           José de Felippe Junior

“Sonhamos com o dia que o Templo do Conhecimento onde ensinam Medicina não formarão apenas simples repetidores de informações, mas verdadeiros médicos que aprenderam os fundamentos do livre pensar”
                                                                      JFJ

            “O médico é o responsável pelo paciente, amordaçá-lo e coibi-lo é crime que fere os direitos do próprio paciente”
                                                                                  JFJ

 

“A verdadeira causa das doenças e a MEDICINA ainda não fizeram as pazes. É porque a MEDICINA ainda é muito jovem. E o que dizer dos tratamentos”
                                                                                     JFJ

“As enfermidades são muito antigas e nada a respeito delas mudou. Somos nós que  mudamos ao aprender a reconhecer nelas o que antes não percebíamos”
                                                                            Charcot

 

            De acordo com a hipótese de Felippe Jr para carcinogênese :
            “A inflamação crônica persistente provoca nas células do sítio inflamatório uma lenta diminuição citoplasmática dos osmolitos kosmotropos os quais vagarosamente provocam a mudança da água B estruturada em água A desestruturada a qual gradativamente diminui o grau de ordem-informação do sistema termodinâmico celular que ao atingir o ponto máximo suportável de entropia provoca na célula um “estado de quase morte”. Neste ponto de baixa concentração de osmolitos, predomínio de água  desestruturada e alta entropia celular as células se transformam e lutam para se manterem vivas e o único modo de sobreviver é através da proliferação celular. Elas colocam em ação mecanismos milenares de sobrevivência, justamente aqueles que mantiveram vivas as células normais no Planeta durante a Evolução. Desta forma, ocorre ativação de fatores e vias de sinalização, alcalinização citoplasmática, predomínio do ciclo de Embden-Meyerhof, etc., os quais promovem a proliferação celular neoplásica, a diminuição da apoptose, a formação de novos vasos e o impedimento da diferenciação celular. O predomínio da água A no intracelular aumenta a hidratação e o volume celular. As estratégias que transformam a água A desestruturada em água B estruturada restauram a fisiologia e a bioenergética celular e as células neoplásicas se diferenciam em células normais e caminham para o processo fisiológico contínuo de morte celular programada” (Felippe- fev. e maio 2008).
            Quando provocamos hiperosmolalidade no ambiente intersticial das células neoplásicas ocorre passagem da água tipo A desestruturada e osmoticamente ativa do citoplasma neoplásico para o interstício. Isto provoca aumento da água tipo B estruturada no intracelular  que normaliza as pontes de hidrogênio as quais mantém a estrutura terciária e quaternária das proteínas e enzimas, a função das membranas citoplasmáticas e mitocondriais e as hélices do DNA e RNA em posição correta.
A normalização das pontes de hidrogênio do ambiente citoplasmático aumenta o grau de ordem-informação do sistema termodinâmico celular com diminuição da entropia . Deste modo, para sobreviverem as células neoplásicas não necessitam mais da proliferação , elas sofrem diferenciação e voltam ao convívio harmonioso com o organismo a que sempre pertenceram.Vivem e depois com o passar do tempo e quando chegar o momento morrem tranqüilamente sem inflamação por apoptose.

            A importância do PEG - Polietilenoglicol        
 
            Animais de experimentação
             
Silvotti em 1991 mostrou que a hiperosmolalidade diminui a resposta proliferativa de células transformadas e quase não interfere com as células normais correspondentes.
As células transformadas são mais sensíveis ao aumento da osmolalidade porque contém maior quantidade de água osmoticamente ativa do tipo A que é aquela que é retirada da célula. A diminuição da água tipo A no citoplasma restaura parcialmente a função fisiológica celular diminuindo a proliferação celular. Se a restauração da função fisiológica fosse total, a célula sairia do “estado de quase morte” e a proliferação seria totalmente abolida, isto é, não seria mais necessária.
Corpet em 1991 também mostrou que a hiperosmolalidade diminui a proliferação celular maligna quando verificou que o polietilenoglicol inibiu de uma forma rápida e consistente a carcinogênese de colon de ratos e camundongos submetidos a vários tipos de carcinógenos. Quando ratos bebem água com 5% de PEG e são injetados com um carcinógeno (azoximetano) eles diminuem em 10 vezes o desenvolvimento dos tumores de colon em relação aos ratos controle, sem PEG. A administração de PEG por 16 dias reduz em 5 vezes o volume tumoral.
De fato a retirada da água tipo A desestruturada do citoplasma permite que a célula adquira suas características iniciais normais o que restabelece a entropia negativa, aumenta o grau de ordem-informação citoplasmático, o metabolismo passa para fosforilação oxidativa e não mais é necessária a proliferação celular. Na evolução deste processo ocorre diferenciação celular e as células “malignas” percorrem a via normal de morte por apoptose.
            Ratos injetados com azoximetano foram randomizados e colocados no grupo controle ou nos vários grupos laxantes. Foram empregados vários tipos de laxantes entre eles o PEG 8000. No grupo que ingeriu PEG houve redução de 9 vezes no número de criptas aberrantes e dobrou a quantidade de células em apoptose por cripta. Outros laxantes usados (psilium, manitol, sorbitol, lactulose, propileno-glicol, hidróxido de magnésio, fosfato de sódio, óleo de parafina, polivinil-pirrolidona, poliacrilato de sódio , carboximetilcelulose, goma de karaia, bisacodil, docusato, policarbofil de cálcio) não apresentaram o efeito de eliminar as células modificadas das lesões pré-cancerosas (Tache-2006).
Corpet e Tache estudaram agentes quimiopreventivos no câncer de colon de camundongos e ratos e encontraram na literatura 137 artigos que abordavam o número de criptas aberrantes e 146 a presença de tumores. Listaram 186 agentes que reduziam o número de criptas aberrantes e os mais potentes foram: PEG, óleo de perila com betacaroteno, pluronico e sulfeto de sulindac  . Entre os 160 agentes que reduziam os tumores os mais potentes foram: celecoxib, difluorometilornitina com piroxicam, PEG e tiosulfonato (Corpet e Tache-2002).
            O PEG é considerado forte inibidor do câncer de colon em ratos suprimindo as criptas aberrantes, entretanto uma substância PEG-like , o pluronico F68, reduz em 98.6% o número de criptas aberrantes sendo 5 vezes mais potente que o PEG , no mesmo modelo experimental (Parnaud-2001).
O PEG em várias concentrações durante 2 a 5 dias foi estudado em 4 linhagens de câncer de colon humano: dois adenocarcinomas pobremente diferenciados (HT29 e COLO205), uma linhagem fetal (FHC) e uma linhagem diferenciada (pós-confluent Caco-2).         
            O PEG marcantemente e de uma maneira dose-dependente inibiu a proliferação celular das linhagens mais agressivas, HT29 e COLO205 com parada do ciclo celular na fase G0/G1. As outras linhagens não foram afetadas. O autor aumentou a osmolalidade do meio com NaCl ou sorbitol e observou os mesmos efeitos que o PEG, isto é, diminuição da proliferação celular com aumento de acido lático no meio de cultura  (efeito “wash-out”).
            Estes trabalhos corroboram a nossa hipótese da carcinogênese porque mostra que o efeito sobre as células cancerosas se faz pelo aumento de um parâmetro químico, a osmolalidade, independentemente do soluto. O que está acontecendo na intimidade citoplasmática é o aumento da água estruturada nas células mais doentes (Parnaud-2001).

            Seres Humanos

            Laboisse em 1988 tratou células do câncer de colon humano, HT29, com substância não tóxica e não absorvível, o polietilenoglicol (PEG). Esta substância aumenta a pressão osmótica de um modo dose dependente e retira a água do intracelular. A água retirada é a água do tipo A, que é a osmoticamente ativa e assim aumenta a concentração relativa da água tipo B, normalizadora da função bioenergética da célula.
            Em 3 semanas de tratamento o autor notou na cultura o aparecimento de células em franco estado de diferenciação. Quando submetidas a sub-cultura estas células surpreendentemente produziram duas linhagens diferentes de células, uma enterocítica e outra secretora de muco, ambas de caráter benigno. Desta forma, observou-se que células doentes se transformaram em dois tipos de células saudáveis e com funções específicas dentro do organismo que pertencem.
            Para Dorval e colaboradores o PEG na dieta é um extraordinário quimiopreventivo na carcinogênese do câncer colo-retal. Foram estudados pacientes com historia de câncer colo-retal na família, com pólipos no intestino grosso, constipação, sintomas digestivos e que não estavam ingerindo antinflamatórios . Eram 607 mulheres e 498 homens com idade média de 58,3 anos. Encontrou-se 329 pacientes com adenomas, 23  com carcinomas e 813
não apresentavam tumores na colonoscopia. A maioria dos pacientes que estava tomando PEG 4000  não apresentou tumores.  A análise univariada mostrou que os pacientes que estavam ingerindo PEG 4000 apresentaram um risco de câncer 50% menor quando comparado com outros laxantes sugerindo que este polímero atóxico e não absorvível possui grande valor na prevenção da carcinogênese colo-retal (Dorval-2006).
           
            Conclusão

            A hiperosmolalidade no meio intersticial reverte o “estado de quase morte” presente nas células neoplásicas, aumentando a concentração de água estruturada no intracelular o que reverte a alta entropia e o baixo grau de ordem – informação normalizando a bioenergética celular permitindo a diferenciação celular das células doentes, das células em profundo sofrimento que ousam chamar de câncer. As criptas com atipías revertem mais facilmente para criptas com celularidade normal. O pólipo suspeito transforma-se em pólipo normal ( Felippe-maio 2005 e 2008).

 

Referências Bibliográficas

  1. Corpet DE, Parnaud G, Delverdier M, Peiffer G, Taché S. Consistent and fast inhibition of colon carcinogenesis by polyethylene glycol in mice and rats given various carcinogens. Cancer  Res 60:3160-4; 2000.
  2. Corpet DE; Taché S. Most effective colon cancer chemopreventive agents in rats: a systematic review of aberrant crypt foci and tumor data, ranked by potency. Nutr Cancer; 43(1): 1-21, 2002.
  3. Dorval E; Jankowksi JM; Barbieux JP; Viguier J; Bertrand P; Brondin B; Bougnoux P; Corpet DE; Association Gastro 37. Polyethylene glycol and prevalence of colorectal adenomas. Gastroenterol Clin Biol; 30(10): 1196-9, Oct 2006.
  4. Felippe JJ. Água: vida-saúde-doença-envelhecimento-câncer:Revista Eletrônica da  Associação Brasileira de Medicina Complementar. www.medicinacomplementar.com.br. Tema do mês de fevereiro de 2008.
  5. Felippe JJ. Desvendando os Segredos do Câncer :Revista Eletrônica da  Associação Brasileira de Medicina Complementar. www.medicinacomplementar.com.br. Tema do mês de maio de 2008.
  6. Felippe, J.J. Câncer: população rebelde de células esperando por compaixão e reabilitação. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar . www.medicinacomplementar.com.br . Biblioteca de Câncer. Tema da semana de 16/05/05.
  7. Laboisse CL, Maoret J-J, Triadou N, Augeron C. Restoration by polyethylene glycol of characteristics of intestinal differentiation in subpopulations of human colonic adenocarcinoma cell line HT29. Cancer Res 48:2498-504; 1988.
  8. Parnaud G; Corpet DE; Gamet-Payrastre L. Cytostatic effect of polyethylene glycol on human colonic adenocarcinoma cells. Int J Cancer; 92(1): 63-9, Apr 1 2001.
  9. Parnaud G; Taché S; Peiffer G; Corpet DE. Pluronic F68 block polymer, a very potent suppressor of carcinogenesis in the colon of rats and mice. Br J Cancer; 84(1):90-3, Jan 5 2001.
  10. Silvotti L; Petronini PG; Mazzini A; Piedimonte G; Borghetti AF. Differential adaptive response to hyperosmolarity of 3T3 and transformed SV3T3 cells. Exp Cell Res; 193(2): 253-61; apr 1991.
  11. Taché S; Parnaud G; Van Beek E; Corpet DE. Polyethylene glycol, unique among laxatives, suppresses aberrant crypt foci, by elimination of cells. Scand J Gastroenterol; 41(6): 730-6, Jun 2006.

 

 

 

 

© 2004 Associação Brasileira de Medicina Complementar. Todos os Direitos Reservados Rua Conde de Porto Alegre , 1985 - Campo Belo
São Paulo - SP - CEP: 04608-003
Tel.: 11-5093-5685