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dezembro/2008
José de Felippe Junior
“Sonhamos com o dia que o Templo do Conhecimento onde ensinam Medicina não formarão apenas simples repetidores de informações, mas verdadeiros médicos que aprenderam os fundamentos do livre pensar”
JFJ
“O médico é o responsável pelo paciente, amordaçá-lo e coibi-lo é crime que fere os direitos do próprio paciente”
JFJ
“A verdadeira causa das doenças e a MEDICINA ainda não fizeram as pazes. É porque a MEDICINA ainda é muito jovem. E o que dizer dos tratamentos”
JFJ
“As enfermidades são muito antigas e nada a respeito delas mudou. Somos nós que mudamos ao aprender a reconhecer nelas o que antes não percebíamos”
Charcot
De acordo com a hipótese de Felippe Jr para carcinogênese :
“A inflamação crônica persistente provoca nas células do sítio inflamatório uma lenta diminuição citoplasmática dos osmolitos kosmotropos os quais vagarosamente provocam a mudança da água B estruturada em água A desestruturada a qual gradativamente diminui o grau de ordem-informação do sistema termodinâmico celular que ao atingir o ponto máximo suportável de entropia provoca na célula um “estado de quase morte”. Neste ponto de baixa concentração de osmolitos, predomínio de água desestruturada e alta entropia celular as células se transformam e lutam para se manterem vivas e o único modo de sobreviver é através da proliferação celular. Elas colocam em ação mecanismos milenares de sobrevivência, justamente aqueles que mantiveram vivas as células normais no Planeta durante a Evolução. Desta forma, ocorre ativação de fatores e vias de sinalização, alcalinização citoplasmática, predomínio do ciclo de Embden-Meyerhof, etc., os quais promovem a proliferação celular neoplásica, a diminuição da apoptose, a formação de novos vasos e o impedimento da diferenciação celular. O predomínio da água A no intracelular aumenta a hidratação e o volume celular. As estratégias que transformam a água A desestruturada em água B estruturada restauram a fisiologia e a bioenergética celular e as células neoplásicas se diferenciam em células normais e caminham para o processo fisiológico contínuo de morte celular programada” (Felippe- fev. e maio 2008).
Quando provocamos hiperosmolalidade no ambiente intersticial das células neoplásicas ocorre passagem da água tipo A desestruturada e osmoticamente ativa do citoplasma neoplásico para o interstício. Isto provoca aumento da água tipo B estruturada no intracelular que normaliza as pontes de hidrogênio as quais mantém a estrutura terciária e quaternária das proteínas e enzimas, a função das membranas citoplasmáticas e mitocondriais e as hélices do DNA e RNA em posição correta.
A normalização das pontes de hidrogênio do ambiente citoplasmático aumenta o grau de ordem-informação do sistema termodinâmico celular com diminuição da entropia . Deste modo, para sobreviverem as células neoplásicas não necessitam mais da proliferação , elas sofrem diferenciação e voltam ao convívio harmonioso com o organismo a que sempre pertenceram.Vivem e depois com o passar do tempo e quando chegar o momento morrem tranqüilamente sem inflamação por apoptose.
A importância do PEG - Polietilenoglicol
Animais de experimentação
Silvotti em 1991 mostrou que a hiperosmolalidade diminui a resposta proliferativa de células transformadas e quase não interfere com as células normais correspondentes.
As células transformadas são mais sensíveis ao aumento da osmolalidade porque contém maior quantidade de água osmoticamente ativa do tipo A que é aquela que é retirada da célula. A diminuição da água tipo A no citoplasma restaura parcialmente a função fisiológica celular diminuindo a proliferação celular. Se a restauração da função fisiológica fosse total, a célula sairia do “estado de quase morte” e a proliferação seria totalmente abolida, isto é, não seria mais necessária.
Corpet em 1991 também mostrou que a hiperosmolalidade diminui a proliferação celular maligna quando verificou que o polietilenoglicol inibiu de uma forma rápida e consistente a carcinogênese de colon de ratos e camundongos submetidos a vários tipos de carcinógenos. Quando ratos bebem água com 5% de PEG e são injetados com um carcinógeno (azoximetano) eles diminuem em 10 vezes o desenvolvimento dos tumores de colon em relação aos ratos controle, sem PEG. A administração de PEG por 16 dias reduz em 5 vezes o volume tumoral.
De fato a retirada da água tipo A desestruturada do citoplasma permite que a célula adquira suas características iniciais normais o que restabelece a entropia negativa, aumenta o grau de ordem-informação citoplasmático, o metabolismo passa para fosforilação oxidativa e não mais é necessária a proliferação celular. Na evolução deste processo ocorre diferenciação celular e as células “malignas” percorrem a via normal de morte por apoptose.
Ratos injetados com azoximetano foram randomizados e colocados no grupo controle ou nos vários grupos laxantes. Foram empregados vários tipos de laxantes entre eles o PEG 8000. No grupo que ingeriu PEG houve redução de 9 vezes no número de criptas aberrantes e dobrou a quantidade de células em apoptose por cripta. Outros laxantes usados (psilium, manitol, sorbitol, lactulose, propileno-glicol, hidróxido de magnésio, fosfato de sódio, óleo de parafina, polivinil-pirrolidona, poliacrilato de sódio , carboximetilcelulose, goma de karaia, bisacodil, docusato, policarbofil de cálcio) não apresentaram o efeito de eliminar as células modificadas das lesões pré-cancerosas (Tache-2006).
Corpet e Tache estudaram agentes quimiopreventivos no câncer de colon de camundongos e ratos e encontraram na literatura 137 artigos que abordavam o número de criptas aberrantes e 146 a presença de tumores. Listaram 186 agentes que reduziam o número de criptas aberrantes e os mais potentes foram: PEG, óleo de perila com betacaroteno, pluronico e sulfeto de sulindac . Entre os 160 agentes que reduziam os tumores os mais potentes foram: celecoxib, difluorometilornitina com piroxicam, PEG e tiosulfonato (Corpet e Tache-2002).
O PEG é considerado forte inibidor do câncer de colon em ratos suprimindo as criptas aberrantes, entretanto uma substância PEG-like , o pluronico F68, reduz em 98.6% o número de criptas aberrantes sendo 5 vezes mais potente que o PEG , no mesmo modelo experimental (Parnaud-2001).
O PEG em várias concentrações durante 2 a 5 dias foi estudado em 4 linhagens de câncer de colon humano: dois adenocarcinomas pobremente diferenciados (HT29 e COLO205), uma linhagem fetal (FHC) e uma linhagem diferenciada (pós-confluent Caco-2).
O PEG marcantemente e de uma maneira dose-dependente inibiu a proliferação celular das linhagens mais agressivas, HT29 e COLO205 com parada do ciclo celular na fase G0/G1. As outras linhagens não foram afetadas. O autor aumentou a osmolalidade do meio com NaCl ou sorbitol e observou os mesmos efeitos que o PEG, isto é, diminuição da proliferação celular com aumento de acido lático no meio de cultura (efeito “wash-out”).
Estes trabalhos corroboram a nossa hipótese da carcinogênese porque mostra que o efeito sobre as células cancerosas se faz pelo aumento de um parâmetro químico, a osmolalidade, independentemente do soluto. O que está acontecendo na intimidade citoplasmática é o aumento da água estruturada nas células mais doentes (Parnaud-2001).
Seres Humanos
Laboisse em 1988 tratou células do câncer de colon humano, HT29, com substância não tóxica e não absorvível, o polietilenoglicol (PEG). Esta substância aumenta a pressão osmótica de um modo dose dependente e retira a água do intracelular. A água retirada é a água do tipo A, que é a osmoticamente ativa e assim aumenta a concentração relativa da água tipo B, normalizadora da função bioenergética da célula.
Em 3 semanas de tratamento o autor notou na cultura o aparecimento de células em franco estado de diferenciação. Quando submetidas a sub-cultura estas células surpreendentemente produziram duas linhagens diferentes de células, uma enterocítica e outra secretora de muco, ambas de caráter benigno. Desta forma, observou-se que células doentes se transformaram em dois tipos de células saudáveis e com funções específicas dentro do organismo que pertencem.
Para Dorval e colaboradores o PEG na dieta é um extraordinário quimiopreventivo na carcinogênese do câncer colo-retal. Foram estudados pacientes com historia de câncer colo-retal na família, com pólipos no intestino grosso, constipação, sintomas digestivos e que não estavam ingerindo antinflamatórios . Eram 607 mulheres e 498 homens com idade média de 58,3 anos. Encontrou-se 329 pacientes com adenomas, 23 com carcinomas e 813
não apresentavam tumores na colonoscopia. A maioria dos pacientes que estava tomando PEG 4000 não apresentou tumores. A análise univariada mostrou que os pacientes que estavam ingerindo PEG 4000 apresentaram um risco de câncer 50% menor quando comparado com outros laxantes sugerindo que este polímero atóxico e não absorvível possui grande valor na prevenção da carcinogênese colo-retal (Dorval-2006).
Conclusão
A hiperosmolalidade no meio intersticial reverte o “estado de quase morte” presente nas células neoplásicas, aumentando a concentração de água estruturada no intracelular o que reverte a alta entropia e o baixo grau de ordem – informação normalizando a bioenergética celular permitindo a diferenciação celular das células doentes, das células em profundo sofrimento que ousam chamar de câncer. As criptas com atipías revertem mais facilmente para criptas com celularidade normal. O pólipo suspeito transforma-se em pólipo normal ( Felippe-maio 2005 e 2008).
Referências Bibliográficas
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- Corpet DE; Taché S. Most effective colon cancer chemopreventive agents in rats: a systematic review of aberrant crypt foci and tumor data, ranked by potency. Nutr Cancer; 43(1): 1-21, 2002.
- Dorval E; Jankowksi JM; Barbieux JP; Viguier J; Bertrand P; Brondin B; Bougnoux P; Corpet DE; Association Gastro 37. Polyethylene glycol and prevalence of colorectal adenomas. Gastroenterol Clin Biol; 30(10): 1196-9, Oct 2006.
- Felippe JJ. Água: vida-saúde-doença-envelhecimento-câncer:Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar. www.medicinacomplementar.com.br. Tema do mês de fevereiro de 2008.
- Felippe JJ. Desvendando os Segredos do Câncer :Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar. www.medicinacomplementar.com.br. Tema do mês de maio de 2008.
- Felippe, J.J. Câncer: população rebelde de células esperando por compaixão e reabilitação. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar . www.medicinacomplementar.com.br . Biblioteca de Câncer. Tema da semana de 16/05/05.
- Laboisse CL, Maoret J-J, Triadou N, Augeron C. Restoration by polyethylene glycol of characteristics of intestinal differentiation in subpopulations of human colonic adenocarcinoma cell line HT29. Cancer Res 48:2498-504; 1988.
- Parnaud G; Corpet DE; Gamet-Payrastre L. Cytostatic effect of polyethylene glycol on human colonic adenocarcinoma cells. Int J Cancer; 92(1): 63-9, Apr 1 2001.
- Parnaud G; Taché S; Peiffer G; Corpet DE. Pluronic F68 block polymer, a very potent suppressor of carcinogenesis in the colon of rats and mice. Br J Cancer; 84(1):90-3, Jan 5 2001.
- Silvotti L; Petronini PG; Mazzini A; Piedimonte G; Borghetti AF. Differential adaptive response to hyperosmolarity of 3T3 and transformed SV3T3 cells. Exp Cell Res; 193(2): 253-61; apr 1991.
- Taché S; Parnaud G; Van Beek E; Corpet DE. Polyethylene glycol, unique among laxatives, suppresses aberrant crypt foci, by elimination of cells. Scand J Gastroenterol; 41(6): 730-6, Jun 2006.
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