| |
José de Felippe Junior
“A água é a matéria, a matrix e a mãe da vida”
Albert Szent-Gyorgyi
“A estrutura molecular da água é a essência da vida”
Albert Szent-Gyorgyi
Who has seen the wind?
Neither you nor I;
But when the trees bow down their heads
The wind is passing by.
Christina G. Rossetti 1830-1894
“As enfermidades são muito antigas e nada a respeito delas mudou. Somos nós que mudamos ao aprender a reconhecer nelas o que antes não percebíamos”
Charcot
A água é a molécula mais abundante do nosso organismo, mais abundante do Planeta e a molécula mais desconhecida, mais extraordinária e mais anômala que se conhece. Não existe vida sem água e onde existe água também existirá vida.
Acredita-se que a água (H2O) é a segunda molécula mais abundante no Universo, atrás apenas do hidrogênio, H2.
A composição da água, 2 partes de hidrogênio e 1 parte de oxigênio foi descoberta pelo cientista inglês Henry Cavendish em 1781.
A simples molécula de água é muita complexa porque suas características químicas e físicas se comportam do modo mais anômalo e imprevisível que podemos imaginar. Este comportamento anômalo se deve às pontes de hidrogênio: pontes água - água
Água - Pontes de Hidrogênio - “Clusters”
A água é uma pequena molécula em forma de “ V “ com diâmetro de 2,75 Angstron.
Foram propostos vários modelos para a estrutura da água. Um deles é aquele que as suas moléculas se ligam através de pontes de hidrogênio formando “clusters” ou amontoados de moléculas de água: (H2O)n.
As pontes de hidrogênio são ligações atômicas do átomo de hidrogênio de uma molécula de água com o átomo de oxigênio de outra molécula de água formando “clusters” de vários números de moléculas ou (H2O)n, onde n é o número de moléculas de água ligadas pelas pontes de hidrogênio.
Por exemplo: (H2O)1 ..............água sem cluster , n=1
(H2O)2.............. cluster com duas moléculas de água,, n=2 ou dimérico
(H2O)4.............. cluster com 4 moléculas de água, , n=4 ou tetramérico
(H2O)14 ........... cluster com 14 moléculas de água, n=14
(H2O)280 ........ cluster com 280 moléculas de água, 20x14 = 280, n=280
As pontes de hidrogênio podem ser mais fracas ou mais fortes dependendo do ângulo em V dos dois átomos de hidrogênio em cada molécula de água e da distância e conformação das moléculas de água sob a interferência de substâncias iônicas ou não iônicas estruturadoras (kosmotropas) ou desestruturadoras (caotropas) da água .
Se a força das pontes de hidrogênio diminuírem 29% a água entra em ebulição a 37 graus Célcius. Se aumentar somente 2% ocorre significantes efeitos metabólicos. Se aumentar 3% a viscosidade aumenta 23% e a difusibilidade reduz 19%. Se a força das pontes aumentarem 5% o oxigênio se torna 270% mais solúvel e o gás carbônico, 440%.
No estado líquido, apesar de 80% dos elétrons fazerem parte das ligações, os 3 átomos , 2 de H e 1de O não ficam juntos, porque os átomos de H estão constantemente mudando de posição com outras moléculas de água, em um processo físico-químico chamado de protonação / deprotonação que biologicamente chamamos de : INFORMAÇÃO. É o que confere à água a sua peculiar função informacional.
Para Lo e Huang os clusters de água são parceiros ativos em qualquer reação bioquímica que ocorra dentro dos organismos vivos. Estes clusters são creados pela interação de minúsculas quantidades de substâncias orgânicas ou inorgânicas com a água.
Ferramentas como o microscópio atômico, medidores de oscilações elétricas e a constatação de valores diferentes de pH medidos com o “pH-meter” (eletrônico) e o “pH-paper” (não eletrônico) de soluções muito diluídas apontam para a real existência dos clusters de água.
A água está em estado de constante auto ionização:
------------------------->
2H2O H3O+ + OH-
<------------------------
A seguir mostraremos vários desenhos da estrutura da água, das pontes de hidrogênio e dos “clusters” (retirados de Martin Chaplin - livro eletrônico )

Figura 1: Forma aproximada da molécula de água com a distribuição das cargas

Figura 2: Forma em V da molécula de água. A densidade de elétrons ao redor do oxigênio é cerca de 10x aquela dos átomos de hidrogênio

Figura 3 : Ponte de hidrogênio entre duas moléculas de água : (H2O)2

Figura 4 : Ponte de hidrogênio entre duas moléculas de água : (H2O)2

Figura 5 : Cluster de água com 280 moléculas: (H2O)280
As pontes de hidrogênio com força randômica para mais ou para menos são necessárias no intracelular para:
1- estabilizar a conformação das hélices do DNA e do RNA o que permite manter a estrutura da molécula e a sua característica especial do enrolar e desenrolar das hélices,
2- manter a estrutura tridimensional das enzimas e das proteínas,
3- estabilizar a estrutura terciária das enzimas e das proteínas,
4- manter a hidratação das proteínas, ácidos nucléicos e macromoléculas,
5- estabilizar, manter e proteger a membrana citoplasmática e mitocondrial,
6- interferir no potencial de membrana citoplasmático (Em) e no potencial de membrana mitocondrial (Delta-psi mt)
7- interferir na homeostasia dos poros da membrana citoplasmática,
8- interferir na velocidade das reações químicas intracelulares
9- participar das reações de hidrólise,
10- veicular informações, etc....
Deste modo, as pontes de hidrogênio são fundamentais na fisiologia celular como solvente, como soluto, como estabilizador de estruturas, como hidratante e como veículo de informações para que as células consigam cumprir plenamente as suas funções, para que as células sejam consideradas normais.
O organismo humano contém 60% de água (42 litros no homem de 70 kg com massa magra normal e 12% de gordura), distribuída no intravascular (5% ou 3,5 litros), no intersticial (15% ou 10,5 litros) e os restantes 28 litros no intracelular. Somos um aquário ambulante.
Apesar de tão alto volume de água no corpo humano em especial no intracelular os médicos nem pensam que a água está ali no citoplasma, no núcleo, no mitocôndria hidratando íons, hidratando proteínas e ácidos nucléicos e fazendo parte das principais reações químicas que acontecem a cada milionésimo de segundo.
Justiça seja feita aos intensivistas e socorristas que prestam atenção na água do intravascular e são cautelosos e rápidos no diagnóstico da hipovolemia, que leva ao choque e a morte se não tratada corretamente. Entretanto, pensam na água como “volume ocupando um espaço”, o espaço intravascular e a consideram como um conteúdo que deve preencher corretamente o continente. É a água salvando vidas.
Justiça aos pediatras que pensam na desidratação, deficiência de água do intersticial, porém também pensam na água como volume. Os cardiologistas e nefrologistas estão preocupados com a hiperhidratação e a hipervolemia e fazem de tudo para retirar do corpo o volume certo, o volume terapêutico adequado. É a água salvando vidas.
Na Faculdade de Medicina os estudantes aprendem a tratar das doenças pensando apenas nos “solutos” que são apenas 40% do organismo e não dão a mínima importância para a água , 60% do corpo: ambos são importantes.
Os médicos sempre pensam na água como volume, como um conteúdo que deve preencher um determinado continente; muito bom. Entretanto, não pensam na água como matéria, matrix e mãe da vida, não pensam na água como veículo de informações e como importante agente homeostático, não aprenderam na Escola que a vida depende de 3 elementos fundamentais:
MATÉRIA - INFORMAÇÃO - ENERGIA
É o caráter anômalo da água que a faz a substância mais importante do nosso organismo. É a estrutura molecular da água a responsável pela vida.
Philippa Wiggins, pesquisadora australiana que estuda a água há mais de 40 anos, descobriu que no intracelular dos mamíferos coexistem dois tipos de água. Com finalidade didática vamos chamá-las de água A e água B .
Água A: Alta densidade, ativa e fluída por apresentarem pontes de hidrogênio fracas.
É´ uma água sem estrutura (desestruturada), com “clusters” pequenos, isto é, com o “n” do (H2O)n muito baixo.
É a água predominante nas células em proliferação.
Densidade : 1,18 g/ml
Água B: Baixa densidade, inativa e viscosa por apresentarem pontes de hidrogênio fortes.
É uma água estruturada, com “clusters” maiores, isto é, com o “n” do (H2O)n elevado.
É a água predominante nas células em estado quiescente, sem proliferação.
Densidade: 0,91 g/ml
O estado quiescente se caracteriza pela ausência de proliferação celular. Evitamos chamá-lo de estado de repouso porque este nome denota parada de atividade o que não acontece nestas células, pois elas continuam efetuando plenamente todas as suas funções.
Quando a célula passa do estado quiescente para o estado de proliferação, a água intracelular muda o seu comportamento físico-químico e passa de água de baixa densidade, inativa e viscosa para água de alta densidade, ativa e fluída, isto é :
Água B --------------------------> Água A
proliferação
Quando a célula passa do estado proliferativo para o estado quiescente, a água intracelular muda o seu comportamento físico-químico e passa de água de alta densidade, ativa e fluída para água de baixa densidade, inativa e viscosa, isto é:
Água A ------------------------> Água B
quiescente
Na fisiologia normal os dois tipos de água coexistem em equilíbrio dinâmico, em um estado de “steady state” de acordo com as necessidades metabólicas da célula naquela determinada condição, naquele determinado momento.
quiescente
----------------------->
Água A Água B
<-----------------------
proliferação
No transcorrer da nossa existência este equilíbrio pode tender para a direita ou para a esquerda.
No transcurso de uma vida normal o equilíbrio vai aos poucos, paulatinamente e sorrateiramente se desviando para a direita, a água vai aos poucos se estruturando cada vez mais e a pessoa vai ficando mais lenta, vai envelhecendo serenamente, lentamente, tranqüilamente, sem doenças, até chegar ao término de sua passagem pela vida, sem trauma, sem dor.
Outras vezes no transcurso natural da vida podem ocorrer significantes desvios para a esquerda, agudos ou crônicos, o que acarreta o aparecimento de doenças, de gravidade maior ou menor dependendo do grau de desvio. Se o desvio for muito grande, a água muito desestruturada se torna o terreno ideal para o aparecimento do que se chama câncer. No extremo da desestruturação sobrevém a morte com trauma e dor.
I-Equilíbrio desviado para a direita: NORMALIDADE e ENVELHECIMENTO
Quando o equilíbrio se desloca para a direita, significa que as pontes de hidrogênio estão mais fortes e predomina no intracelular o tipo de água B, água estruturada.
1- Estruturação leve e moderada: NORMALIDADE
As células maduras e normais apresentam um desvio moderado e relativamente constante do equilíbrio para a direita o que significa que as pontes de hidrogênio estão com força suficiente para estruturar a água, o que mantém a conformação terciária das enzimas e proteínas, a hidratação das macromoléculas, a conformação espacial das hélices do DNA e RNA e a estabilização da membrana celular e mitocondrial e principalmente está mantido o grau de ordem -informação do sistema celular.Todos estes elementos propiciam o ambiente intracelular adequado para o perfeito funcionamento das células.
2- Estruturação exagerada: ENVELHECIMENTO
Com o passar dos anos a estruturação da água vai paulatinamente e sorrateiramente se elevando e o desvio do equilíbrio vai se deslocando para a direita. Quando este desvio está fortemente desviado para a direita, a maior força das pontes de hidrogênio estruturam em demasia a água intracelular e a célula vai perdendo paulatinamente as suas funções, ocorre lentificação das reações citoplasmáticas e lentificação do metabolismo: é o processo normal de envelhecimento.
3- No extremo da estruturação vem a MORTE natural, sem trauma, sem dor.
II- Equilíbrio desviado para a esquerda: PROLIFERAÇÃO FISIOLÓGICA - DOENÇA e CÂNCER
Quando o equilíbrio se desloca para a esquerda, significa que as pontes de hidrogênio estão mais fracas e predomina no intracelular o tipo de água A, água desestruturada.
1- Desestruturação leve: PROLIFERAÇÃO FISIOLÓGICA (MITOSE NORMAL)
Quando o desvio para a esquerda é leve, isto é, a desestruturação é leve, desencadeia-se a proliferação celular fisiológica e reversível (mitose normal). Este fenômeno acontece de um modo dependente das necessidades do organismo nos estados de regeneração ou reposição celular e neste caso a proliferação cessa, uma vez cumprida a sua missão.
Exemplos: regeneração e reposição das células da mucosa do trato intestinal , cicatrização de feridas, etc..
2- Desestruturação moderada: DOENÇA
Quando o desvio para a esquerda é moderado, isto é, a desestruturação da água intracelular é moderada, a célula começa a sofrer alterações. Primeiramente acontece a perda de função (doença funcional) e no transcorrer do processo se o desvio persistir a célula sofre alterações morfológicas (doença estrutural).
Exemplo: desestruturação da água da substância nigra: primeiro diminui levemente a produção de dopamina e o paciente vai apresentar leves tremores, leve rigidez que pode durar anos (doença funcional). Se houver persistência da desestruturação acontece alteração da morfologia das células da substância nigra com a conseqüente instalação plena da doença: Doença de Parkinson (doença estrutural).
3- Desestruturação exagerada: CÂNCER
Quando o desvio para a esquerda é exagerado, isto é, a desestruturação é exagerada instala-se o terreno adequado para a proliferação celular ininterrupta e irreversível : câncer.
4- No extremo da desestruturação vem a MORTE não natural, com trauma e dor.
III- Equilíbrio dinâmico, constante e ininterrupto entre água estruturada e desestruturada: SAÚDE
Quando predomina no segundo a segundo, no dia a dia, no mês a mês e assim por diante, o equilíbrio dinâmico e constante entre a água estruturada e a desestruturada com o moderado predomínio da água estruturada temos o que podemos definir como SAÚDE. A célula está apta a cumprir todas as suas funções, desde que haja : Matéria e Energia.
Figura 6: Diagrama dos dois tipos de água intracelular e sua relação do lado estruturado com a saúde, o envelhecimento normal e a morte natural e do lado desestruturado com a mitose normal, a doença, o câncer e a morte não natural.
O esquema abaixo mostra o equilíbrio dinâmico entre a água A e B no intracelular.
MITOSE NORMAL equilíbrio dinâmico NORMALIDADE
DOENÇA Água A <---------------------------> Água B SAÚDE
CÂNCER ENVELHECIMENTO
MORTE não natural MORTE natural
Este equilíbrio dinâmico é mantido:
- Fator dependente do intracelular, metabolismo energético: ciclo de Embeden-Meyerhof e Fosforilação Oxidativa.
- Fator dependente do meio intersticial, cuidadosa seleção celular de uma mistura de substâncias kosmotropas (estruturadoras da água) e caotropas (desestruturadoras da água).
Em primeiro lugar, na fisiologia normal os dois tipos de metabolismo energético, o ciclo de Embeden-Meyerhof citoplasmático e a Fosforilação Oxidativa mitocondrial se encontram em equilíbrio dinâmico e constituem poderoso e contínuo mecanismo de estruturação e desestruturação da água , o primeiro desestruturando e o segundo estruturando. A célula normal apresenta moderado predomínio da fosforilação oxidativa e assim também apresenta moderado predomínio da água estruturada.
O ciclo de Embeden-Meyerhof, glicólise anaeróbia citoplasmática, inicia-se com a glicose (desestruturador fraco) e termina com o ácido lático (desestruturador forte). Cada mol de desestruturador fraco produz dois moles desestruturador forte, lactato : H3C - CH2O – COO- .
O mitocôndria recebe o ácido pirúvico do ciclo de Embeden e durante a fosforilação oxidativa na cadeia de elétrons produz na bomba de prótons o cátion monovalente e forte estruturador da água : H+ .
Nas células normais contínua e ininterruptamente acontece o ciclo de Embeden, (desestruturador) seguido da fosforilação oxidativa (estruturadora) nem sempre acoplados, mas em
equilíbrio dinâmico com leve predomínio da fosforilação e portanto da água estruturada o que proporciona as condições normais de funcionamento celular.
Em segundo lugar e muito importante na fisiologia normal: a membrana celular é capaz de selecionar “substâncias” ou “solutos” ou “osmolitos”, sejam iônicos ou não iônicos , cuja função é proporcionar o equilíbrio entre os dois tipos de água. São substâncias capazes de modificar o estado físico-químico da água intracelular e que devem estar presentes no intersticial para ficarem disponíveis para as células.
As substâncias que podem interferir na estrutura da água podem ser divididas em dois tipos:
- Substâncias estruturadoras ou Kosmotropas (order-maker)
- Substâncias desestruturadoras ou Caotropas (disorder-maker)
I- Substâncias Estruturadoras
As substâncias estruturadoras se dissolvem na água de alta densidade (tipo A - desestruturada) e a transforma em água de baixa densidade (tipo B - estruturada).
Em geral as substâncias hidrófobas se dissolvem mais facilmente na água de alta densidade (tipo A).
Substâncias Estruturadoras
Água A -------------------------------------------------> Água B
Substâncias Hidrófobas
As substâncias estruturadoras ou kosmotropas correspondem aos anions polivalentes, aos cátions monovalentes e polivalentes e a alguns compostos não iônicos.
Em geral são anions e cations pequenos .
- Anions polivalentes estruturadores
- SO4 - -
- HPO4 - -
- S2O3 - -
- CO3 --
- Cátions monovalentes estruturadores
- H+
- Li+
- Na+
- Cátions polivalentes estruturadores
- Mg++
- Ca++
- Mn++
- Zn++
- Cu++
- Solutos não iônicos estruturadores
- etanol
- butanol
- álcool benzílico
- uréia em baixa concentração
- Substâncias Desestruturadoras
As substâncias desestruturadoras se dissolvem na água de baixa densidade (tipo B - estruturada) e a transforma em água de alta densidade (tipo A - desestruturada).
Em geral as substâncias hidrófilas se dissolvem mais facilmente na água de baixa densidade (tipo B).
Substâncias Desestruturadoras
Água B -------------------------------------------------> Água A
Substâncias Hidrófilas
As substâncias desestruturadoras ou caotropas correspondem aos anions monovalentes, aos cátions monovalentes e a alguns compostos não iônicos.
Em geral são anions e cátions grandes.
- Anions monovalentes desestruturadores
- HSO4 -
- H2PO4 -
- HCO3 -
- I -
- Cl -
- NO3 -
- Cátions monovalentes desestruturadores
- K+
- Cs+
- NH4 +
- Solutos não iônicos desestruturadores
- uréia em alta concentração
Philippa Wiggins ainda divide as substâncias em estruturadoras fracas e desestruturadoras fracas.
- Substâncias Estruturadoras Fracas
- Trimetil-glicina
- Aminoácidos apolares (hidrófobos)
b1- Essenciais
- Leucina
- Isoleucina
- Metionina
- Valina
- Triptofano
- Fenilalanina
b2- Não Essenciais
- Alanina
- Glicina
- Prolina
- Substâncias Desestruturadoras Fracas
- Glicose
- Trealose
- Taurina
- Aminoácidos polares (hidrófilos)
d1- Neutros
- Asparagina
- Cisteína
- Glutamina
- Serina
- Treonina (essencial)
- Tirosina
d2- Ácidos
- Ácido aspártico
- Ácido glutâmico
d3- Básicos
- Arginina
- Histidina
- Lisina (essencial)
Martim Chaplin, físico que muito estudou o comportamento da água, considera a trealose o mais importante estruturador da água em total desacordo com Wiggins. Ele considera a trimetil-glicina um forte e não fraco estruturador da água. Lembremos que os experimentos de Chaplin foram feitos em sistemas não biológicos.
Possível origem das DOENÇAS
Quando a quantidade de água desestruturada vai aumentando, porém sem atingir o limite de “estresse de quase morte” acontece o colapso primeiro funcional e depois estrutural de vários tipos de sistemas enzimáticos e metabólicos que podem atingir os mais diversos tipos de células, tecidos e órgãos.
O primeiro órgão que sofre, ou o órgão mais fortemente atingido é aquele que geneticamente apresenta mais alterações – “lócus minor resistentiae” (órgão de choque) – ou aquele com mais lesões provocadas por condições adversas do meio ambiente – fumo, metais tóxicos, hipoxia, acidose, inflamação crônica sub-clínica , inflamação crônica clínica, hiperoxia, campos eletromagnéticos, zonas geo-patogênicas, etc..
O quadro clínico dependerá do conjunto de células atingidas ou do órgão atingido, porém a causa será sempre a mesma – ÁGUA DESESTRUTURADA em maior ou menor grau , o que vai ditar a maior ou menor gravidade da doença .
Possível origem do que se chama CÂNCER
Quando aumenta a quantidade de água desestruturada no intracelular, as células sofrem profundas modificações metabólicas, profundas modificações das vias de sinalização, aumento progressivo da entropia que culmina na diminuição do grau de ordem-informação do sistema termodinâmico aberto que é a célula. Na evolução deste processo o grau de ordem – informação chega a um ponto crucial e a célula atinge um nível quase não tolerável de desestruturação um estado de “estresse de quase morte”.
Ao chegar no “estresse de quase morte” desencadeiam-se mecanismos milenares de sobrevivência celular e as células começam a se dividir, entram em proliferação, entram em estado de mitose contínua, único modo de continuarem vivendo.
A célula normal quando agredida coloca em ação todo potencial adquirido nos milhões de anos de planeta Terra para sobreviver. A células assim chamadas de “malignas”, são carne de nossa própria carne e portanto também usam este potencial colocando em ação todos mecanismos disponíveis de sobrevivência, isto é, a ativação de fatores que: 1- promovem a proliferação celular; 2- impedem a apoptose e 3- aumentam a geração de novos vasos.
Um dos mecanismos que permitiu a sobrevivência do Homem no planeta foi a capacidade de regeneração e cicatrização das lesões, feridas e traumatismos. De fato, Dauer em 2005 mostrou que tanto a regeneração das feridas como o câncer são caracterizados por proliferação celular, remodelamento da matrix extracelular, invasão e migração celular e a formação de novos vasos e que tanto a regeneração tissular como o câncer utilizam mecanismos comuns de sinalização, entre eles o STAT 3 , o NF-kappa-B, etc..
Com o passar dos anos são descobertos mais e mais sinalizadores, transdutores e receptores relacionados com a proliferação celular, a diferenciação celular, a apoptose e a neoangiogênese tumoral. São fatores intracelulares muito antigos que estão sendo descobertos somente agora com a moderna tecnologia. Na verdade o estudo profundo das células normais revela a existência dos mesmos fatores existentes nas células ditas “malignas”, somente que em estado latente, não ativo, não fosforilado.
Todos esses fatores têm sido utilizados pelas células normais desde os primórdios de nossa existência, quando ainda éramos apenas seres unicelulares. Foram estes fatores que nos permitiram sobreviver aos extremos de temperatura, à escassez de alimentos, ao ar rarefeito (hipoxia), aos traumatismos, às feridas e às fraturas.
As agressões com perigo de quase morte ativam as vias de sinalização e permitem que as células se protejam e sobrevivam aos insultos e às lesões.As células doentes e que chamamos de malignas são carne da nossa própria carne que estão lutando desesperadamente para sobreviver e elas sabem muito bem colocar em ação todas as artimanhas de sobrevivência.
Desta forma, ao atingir o estado de “estresse de quase morte” desencadeia-se os fatores de sobrevivência e as células começam a proliferar, a se proteger da apoptose e a criar novos vasos para se nutrir.
Não são células malignas, não são células cancerosas, são apenas células doentes lutando para sobreviver. São células transformadas que precisam de cuidados, precisam de tratamento para que retornem às suas características iniciais em um fenômeno que se chama diferenciação celular ou desdiferenciação celular.
As agressões fortes como a quimioterapia e a radioterapia não conseguem erradicar 100% das células em proliferação e nas células que não morreram aumenta a geração de NF-kappaB , STAT-3 , etc.., , tornando as células sobreviventes ainda mais fortes e mais resistentes a novas abordagens semelhantes. A estratégia de extermínio somente vai aguçar os mecanismos antigos de sobrevivência e as células continuarão a proliferar com maior vigor.
As células em proliferação ininterrupta e desordenada formam conglomerados visíveis nos exames de imagem como tumores aos quais deu-se o nome de câncer. Como se o tumor fosse a própria doença. Na verdade o tumor visível é apenas um sinal tardio de um organismo que está doente há muito tempo, em geral 2 -3 anos. Nestes 2- 3 anos antes do aparecimento do tumor, os exames de imagem são negativos, os marcadores tumorais no sangue estão normais e os sintomas apresentados pelo paciente são inespecíficos.
É imperiosa a descoberta de novas tecnologias para o diagnostico realmente precoce desta patologia. Por exemplo: as mamografias em série descobrem o tumor e portanto não fazem diagnostico precoce, além de nocivamente exporem a mama a cargas de Raio X , desestruradoras da água intracelular.
O modo de abordagem mais coerente do paciente e que está de acordo com a fisiopatologia do processo patológico seria proporcionar condições ideais para que as células doentes recuperem e restabeleçam as suas funções. Uma das estratégias é agir na água intracelular transformando-a de desestruturada (alta densidade, ativa, fluída) em estruturada (baixa densidade, inativa, viscosa).
Podemos interferir com métodos que restaurem e mantenham a fosforilação oxidativa mitocondrial (nutrientes, ácido lipoico, dicloroacetato de sódio, etc), juntamente com a administração de substâncias estruturadoras .
O aumento da fosforilação oxidativa produzirá H+ estruturador através da bomba de prótons, aumentando a água tipo B e diminuindo diretamente a proliferação celular, além de aumentar a produção de ATP, aumentar a apoptose, aumentar a geração de radicais livres e assim diminuir a proliferação celular.
A administração de agentes estruturadores da água intracelular promoverá o equilíbrio das águas A e B, provocando a diferenciação celular: as células doentes voltam ao convívio social com as células do organismo.
A estratégia que descrevemos cuida das células doentes e cuida de cada órgão e sistema do corpo. Cuida do doente e da doença.
Considerações finais
Nos meus 20 anos de prática em medicina intensiva, perdi a batalha da vida muitas vezes. Muitos pacientes faleceram sob meus cuidados e o de professores de medicina em Unidades de Terapia Intensiva onde se dispunham de todos os recursos materiais e humanos. Em UTI dosamos um bom número de parâmetros bioquímicos no sangue e o fazemos de rotina pelo menos duas vezes ao dia. Nos pacientes de gravidade extrema a dosagem é seriada. Era estarrecedor observar que os parâmetros bioquímicos dos pacientes são iguais antes do óbito e no pós-óbito imediato. Nada se alterava no sangue e também não se alteravam as imagens e a histologia.
Era um verdadeiro mistério, enxergar alguém morrer sem modificações detectáveis pelas nossas ferramentas de escrutínio mais modernas nos mostrando claramente o quão pouco sabemos.
Atualmente podemos enxergar uma luz lá longe que nos permite entender melhor a morte e principalmente o que nos mantém vivos e saudáveis.
Se as pontes de hidrogênio forem muito fracas (exagero de água tipo A) elas não conseguem manter a estrutura terciária das enzimas e proteínas, não conseguem hidratar as macromoléculas, não conseguem manter a conformação das hélices do DNA e RNA e ocorre desestabilização das membranas citoplasmáticas e mitocondriais.
Se as pontes de hidrogênio forem muito fortes (exagero de água tipo B) os “clusters” são tão fortes, grandes e duradouros que as moléculas de água não ficam disponíveis para suas funções vitais de estruturação, hidratação e estabilização.
Quando as pontes de hidrogênio são muito fortes não há vida e quando são muito fracas também não há vida , embora tudo no organismo do paciente ou da pessoa “pareça estar normal“. Estão normais os exames bioquímicos de sangue, urina e líqüor, os exames de imagens (radiografia, tomografia, ressonância nuclear magnética) e mesmo os exames histológicos e os histoquímicos. A pessoa morre e nada vemos, nada encontramos de diferente no pré-óbito imediato.
Por outro lado no consultório, quando o paciente está com todos os exames normais, bioquímicos, de imagens e histológicos não podemos afirmar que esta pessoa está saudável.
É preciso encontrar métodos que permitam diagnosticar o estado da água no intracelular. De posse deste parâmetro estaremos aptos a :
1- Diagnosticar mais precisamente se o paciente está doente ou saudável.
2- Elaborar estratégias para a verdadeira prevenção de doenças e manutenção da saúde.
3- Abrir campo imenso e fértil no estudo e tratamento de vários tipos de doenças, incluindo as de difícil tratamento e as assim chamadas de incuráveis.
Conclusão
O perfeito funcionamento das células dependem da presença de 45 nutrientes essenciais (vitaminas, sais minerais, aminoácidos, ácido linoleico) que funcionam como matéria prima e principalmente como indutores gênicos na produção de enzimas, anticorpos, hormônios, neuro-transmissores, etc.: MATÉRIA
Não pode haver no intracelular xenobióticos (substâncias estranhas: conservantes, edulcorantes, corantes, alguns tipos de drogas lícitas, drogas ilícitas, etc..) e não pode haver contaminação / intoxicação por metais (chumbo, mercúrio, alumínio, cádmio, flúor, excesso de ferro, excesso de cobre, etc..).
É necessário que todas as glândulas de secreção externa e interna estejam funcionando em ordem.
É necessário ficar longe de campos eletromagnéticos prejudiciais e de zonas geo-patogênicas.
Ainda é preciso que os genes sejam funcionais, isto é, eles não devem estar hipermetilados e eles devem estar corretamente acetilados. Quando metilados na sua zona CpG os genes são “silenciados” , não funcionam. Os genes são “silenciados” durante o processo normal de envelhecimento, nos estresses pequenos de longa duração, nos estresses grandes de curta duração, no transcorrer das doenças e no câncer. Os genes são demetilados com o emprego de inibidores das DNA metiltransferases e são acetilados com os inibidores das histonas-desacetilases.
Todos esses elementos em conjunto e em equilíbrio mantém o potencial de membrana citoplasmático – Em – e o potencial de membrana mitocondrial – Delta-Psi mt – e portanto mantém a produção de ENERGIA .
A energia livre de Gibbs é o fator primordial para manter a entropia negativa, manter a luta pela organização, manter a luta contra a Natureza que deseja que façamos parte dela como moléculas e átomos e não como seres organizados. É a energia livre que mantém o exato grau de ordem-informação do sistema termodinâmico aberto que é a célula.
Entretanto, estes conhecimentos estavam incompletos, faltava algo. Faltava pensar e cuidar da água - INFORMAÇÃO - e assim aprendemos mais uma peça do quebra – cabeça da vida.
Agora podemos entender as falhas, as decepções, as batalhas perdidas, os insucessos no tratamento de tantos pacientes.
Sempre cuidamos das células com todo respeito bioquímico e fisiológico que elas merecem, porém, não estávamos empregando todos os conhecimentos possíveis.
Para funcionarem plenamente as células necessitam do equilíbrio intracelular entre a água estruturada e a água desestruturada. É´ o leve desvio para água estruturada com pontes de hidrogênio fortes o suficiente para manter as estruturas das enzimas, do DNA e do RNA que mantém funcionando todos elementos celulares de um modo harmônico, cooperativo e saudável.
A vida e a saúde dependem: MATÉRIA - INFORMAÇÃO - ENERGIA.
Infelizmente o quebra-cabeça não está completo, faltam peças. Quais serão? Emoções? ; Alma ? ; Espírito ? ; .................
“ MEDICINA BIOMOLECULAR é aquela que cuida do corpo humano com todo respeito bioquímico e fisiológico é aquela que cuida da : MATÉRIA - INFORMAÇÃO - ENERGIA”
JFJ
“A verdadeira causa das doenças e a MEDICINA ainda não fizeram as pazes. È´ porque a MEDICINA ainda é muito jovem. E o que dizer dos tratamentos ”
JFJ
“Não vamos desistir desta luta”
“No mundo não há fracassados e sim desistentes”
Confúcio
“Na arte de curar, deixar de aprender é omitir socorro. Retardar tratamentos esperando maiores evidências científicas é ser cientista e não médico”
JFJ
Referências Bibliográficas
- Chaplin, M.F. A proposal for structuring of water. Biophys. Chem. 83: 211-221; 1999.
- Chaplin, Martin. Livro eletrônico com 1400 referências bibliográficas: Water – Structure – Science: http://lsbu.ac.uk
- Dauer, DJ; Ferraro B; Soung L; Yu B; Mora L; Buettner R; Enkemann S; Jove R; Haura EB. STAT-3 regulates genes common to both wound healing and cancer. Oncogene: 24(21): 3397-408; 2005.
- Felippe JJ. Radicais Livres como Mecanismo Intermediário de Moléstia. In Felippe Jr. Pronto Socorro: Fisiopatologia – Diagnóstico – Tratamento. Ed.Guanabara –Koogan. 1168-1173,1990.
- Felippe JJ. Medicina Biomolecular. Revista Brasileira de Medicina Biomolecular e Radicais Livres. 1(1): 6-7,1994.
- Felippe JJ. Estratégia Biomolecular: uma das Bases da Medicina do Futuro. Revista Brasileira de Medicina Complementar. 7(1): 8-9,2001.
- Felippe JJ. Estratégia Terapêutica de Indução da Apoptose, da Inibição da Proliferação Celular e da Inibição da Angiogênese com a Oxidação Tumoral Provocada por Nutrientes Pró Oxidantes. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar. www.medicinacomplementar.com.br. Tema do mês de fevereiro de 2003.
- Felippe JJ . Em Busca do Mecanismo de Ação Único para o Tratamento das Doenças: Energia Livre - ATP. Um ensaio teórico com evidências experimentais. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar, www.medicinacomplementar.com.br . Biblioteca de Câncer. Janeiro. Tema do mês de maio de 2003.
- Felippe JJ. Tratamento do Câncer com medidas e drogas que inibem o fator nuclear NF-kappaB. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar. www.medicinacomplementar.com.br. Tema do mês de fevereiro de 2004.
- Felippe JJ. Tratamento do Câncer com Medidas e Drogas que Acordam Genes Silenciados pela Metilação das ilhas CpG do DNA. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar. www.medicinacomplementar.com.br. Tema do mês de abril de 2004.
- Felippe JJ. Fluidez da Membrana: possivelmente o ponto mais fraco das células malignas. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar. www.medicinacomplementar.com.br. Tema do mês de maio de 2004.
- Felippe JJ. Desacetilação como mecanismo de controle epigenético do Câncer: Inibição da Proliferação Celular Maligna, Aumento da Diferenciação Celular e Aumento da Apoptose. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar. www.medicinacomplementar.com.br. Tema do mês de julho de 2004.
- Felippe JJ. Metabolismo da Célula Tumoral - Câncer como um Problema da Bioenergética Mitocondrial: Impedimento da Fosforilação Oxidativa - Fisiopatologia e Perspectivas de Tratamento. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar. Tema do mês de agosto de 2004.
- Felippe, J.J. Câncer: população rebelde de células esperando por compaixão e reabilitação. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar . www.medicinacomplementar.com.br . Biblioteca de Câncer. Tema da semana de 16/05/05.
- Felippe JJ . Todos nós temos o poder de curar a nós mesmos. Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar, www.medicinacomplementar.com.br . Biblioteca de Câncer. Tema do mês de Janeiro de 2006.
- Felippe JJ Inflamação Crônica Subclínica - Peste Bubônica do Século XXI - Mecanismo Intermediário da Maioria das Moléstias que Afligem a Humanidade
Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar, www.medicinacomplementar.com.br . Biblioteca de Câncer. Tema do mês de Maio de 2006.
- Felippe JJ . Dicloroacetato e Câncer: Aumenta a Apoptose e Diminui a Proliferação Celular Maligna . Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar, www.medicinacomplementar.com.br . Biblioteca de Câncer. Tema do mês de maio de 2007.
- Felippe JJ . Câncer e Inibidores do STAT-3 : Curcumina , Partenolide e Resveratrol Revista Eletrônica da Associação Brasileira de Medicina Complementar, www.medicinacomplementar.com.br . Biblioteca de Câncer. Tema do mês de outubro de 2007.
- Fesenko E. E., Gluvstein A. Y. Changes in the state of water. Induced by radiofrequency electromagnetic fields. FEBS Letters 367:53-55; 1995.
- Hribar B, Southall NT, Vlachy V. How ions affect the structure of water. J.Am Chem. Soc. 124(41): 12302-12311; october 16; 2002.
- Lo S.Y, Li W.C, Huang S.H. Water clusters in life. Medical Hypotheses, 54(6), 948-953; 2000.
- Szent-Gyorgyi A. Biology and pathology of water. Perspect Biol Med 14:239-249; 1971.
- Szent-Gyorgyi. The Living State – With Observations on Cancer. Academic Press, New York, 1972.
- Wiggins P. M. Role of water in some biological processes. Microbiological Reviews 54: 432-449; 1990.
- Wiggins P.M. High and low density intracellular water. Cellular and Molecular biology tm 47 (5), 735-744; 2001.
- Wiggins P.M. Intracellular pH and the structure of cell water. J. theor. Biol. 37, 363-371; 1972.
- Wiggins P.M. Rowlandson J. Ferguson A.B. Preservation of murine embryos in a state of dormancy at 4ºC. AM. J. Physiol, 276(2 pt 1) C291-9; 1999.
- Wiggins P.M. Water structure as a determinant of ion distribution in living tissue. J. theor. Biol. 32,131-146; 1971.
- Wiggins, P.M. and van Ryan, R.T. Changes in ionic selectivity with changes in density of water. Biophys. J. 58: 585-596; 1990.
- Wiggins, P.M. High and low density water and resting, active and transformed cells. Cell Biol. Inm. 20: 429-435; 1996.
- Wiggins, P.M. Role of water in some biological processes. Microbiol. Rev. 54: 432-449; 1990.
|