Nosso principal objetivo é elaborar " PROTOCOLOS DE CONSENSO " das estratégias terapêuticas, com a finalidade de " REGULAMENTAÇÃO " no Conselho Federal de Medicina ou nos Conselhos de Classe Competentes.
 

Desvendando os segredos do câncer: a água tipo A desestruturada promove a carcinogênese e a água tipo B estruturada restaura a fisiologia e a bioenergética celular transformando as células cancerosas em células normais. Hipótese da carcinogênese.

 

 

                     

José de Felippe Junior

            O amor e o estudo são a agulha e a linha que tecem a Medicina


JFJ

            O saber e a dedicação são o pai e a mãe da Medicina


JFJ

“Sonhamos com o dia que o Templo do Conhecimento onde ensinam Medicina não formarão apenas simples repetidores de informações, mas verdadeiros médicos que aprenderam os fundamentos do livre pensar”


JFJ

            “O médico é o responsável pelo paciente, amordaçá-lo e coibi-lo é crime que fere os direitos do próprio paciente”


JFJ

“Ninguém pode paralisar as ações dos verdadeiros médicos”


JFJ

“A verdadeira causa das doenças e a MEDICINA ainda não fizeram as pazes. É porque a MEDICINA ainda é muito jovem. E o que dizer dos tratamentos”


JFJ

“As enfermidades são muito antigas e nada a respeito delas mudou. Somos nós que  mudamos ao aprender a reconhecer nelas o que antes não percebíamos”


Charcot

 

Hipótese da Carcinogênese: A inflamação crônica persistente provoca nas células do sítio inflamatório uma lenta diminuição citoplasmática dos osmolitos kosmotropos os quais vagarosamente provocam a mudança da água B estruturada em água A desestruturada a qual gradativamente diminui o grau de ordem-informação do sistema termodinâmico celular que ao atingir o ponto máximo suportável de entropia provoca na célula um “estado de quase morte”. Neste ponto de baixa concentração de osmolitos, predomínio de água  desestruturada e alta entropia celular as células se transformam e lutam para se manterem vivas e o único modo de sobreviver é através da proliferação celular. Elas colocam em ação mecanismos milenares de sobrevivência, justamente aqueles que mantiveram as células normais no Planeta durante a Evolução. Desta forma, ocorre ativação de fatores e vias de sinalização, alcalinização citoplasmática, predomínio do ciclo de Embden-Meyerhof, etc., os quais promovem a proliferação celular neoplásica, a diminuição da apoptose, a formação de novos vasos e o impedimento da diferenciação celular. O predomínio da água A no intracelular aumenta a hidratação e o volume celular. As estratégias que transformam a água A desestruturada em água B estruturada restauram a fisiologia e a bioenergética celular e as células neoplásicas se diferenciam em células normais e caminham para o processo fisiológico contínuo de morte celular programada.

Quando células normais são submetidas a um regime persistente de sofrimento ou estresse crônico (inflamação crônica, infecção crônica, irritação crônica, intoxicação crônica, hipoxia crônica, acidose crônica etc.) elas passam a viver em um sitio inflamatório com hiposmolalidade intersticial. Como mecanismo de defesa para manterem o volume celular elas perdem osmolitos kosmotropos ou apresentam diminuição dos osmolitos kosmotropos em relação aos caotropos.

Com a manutenção do estresse crônico que pode durar anos, sorrateiramente vai diminuindo a concentração de solutos kosmotropos e a água B estruturada, paulatinamente vai se transformando em água A desestruturada. O metabolismo energético também sorrateiramente vai passando de fosforilação oxidativa de grande produção de energia para metabolismo anaeróbio de baixa produção de energia.

Em um primeiro estágio temos a alteração da função da célula e com a evolução do processo vem a alteração da sua estrutura. Tudo isto acontecendo lentamente e em pequenas proporções de um modo silencioso, sem sinais ou sintomas possíveis de serem notados por um bom clínico ou pelos exames de imagem que dispomos.

O aumento gradativo da água A desestruturada diminui paulatinamente o grau de ordem-informação do sistema termodinâmico da célula até atingir um ponto de limite máximo de entropia com graves alterações da fisiologia e da bioenergética celular. Ao atingir o limite máximo de entropia a célula entra em um “estado de quase morte” descarta o pesado mecanismo da fosforilação oxidativa mitocondrial e passa de estado “Beta” para estado “Alfa” onde predomina o metabolismo anaeróbio de Embden-Meyerhof de baixa produção de ATP. Isto significa que a célula voltou a funcionar no estágio arcaico da evolução onde reinava a saturação eletrônica, a hipoxia e o excesso agentes redutores. Neste ponto a célula coloca em ação mecanismos milenares de sobrevivência e ativa oncogenes e fatores e vias de sinalização, alcaliniza o citoplasma e ativa enzimas da glicólise anaeróbia que em conjunto provocam o aumento da proliferação celular, a inibição da apoptose, a produção de novos vasos e a inibição da diferenciação celular: neoplasia.

Não são células malignas ou cancerosas são células neoplásicas ou transformadas tentando aumentar o grau de ordem-informação, lutando para diminuir a entropia, lutando para sobreviver. São células neoformadas cuja meta é viver.

Quando a água predominante no intracelular com fisiologia normal do tipo B, de baixa densidade, osmoticamente inativa e rica em pontes de hidrogênio transforma-se em água tipo A, de alta densidade, osmoticamente ativa e pobre em pontes de hidrogênio ocorre aumento da hidratação da célula com aumento do volume celular.

Todos os fatores e vias de sinalização como o NF-kappaB, STAT-3, SAP/MAPK, VEGF, EGF, PDGF, etc., constituintes milenares das células normais, e que são colocados em ação nos traumatismos, feridas, fraturas e nos processos fisiológicos de cicatrização e controle das infecções são os responsáveis pela nossa sobrevivência no Planeta. No ponto de “quase morte” estes mesmos mecanismos de sobrevivência são ativados e todos em conjunto provocam a proliferação celular redentora da célula moribunda. Desta forma, tais elementos nada mais são que efeitos secundários do processo neoplásico, reações que fazem parte dos mecanismos de sobrevivência a qualquer custo e portanto sinais tardios da carcinogênese. Estão na ponta direita do processo carcinogênico. Na ponta esquerda do processo está a diminuição da concentração dos osmolitos citoplasmáticos.

A sustentação desta hipótese foi dividida em 10 partes:

    I-A água

    II-O que nos revela a composição química da água : H2O

    III-Nas células normais coexistem dois tipos de água: tipo A e tipo B

    IV-Evidências que no tecido neoplásico encontramos  diminuição dos osmolitos citoplasmáticos

    V-Evidências que na célula em proliferação predomina a água tipo A

    VI-A ativação de fatores e vias de sinalização celular e de “oncogenes” e a alcalinização citoplasmática  são secundários ao “estresse de quase morte”

    VII-Outras particularidades das células neoplásicas

    VII a- Aumento da hidratação celular
    VII b- Aumento do volume celular

    VIII-Vida-Ordem-Informação-Entropia

    IX-O “estado de quase morte” altera o local de produção de ATP da fosforilação oxidativa mitocondrial para o metabolismo anaeróbio citoplasmático

    X-Tratamentos das neoplasias aumentando a água estruturada tipo B em relação à água tipo A

    Xa- A hiperosmolalidade intersticial retira do citoplasma a água tipo A e diminui a proliferação celular neoplásica.
    Xb- O aumento de substâncias kosmotropas, estruturadoras da água intracelular possui efeito anticarcinogênico.

    I- A água

    A água é uma das mais extraordinárias substâncias que se encontram no Planeta, ela tem personalidade própria e contraria tudo o que conhecemos da química e da física clássica. Ela não segue nem os princípios da Tabela Periódica dos Elementos de Dimitri Ivanovitch Mendeleev.

    É o caráter anômalo da água que a faz a substância mais importante do nosso organismo. É a estrutura molecular da água a responsável pela existência dos seres vivos e sem água não haveria vida, como a conhecemos (Felippe- fevereiro de 2008). Um dos pesquisadores mais criativos que já passaram por este mundo, Albert Szent-Gyorgyi, afirmou que a água é a matéria, a matrix e a mãe da vida e que a estrutura molecular da água é a essência da vida.

    Este comportamento anômalo da água se deve à presença das pontes de hidrogênio, pontes água-água.

    As pontes de hidrogênio são ligações atômicas do átomo de hidrogênio de uma molécula de água com o átomo de oxigênio de outra molécula de água formando “clusters” ou aglomerados de várias moléculas de água ou (H2O)n, onde n é o número de moléculas de água ligadas pelas pontes de hidrogênio.

    As pontes de hidrogênio com força randômica para mais ou para menos são necessárias no intracelular para:

    1- estabilizar a conformação das hélices do DNA e do RNA o que mantém a estrutura da molécula e a sua especial característica de enrolar e desenrolar as hélices,
    2- manter a estrutura tridimensional das enzimas e das proteínas,
    3- estabilizar a estrutura terciária das enzimas e das proteínas,
    4- manter a hidratação das proteínas, ácidos nucléicos e macromoléculas,
    5- estabilizar, manter e proteger a membrana citoplasmática e mitocondrial,
    6- interferir no potencial de membrana citoplasmático (Em) e no potencial de membrana mitocondrial (Delta-psi mt),
    7- interferir na homeostasia dos poros da membrana citoplasmática e mitocondrial,
    8- interferir na velocidade das reações químicas intracelulares,
    9- participar das reações de hidrólise,
    10- veicular informação, etc...

    Deste modo, as pontes de hidrogênio são fundamentais na fisiologia celular porque funcionam como solvente, soluto, estabilizador de estruturas e veículo de informações para que as células consigam cumprir plenamente as suas funções e sejam consideradas normais.

    É importante salientar que os “clusters” de água são creados pela interação de minúsculas quantidades de substâncias orgânicas ou inorgânicas com a água, os osmolitos (Lo-2000, Wiggins-1971-2001, Chaplin MF-1999) sendo clássico na literatura a existência de osmolitos que constroem (kaotropos) e osmolitos que destroem (caotropos) as pontes de hidrogênio da água intracelular. Os primeiros aumentam quantidade de água tipo B no intracelular e os segundos a água tipo A . Sobre elas escreveremos  logo mais.

    O organismo humano contém 60% de água (42 litros no homem de 70 kg com massa magra normal e 12% de gordura), distribuída no intravascular (5% ou 3,5 litros), no intersticial (15% ou 10,5 litros) e os restantes 28 litros no intracelular. A célula contém 80% de água e 20% de solutos. Somos um aquário ambulante e somente pensamos nos solutos, nunca na água.

    II- O que nos revela a composição química da água : H2O

    A água  se dissocia em cations H3O+ e  anions OH-  e se encontra em equilíbrio dinâmico e constante de acordo com a reação abaixo:

                     ---------------->
                2H2O.......................... (H3O)+...  +... OH-
            .......  <---------------...  
     
                O cation H3O+ :

    1- Diminui o pH citoplasmático, acidifica o meio intracelular e impede a proliferação celular.
    2- É um forte agente kosmotropo: estrutura a água intracelular e impede a proliferação.
                O anion OH- :
    1- Aumenta o pH citoplasmático, alcaliniza o meio intracelular e facilita a proliferação celular.
    2- È um forte agente caotropo: desestrutura a água intracelular e facilita a proliferação.

                A água é formada por 2 átomos de hidrogênio e 1 átomo de oxigênio.
                Os átomos de hidrogênio são redutores (antioxidantes) e portanto diminuem o potencial redox intracelular e funcionam como agentes que facilitam a proliferação.
                Os átomos de oxigênio são oxidantes e portanto aumentam o potencial redox e funcionam como agentes que impedem a proliferação.
                Desta foram, a molécula de água é composta por elementos que facilitam ou impedem a proliferação celular dependendo de estarem ou não ionizados. E o mesmo elemento pode funcionar de um modo ou de outro dependendo deste estado.

    III- Nas células normais coexistem dois tipos de água : tipo A e tipo B

    Há muito tempo sabemos que no intracelular encontram-se dois tipos de água.
    Philippa Wiggins, pesquisadora da Nova Zelândia que estuda a água há mais de 40 anos, cita os estudos de Henderson de 1913 e os de Robinson de 1994 junto com Vedamuthu e de 1997 e 1999 junto com Cho que culminaram em descoberta fundamental para a exata compreensão da fisiologia celular. Esses autores constataram que no citoplasma dos mamíferos coexistem dois tipos de água, isto é a vida das células depende de dois tipos de água (Wiggins-1971, 1972,1990 a-b-c, 1999, 2001).

    Com finalidade didática vamos chamá-las de água A e água B:

    Água A: alta densidade, osmoticamente ativa e fluída por apresentarem pontes de   hidrogênio fracas.

    É uma água sem estrutura (desestruturada), com “clusters” pequenos, isto é, com o
     “n” do (H2O)n muito baixo.
    Densidade : 1,18 g/ml

    Água B: baixa densidade, osmoticamente inativa e viscosa por apresentarem pontes de hidrogênio fortes.

    É uma água estruturada, com “clusters” maiores, isto é, com o “n” do (H2O)n elevado e de grande duração.
    Densidade: 0,91 g/ml

    IV- Evidências que no tecido neoplásico encontramos  diminuição dos osmolitos citoplasmáticos

    Na evolução da espécie humana, durante a transição dos organismos primitivos do meio aquoso para o terrestre os genes sofreram mutações e paralelamente provocaram a necessária diminuição da proliferação celular com aumento da diferenciação e ainda proporcionaram proteção contra a dessecação celular, sem a qual os organismos não sobreviveriam em ambiente não aquoso. A proteção contra a dessecação foi proporcionada pelo acúmulo citoplasmático de osmolitos orgânicos e inorgânicos (Ferraris-1999-2001, Dmitrieva-2006).

    Na carcinogênese ocorre o inverso do que aconteceu na evolução, isto é observamos aumento da proliferação celular com diminuição da diferenciação e seguindo este raciocínio podemos inferir que o mecanismo contra a dessecação celular também se inverteu, portanto esperamos encontrar nas células cancerosas uma diminuição dos osmolitos orgânicos e inorgânicos.

    De fato, na literatura médica de bom nível encontramos vários trabalhos que mostram que o tecido neoplásico possui drástica diminuição dos osmolitos em relação ao tecido normal correspondente.
     
    A hipertonicidade intersticial ativa fatores de transcrição (TonEBP/OREBP – “tonicity-responsive enhancer/osmotic response element binding protein) que resultam no aumento da expressão de genes envolvidos no acúmulo de osmolitos orgânicos osmoprotetores (Burg- 1995-2007, Zhou-2006). A hiperosmolalidade do meio provoca o aumento dos osmolitos citoplasmáticos como mecanismo de defesa para evitar a dessecação/desidratação da célula. Este é um dos mecanismos mais antigos que permitiram a passagem da vida do meio aquoso para o meio terrestre. Os organismos primitivos que conseguiram evitar a dessecação foram aqueles que conseguiram viver fora da água.

    Do lado oposto, cremos que a hipotonicidade intersticial promovida pelo edema da inflamação crônica persistente, inibe os fatores de transcrição TonEBP/OREBP o que provoca a diminuição dos osmolitos citoplasmáticos.

    Passemos para estudos concretos sobre este problema agora em humanos.

    Tugnoli e Tossi em 2000, examinaram amostras de carcinoma renal provenientes de 10 pacientes cirúrgicos, por meio da 1H MRS (1H magnetic resonance spectroscopy). Estudaram, in-vitro, 10 amostras tumorais e 10 amostras de tecido normal ao redor do tumor. O MRS nos informa sobre as substâncias osmoticamente ativas da célula renal (osmolitos) que são consideradas classicamente como marcadores da função fisiológica renal.

    Os autores encontraram marcante diminuição dos osmolitos citoplasmáticos nas células tumorais e consideraram  este fato como o lacre que atesta a presença de câncer.

    Para Felippe Jr, a diminuição dos osmolitos provoca predomínio da água tipo A que na fase inicial provoca alteração da função e depois na evolução com o grande aumento da água desestruturada e a mudança para metabolismo anaeróbio desencadeia-se o câncer.

    Tugnoli em 2003 estudou a composição bioquímica do tecido renal normal e neoplásico por meio da MRS (magnetic resonance spectroscopy) e do HPLC (high performance liquid chromatography). Foram examinados treze pacientes com nefrocarcinoma, dos quais foram retirados 24 amostras de tecido: 13 do nefrocarcinoma  propriamente dito, 9 do parênquima normal em torno do tumor e 2 do córtex e medula renal saudáveis. A MRS nos dá informação sobre os osmolitos intracelulares e o HPLC sobre a composição dos aminoácidos.

    Nos nefrocarcinomas foi encontrado GSH , glutationa reduzida fornecedora de átomos de hidrogênio que fomenta a proliferação celular. Nos tecidos não proliferativos não se encontrou GSH.

    No tecido normal os osmolitos estavam presentes em quantidade fisiológica  enquanto no tecido neoplásico observou-se marcante diminuição dos osmolitos.

    Para Tugnoli a marcante diminuição dos osmolitos é típica do câncer. Entretanto, cremos que o câncer acontece somente quando a quantidade de osmolitos decresce até o ponto de desestruturar a água citoplasmática no nível máximo de entropia suportado pela célula. Em outros níveis teremos apenas disfunção celular sem câncer.

    Tugnoli e Righi em 2007 estudaram tecidos renais normais e neoplásicos por meio da HR-MAS-MRS (high resolution-magic angle spinning-magnetic resonance spectroscopy) de cinco pacientes, três com carcinoma renal de células claras e dois com carcinoma renal papilar. Todos pacientes foram submetidos a nefrectomia radical e os tecidos frescos provenientes do córtex normal, medula normal e tumor foram estudados pelo HR-MAS-MRS.

    No córtex e na medula normais encontrou-se a presença de osmolitos atestando a condição de tecidos com fisiológica normal. No carcinoma de células claras encontrou-se marcante diminuição ou mesmo o desaparecimento dos osmolitos. No carcinoma papilar encontrou-se grande quantidade de taurina.

    Este trabalho mostra que nas células normais os osmolitos estão presentes e portanto também esta presente a água tipo B estruturada a qual mantém a função normal das células.

    No carcinoma renal de células claras ocorre diminuição dos osmolitos e portanto aumento da água desestruturada do tipo A. No carcinoma papilar encontrou-se aumento do aminoácido taurina que alguns pesquisadores acreditam ser um desestruturador da água intracelular, isto é ele aumenta a quantidade de água tipo A no citoplasma.

    Desta forma, mostramos evidencias concretas que realmente encontramos diminuição dos osmolitos no tecido neoplásico.

    V- Evidências que na célula em proliferação predomina a água A

    Muitas evidências apontam o predomínio da água tipo A desestruturada, de alta densidade e osmoticamente ativa nas células em proliferação.

    Hazlewood em 1971 mostrou mudanças do estado da água no músculo normal em desenvolvimento e proliferação e logo a seguir Damadian sugeriu que tecidos neoplásicos indiferenciados podiam ser diagnosticados pela mesma técnica: o “ spin-lattice relaxation time” T1 e T2 dos prótons da água por Ressonância Nuclear Magnética (RNM).

    Nos anos seguintes surgiram na literatura trabalhos corroborando a pesquisa de Damadian. Eram tumores humanos transplantados em animais que podiam ser distinguidos dos tecidos normais correspondentes com a técnica de RNM: fibrosarcoma, linfosarcoma, melanoma, rabdomiosarcoma, tumor de células redondas e tumor de células fusiformes (Weisman-1971 ,  Hollis-1973).

    Em humanos surgiram muitos trabalhos com tumores in vitro indicando que Damadian estava correto: mama (Eggleston-1975, Goldsmith-1978, Medina-1975), pulmão (Goldsmith-1977), tiróide (De Certaines-1982, Shara-1974), e tumores cerebrais (Benoist-1981, Chatel-1986, Parrish-1973).

    Hazlewood em 1972 pesquisando a água do intracelular com a técnica da  Ressonância Nuclear Magnética dos prótons da água citoplasmática da glândula mamária do camundongo conseguiu a façanha de distinguir o estado pré neoplásico do estado neoplásico.
     
    Em 1975 Hazlewood junto com Medina estudando a água intracelular por RNM das células da glândula mamária humana conseguiu mostrar as diferenças entre tecido normal, doença não neoplásica e doença neoplásica: aumento progressivo da água desestruturada tipo A em relação à estruturada tipo B.

    Estes achados corroboram a hipótese de Felippe Jr onde o aumento progressivo da água desestruturada provoca em um primeiro estágio a disfunção celular (doença) e no estágio final com a progressão do aumento da água A, surge a proliferação celular (neoplasia) que é desencadeada pelo grau máximo de alteração funcional, “estado de quase morte” (Felippe-fevereiro-2008).

    Em 1980 Hazlewood junto com Beall em culturas de células mamárias de camundongo empregando a mesma técnica foi capaz de distinguir células normais, células pré- neoplásicas e células neoplásicas, pelas características da água intracelular. Os valores de T1 dos prótons da água (spin-lattice relaxation time) para as células normais foi 916+/-24 mseg. ; para as células pré neoplásicas 1029+/-24 mseg. e para as células neoplásicas 1155+/-42 mcseg.. Na distinção entre células normais e neoplásicas o nível de significância foi p< 0,001 e entre as células normais e pré neoplásicas foi p< 0,005, isto é, todas as diferenças foram altamente significantes. Entretanto, houve “overlap” dos resultados o que não permite o seu uso na prática clínica.

    Fung em 1975 mostrou que no músculo normal predomina a água tipo B e no músculo com tumor sólido a água tipo A.

    Em 1983, Damadian mostrou que as moléculas de água dos tecidos malignos eram caracterizadas por um aumento de mobilidade osmótica e portanto de água tipo A.

    Em 1996 Wiggins mostra que o tipo de água A de alta densidade e desestruturada predomina nas células em proliferação e a água do tipo B de baixa densidade e estruturada predomina nas células em repouso mitótico, estado quiescente. A água tipo B presente nas células em repouso mitótico é convertida em água tipo A quando elas passam a proliferar. A autora mostrou que a mudança de um estado para outro faz parte integral da função celular (Wiggins-1996).

    Pouliquen em 2001 através da Ressonância Nuclear Magnética 1H com relaxometria estudou a água citoplasmática no linfoma de camundongo, provocado por dieta pobre em fitoquímicos e rica em ácidos graxos saturados e carboidratos refinados.

    O autor encontrou a alteração que cremos fundamental na carcinogênese, a diminuição da água tipo B estruturada nos tumores. Este disciplinado pesquisador francês mostrou também que havia diminuição da água estruturada no soro, no coração e em maior intensidade no fígado.

    O estudo além de revelar a diminuição da água tipo B no tumor, nos mostrou o caráter sistêmico do câncer, isto é, o organismo fica doente como um todo, ele não tem apenas o tumor visível.

    É importante frisar que em 1981, Beall e Hazlewood já haviam escrito em livro sobre os efeitos sistêmicos do câncer em animais e seres humanos mostrando que nos portadores de tumor havia alterações do comportamento da água tanto no soro como em diversos tecidos não tumorais. O T1 para os prótons da água era 15 a 20% maior nos tecidos normais de animais com tumor quando comparado com animais sem tumor, fenômeno devido ao efeito sistêmico da neoplasia.

    De Certaines na França, comparou o soro de 310 pacientes portadores de diversos tipos de tumor em diferentes estágios de evolução com o soro de 224 controles normais. Verificou que o aumento de T1 aparecia somente nos estágios finais da doença, entretanto constatou fato da mais alta importância: na fase imperceptível do câncer ocorreu uma leve diminuição do T1 (DE Certaines-1983).

    VI- A ativação de fatores e vias de sinalização celular e de “oncogenes” e a alcalinização citoplasmática  são secundários ao “estresse de quase morte”

    Nos últimos 40 anos com o advento da biologia molecular foram descobertos centenas de fatores (NF-kappaB,VEGF,EGF,PDGF,etc.) que são ativados por uma gama enorme de vias de sinalização (STAT3,SAP/MAPK-JNK/MAPK,ERK/MAPK,p38/MAPK), ao lado da ativação de inúmeros  “oncogenes” (c-fos, c-jun, c-myc etc.). Todos esses eventos cursam em paralelo com o aumento da proliferação celular, a diminuição da apoptose, a geração de neo vasos e a diminuição da diferenciação, o que levou a maioria dos pesquisadores a estudá-los com afinco, na busca de inibidores que fossem eficazes no tratamento do câncer.

    Entretanto, todos estes fatores são secundários, são efeitos resultantes dos fortes mecanismos de sobrevivência celular desencadeados pelo “estado de quase morte” e fazem parte da fase final do processo carcinogênico, que é a proliferação celular.

    O mecanismo principal que permitiu a sobrevivência do Homem no planeta foi justamente a capacidade de regeneração e cicatrização das lesões, feridas e traumatismos e estes mecanismos estão na intimidade dos genes tanto das células normais como das células  “malignas”.

    De fato, há muito tempo Dvorak sugeriu que a cicatrização e o estroma tumoral compartilhavam das mesmas propriedades, incluindo a hiperpermeabilidade vascular, o extravasamento de fibrinogênio , a coagulação extravascular e a presença de proteoglicans como o sulfato de condroitina. Tanto nas feridas como no estroma tumoral o fibrinogênio está presente e se transforma em fibrina que é transformada depois em um estroma colagenoso (Brown-Dvorak-1988 e Yeo-Dvorak-1999).

    Finalmente, Dauer em 2005 mostrou que tanto a regeneração das feridas como os cânceres são caracterizados por proliferação celular, remodelamento da matrix extracelular, invasão e migração celular e a formação de novos vasos e que tanto a regeneração tissular como o câncer utiliza mecanismos comuns de sinalização, entre eles o STAT 3 , o NF-kappa-B, o SAP/MAPK etc. (Felippe- fevereiro de 2004 , outubro de 2007 , abril de 2008).

    Todos esses fatores têm sido utilizados pelas células normais desde os primórdios de nossa existência, quando ainda éramos apenas seres primitivos. Foram estes fatores que nos permitiram sobreviver aos extremos de temperatura, à escassez de alimentos, ao ar rarefeito (hipoxia, acidose), aos traumatismos, às feridas, às fraturas e às infecções (Felippe- fevereiro de 2004).

    As agressões com lesões graves ou perigo de “quase morte celular” ativam fatores e vias de sinalização que protegem as células permitindo que sobrevivam aos insultos e às lesões. Entretanto nas neoplasias, todos eles são elementos tardios e secundários do processo, pertencem à ponta direita da carcinogênese.  As células doentes e que chamamos de malignas estão lutando desesperadamente para sobreviver e elas sabem muito bem colocar em ação todas as artimanhas de sobrevivência (Felippe- maio de 2003 , maio de 2005 , outubro de 2007).

    Também é secundária a alcalinização do citoplasma que proporciona o pH adequado à proliferação celular.

    De fato, o início da proliferação celular mitótica geralmente é precedido pela alcalinização do citoplasma usualmente desencadeada pela estimulação dos canais de  Na+/H+ (Tannock-1989) e pela ativação das anidrases carbônicas IX e XII (Ivanov-2001, Zavadova-2005).

    A maioria das células malignas funciona com a energia proveniente da glicólise anaeróbia, que gera grandes quantidades de ácido lático e acidifica o meio intracelular. O meio ácido inibe as enzimas da glicólise, motor da mitose, e assim como mecanismo de sobrevivência as células malignas aumentam a expressão de elementos que facilitam o fluxo de prótons H+ para fora das células.

    Um destes elementos é a bomba Na+ / H+ e deste modo ocorre aumento da expressão desta bomba extrusora de prótons na membrana das células malignas (Barriere-2001).

    Outro elemento são as anidrases carbônicas IX e XII de ocorrência natural nas células normais  altamente especializadas que entretanto sofrem aumento significativo da expressão nas células neoplásicas. Foi o que Ivanov observou em 87 linhagens de células cancerosas e em 18 tumores sólidos onde as anidrases carbônicas IX e XII estavam presentes de moderada a alta quantidade (Ivanov-2001). Para Zavadova a expressão da anidrase carbônica IX se restringe à mucosa do trato alimentar, porém, ela está presente em alta porcentagem de cânceres humanos, tecidos que normalmente não é encontrada (Zavadova-2005).

    No final teremos a alcalinização do meio intracelular e acidificação do meio intersticial que banha as células neoplásicas. Medidas diretas mostram que o pH extracelular dos tumores é cerca de 0.5 unidades de pH inferior ao correspondente tecido não neoplásico, isto corresponde a um aumento de 50 nanomoles de H3O+ no intersticio  (Yamagata-1996).

    Junto com o aumento da expressão da bomba Na+ / H+ acontece outro mecanismo de sobrevivência celular: aumento da atividade da Akt, proteína que protege a célula da apoptose (Wu-2004). O aumento da atividade da Akt bloqueia a citotoxicidade do TRAIL (Tumor necrosis factor-Related Apoptosis-Inducing Ligand) e aumenta a atividade do NF-kappaB, fator nuclear primordial na sobrevivência das células malignas (Ozes-1999, Chen-2001, Thakkar-2001).

    VII- Outras particularidades das células neoplásicas
                 
    VIIa- Aumento da hidratação celular
    Uma das características das células cancerosas é o seu conteúdo de água semelhante ao do tecido embrionário da mesma origem, isto é, elevado. De fato, as células cancerosas apresentam consistentemente um conteúdo de água maior que as células normais da mesma origem (Winzler-1959).

    Olmstead em 1966 coletou na literatura vários trabalhos nos quais o aumento do conteúdo de água dentro da célula se correlacionava com a carcinogênese. Entretanto, o autor não especificou o tipo de água , que pelos estudos acima supomos ser a tipo A.

    VIIb- Aumento do volume celular
    Na nossa hipótese a diminuição dos osmolitos intracelulares promove aumento da água tipo A. A água tipo A é osmoticamente ativa e fluida e provoca aumento do volume celular porque o mesmo número de moléculas de água A desestruturada com moléculas livres, isto é, com pontes de hidrogênio escassas ou ausentes ocupam maior volume que a água B estruturada que é osmoticamente inativa e viscosa porque apresenta pontes de hidrogênio fortes que mantém coesas as moléculas de água das quais a maior parte esta na intimidade das macromoléculas, proteínas e enzimas e não livres no citoplasma. Acrescenta-se que alterações da conformação das proteínas citoplasmáticas devido às pontes de hidrogênio mais fracas promovem o influxo de água para dentro das células (Cameron-2005).

    De fato, estudos morfométricos diretos com a análise computadorizada quantitativa da imagem histológica, mostraram que no início da proliferação mitótica as dimensões da célula aumentam. A medida direta do aumento volumétrico da célula neoplásica foi verificada no epitélio oral de lesões de alto risco de transformação maligna (Shabana-1987) e no câncer da mucosa nasal induzido pelo níquel (Boysen-1980).

    Nos fibroblastos normais o aumento do volume celular corre paralelo com a transição da fase G1 inicial para fase S proliferativa do ciclo celular (Perdergrass-1991).

    VIII- Vida-Ordem-Informação-Entropia

    O grande cientista Ilya Prigogine, prêmio Nobel de Física, demonstrou que um sistema em estado de desordem (entropia) pode passar para um estado de ordem (entalpia) se ele for submetido a um fluxo considerável de energia.

    Enunciou o seu conceito da seguinte forma: "Um sistema aberto quando sujeito a um grande fluxo de energia aumenta o seu grau de ordem-informação”. Sistema aberto: é aquele onde entra e sai energia e matéria: célula (Sodi-Pallares-1998-2000, Felippe-maio de 2008).

    A vida necessita de fluxo de ordem e de fluxo de energia com a geração do inevitável desperdício. Para manter a vida é preciso um sistema eficiente que do exterior adicione energia e ordem e que do interior retire os desperdícios.

    Nestas condições, doença é igual à desordem (entropia) e cura é a restauração da ordem. Aumentamos o fluxo de ordem na célula, via alimentos antigos no Planeta e crus e o fluxo de energia via fosforilação oxidativa mitocondrial com grande produção de ATP.

    A energia utilizada em todas as células e que mantém as funções do organismo é a energia livre de Gibbs (ATP) e sem ela não haveria vida animal ou vegetal (O conceito de energia livre é um pouco mais complexo do exposto).

    Todos os fatores que diminuem a produção de ATP aumentam a entropia e diminuem o grau de ordem-informação do sistema termodinâmico aberto que é a célula: DOENÇA.

    Todos os fatores que aumentam a produção de ATP, diminuem a entropia e aumentam o grau de ordem-informação da célula: SAÚDE.

    A vida é uma eterna luta para manter a ordem e a energia. Energia sem ordem e ordem sem energia são incompatíveis com a vida.

    IX- O estado de “quase morte” altera o local de produção de ATP da fosforilação oxidativa mitocondrial para o metabolismo anaeróbio citoplasmático

    Durante a evolução as células primitivas passaram do estado “Alfa” de baixa produção de energia e alta saturação eletrônica para o estado “Beta” de alta produção de energia e alta insaturação eletrônica. Na carcinogênese ocorre o inverso do que aconteceu na evolução e as células passam do estado normal “Beta” para o estado doente “Alfa”.

    As células normais encontram-se no estado “Beta”, o mais recente da evolução: luz - metabolismo aeróbio, onde predomina a insaturação eletrônica, a oxidação e a fosforilação oxidativa mitocondrial. Neste regime o mecanismo de sobrevivência é a diferenciação celular. O motor destas células é a fosforilação oxidativa mitocondrial e o combustível são os átomos de OXIGÊNIO.

    Os átomos de oxigênio são provenientes da atmosfera, mas não estão proibidos de virem de substâncias que têm oxigênio em sua composição.

    As células cancerosas encontram-se no estado “Alfa”, o mais arcaico da evolução: escuridão - metabolismo anaeróbio, onde predomina a saturação eletrônica, o estado redutor e o metabolismo anaeróbio citoplasmático. Neste regime o mecanismo de sobrevivência é a proliferação celular. O motor destas células é o ciclo de Embeden-Meyerhoff citoplasmático e o combustível são os átomos de HIDROGÊNIO.

    Os átomos de hidrogênio são provenientes das substâncias antioxidantes (redutoras) como o GSH, NADH, NADPH, tocoferol, ácido ascórbico, etc.

    Lembrar que os ATPs gerados no ciclo glicolítico de Embden-Meyerhof  suprem o núcleo e os ATPs gerados pela fosforilação oxidativa não suprem o núcleo. Sem energia os cromossomos são imóveis, não se duplicam.

    Para Szent-Gyorgyi à ameaça de morte ou severa lesão a célula descarta o estado “Beta”, descarta o pesado mecanismo oxidativo mitocondrial e passa para o mais simples estado “Alfa”: metabolismo anaeróbio- redutor - proliferativo. É um estado onde predomina a saturação eletrônica que é o estado primitivo de sobrevivência.

    De fato, um grande estudioso francês do metabolismo tumoral afirma que o conjunto de células cancerosas de determinado sítio, apresenta uma grande variedade de estados de diferenciação, indo de células altamente diferenciadas, perto da célula da mesma origem com fosforilação oxidativa e glicólise anaeróbia quase normais e baixa velocidade de crescimento; até células altamente indiferenciadas com mínima fosforilação oxidativa, alta glicólise anaeróbia e alta velocidade de crescimento (Baggetto – 1992), fatos que corroboram a nossa hipótese.

    De fato, as células normais em sofrimento persistente, passam pos várias fases até atingirem o ponto de proliferação. A radioterapia e a quimioterapia são eficazes somente nas células em proliferação, quando elas chegaram à etapa final da carcinogênese. Quando elas acabaram de exterminar uma determinada quantidade de células em proliferação , chegam mais células que estavam na fila do processo.  

    X- Tratamentos das neoplasias aumentando a água estruturada tipo B em relação à água tipo A

    Foi a capacidade de manter os osmolitos citoplasmáticos em certa quantidade ideal que permitiu a passagem da vida do meio aquoso para o terrestre o que se constitui em um dos  mecanismos mais importantes que mantém a vida da célula. Podemos considerá-lo como o “tendão de Aquiles” de sobrevivência de qualquer tipo de célula.

    A estratégia de diminuir a quantidade de água tipo A e aumentar a água tipo B das células neoplásicas, interferindo nos osmolitos, atinge o alvo, atinge o ponto fundamental e inicial do processo carcinogênico e inibe a proliferação celular, promove a apoptose, diminui a formação de novos vasos e aumenta a diferenciação celular. Esta estratégia atinge a fase inicial do processo de sofrimento persistente, atinge a ponta esquerda do processo carcinogênico,. 
               
    Xa- A hiperosmolalidade intersticial diminui a proliferação celular das células neoplásicas por retirar do citoplasma a água tipo A

    Laboisse em 1988 tratou células do câncer de colon humano, HT29, com uma substância não tóxica e não absorvível, o polietilenoglicol (PEG). Esta substância aumenta a pressão osmótica de um modo dose dependente e retira a água do intracelular. A água retirada é a água do tipo A, que é a osmoticamente ativa e assim aumenta a concentração relativa da água tipo B, normalizadora da função bioenergética.

    Em 3 semanas de tratamento nota-se na cultura o aparecimento de células em franco estado de diferenciação. Quando submetidas a subcultura estas células produzem duas linhagens diferentes de células, uma enterocítica e outra secretora de muco, ambas de caráter benigno.

    Silvotti em 1991 mostrou que a hiperosmolalidade diminui a resposta proliferativa de células transformadas e quase não interfere com as células normais correspondentes.

    As células transformadas são mais sensíveis ao aumento da osmolalidade e diminuem o seu índice de proliferação porque contém maior quantidade de água osmoticamente ativa do tipo A que é aquela que é retirada da célula. A diminuição da água tipo A no citoplasma restaura parcialmente a função fisiológica celular diminuindo a proliferação celular. Se a restauração da função fisiológica fosse total, a célula sairia do “estado de quase morte” e a proliferação seria totalmente abolida, isto é, não seria mais necessária.

    Corpet em 1991 também mostrou que a hiperosmolalidade diminui a proliferação celular maligna quando verificou que o polietilenoglicol (PEG) inibiu de uma forma rápida e consistente a carcinogênese de colon de ratos e camundongos submetidos a vários tipos de carcinógenos. Quando ratos bebem água com 5% de PEG e são injetados com um carcinógeno (azoximetano) eles diminuem em 10 vezes o desenvolvimento de tumores de colon em relação aos ratos controle, sem PEG. A administração de PEG por 16 dias reduz em 5 vezes o volume tumoral.

    De fato a retirada da água tipo A desestruturada do citoplasma permite que a célula adquira suas características iniciais normais o que restabelece a entropia negativa, aumenta o grau de ordem, o metabolismo passa para fosforilação oxidativa e não mais é necessária a proliferação celular. Na evolução ocorre diferenciação celular e as células “malignas” percorrem a via normal de morte por apoptose.

    Xb- O aumento de substâncias kosmotropas, estruturadoras da água intracelular possui efeito anticarcinogênico

    O pesquisador Prof. Dr. M. Waheed Roomi e seus colaboradores da Divisão de Câncer do Instituto Matthias Rath da Califórnia, através de 13 trabalhos muito engenhosos mostraram  brilhantemente que o emprego de uma mistura de substâncias nutricionais estruturadoras da água intracelular possui efeito anti tumoral em vários tipos de câncer tanto in-vitro como in-vivo: pulmão, próstata, mama, pâncreas, bexiga urinária, glioma, testículo, melanoma e fibrosarcoma.
    Este efeito anti tumoral compreende a diminuição da proliferação celular, a diminuição da invasividade tumoral e da neoangiogênese, a abolição das metástases e o aumento da apoptose (Roomi- 2003; 2004 a,b; 2005 a,b; 2006 a,b,c,d,e,f; 2007 a,b  e  Felippe – junho 2008).

    Roomi responsabilizou a inibição das metaloproteinases 2 e 9 pelos efeitos da mistura de nutrientes. Entretanto, a normalização da bioenergética e fisiologia celular torna desnecessária a ativação das metaloproteinases que abrem caminho para a proliferação redentora da vida neoplásica.

    O tiosulfato de sódio (Na2S2O3) é um dos fortes estruturadores da água intracelular. Norbert Viallet em 2005 empregando apenas o tiosulfato de sódio como estruturador das pontes de hidrogênio conseguiu diminuir significantemente (quase 50%) a proliferação do carcinoma epidermoide humano implantado em camundongo.

    Os camundongos foram implantados com células FACU do carcinoma epidermoide humano e a seguir receberam uma única injeção intraperitoneal de salina (controle) ou somente tiosulfato (1600 mg/Kg).

    No grupo salina o volume do tumor atingiu 1200 mm3 em 25 dias de evolução e no grupo com somente tiosulfato atingiu 650 mm3 , isto é, houve diminuição de quase 50% do volume tumoral, empregando-se apenas um dos tipos de estruturadores que as células normais utilizam na sua fisiologia normal em uma única dose.

    Conclusão

    Quando a água intracelular muda o seu comportamento físico-químico e passa de água de baixa densidade, osmoticamente inativa e viscosa (água B) para água de alta densidade, osmoticamente ativa e fluída (água A) a célula passa do estado quiescente para o estado de proliferação.

    Quando aumenta a quantidade de água A, desestruturada, no intracelular, as células sofrem profundas modificações metabólicas e bioenergéticas com diminuição progressiva do grau de ordem-informação do sistema termodinâmico aberto que é a célula que culmina no aumento da entropia.  No início temos apenas disfunção, porém, na evolução do processo o grau de ordem-informação chega a um ponto crucial e a célula atinge um nível quase não tolerável de desestruturação um “estado de quase morte” (Felippe- fevereiro de 2008 , maio de 2003).

    Ao chegar ao “estado de quase morte” as células descartam o pesado mecanismo da fosforilação oxidativa e passam a utilizar a via mais simples de Embden-Meyerhof que supre o núcleo de ATP. Neste momento desencadeiam-se mecanismos milenares de sobrevivência e as células começam a se dividir e entram em estado de mitose contínua, único modo de continuarem vivendo.

    A célula normal quando agredida é capaz de colocar em ação todo potencial adquirido nos milhões de anos de planeta Terra para manter a vida. A células assim chamadas de “malignas”, são carne da nossa própria carne e portanto também são capazes de colocar em ação este potencial ativando todos mecanismos disponíveis de sobrevivência, isto é, a ativação de fatores e vias de sinalização que: 1- promovem a proliferação celular; 2- impedem a apoptose; 3- aumentam a geração de novos vasos , 4- aumentam a produção de matrix-metaloproteinases (MMPs), etc.

    Não são células malignas, não são células cancerosas, são apenas células doentes lutando para sobreviver. São células transformadas que precisam de cuidados, precisam de tratamento para que retornem às suas características iniciais em um fenômeno que se chama diferenciação celular, para caminharem para a via final de morte sem alarde, sem inflamação, que é a apoptose. (Felippe – maio de 2004, maio de 2005).

    Finalmente cremos que as tentativas infrutíferas da quimioterapia e radioterapia estejam no fato de que tais estratégias atingem somente a ponta direita do processo, lá no final das etapas da carcinogênese. O tratamento mais racional deve atingir a ponta esquerda do processo, lá nas etapas iniciais da carcinogênese.

    “Uma boa hipótese persiste até chegar outra melhor”
    JFJ

    “Deixar de aprender é omitir socorro e esperar por maiores evidências cientificas para tratar é ser cientista e não médico”
    JFJ

    “The majority believes that everything hard to comprehend must be very profound.
    This is incorrect. What is hard to understand is what is immature, unclear and often false.
    The highest wisdom is simple and passes through the brain directly to the heart.”
    Viktor Schauberger

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