março/2005
Dr. José de Felippe Junior
“Se a única ferramenta que você tem é um martelo, você tende a ver cada problema como um prego“ Abraham H Maslow
Nas mais variadas ocasiões em Congressos, Simpósios e no cotidiano temos visto médicos e professores afirmarem que professam a medicina clássica, porém , eles têm dificuldade em aceitar os novos conhecimentos provenientes da bioquímica e da fisiologia aplicada, conhecimentos esses tão clássicos como a própria medicina em que atuam.
Vamos mostrar a seguir alguns dos inúmeros trabalhos científicos da literatura médica de bom nível onde os nutrientes interferem realmente no desempenho terapêutico. São trabalhos duplo cego, randomizados e controlados com placebo todos eles indicando uma grande verdade: a “Estratégia Biomolecular” aumenta a eficácia do tratamento habitualmente empregado.
Salientamos que a “Estratégia Biomolecular” foi regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina em 1998 .
Apresentamos a seguir 32 estudos da maneira acima descrita.
| CARDIOLOGIA |
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I-ANGINA PECTORIS .
1- Em 1992 McMurry avaliou a presença de malondialdeido , marcador da peroxidação lípidica, no plasma de 25 pacientes com angina instável, 25 pacientes com angina estável e 25 controles normais . Os valores foram respectivamente: 10 ng/ml ,9 ng/ml e 8 ng/ml,com significância estatística de p<0.05 entre o grupo angina instável e os controles normais .Sendo a angina pectoris uma doença onde acontece episódios recorrentes de isquemia-reperfusão ,temos durante o desencadear deste processo a produção de espécies reativas tóxicas de oxigênio ,principalmente do radical hidroxila o qual é capaz de abstrair átomos de hidrogênio dos ácidos graxos da membrana celular e assim iniciar o processo de peroxidação lípidica,o qual é detectado no sangue com a dosagem do malondialdeido (MDA). Este trabalho nos mostra que , quanto mais grave o quadro de angina ,maior é a quantidade de MDA detectada no plasma.Entretanto qual o significado deste achado? Seria somente um fenomeno fisiopatológico desprovido de valor? O próximo trabalho mostra que devemos nos preocupar com os achados acima descrito.
McMurry,Br.Heart.J.,68:454-7,1992.
II- ANGINA PECTORIS e COENZIMA Q10.
2- Em trabalho randomizado,controlado com placebo e duplo cego ,12 pacientes com angina pectoris estável receberam por 4 semanas ,150mg de coenzima Q10 /dia.Após 30 dias houve redução do número de crises anginosas de 5 para 2.5 , redução do consumo de nitroglicerina de 2.6 para 1.3 e houve aumento da tolerância ao exercício mostrada no teste ergométrico pelo aumento do tempo de exercício necessário para ocorrer isquemia com manutenção do produto,frequência - pressão.
Kamikawa.Am.J.Cardiol.,56:247-51,1983.
III- INSUFICIÊNCIA CARDÍACA E PRODUÇÃO DE RADICAIS LIVRES.
3-Belch em 1991,dosou o malondialdeido,marcador da peroxidação lipídica,em 45 pacientes com ICC por miocardiosclerose e 45 controles normais,verificando uma diferença significante entre ambos: 9 ng/ml no grupo ICC contra 7.7ng/ml no grupo normal ( p<0.01).Mostrou tambem que,quanto menor a fração de ejeção maior é a quantidade de MDA encontrada no plasma .isto é ,quanto mais grave a ICC maior é a quantidade de radicais livres produzida no organismo.
Belch,Br.HeartJ.,65:245-8,1991.
Várias revisões de literatura apontam o importante papel desempenhado pelos radicais livres na insuficiência cardíaca:diminuição da contratilidade miocárdica,aumeto das arritmias,aumento da vasoconstrição(aumento do tromboxane A2 e diminuição da prostaglandina I2),aumento da coagulabilidade, diminuição da densidade dos beta receptores no miocárdio.Na ICC temos o aumento exagerado e prolongado da ativação simpática com elevação dos níveis de norepinefrina a qual oxidada pelos radicais livres transforma-se em adrenocromo.O adrenocromo provoca:espasmo de coronárias,arritmias,lesão ultraestrutural de miofibrilas e assim piora o quadro de disfunção ventricular.Na prática o emprego do tratamento clássico juntamente com as medidas de controle do excesso de produção de radicais livres aumenta a probabilidade de um maior sucesso terapeutico.É o que veremos nos próximos trabalhos.
IV- ICC e COENZIMA Q10 .
4- De uma forma randomizada e duplo cega ,foram estudados 297 pacientes com insuficiência cardíaca por doença valvular,hipertensão arterial ou aterosclerose coronária ; 100 deles receberam 30 mg de CoQ10 ao dia e 97 receberam placebo .Após 2 a 4 semanas o grupo CoQ10 apresentou maior melhoria geral e maior redução da congestão hepática ( p<0.05) e dos sintomas de angina (p<0.025).
Hashiba K et al.Heart , 4:1579-89,1972.
V- ICC e COENZIMA Q10.
5- De uma forma duplo cega e cruzada 19 pacientes com ICC ,classe III e IV da NY Heart Assoc. receberam 100 mg de CoQ10 diariamente e depois placebo por 3 meses .Enquanto recebiam o CoQ10 18 dos 19 pacientes melhoraram significativamente da função cardíaca ,verificada por bioimpedância cardíaca , enquanto sob o placebo a função cardíaca piorou.Não houve efeitos colaterais.
Langsjoen et al. Proc Natl Acad Sci USA , 82: 4240,1985.
VI- ICC e TAURINA .
6- Emtrabalho duplo cego e cruzado,14 pacientes com insuficiência cardíaca congestiva por miocardiosclerose receberam 2 g do amino-ácido taurina, 3 vezes ao dia por 30 dias e após um “wash - out “ de 15 dias receberam placebo por 30 dias , em adição ao tratamento clássico habitual da insuficiência cardíaca . 11/14 ou 79% melhoraram com taurina enquanto que somente 3/14 melhoraram com placebo.No grupo taurina em relação ao placebo houve: melhora significante da classe funcional,melhora dos estertores de base pulmonar, da dispnéia,,das palpitações,do edema,das alterações radiológicas e por fim melhora da fração de ejeção( p<0.001).
Azuma,J et al. Therapeutic effect of taurine in congestive heart failure:a double-blind crossover trial . Clin Cardiol , 8:276-82,1985 .
VII- ICC : TAURINA vs COENZIMA Q10.
7-Em trabalho duplo cego 17 pacientes com ICC por miocardiosclerose ou miocardiopatia dilatada ( fração de ejeção < 50%),receberam ou taurina 3 g ao dia ou CoQ10 ,30 mg ao dia.Após 6 semanas de tratamento foi observado melhora da função ventricular esquerda somente no grupo tratado com taurina.
Azuma,J et al Usefulness of taurine in chronic congestive heart failure and its prospective application. Jpn Circ.J 56(1):95-9,1992.
| PNEUMOLOGIA |
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I- ASMA BRONQUICA e o SAL DA DIETA . A reatividade brônquicaà histamina está relacionada com a gravidade dos sintomas asmáticos. ( Juniper EF et al Thorax 36(8): 575-9,1981.) e a ingestão de sódio na dieta se correlaciona com a reatividade brônquica à histamina.
8-Em trabalho duplo cego e cruzado 36 individuos ingerindo dieta pobre em sódio foram suplementados com 80 mEq de sódio ao dia ou placebo de uma forma randomizada ,duplo cega e cruzada. como já salientado.Houve uma associação significante entre a maior ingestão de sódio e a resposta brônquica à histamina.
Burney PG et al Thorax 44(1):36-41,1989
Um ano antes o Br.Medical Journal , publicava estudo envolvendo 10 pessoas com idade entre 18 e 63 anos ,metade dos quais eram atópicos e que dobraram a quantidade de sal ingerido na dieta por 1 mes. Após esse período observou-se aumento significante da reatividade brônquica à histamina em 9 das 10 pessoas estudadas.
Javaid A et al Br Med J 297:454,1988.
II-ASMA BRÔNQUICA e VITAMINA C.
9- Em trabalho duplo cego e randomizado , 41 crianças asmáticas da Nigéria receberam 1 g de vitamina C ao dia ou placebo durante 14 semanas.No grupo vitamina C houva 25% de redução do número de crises asmáticas e elas foram significativamente de menor gravidade.Poucas semanas após a interrupção do suplemento de vitamina C a frequência das crises asmáticas ficou semelhante nos dois grupos.
Anah CO et al Tropical Geograph Med 32:132-7,1980.
10-Em trabalho duplo cego ,randomizado e cruzado 16 pacientes com rinite alérgica receberam 2 g de vitamina C dose única ou placebo e vice - versa . A inalação de histamina provocou diminuição do fluxo expitatorio máximo ,somente no grupo placebo.
Bucca C et al .Effect of vitamin C on histamine bronchial responsiveness of patients with allergic rhinitis . Ann Allergy 65:311-14,1990.
III-BRONCOESPASMO INDUZIDO PELO EXERCÍCIO e VITAMINA C.
11-De um modo duplo cego e randomizado,12 pacientes com broncoespasmo induzido pelo exercício receberam 0.5 g de vitamina C ou placebo . Após 2 dias constatou-se dramática redução do broncoespasmo avaliado 5 minutos peois do início do exercício,somente no grupo vitamina C.
Schachter EN The attenuation of exercice-induced bronchospasm by ascorbic acid . Ann Allergy 49(3):146-51,1982.
IV-ASMA BRÔNQUICA e ÁCIDO GRAXO ÔMEGA -3
12- Estudo mono cego ,utilizando 3.3g de EPA e 2.2g de DHA diariamente ou placebo por 10 semanas mostrou melhoria de 36.6% da dispnéia após inalação de antigeno, no grupo com óleo de peixe ,enquanto no grupo controle a melhoria foi de apenas 7.7%.
Arm J et al J Clin Allergy 81:183,1988.
Entretanto outros 2 trabalhos agora DUPLO - CEGOS E CRUZADOS nãoforam capazes de demonstrar qualquer tipo de benefício.
Stenius-Arniala B et al Ann Allergy 62(6):534-47,1989
Arm JP et al Thorax 43(2):84-92,1988
V- ASMA BRÔNQUICA E ÁCIDO GRAXO ÔMEGA - 6
13- Em estudo duplo cego e cruzado foram administrados 15 a 20 ml de óleo de prímula ( ômega-6) ou placebo e vice-versa. . Após 10 semanas não houve diferença entre as duas abordagens com relação aos sintomas , à necessidade de medicamentos anti asmáticos ou ao pico de fluxo expiratório.
Stenius-Arniala B et al Ann Allergy 62(6): 534-47,1989.
VI-DIETA POBRE EM TRIPTOFANO e ASMA ENDÓGENA
14-Em estudo duplo cego e cruzado , 18 pacientes com asma endógena receberam durante 1 mes dieta normal em triptofano ( 1200mg/dia) ou dieta pobre neste amino ácido ( 200mg/dia) . Após transcorridos 30 dias , 12 pacientes melhoraram clínicamente com a dieta pobre em triptofano,4 com a dieta normal e 2 não notaram diferença. ( p<0.05).Os maiores valores do “mean peak flow” foram observados em 14 pacientes com a dieta pobre em triptofano e em 4 pacientes com a dieta normal.(p<0.02).
Urge G et al Europ J Resp Dis Suppl. 136,65:175-76,1984
Urge G et al Allergy 38:211-2,1983.
Dieta pobre em triptofano:
- Pobre nas oleaginosas:amendoa,avelã,castanha de Caju.castanha do Pará, nozes, pistache, semente de abobora.
- Pobre em carnes: porco, frango, perú, vaca
- Pobre em queijos amarelos e ovo
- Rica em: legumes, verduras, arroz integral, queijobranco, yogurt, batata, brotos, cogumelo, gengibre, agua de côco.
VII-ASMA BRÔNQUICA e MAGNÉSIO
15-Sob o desenho duplo cego 38 pacientes em crise aguda de asma ,randômicamente receberam 1.2 g de sulfato de magnésio intravenoso ou placebo após o tratamento com beta agonistas ter falhado em aumentar o pico de fluxo expiratorio.O grupo magnésio apresentou aumento do pico de fluxo expiratório de 225 l/min para 297 l/min enquanto que o grupo placebo apresentou apenas aumento de 208 l/min para 216 l/min .Em adição o número de internações vs as altas foi menor no grupo magnésio ( 7 vs 12) quando comparado com o placebo ( 15 vs 4).
Skobeloff EM et al . Intravenous magnesium sulfate for the treatment of acute asthma in the emergency department . JAMA 262(9):1210-13,1989.
VIII-ASMA BRÔNQUICA e CÁLCIO
16-Em estudo duplo cego , randomizado e cruzado, 12 pacientes com asma alérgica na vigência de obstrução das vias aéreas receberam por via oral cálcio + vitamina D2 (calciferol).Transcorridos 60 minutos ,observou-se em relação ao placebo: redução significante da resistência das vias aéreas e do volume de ar intratorácico, assim como aumento significante do volume expiratorio forçado em 1 segundo( FEV1).
Utz G et al MMW 118(43):1395-8,1976.
| DERMATOLOGIA |
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I-HERPES SIMPLEX e BIOFLAVONÓIDES + VITAMINA C
17- Em estudo duplo cego e randomizado,19 de 38 pacientes com herpes labial receberam vitamina C ( 600mg ou 1000mg) e bioflavonoides ( 2 00mg) 3 a 5 vezes ao dia iniciando dentro de 48 horas do início dos sintomas e mantendo por mais 3 dias.Somente 10 dos 38 pacientes tratados desenvolveram as vesiculas durante o curso da infecção , enquanto que todos do grupo placebo evoluiram para as vesiculas . O sucesso foi maior ainda quando se iniciou o tratamento nas 12 primeiras horas do início dos sintomas. Enquanto que o intervalo entre os sintomas iniciais até a completa remissão foi de 9.7 +/- 2.8 dias no grupo placebo , ele foi de 4,2 +/- 1,7 dias com 600mg de vit C e 4,4 +/- 3.9 dias no grupo 1000mg.. A diferença entre o grupo tratado e o placebo foi significante com p<0.01.
Terezhalmy GT et al The use of water-soluble bioflavonoid-ascorbic acid complex in the treatment of recurrent herpes labialis .Terezhalmy GT, Oral Surg 45:56-62,1978.
II-HERPES SIMPLEX e o AMINO -ÁCIDO L-LISINA
18- Em trabalho duplo cego e cruzado 41 pacientes recebendo em média 1250 mg de monocloridrato de L-lisina ao dia mostraram significante diminuição da frequencia de recorrencias e diminuição da gravidade dos sintomas durante as recorrencias.Não houve redução do tempo de cicatrização.A dose de 625 mg ao dia foi ineficaz. McCune MA,Cutis34(4):366-73,1984.
19-Outro trabalho tambem duplo cego e cruzado envolvendo 65 pacientes com herpes labial de repetição, mostrou que em 12 semanas de tratamento com L-lisina maior número de pacientes permanreceu sem apresentar a infecção herpética..Milman N,
Acta Dermatovener 60:85-87,1980.
DiGiovanna , não conseguiu mostrar qualquer tipo de beneficio em 21 pacientes quando empregou a dose de 400mg , 3 vezes ao dia durante 4 a 5 meses em trabalho duplo cego mas não cruzado. Arch Dermatol. 120:48-51,1984
20-Griffith em estudo controlado com placebo utilizou L-lisina na dose de 1 g ,3 vezes ao dia em 52 pacientes com infecções recorrentes de herpes oral,genital ou ambos.Todos os pacientes receberam instruções para evitar as nozes, amendoim,chocolate e gelatinas( alimentos ricos em arginina).Após 6 meses o tratamento foi eficaz em 74% do grupo lisina e apenas 28% no grupo placebo ( p<0.01). O número médio de erupções foi de 3.1 no grupo lisina contra 4.2 no grupo placebo e no gp tratado os sintomas foram mais leves.Não houve efeitos colaterais. Griffth RS Dermatologica 175:183-90,1987
Parece que este tipo de abordagem depende da suplementação de lisina conjuntamente com a restrição de arginina e nem todos os trabalhos seguem esta metodologia .
| RAZÃO LISINA / ARGININA NOS ALIMENTOS |
| BOA |
RUIM |
carnes
batatas
amendoim ( 1/3 )
leite
levedura de cerveja
peixe
galinha
feijão
ovos |
chocolate ( ½ )
outras “nuts”
sementes
grãos integrais
gelatina
uva passa
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| PSIQUIATRIA |
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I- Depressão e a cafeina e o açucar
21-Em trabalho duplo cego , randomizado e controlado com placebo , 16 pacientes com sintomas de depressão, dores de cabeça,humor deprimido e fadiga passaram a consumir durante 2 semanas uma dieta livre de cafeina e livre de açucar refinado .Os pacientes que melhoraram receberam sequencialmente de um modo duplo cego : cafeina,placebo com celulose, Kool-Aid adoçado com sacarose e Kool-Aid adoçado com aspartame por 6 dias cada um. Sete pacientes apresentaram o retorno dos sintomas com as alterações de humor quando receberam a cafeina ou a sacarose , porem ,mantiveram-se sem sintomas quando receberam a celulose ou o aspartame.Aqueles que responderam e aqueles que não responderam não puderam ser diferenciados pelo “Profile of Mood States”ou “Beck Depression Inventory”ou “MMPI , e ambos os grupos apresentavam sintomas semelhantes quanto aos distúrbios do sono,depressão,fadiga,irritabilidade e alterações do humor. Christensen L J Appl Nutr 40(1):44-50,1988.
II- Depressão e deficiência de ácido fólico .A depressão é sintoma comum do quadro clínico de deficit de folato .
22-Em trabalho duplo cego e randomizado,24 pacientes com depressão maior (DSM III) , folato na hemácia < 200 mcg/l , sem significativo impedimento cognitivo e sem deficit de vitamina B12,receberam randomicamente ou 15 mg de metilfolato ou placebo
EM ADIÇÃO AOS ANTIDEPRESSIVOS HABITUAIS . Após 3 e 6 meses de observação houve significantes diferenças entre os dois grupos com os melhores “scores
“ sendo observados no grupo que recebeu o folato.Godfrey PSA Lancet 336:392-95,1990.
23-Em trabalho duplo cego, 42 pacientes com disturbios afetivos e que estavam recebendo litio foi utilizado diariamente por 1 ano ou placebo ou 200mcg de ácido fólico.
A análise dos resultados combinados dos grupos placebo e ácido fólico para os pacientes unipolares revelou que aqueles que atingiram altas concentrações de folato nas hemacias apresentaram os melhores resultados clínicos,com uma redução significante do score AMI
(superior à 40% ).Coppen A. J Affective Disord 10:9-13,1986.
Em trabalho de revisão ,Botez sugere que os únicos casos de depressão que respondem ao ácido fólico são aqueles que apresentam como um dos sintomas principais a “ “fadiga frequente e de facil aparecimento”. No livro:EH Reynolds,Eds. Folic Acid in Neurology,Psychiatry and Internal Medicine,New York,Raven Press,1979.
III- Depressão e deficiência de piridoxina. A piridoxina funciona como coenzima na produção dos neurotransmissores monoamina.,sendo também necessaria para a conversão do triptofano em serotonina .
Estudo de observação mostrou que em 7 pacientes deprimidos os níveis de fosfato de piridoxal estavam 48% mais baixos quando comparados com o controle.Quando se utilizou método mais sensível de diagnóstico de deficit de B6 todos os pacientes deprimidos estavam deficientes e nenhum dos controles apresentavam deficit.
Russ CS Nutr. Rep.Int 27(4):867-73,1983.
Artigo de revisão mostra mais uma vez que os estrogenos bloqueiam a atividade da piridoxina e aceleram o metabolismo do triptofano , diminuindo a produção de serotonina.A suplementação com estrogenos pode provocar aumento da excreção de triptofano,como acontece na deficiencia de piridoxina.Mulheres que usam pilulas anticoncepcionais podem apresentar diminuição dos níveis de B6 e disturbios do metabolismo do triptofano os quais podem ser responsáveis pela depressão,ansiedade,
diminuição da libido e intolerância à glicose.A adm,inistração de 40 mg de vitamina B6 ao dia restaura os níveis bioquimicos adequados da vitamina e aliviam os sintomas clínicos decorrentes do deficit de B6 nas mulheres que usam pilulas anticoncepcionais.
Bermond P Acta Vitaminol Enzymol 4(12):45-54,1982.
24-Estudo randomizado e controlado com placebo em 39 mulheres deprimidas que estavam usando pilulas anticoncepcionais mostrou que 19 (48.7%) apresentavam deficit de piridoxina. A suplementação com vitamina B6 nestas mulheres melhorou o humor de 16 delas (84%) utilizando a metodologia da escala de depressão de Beck e tambem melhorou o humor em 8 em 20 (40%) das deprimidas sem deficit de B6.Não houve melhoria no grupo com ou sem deficit de B6 quando se empregou placebo.
Adams PW Lancet 2: 516-17,1974.
Uma observação muito interessante foi publicada em ótima revista de gastroenterologia sobre 12 pacientes com doença celiaca que não melhoraram da depressão após um ano da retirada do glutem da alimentação apesar da normalização do intestino delgado e que com a administração de 80 mg ao dia de piridoxina passaram de70 para 56 na escala MMPI para depressão (p<0.01), isto é houve normalização do quadro depressivo.
Hallert C Scand J Gastroenterol 18(2):299-304,1983.
IV- Depressão e deficit de Riboflavina
Durante 56 dias , 6 homens normais foram submetidos à restrição quase total de riboflavina na dieta e apresentaram significante aumento na escala MMPI para a depressão.Sterner RT Am J Clin Nutri 26:150-60,1973.
V-Depressão e deficit de Tiamina
Nove homens jovens e normais foram colocados em dieta deficiente em tiamina.Em 2 meses 5 deles ( 55%) desenvolveram marcante depressão e irritabilidade.
Brozek J. Am J Clin Nutr 5(2):109-20 , 1957.
VI-Depressão e deficit de biotina
Quatro pessoas normais receberam uma dieta deficiente somente em biotina.
Após 10 semanas elas estavam deprimidas,cansadas,sonolentas ,com dores musculares e com nausea e anorexia. Tambem foi notado pele seca,anemia,aumento do colesterol e parestesias.Todos os sinais e sintomas foram aliviados com a suplementação de biotina.
Sydenstricker VP JAMA 118:1199-1200,1940.
Apresentação de Caso.Um paciente sob alimentação parenteral total desenvolveu depressão juntamente com nauseas,vomitos,insonia,parestesias,dor de cabeça e letargia.A suplementação com biotina 300 mcg /dia ,restaurou ao estado prévio em 5 dias.
Levenson JL J Parenter Enter Nutr 7(2):181-3,1983.
VII- Depressão e deficit de Vitamina B12.
A deficiência de vitamina B12 pode causar depressão mesmo na ausência de anemia . Zucker DK Biol Psychiatry 16:197-205,1981.
VIII-Depressão e deficit de Vitamina C
A depressão é o primeiro sintoma clínico do escorbuto.Depressão cronica,cansaço,irritabilidade fazem parte do quadro sub clínico do escorbuto.
Hodges RE Am J Clin Nutr 24:432-43,1971.
25-Em estudo duplo cego ,randomizado e controlado com placebo 40 pacientes psiquiatricos cronicos do sexo masculino receberam 1000 mg de ácido ascórbico ou placebo.Após 3 semanas houve significante diminuição do MMPI para depressão (p<0.01) somente no grupo com vitamina C. Sabe-se que, enquanto as pessoas normais se saturam em 1 a 2 dias com a suplementação com 1000mg / dia de vitamina C os pacientes em estado sub clínico de escorbuto demoram 7 a 10 dias para atingir a saturação.Neste estudo os pacientes psiquiatricos demoraram em média 6 dias para atingirem a saturação ,mostrando que se encontravam em estado sub clínico de escorbuto.
Milner G Br J Psychiatry 109:294-99,1963.
Apresentação de Caso : Uma criança com depressão induzida pelo ACTH respondeu favoravelmente com ácido ascórbico intravenoso,50mg/Kg/dia.
Cocchi P Pediatrics 65:862-63,1980.
IX- Depressão e o Cálcio
Tanto a hipercalcemia como a hipocalcemia podem estar associadas à depressão.
X-Depressão e o Magnésio
Muitos pacientes com depressão de causa desconhecida apresentam redução dos níveis sanguineos de magnésio. Hall RCW JAMA 224:1749-51,1973.
XI- Depressão e o Rubídio
26-Em estudo duplo cego ,randomizado 28 pacientes deprimidos receberam 180mg /dia de rubídio ou 100mg /dia de clorimipramine .Após 30 dias o escore do grupo rubídio mostrou-se significantemente melhor .Não se observou efeitos colaterais.
Calandra C Proc 34th Congress Italian Society ofPsychiatry Italy,1980.
XII- Depressão e L-5-Hidroxitriptofano ( L-5-HTP )
27-Em estudo duplo cego, randomizado e controlado , 45 pacientes com Depressão Maior do tipo melancólico , satisfazendo os critérios do DSM - III ,após 10 dias
sem drogas , receberam randomicamente : L-triptofano,5g ao dia ou L-5-HTP ,200mg ao dia em combinação com carbidopa 150mg/dia ( inibidor periférico da decarboxilase) ou placebo. Após 4 semanas o L triptofano foi somente levemente superior ao placebo , enquanto a L-5-HTP com carbidopa foi significantemente superior ao placebo e ao L-Triptofano . Van Praag HM Psychopharmacol Bull 20:599-602,1984.
XIII- Depressão e o L-triptofano . O L- triptofano é precursor da serotonina e a sua deficiência se relaciona com depressão e agressividade.Quando a dieta é pobre em triptofano ,aumenta o número de suicídios na população.
Kitahara M Omega J Death Dying 18:71-76,1987.
28-Em trabalho duplo cego e cruzado,21 pacientes controlados da
depressão (DSMIII) com antidepressivos , receberam dieta pobre em triptofano (160mg/dia) seguida de uma mistura de 16 amino-ácidos (para provocar depleção aguda de triptofano),de uma maneira duplo cega , cruzada e placebo controlada.Houve o retorno do quadro depressivo em 14 pacientes (66.7%) após a ingestão da mistura de amino-ácidos com gradual melhoria em 24-48 horas quando a dieta normal foi novamente introduzida.A mistura placebo não provocou quaisquer alterações.Os resultados sugerem que o efeito terapeutico de alguns antidepressivos dependem da disponibilidade de serotonina.
Delgado,PD Arch Gen Psychiatry 47:411-18,1990.
29-Young em trabalho de revisão,verificou que em 5 estudos duplo cegos o triptofano na dose de 3 - 9 g ao dia possue a mesma eficácia terapeutica que a imipramine.
Outros estudos duplo cegos também chegaram à mesma conclusão com respeito à amitriptilina e a mianserina.O triptofano funciona melhor nos pacientes deprimidos que apresentam diminuição da razão plasmática entre o triptofano e os amino-ácidos que competem com o triptofano no transporte para dentro do cérebro.
Young SN Nutrition and the Brain Vol:7 , New York , Raven Press ,49-88,1986.
XIV - Depressão e L- tirosina . A tirosina é precursora da dopamina,norepinefrina e epinefrina.
30-Em estudo duplo cego ,randomizado e controlado, 5 pacientes livres de medicamentos e com depressão unipolar,foram suplementados com 100 mg/Kg/dia de tirosina,em doses divididas 3 vezes ao dia ou placebo. Observou-se redução de pelo menos 50 % na escala de depressão de Hamilton em 3 dos 5 pacientes enquanto com tirosina e em 1 em 4 enquanto com placebo.A redução do score de depressão se correlacionou positivamente com os níveis plamáticos de tirosina ( p < 0.01 ) ,sugerindo que uma adequada concentração de tirosina é necessária para obter-se a melhora.Não houve efeitos colaterais exceto irritação gástrica quando a tirosina era ingerida sem alimentos.
Gibson CJ Adv.Biol.Psychiatry 10:148-159,1983.
31-Alguns trabalhos duplo-cegos mostraram que 200 mg/dia de
L-5-hidroxitriptofano combinado com 150 mg/dia de carbidopa (inibidor da decarboxilasa)
ou L-tirosina se constitue em eficaz regime terapeutico para a depressão pois, ele aumenta a serotonina e as catecolaminas.
| GINECOLOGIA |
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I- Displasia cervical e ácido fólico
32-Em estudo duplo cego ,randomizado e placebo controlado , 47 jovens mulheres apresentando displasia cervical moderada que estavam tomando pílulas anticoncepcionais por pelo menos 6 meses , rceberam 10 mg de folato ou placebo.Após 3 meses as biopsias cervicais mostraram significante melhora somente no grupo folato.A displasia desapareceu completamente em 7 mulheres que receberam folato,enquanto 4 delas sob placebo mostraram progressão para carcinoma in situ .
Butterworth CE Am J Clin Nutr 35:73-82,1982.
II- Displasia cervical e Vitamina A
Baixa ingestão de betacaroteno (pró vitamina A) se associa com elevado risco de displasia cervical.
Romney SL Am J Obstet Gynecol 141(8):890-4,1981
Estudando um grupo de 87 casos com citologia utero cervical anormal e 82 controles de mesma idade,raça,número de gestações e estado econômico ,concluiu-se que os casos de displasia grave ou de carcinoma-in-situ eram aqueles que apresentavam a mais baixa ingestão de vitaminaA e ou de betacaroteno(p<0.05 e p<0.025).O risco de displasia cervical grave ou de carcinoma-in-situ é 3 vezes maior nas mulheres com baixa ingestão destes nutrientes.
Wylie-Rosett JA Nutr Cancer 6(1):49-57,1984.
III- Displasia cervical e Selênio
A deficiência de selênio se correlaciona com aumento de risco de cancer epitelial. Prasad K Ed. Vitamins,Nutrition and Cancer New York ,Karger,1984.
IV- Displasia cervical e Vitamina C.
Baixa ingestão de vitamina C da dieta está associada com aumento do risco de displasia cervical e carcinoma-in-situ.
Romney SL Am J Obstet Gynecol 141(8):890-4,1981.
“A MEDICINA como a MULHER sempre nos fazem sofrer , no mistério e encanto que escondem, porém nunca deixamos de amá-las”
José de Felippe Junior
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